A substituta

13 Cabeça dura


Fui até a cozinha beber água, eu ainda estava rindo sozinha.

—Tay? — O Castiel se aproximou por trás de mim, eu levei um susto e quase tossi a água. —Foi tão engraçado assim? —Ele cruzou os braços. —Antes você me incomodou com seu choro, e agora me incomoda com seu sorriso.

—Desculpe. —Eu apertei os lábios.

—Mesmo assim, comparado a choradeira, prefiro seu sorriso besta. — Eu abri um sorriso.

—Você foi realmente engraçado. Naquela época, dos três, você era o mais lindo. —Fiz sinal de positivo com o polegar, ele me encarou irritado.

—Naquela época? —Ele perguntou abismado. — E hoje? —Eu abaixei o polegar.

—Ah... Você continua lindo também.

—Mas não é o mais. —Eu desviei o olhar. — Esqueça. Seu gosto não me preocupa. —Eu dei um sorriso, ele era engraçado irritado.

—Mas me lembrarei de você, que cuidou de mim de coração, como a pessoa mais linda. Estou grata por ir embora com lembranças tão boas. —Eu sorri.

—Embora?— Ele me encarou surpreso.

—Mesmo sem encontrar minha mãe, manterei a promessa. Não serei mais um incômodo, então cuidarei de tudo e irei embora. —Ele desviou o olhar. —Tenho que ajudar o Lysandre com a limpeza. —Eu saí de perto dele e fui pro jardim.

Ele cumpriu a parte dele e não contou a ninguém sobre mim, então eu faria o mesmo indo embora.

Lysandre estava tirando a comida que sobrou dos pratos e eu comecei a ajudá-lo.

—Você está bem? —Ele perguntou.

—Hoje foi um dia difícil, mas isso me trouxe conforto.

—Posso te dar um conforto maior. — Eu olhei devagar pra ele, que ficou um tempo em silencio. — Se honestamente buscar minha ajuda estendendo a mão.

—Honestamente...?

—Me dê suas mãos.

—Hã? —Eu hesitei.

—Suas mãos. — Ele pegou as minhas mãos e as segurou, eu fiquei sem graça com aquilo. Mas pra minha surpresa ele só colocou os pratos em cima delas. —Pode levar. —Ele sorriu.

—Sim. —Eu disse meio sem graça — Pode deixar.

Eu caminhei com cuidado pelos degraus e dei de cara com Alexy.

—Ah, pode me dar. —ele disse.

—Não, tudo bem. —ele segurou os pratos, mas eu não soltei.

—Eu fiz suposições erradas sobre você, e te tratei mal, então quero ajudar com isso. —Ele desviou o olhar.

—Que suposições você fez? —Levantei uma sobrancelha e deixei os pratos na mão dele.

—Pensei que... —Ele fez uma pausa. —Queria se aproximar pra seduzir e enganar.

—Seduzir e enganar? —Olhei pra cima pensando. —Quem?

—Enganar o... —Ele pensou. —Oh, a Jolie, minha amiga que gosta de mim, sou amigo da Jolie, mas você estava se aproximando dela, por isso fiquei bravo.

—Ah. Sério? —Eu sorri sem graça. —Não precisa se preocupar, não vou mais me aproximar da Jolie.

—Isso é bom. Não vou te perturbar mais. Eu levo. — ele se virou de costas, antes que começasse a andar eu disse.

—Nunca achei que você estivesse me perturbando. Sempre gostei de você e te achei engraçado. — Ele ficou um instante parado, pelo canto da bochecha ele parecia sorrir.

Quando ele começou andar, ele tropeçou no tapete e quase caiu com os pratos no chão, então eu o segurei pela cintura e fiquei com os meus braços em volta dele, ele ficou paralisado na hora.

—Você está bem? —Ele não respondeu nada, então eu o larguei e fui até a frente dele, ele pareceu uma estátua não se movia e estava com uma expressão estranha. —Você quase caiu.

—Estou bem. —Ele sussurrou.

—Pode me dar, eu levo. —Eu peguei os pratos da mão dele e fui pra cozinha.

Talvez o Alexy não gostasse de ser tocado, deixei isso pra lá.

No dia seguinte acordamos cedo para um ensaio de dança, eu Alexy e Lysandre com os dançarinos, Castiel tinha saído cedo pra resolver um de seus assuntos. Durante uma das pausas para o lanche pedimos pizza, Alexy tinha arranjado uma TV, então assistimos a um programa.

—Que lindos. —Eu pensei alto ao ver uma modelo usando o sapato mais lindo que eu já tinha visto.

—Tay, você gosta de coisas assim? —Alexy perguntou.

—Os sapatos são lindos.

—Não as pernas, mas sim os sapatos? —Ele perguntou surpreso. —Normalmente quando os homens veem isso eles olham pras pernas, não pros sapatos. Não é? —ele perguntou pro resto dos rapazes, que concordaram com ele. —Você é o único. —Ele disse pra mim.

—Você os acha lindos? — Lysandre perguntou.

—Bom, é que eu nunca pude usar sapatos assim. — Disse sem desgrudar os olhos da TV. Quando percebi a besteira que falei, olhei pra trás e todos me olhavam de forma estranha. Eu ri sem graça. — Porque sou um homem! Nunca usei salto alto por isso são tão fascinantes pra mim. Ah e a modelo tem cada pernão... —Olhei pra TV tensa.

Disfarcei e estava indo embora, quando o Lysandre me chamou.

—Tay... você pode vir comigo a lugar?

—Um lugar? Onde?

—Me deu uma vontade repentina de almoçar em um lugar, então você pode ir pra me ajudar com uma coisa?

—Ah claro. Só vou tomar um banho e trocar de roupa. Volto já. —Eu fui correndo.

Terminei meu banho rapidamente e me vesti. Me olhei uns instantes no espelho, era estranho não poder ser uma garota, eu tinha que ter mais cuidado com o que dizia. Lysandre me levou a um restaurante caro, a vista era muito bonita, do tipo onde casais apaixonados costumavam ir. Ele estava bem arrumado, mais do que o normal, estava com varias sacolas de lojas parecia ter ido às compras. Me lançou um olhar terno.

—Obrigado por vir comigo. —Ele disse.

— Tudo bem, eu quero ser útil pra você.

—Vamos comer bastante. —Ele olhou pra mesa. —Já que esta me ajudando, pode ir comigo a outro lugar?

—Aonde?

—Um parque de diversões. Não pude ir lá desde que ficamos famosos.

—Nunca fui a um parque. —Disse sorrindo.

—Bom, então iremos. —Ele disse animado. — Trouxe até disfarces ele pegou uma das sacolas e tirou o que tinha dentro, pegou uns óculos e colocou no rosto. —O que acha? —Eu peguei uma peruca de cabelo cacheado e coloquei.

—Como estou? —Perguntei, ele sorriu.

—Se sairmos assim, ninguém nos reconhecerá. —Ele tirou os óculos e colocou na sacola novamente, em seguida me deu. Eu olhei pras outras sacolas perto dele.

—Tem disfarces nessas outras?

—Não. Isso faz parte de um plano meu. —ele olhou pela janela. — Vou me encontrar com uma garota hoje e darei isso a ela como uma desculpa por não ser tão confiável, serei perdoado e ganharei seu coração. —Nós sorrimos.

—Se alguém legal como você der um presente a uma garota, com certeza ela ficará feliz. —Tentei encorajá-lo, ele abriu um grande sorriso.

Logo o garçom trouxe nossa comida e começamos a comer, Lysandre contou umas histórias sobre quando ele era criança, eu comecei a rir e sem querer derrubei meu suco de laranja nos disfarces.

—Desculpe, vou limpar isso. — Eu saí correndo.

Na porta do banheiro, olhei o letreiro de masculino e feminino e quis entrar no de garotas, mas entrei no outro, dei uma olhada lá dentro pra ver se estava vazio, dei de cara com o Castiel passando mal perto da pia. Ele estava diferente tinha mudado a cor do cabelo pra preto.

—Castiel? —Eu disse me aproximando devagar.— Você está bem? —Ele parecia nem ter me visto. De repente ele focalizou seus olhos estavam vermelhos.

Ele pegou um papel e limpou a boca e em seguida saiu do banheiro sem me dizer nenhuma palavra.

—Castiel! —Eu saí correndo atrás dele pelo restaurante. —Você está bem? —Ele não parou.

Andamos um longo trajeto, ficamos uns 10 minutos andando e eu o acompanhei, ele se sentou em silencio perto de uma fonte, procurei meu celular no bolso, mas eu tinha esquecido na mesa com o Lysandre. Por sorte vi um telefone publico e liguei pro celular do Lys.

—Lysandre, sinto muito. Mas parece que o Castiel está doente, então vou ficar com ele. —Olhei de longe pro Castiel que estava com a cabeça baixa.

—Castiel? Sim... Entendo. —Ele desligou o telefone.

Eu voltei pra perto do Castiel e me sentei ao lado dele.

—Você está bem? —eu disse.

—Estou bem, apenas tive dificuldade pra respirar.

—Por acaso você comeu camarão? —Primeira coisa que veio à minha mente. Ele ficou me olhando por um longo tempo.

—Algo que até mesmo você lembra. —Ele ficou com um olhar melancólico. — Como aquela pessoa não consegue lembrar? —Ele disse pra ele mesmo e ficou com um olhar triste. Eu fiquei do lado em silencio.

Depois de alguns minutos ele disse.

—Volte ao restaurante e traga meu celular.

—Sim. —Eu me levantei. —Qual era a direção mesmo? —Ele me olhou irritado.

—Como não sabe? Você veio comigo!

—Apenas te segui, eu não sei. —Cocei a cabeça, ele respirou fundo.

—Onde diabos estamos? —Ele se levantou e olhou em volta.

—Não fomos longe, então se caminharmos chegaremos lá.

—Então vai.

—Eu poderia ir, mas não prometo conseguir voltar. —Olhei pros lados também.

—Não podemos caminhar entre todas essas pessoas. Vão me reconhecer.

—Você chegou bem até aqui. —Cruzei os braços, ele me lançou um olhar que me mandava calar a boca. Tive uma ideia olhando pra sacola que o Lys me deu. — vamos usar isso. —Mostrei os disfarces pra ele.

Ele pegou os óculos e eu fiquei com a peruca.

—Lysandre preparou isso pra nós dois irmos ao parque de diversões. —Começamos a andar.

—Ele te convidou? —Perguntou incrédulo. —nem imagino o motivo.

—Está dizendo que não seria divertido ir comigo? —Perguntei brava. —Eu e ele somos bons amigos! —Ele riu desdenhando.

—Deve-se ir ao parque de diversões com uma namorada. —Ele disse com um sorriso.

—Ah, eu acho que ele tem uma namorada. —Ele me olhou surpreso — Ele disse que se encontrariam hoje.

—Então você foi usada pra passar o tempo. Claro que foi. —Ele andou mais rápido.

Eu corri pra alcançá-lo, estávamos passando em frente a uma sorveteria.

—Acho melhor voltarmos ao dormitório, já se passou bastante tempo e já devem ter levado nossas coisas. —Disse o Castiel. —conheço aquela rua, vamos.

Eu o acompanhei, demos uma volta e paramos em frente a uma sorveteria de novo.

—Oh, estamos na mesma sorveteria... —eu disse analisando o lugar.

—Imbecil, acha que só tem uma dessas na vizinhança? —Ele disse bravo. —Essa é diferente!

Eu dei de ombros e continuei seguindo ele. De repente saímos em frente à sorveteria de novo. Até ele tirou os óculos pra analisar melhor.

—Castiel! É aquela sorveteria de novo!

—Eu disse que tem mais de uma! —Continuou andando bravo.

Eu olhei bem pra sorveteria pra gravar detalhes caso parássemos ali de novo, quando demos a volta saímos em frente à mesma sorveteria o Castiel olhava incrédulo.

—Tenho certeza que é a mesma sorveteria! Eu prestei atenção e aquela pessoa estava ali antes!

—Tenho certeza que é o caminho correto... —Ele disse confuso, olhou pra mim. —Me confundi por sua culpa, pare de se meter e fique parada! —Ele não gostava de sair por baixo eu olhei pra ele sem acreditar naquilo.

—Castiel, devíamos pegar um taxi. Pago quando chegarmos lá. Ou ao menos perguntar pra alguém. — Ele ficou me encarando.

—Você não tem orgulho? Não pergunte! Eu encontrarei! —Ele gritou. — uma vez me disseram que se acreditar de coração poderá encontrar algo. —Ele disse ironicamente e me olhou pelo canto do olho. —Então confie e me siga.

Respirei fundo, vencida, ele era cabeça dura não dava pra discutir. Andamos por um longo tempo, mas eu avistei nossa casa.

—Até que enfim chegamos. —Eu disse.

—Isso mesmo. O que foi que eu disse? —Ele disse orgulhoso. — Eu disse que encontraria. —Ele saiu caminhando na frente.

Tiramos os disfarces, ele parou na frente e se virou pra mim.

—Por isso eu disse pra confiar em mim. —Ele abriu um sorriso.

Era a primeira vez que eu o via dar um sorriso sincero, aquilo me pegou de surpresa, meu coração acelerou e eu fiquei olhando pra ele com cara de boba.

—Agora vamos pegar a van. — Ele ficou sério novamente e se virou.

—Por que meu coração está batendo tão forte? —Eu engoli em seco. —Será que é porque eu caminhei demais?