A teoria do Caos
1 Capítulo Único
Notas iniciais
_Oh, meu Oswald, como conseguiu tanto dinheiro¿
_A Teoria do Caos, mamãe – sorriu estridente e rápido, como sempre o fazia -.
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Oswald Cobblepot havia descoberto recentemente que o mais novo bom policial da cidade também tinha seus segredos. O honorável Jim Gordon, há cerca de um mês, matara uma das centenas de pessoas que viviam nas ruas da cidade num tiro acidental que disparou após beber alguns copos de whisky no bar das redondezas. Seu maior arrependimento era compartilhado apenas com sua esposa, que ao visita-lo no escritório, às vezes acabava por pincelar o assunto para que seu amado pudesse superá-lo.
A informação — contida numa fita tape guardada a sete chaves em seu quarto — colhida por uma escuta que Oswald havia plantado no escritório de Jim, parecia, porém, inútil naquele momento. A conhecida astúcia do Pinguim não o levava a um fim aproveitável àquela informação, por mais curiosa e aparentemente devastadora que fosse para o policial honesto do Departamento de Polícia de Gotham City.
Um homem honesto é como uma arma, ouviu certa vez Cobblepot. Algo que, certamente, nunca esquecera. A maneira como usaria aquela arma, no entanto, faria dele um tolo suicida – com o cano disparado em direção a sua própria nuca – ou um verdadeiro jogador.
Mais do que possuir nem tão valiosas informações, Pinguim – como odiava ser chamado – tinha deveres básicos a cumprir. Sua mãe, definitivamente maluca desde que o colocou no mundo, já não tinha mais bicos como empregada doméstica, atendente de bar ou mesmo prostituta de vila. Seus cinquenta anos bastante gastos e a falta de algumas sinapses nervosas básicas desde a morte de seu marido fadavam sua existência a uma miséria que nem sequer a mantinha de pé.
Fish Mooney, a mulher que dava a Cobblepot um subemprego, mal o pagava um salário mínimo, quantidade básica para que ele alimentasse o estômago e os vícios de sua mãe já debilitada. Além disso, a morena se intitulava mãe de seus subalternos, mas nem tanto de Oswald, que apenas carregava seu guarda chuva para lá e para cá, em suas idas e vindas por Gotham. Por tal fato, o Pinguim a odiava em sua maneira cordial e discreta de ser.
_Será que você não consegue nem evitar que eu me molhe, Pinguim maldito! – Fish dizia com ironia e desprezo -.
_Me desculpa, senhorita. Perdoe meu...
_Cale a boca, serviçal. Você fala pelos cotovelos.
A morena puxou um de seus capangas, entrou em seu Impala acobreado e deixou Cobblepot para trás.
Naquele exato instante, um dia como outro qualquer, Oswald soube que seu ódio não seria mais usado em vão e muito menos ficaria encarcerado entre suas têmporas. Com pouco esforço e muita classe, moveria duas casas numa só jogada. O Pinguim mostraria aos “donos de Gotham” qual era seu prato predileto.
Um dia após o ocorrido, saíra de casa mais cedo sem seu terno barato usual, mas, sim, com um sobretudo marrom e rasgado sobre sua camisa branca mais velha. Carregava consigo uma lata de alumínio de cerca de duzentos mililitros e uma de plástico, com a mesma capacidade. Começou às seis, desde a casa número um de Gotham, até a número dois mil cento e vinte e quatro, passando de porta em porta para pedir esmola a cada um dos moradores.
Oswald batia suavemente, baixava a cabeça e pedia em nome do Senhor uma ajuda aos necessitados. Aos poucos, logo, enchia uma das latinhas com centavos de dólares e bastante mesquinharia de cada um dos habitantes daquela cidade pobretona. Para, no entanto, três casas em especial, marcadas a dedo, ele guardou seu recipiente de plástico e esperou pacientemente que os tais moradores saíssem à porta para que ele mesmo os abordasse, sem que fosse atendido por meros serviçais.
_Senhor Prefeito – abordou Cobblepot logo no início da manhã – poderia me ajudar com uns míseros centavos¿
Abordagem fácil. Era um bom homem, apesar de corrupto até os fios de cabelo.
_Dom Maroni, por favor...
Oswald não fora muito bem recebido. Dois homens o acompanhavam, guardando-o. O Pinguim, no entanto, soube como trazer o poderoso italiano aos seus pés falando sobre sua mãezinha em estado de decadência. Novo sucesso.
Por último, Dom Falcone fora muito receptivo ao rapaz. O Romano era um senhor simpático nas horas vagas.
Ao final do dia, Oswald deixou cada uma das latas debaixo de sua cama e foi ao trabalho servir sua adorada segunda mãe. Esperou que a boate fosse fechada, todos dispensados, músicos em silêncio e guardas de prontidão para, audaciosamente, propor um brinde aos remanescentes.
_Fish, minha linda chefe, Jonas, Brad, ouçam-me por um só segundo.
De sobrancelhas em pé, Fish ouvira o rapaz lamentar por sua mãezinha e saudar a oportunidade única que tinha em trabalhar para pessoas tão inteligentes e que o faziam crescer na vida. Todos, logo, num ato de pena e de entretenimento mordaz, brindaram e deglutiram cada gota do shot de Tequila do próprio bar que Oswald os ofereceu. Em cerca de segundos, esvaíram-se ao chão desmaiados após o gole mortal.
O Pinguim sorriu, como se nada tivesse sido tão fácil em sua vida antes, e carregou Fish Mooney em seus braços até colocá-la sentada, cuidadosamente, em uma das mesas do salão. Vestiu, em seguida, um par de luvas de borracha, pegou três moedas de seu bolso e retirou delas com cuidado suas impressões digitais. Cada uma delas fora colocada em um dos copos oferecidos por Oswald – após devidamente limpos – e o rapaz seguira para casa de sua mãe, com missão cumprida.
Uma noite se passara e logo todos os telejornais já noticiavam a morte de uma das mulheres mais conhecidas de Gotham, seguida por dois de seus funcionários. Sabiamente, nenhum dos policiais do Departamento levantou a voz para sequer se meter em tal investigação tão perigosa. Ao contrário de tal cautela, o intitulado homem honesto por Oswald, aparecera em todas as TV’s dizendo ser quem solucionaria mais aquela atrocidade cometida em Gotham City.
Incrivelmente previsível.
O Pinguim, logo, para finalizar sua articulação, saiu cedo mais uma vez, batendo na porta de seus três alvos, deixando-lhes um bilhete e suas respectivas moedas doadas ali acopladas.
“Agradeço a filantropia, meus nobres senhores.
Saibam que pequenos gestos podem causar grandes acontecimentos.
Se não quiserem ser investigados por Jim Gordon – mesmo porque matá-lo seria um escândalo em rede nacional -, venham até mim e os servirei com prontidão.
Um abraço,
Oswald Cobblepot.”
Em menos de uma hora fora contatado por Romano, Dom Maroni e Aubrey que, por saberem ser Oswald a única salvação, acordaram em pagar o preço que o maldito lhes cobrava pela informação que afastaria Gordon do Departamento de uma vez por todas.
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_O que é essa maldita teoria do caos, meu filho¿ Algo que aprendeu no trabalho¿ — perguntara sua mãe com inocência -.
_Não, mamãe. É só uma bobagem matemática em que acredito. Ela diz que cada ação, por menor que seja, pode desencadear um desastre. Como o bater de asas dessa borboleta – ele sorriu e apontou para o animalzinho pousado no sofá -, que por mais sutil que seja, pode causar um tornado no Japão, em alguns poucos anos.
_Oh meu bem, que bobagem a sua – ela sorriu mais uma vez – Como meu bebê tem uma imaginação fértil, não é¿ — e acariciou suas bochechas contraídas em alegria -.
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