A substituta
8 Zona de acidente ambulante
Castiel me levou pro seu quarto no hotel e me deixou tomar um banho na banheira, eu aproveitei como criança e espalhei espuma pra todo lado, em determinado momento ele do lado de fora me mandou ficar quieta, mas isso não diminuiu minha alegria. Depois ele deixou umas roupas limpas dele pra eu usar, uma calça e um moletom eu vesti e ficou grande demais em mim. Caminhei pra fora do banheiro, ele me esperava de malas prontas.
—Então, você vai voltar pra casa comigo? —Perguntei.
—É —ele disse de braços cruzados. — Parece que eu estou indo em direção à zona de acidente ambulante a 240 km por hora.
—Eu não vou fazer nada errado e... — Eu era muito desastrada pra prometer tal coisa. — Vou tentar fazer meu melhor. —Disse animada.
—Como eu disse deixarei passar, mas não vou ajudar.
—Não vou te perturbar.
—Espero que você vá embora quando não aguentar mais. Estou curioso pra ver até onde você chegará. —Ele deu de ombros. —Aliás, hoje teremos a gravação de um vídeo clipe.
—Sério? Eu farei o meu melhor. —Disse confiante.
—E você sabe que será na piscina?— Ele disse presunçosamente. — Quero ver você fazer o seu melhor. E vamos logo.
—Piscina? —eu cruzei os braços sobre o peito.
Ele pegou as malas e saiu do quarto, eu o acompanhei até o carro. Passamos em casa antes de ir até o local das gravações, eu estava preocupada que tipo de roupas usaríamos? E se pedissem para eu tirar a camisa?
Quando chegamos ao local da gravação, a Rosalya me acalmou, íamos usar terno branco. Ela me enfaixou bem pra que nada fosse descoberto.
—Vão nos filmar vestidos, Castiel. —Eu disse sorrindo, ele não pareceu ter gostado da ideia.
—Para representar o novo começo da banda, usaremos o conceito de todos saindo da água. Começaremos a filmar A.N.Jell, entrem na água. —Disse o diretor.
Nós quatro entramos na piscina ficamos na beirada, tentei fazer um esforço pra não afundar, mas íamos ter que mergulhar. Na minha vez, engoli água e sai antes do tempo.
— Tay, não se afogue. Seja natural!— O diretor me repreendeu. —Faça de novo.
Os outros saíram da piscina e eu tive que mergulhar outra vez, novamente quase me afoguei.
—Por que já saiu cara? —O diretor gritou.
Tive que fazer repetidas vezes até que ele achasse que havia ficado aceitável. Quando saí, senti que ia ter uma hipotermia, sentei em uma cadeira e me enrolei em uma toalha.
—Beba. — Lysandre se aproximou de mim me estendendo um copo de leite. —Não vamos jantar antes que as gravações se encerrem.
—Acho que engoli muita água. — eu peguei o copo.
—A primeira filmagem de todos é assim. —Ele se sentou na cadeira ao meu lado. —Você fica nervoso, erra, leva infinitas broncas... Fica mais nervoso.
—Isso aconteceu na sua primeira vez?
—Minha primeira filmagem? —Ele olhou pra cima. — eu tinha que beber vinho segurando a taça.
—Com certeza deve ter sido melhor do que beber água da piscina. — Eu encarei o copo.
—Mas o diretor disse, Lysandre uma só vez. Ele quis dizer que a câmera me filmaria em um ato, mas... Eu bebi o vinho de uma vez. —Nós dois rimos. —O que acha? Somos próximos? —Ele se aproximou de mim pra perguntar.
—Sim, próximos. —Eu sorri, ele pareceu ficar feliz.
—Recomeçaremos as filmagens. — Disse o diretor pelo megafone.
Eu virei o copo de leite de uma vez, Lysandre foi na frente enquanto eu terminava, quando o diretor nos apressou de novo eu tentei correr mas a beira da piscina estava molhada e eu escorreguei, ia cair em cima do Castiel mas ele desviou.
—Eu disse que evitaria a zona de acidente ambulante.
—Claro, foi sorte sua não ter caído comigo. — Ele olhou pros lados.
—A propósito estou muito desapontado, não pude te ver usando roupa de banho. —Ele me encarou. — Se fosse corajosa e usasse só a peça de baixo, valeria à pena dar uma olhada. — ele colocou a mão na boca.
— Não... —Eu cruzei os braços sobre o peito. —Não valeria. —Eu disse ficando vermelha.
—É mesmo? O que foi perdeu a confiança? —Ele olhou pra onde eu estava cobrindo. —Nem valeria a pena olhar mesmo.
Ele virou as costas e saiu andando eu fiz o mesmo. Quando as gravações acabaram, uma moça veio até mim e me deu roupas secas.
—Vá ao vestiário pra se trocar, troque-se e saia. — Ela se virou.
Boris e Rosalya não estavam mais aqui, eu não podia ir até nenhum dos vestiários, nem feminino nem masculino. E agora?
Castiel se aproximou de mim.
—Não vale a pena olhar, mas vou esperar. Tente entrar como homem. —Ele me lançou um olhar desafiador.
Eu cerrei os dentes, ele saiu de perto de mim. Fiquei considerando um instante o que fazer, tive a ideia de esperar todos saírem e eu me trocaria perto da piscina mesmo. As luzes estavam apagadas era só achar um canto. Tirei as varias camisas que eu estava vestindo e torci a agua.
Eu já estava só com faixa, quando acenderam as luzes, eu me escondi atrás de uma pilastra, observando quem iria entrar, vi o diretor e um assistente dele caminharem pra perto de onde eu estava pareciam procurar por algo, a única saída que consegui pensar foi me jogar dentro da água e esperar que eles saíssem.
Eu segurei a respiração o quanto pude, se eu saísse eles me descobririam, mas eu tinha que aguentar, suportei até quase perder a consciência e começar a afundar. Olhei pra cima enquanto ia pro fundo e vi alguém pular dentro da água.
Alguém veio me ajudar... É um anjo?
Ele veio se aproximando de mim bem lentamente, eu fechei os olhos, não aguentava mais. Senti alguém puxar o meu braço isso me fez voltar, a pessoa começou a me puxar, mas eu me debati não podiam descobrir sobre mim, saí da água sozinha e respirei aliviada.
Me troquei rapidamente. Estou salva, pensei.
Mas quem era aquele? Pensei na pessoa que eu vi pulando a piscina, me lembrei de algo vermelho em sua cabeça.
—Não me diga que aquele era... Castiel. — Olhei em direção a piscina e vi seu corpo boiando. —Castiel! —Eu gritei e pulei na piscina desesperada.
Um assistente apareceu e me ajudou a tirar ele da piscina. Foi feito massagem cardíaca e respiração boca a boca, ele voltou à consciência e a ambulância que haviam chamado chegou. Quando o colocaram na maca, eu fui segurando sua mão tentando falar com ele e mantê-lo acordado.
—Castiel. —falei com ele. ele abriu os olhos e com dificuldade olhou pra mim.
—Tay? —Ele disse, eu assenti.
Ele olhou pra minha mão que estava sobre a dele, e a tirou da mão dele, em seguida desmaiou de novo.
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