A substituta

24 Metade alivio metade gratidão


Nossa próxima cena ia ser gravada no refeitório, tínhamos que conversar descontraidamente e almoçar. Kentin sentou ao meu lado e Castiel na minha frente.

—Ei Taylor, você deve estar interpretando um jovem rico, seu almoço parece bom. —Disse o Kentin.

Não havia nada de tão especial, eu tinha omeletes e legumes frescos, a aparência realmente era muito boa. Olhei para o prato do Castiel ele estava com uma porção de anchovas e arroz.

—Castiel está interpretando um rapaz pobre por isso está comendo essas anchovas. —Castiel me olhou como se fosse me fuzilar. — Ele quer omelete, mas a situação dele não permite. —Eu segurei o riso e coloquei uma porção de omelete na boca.

—Omelete me faz lembrar a sua irmã. —Kentin disse de forma nostálgica. Eu quase engasguei. — Eu mesmo não gostando muito de ovos, sempre pedia pra minha mãe fazer omelete... Porque sua irmã gostava. —Ele disse essa ultima frase timidamente.

—É mesmo? —Mantive meus olhos fixos nele, acabei ficando comovida com aquilo.

—Acho que você era afim dela, não é? —Castiel disse revirando a comida dele no prato.

O Kentin deu um sorriso e ficou vermelho, ele olhou pra baixo. Castiel olhou pra ele com os olhos arregalados o perceber que estava certo.

—Eu deveria ter dito antes. — Kentin começou a coçar a nuca. —Mas eu realmente gostava da sua irmã. —Olhei pra ele completamente surpresa. — Não contei nada porque era a irmã de um amigo, mas sua irmã...Foi meu primeiro amor —Ele sorriu novamente olhando pra baixo.

Eu fiquei olhando pra ele sem saber o que dizer, ninguém nunca tinha se declarado pra mim antes.

—Agora vi tudo. — Castiel disse comendo a comida de uma vez.

—Eu nunca imaginaria. —Comecei a sorrir igual uma boba, tentei segurar, mas meus lábios se moviam sozinhos.

—Na verdade eu irei pro exercito em breve... Ver você me fez lembrar a sua irmã.

—Verdade? —Por um minuto eu me esqueci de que estava como homem e sorri colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

—Taylor! —Castiel disse, eu olhei pra ele. —Você é um homem, não é ruim que se pareça com sua irmã? —Ele me olhou sério e eu voltei a mim.

—É mesmo. —Tirei o cabelo de trás da orelha. —Tem razão.

—Mas de qualquer forma fico feliz por você não ter ficado bravo. —Disse o Kentin, ele puxou a minha cabeça pra que se encostasse à dele e ficou passando a cabeça na minha, bagunçou meu cabelo, mas eu apenas sorri aproveitando aquele momento de carinho.

Logo o diretor pediu pra nós irmos para o próximo local, caminhei ao lado do Castiel, ele parecia carrancudo por algum motivo, mais até que o normal.

—Tay. —Ele se virou de repente pra mim, eu dei um passo pra trás devido ao susto. —Você precisa se conter, faíscas quase voaram quando vocês esfregaram suas cabeças. —Ele me repreendeu eu sorri sem graça.

—Ele é um amigo. O que posso fazer? —Olhei pro lado e vi o Kentin se aproximando. — Castiel, por favor, distraia o Kentin enquanto vou ao banheiro.

Eu nem esperei ele responder e saí correndo.

Pov. Castiel.

—Tay! —O tal Kentin tentou ir atrás da Lynn.

—Kentin. — Eu o chamei e ele veio até mim de má vontade.

—Ah Castiel. Pegue. — Ele me estendeu uma latinha de refrigerante.

Eu comecei a limpar a lata no meu blazer como se tivesse alguma doença.

—Soube que vocês moram juntos... —Ele disse com cautela. —Aposto que o Taylor causa muitos problemas. —Eu o encarei.

—Sim, muitos. Uma tonelada.

—A propósito... A irmã dele já foi visitá-lo? —Ele pareceu chegar ao ponto que queria.

—Bom, já vi a irmã dele. —Dei de ombros, um grande sorriso no rosto dele se abriu, parecia que seu rosto ia rasgar.

—Ela é linda, não é? —Eu olhei pros lados.

—Por que não pergunta pro Taylor se pode vê-la antes de ir ao exercito? —Desviei o assunto.

—Não, tudo bem. Eu a verei depois. —Eu olhei surpreso pra ele. —Quero ser um farmacêutico, quando me formar voltarei pra minha cidade e abrirei uma farmácia. Então a procurarei.

—O que fará após disso? —Que raios de plano era esse.

—Bom, meu sonho é casar e ter uma vida tranqüila cuidando da farmácia. —Eu olhei pra ele com olhos arregalados. —Por favor, não diga isso ao Taylor, pode ser? —Ele me disse com a cara vermelha e se afastou.

Lynn parece que você irá se tornar a esposa de um farmacêutico.

Por que isso estava me incomodando? Bebi o refrigerante de uma vez, irritado.

Pov. Lynn

O diretor nos levou pra outro local de gravação, estávamos no pátio da escola debaixo de grandes árvores, eu e Castiel tínhamos que varrer as folhas secas.

—Ação! Conversem como se fossem amigos. —Gritou o diretor.

Castiel ficou me olhando enquanto mexíamos a vassoura.

—Taylor, não sabia que você era esposa de um farmacêutico. —Ele disse ironicamente.

—Não sou esposa de ninguém! Pare com isso. —Ele riu.

—No futuro, por que não me envia vitaminas e suplementos? —Ele esperou minha reação. — Considerando os problemas que você me causa, isso é pouco.

—Castiel. Devemos agir como amigos nessa cena, pode zombar de mim depois. —Ele abaixou o rosto pra ficar na altura do meu.

—Então agora você tem coragem pra me repreender? Mesmo que saia da A.N.Jell você será esposa de um farmacêutico.

Taylor finja ser um bom amigo e jogue folhas no Castiel. Gritou o diretor.

Eu me abaixei no chão com vontade e peguei uma grande quantidade de folhas e joguei com força naquele cabelo vermelho.

Ele olhou pra mim perplexo e se abaixou no chão, pegando uma boa quantidade de folhas e jogando em mim. Eu usei a vassoura pra empurrar umas pro lado dele.

—Ei seu...! —Ele disse rindo e correu na minha direção.

Eu tentei correr dele ainda rindo, mas ele segurou o meu braço e me deu uma rasteira, eu caí em cima das folhas. Ele ficou em cima de mim me prendendo entre ele e o chão, continuou jogando folhas no meu rosto e eu tentando me defender.

Esse clima está ótimo, como bons amigos. Ouvi o diretor dizer.

Eu estava quase me afogando naquelas folhas, ele parecia estar se divertindo fazendo aquela maldade comigo. Ele começou a sorrir, um sorriso tão sincero e lindo. Eu não pude me conter e meu coração estava num martelar louco, por impulso coloquei o dedo no nariz.

Castiel me olhou com o sorriso se desfazendo após eu ter feito o focinho.

—Corta! Muito bom! Esse focinho de porco no final foi genial. —O diretor disse. —Próxima cena.

Castiel ainda ficou um tempo em cima de mim, depois levantou pegando a minha mão pra que eu me levantasse também. Sacudi o cabelo tirando as folhas, e tentei limpar minhas roupas.

—Tay, por que fica fazendo isso?

—Só achei que seria engraçado. —Menti.

—Engraçado? —Ele começou a me empurrar delicadamente. —Tente fazer isso de novo seu porcoelho, tente.

—A Ambre chegou! —diretor gritou.

Castiel e eu olhamos de má vontade na direção dela, eu senti um golpe de autoestima por vê-la, ela estava ainda mais perfeita. Usando o mesmo uniforme que nós dois, mas a versão feminina uma mini saia e meias 5x8 e um sapato de salto super lindo. O cabelo estava solto, tão liso que parecia fios de ouro. Ela olhou na minha direção e do Castiel com seus olhos turquesa.

Desviei meu olhar dela, tentando ver a reação do Castiel. Ele pareceu irritado, mas quase sempre ele estava com aquela cara.

—Soube que vocês atuaram bem nessa cena. —Ela disse ao se aproximar de nós. —Amor e Taylor, vocês são bem naturais. —Ela sorriu.

—Comparado a sua atuação, somos amadores. —Percebi uma ironia na voz do Castiel.

—Isso é um elogio amor? —Ela se aproximou dele e tocou em seu ombro. —Você está mesmo sujo, foi por causa das folhas?

Eu me senti excluída e também não estava mais aguentando aquela cena, saí de perto deles sem dizer nada.

Logo as gravações foram encerradas e eu me troquei, tentei evitar o Castiel e a Ambre, achei melhor eu encontrar o Kentin pra me despedir. Ele me deu estendeu um tênis que parecia novo.

—Assine isso pra mim. Eu vou usar isso quando sair do exercito.—Eu fiz a assinatura que o Lysandre me ensinou.

—Pegue. —Eu lhe dei o tênis.

—Ei Taylor. —Ambre se aproximou de nós eu olhei surpresa pra ela. —Viu o Castiel?

—Achei que estivesse com você. — Respondi.

—Ele sumiu depois que as filmagens acabaram. —Ela olhou pro Kentin. —Quem é ele?

—Sou um amigo de escola do Taylor. —Ele disse animado.

—Amigo de escola? —Ela levantou uma sobrancelha. —Ele deve ter mudado muito desde que esteve na escola, não é?

—Ele continua o mesmo. —Kentin respondeu sorrindo.

—Sério? —Ela pareceu sem graça. —Tenho que ir. — Ela caminhou apressadamente pra longe de nós.

—Obrigado pelo tênis, Tay. — Kentin disse olhando pro sapato.

—Não agradeça, somos amigos.

Ele meteu o sapato no meu nariz pra que eu cheirasse, eu me afastei pra trás, ele riu com a brincadeira.

—Eu cheiro o seu. —Ele se abaixou e arrancou o tênis do meu pé.

—Ei! — Tentei impedir, mas ele já estava com ele na mão.

—Hã? —Ele colocou nossos tênis um do lado outro era clara a diferença de tamanho, eu calço 35. Ele ficou olhando sério para o tênis. —Tay... Esses tênis são mesmo seus? —Ele perguntou sério.

—Sim, por quê?

—Por nada... —Ele me devolveu o meu tênis.

Eu o calcei.

—Taylor. —Castiel disse a alguns metros de nós, eu olhei na direção dele que me chamou com o dedo indicador.

—Kentin cuide-se. —Eu fiquei apressada. —Quando sair do exercito procure o Taylor.

Eu corri em direção ao Castiel e saímos dali juntos.

—Estava garantindo sua vaga como esposa de farmacêutico? —Ele perguntou.

—Já falei pra parar de zombar de mim. Eu só fui me despedir, mas quando saí, ele estava com uma expressão estranha. —Eu pensei. —Acho que estava triste, mas eu dei um autógrafo no tênis dele.

—Por que não trocaram o tênis pra selar a promessa? —Castiel disse normalmente.

Eu parei de andar da hora, respirei fundo entendo o porquê daquela reação do Kentin.

—O numero... Dos sapatos são diferentes. Meu irmão calçava quase 40.

Eu corri de volta pra onde o Kentin estava, fiquei surpresa ao vê-lo com a repórter Peggy. Eu detive o meu passo pra que ela não me visse. O Castiel chegou atrás de mim.

—Aquela é a tal repórter — o Castiel disse.

— Kentin deve ter descoberto que não sou meu irmão. —Disse com a voz em pânico.

Eles pareciam conversar algo sério, de repente a Peggy olhou na minha direção.

—Taylor. —Ela disse.

Kentin olhou na mesma direção que ela quando ouviu meu nome. Ele me olhou com uma expressão triste e confusa, nós nos olhamos por um longo tempo. Minha expressão trazia medo e tristeza ao mesmo tempo. Ele sorriu pra mim, como se quisesse me deixar saber que ele sabia quem eu era.

—Taylor é meu melhor amigo. — Ele olhou pra Peggy e depois pra mim. — Ele é uma boa pessoa e um grande... Homem.

Eu sorri pra ele metade por alivio metade por gratidão.