A sobrinha da Helô

25 A volta da Sobrinha da Helô


Tiago tinha a boca levemente aberta diante da cena. Helena assim, chorando, fez o coração dele apertar. Ele estendeu os braços para ela, que se jogou nos braços dele. Ela soluçou ali, abrigada nos seus braços, enquanto ele afagava o seu cabelo.

Ele se ajeitou na cama, se recostando na cabeceira dessa e deitando Helena sobre si, de modo a ficar com a cabeça dela bem abaixo do seu queixo, enquanto passava os dedos no alto da cabeça dela. Fazendo cafuné, ele beijava seu cabelo, tentando acalma-la.

Helena sentiu que a agonia ia passando. O peito mais leve. Passou então o braço esquerdo por Tiago e o abraçou. Então ergueu a cabeça para ele, os olhos ainda cheios de lágrimas.

Tiago deu um meio sorriso. Olhou o rosto dela, da testa até o queixo, que ele pegou com a mão direita. Suspirou. Ela estava de volta nos braços dele, mas tão triste.

— Você está melhor? — ela apenas negou com a cabeça, o fazendo comprimir o lábio, compadecido – Mas vai ficar.

E ele a envolveu nos braços. Ficando assim alguns minutos. Então se deitou e a colocou deitada de frente para ele. Tiago do lado esquerdo da cama e ela do lado direito. Helena deitando a cabeça sobre o braço dobrado, o cabelo caindo pelo rosto, que Tiago afastava enquanto a admirava. Ficaram assim por quase meia-hora. Helena então levantou os olhos e o admirou. Ele sorriu para ela.

— Eu senti a sua falta. – ela falou com a voz baixa, manhosa.

Tiago sorriu, entrelaçou os dedos da mão direita dele nos dedos da mão esquerda dela e a trouxe para a boca, beijando.

— Eu também.

Ela sorriu e fechou os olhos, dormindo.

Eram quase sete horas da manhã. Helena abriu os olhos. Tiago estava ainda ali, dormindo, cabeça quase encostando na sua. Ela sorriu. Notou que as mãos deles ainda estavam entrelaçadas, entre os dois. Ela esticou os dedos e voltou a pressionar a mão dele. Suspirou e voltou a dormir.

Já eram mais de oito horas, Tiago acordou com barulho no corredor. Sorriu ao notar Helena na frente dele. Era verdade, ela tinha voltado.

Olhou as mãos ainda unidas. Ele chegou o corpo mais próximo, e deu um beijo na bochecha dela, sentindo de novo o cheiro dela, fechando os olhos. Inspirou fundo. Ela parecia tão frágil. Ele sabia que ela tinha sua fragilidade, mas nunca pensou nela assim, desse jeito. Engoliu em seco. Talvez ele devesse ter mais cuidado com ela. Não queria ser o responsável por magoar ela, como alguém deve ter feito aquela semana.

Ele apertou os lábios. Queria saber o que aconteceu. Mas ela não parecia aberta a falar. Ele a olhou dos pés à cabeça. Sorriu. Agora ela estava ali, teria tempo para conversar.

Tiago se levantou devagar e saiu. Fechou a porta do quarto dela sem barulho e foi para o seu quarto, se arrumar para o serviço. Antes de sair ele passou no quarto de Camila, a acordando. Avisou que Helena voltara e parecia precisar da amiga, e foi para a empresa.

Mais animado, até Sueli veio falar com ele.

— Tiago?

— Pode entrar.

— Só para te lembrar do evento hoje a noite. Já preparei todo o material que Ciro costuma levar.

— É... – ele apertou os lábios soltando o ar – Eu acho que não vou. Tava com esperança que Ciro voltasse. Deixa assim, e obrigada.

— Mas é um evento muito importante, seu Tiago. Se vende muito lá. Bom, o Ciro vendia.

— Eu sei, Sueli. Mas eu não ir ou ir sem preparo é o mesmo, se não pior.

— Tá bom.

— Eu vou almoçar.

— Até.

Ele voltou quase uma hora da tarde. Foi almoçar em casa para ver Helena, mas ela tinha saído com Camila.

Tiago abriu a porta do escritório e franziu a testa. Na sua cadeira estava Helena, jogada, com seus coturnos sobre a mesa, vestindo sua calça de couro preta e regata branca com furinhos, mostrando o sutiã preto por baixo.

— Então é aqui que o porquinho se esconde do lobo mal! – ela falou olhando para ele na porta, sorrindo com a língua entre os dentes.

Tiago sorriu colocando a mão direita na cintura, sentindo o efeito da alegria de ver ela sorrindo.

— Mas a que devo a honra da sua presença? – ele falou em tom afetado, fechando a porta atrás de si, notando que ela fechara todas as persianas.

— Ora! – ela se levantou e foi até ele – Vim te trazer este humilde presente.

E ela apontou para si mesma, se levantando da cadeira e indo até ele.

Tiago a viu se aproximar. Parecia ter recuperado o humor. Terno, quando ela trouxe a cabeça para beija-lo, Tiago desviou a beijando no rosto.

Helena franziu a testa enquanto ele se afastava. Balançando a cabeça negativamente, se virou sorrindo.

— Você está melhor? – ele perguntou.

— Do quê?

Ele a olhou de rabo de olho, erguendo uma sobrancelha.

— Ótimo! Uma mulher não pode ter TPM, não? Crise hormonal, querido! – ela disse coçando no alto da cabeça e jogando o cabelo para o lado, nervosa.

Ele apertou os olhos para ela.

— Que foi? – ela começou a se irritar com o jeito dele – Se vai ficar com frescura para cima de mim eu vou embora.

— Tá certo! – ele estendeu as mãos para o alto – Não falo mais nada de mais cedo.

Ela revirou os olhos e respirou fundo. Tiago se sentou na sua cadeira a observando, enquanto se balançava. Helena se sentou na mesa dele, mexendo nas coisas sobre ela.

— Mas tu é porquinho mesmo, né? Olha quanto papel.

— É... – ele olhou para a mesa e se alinhou tentando organizar ela – Eu tenho muitas coisas, daí fica assim...

— O que é isso? – ela estendeu o convite do evento daquele dia, no ar.

— Dá aqui. – ele se ergueu pegando o convite da mão dela – Nada demais. Algo para o Ciro ir, mas ele não voltou a tempo. Como você veio parar aqui?

— Camila me trouxe. Aí não diz o nome do Ciro. – ela apoiou o cotovelo direito sobre a mesa, e pousou a cabeça na mão, se inclinando para Tiago, que teve maior visão do sutiã dela.

— É que ... – ele a observou perto dele – Isso é ele quem cuida. É evento de venda e é ele quem faz isso.

— Mas sem ele – ela brincava com um enfeite da mesa – não tem quem vá no lugar dele?

— Não que eu saiba.

— E como é que vocês vão vender tecido? – ela se alinhou o questionando, batendo a mão sobre a mesa – Não é tu que vive reclamando que precisa fazer venda?

— Eu não tenho como ir. Não tenho preparo. – ele se levantou e andou até a frente da sala, expirando forte, virando de frente para ela, colocando as mãos nos bolsos.

— Ai! – Helena revirou os olhos, esticou o braço e pegou o telefone – Como chama a secretária? – ele deu um passo a frente, por trás dela se inclinou sobre a mesa apertando o botão para ela – Oi? Liga para a Camila Leitão para mim. Obrigada.

— O que você está fazendo? – ele perguntou, enquanto Helena pulava da mesa e se virava para ele.

— Retribuindo a gentileza de ontem. – ela passou a mão sobre o ombro esquerdo dele, cabeça inclinada para o lado direito, sorrindo.

— Ah é? E como vai fazer isso? – ele perguntou já engolindo em seco quando ela pegou o colarinho dele com a mão direita.

— Com diversão. – Helena puxou ele para o beijo.

Tiago segurou o rosto dela.

— Helena. Eu acho melhor a gente pensar bem antes de ...qualquer coisa. – ele se afastou, ficando próximo da porta.

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— Eu saio uma semana e você desaprende tudo? – Helena se aproximou apontando o dedo indicador da mão direita – Já falei que pensar não é teu forte, porquinho. – Tiago deu mais um passo para trás, enquanto Helena se aproximava, batendo as costas na porta – Tu é melhor agindo.

Helena encostou as mãos no peito dele, passando os dedos pelo colarinho e puxando um Tiago já com a boca aberta. Ele cedia muito fácil. Ela afastou a cabeça um pouco, provocando, e ele pegou a cabeça dela puxando para o beijo. Ele puxou o ar, olhos fechados, mãos firmes sobre o rosto dela, enquanto Helena levantava as mãos, perdida com as sensações, sentindo o coração acelerar, e as pernas falharem, tamanho o desejo de beijar ele de novo.

Tiago então soltou o ar, gemendo, desceu a mão direita para a cintura dela a puxando mais para si, já abrindo a boca, a fazendo inclinar a cabeça enquanto ele aprofundava o beijo.

Mas foi Helena que agiu sedenta, dessa vez. Com o próprio corpo ela pressionou o de Tiago na porta, apoiando a mão esquerda ali. Ele gemeu e desceu as costas pela porta, segurando a cintura dela, enquanto ela o puxava pela nuca, agora com as duas mãos, o cabelo solto jogado de lado.

Ela então afastou o rosto, tentando recuperar o fôlego, sorrindo. Tiago abriu os olhos, devolveu o sorriso e encostou a testa dele na dela.

— Vai – ela falou baixinho, voz rouca, erguendo a cabeça e o encarando enquanto passava os dedos pelo cabelo dele – fala...

Ele sorriu, arfando.

— Eu estava morrendo de saudades.

E Tiago se inclinou para frente, passando os braços pelas costas dela a trazendo para si, puxando o ar enquanto dava outro beijo, escorregando pela porta, a levando com ele para o chão.

Helena se ajeitou, se sentando no colo dele, pernas dobradas para trás, cabeça inclinada para baixo, segurando o rosto dele, enquanto ele a segurava pela nuca com a mão esquerda, puxando seu cabelo. Ela achou que um beijo já mataria a saudade, mas quanto mais beijava mais queria. Ele se inclinou para frente, a jogando para trás e a fazendo o segurar pelo cabelo no alto da cabeça enquanto Tiago descia a boca pelo pescoço dela, até o decote, as mãos já subindo a regata dela.

O telefone tocou. Eles não escutaram. Tiago agora corria as mãos pelas costas dela, por baixo da regata, procurando a abertura do sutiã, enquanto Helena cravava as unhas nas costas dele, sob a camisa, sentindo Tiago sugar um ponto no seu pescoço, próximo a sua orelha que a arrepiou.

— Tiago?

Sueli bateu na porta tentando entrar, notando então que estava emperrada. Tiago sentiu o impacto e acordou, gemendo. Eles se levantaram se afastando da porta, enquanto Helena esbravejava “Eu não tenho sossego”.

A secretária olhou para dentro, assustada, tentando ver o que tinha na porta que a emperrava, e então notando os dois em pé, um pouco sem ar. Tiago com a mão na boca. Helena a olhando agora irritada, com os braços cruzados, boca vermelha.

— Fala, Sueli. – Tiago disse olhando ela de relance, se mantendo mais de costas.

— A ligação que pediram. Tá esperando. Desculpa.

A secretária deu o recado e saiu, contendo o sorriso. Helena arregalou o olho lembrando de Camila. Foi até o telefone.

— Camila?

— Helena? – a amiga parecia surpresa, e sem ar, o que não surpreendia Helena, pois tinha deixado ela com Robinson – Por que tá me ligando da empresa?

— Eu não sei teu número de cor. – ela respirou fundo, notando Tiago se aproximando dela, mãos nos bolsos, mordendo o lábio inferior – Seguinte. Preciso da sua ajuda. Teu irmão aqui tem evento para vender tecido e não quer ir. Parece que era serviço do Ciro. – ela afastou Tiago com a mão esquerda, vendo que ele queria pegar o telefone.

— Tiago vacila às vezes mesmo. Deixa comigo. Vou falar com Luciane. É quando?

— Hoje! Diz aqui coquetel em um hotel, para hoje. Parece que é de uma feira que tá acontecendo. Você sabe o que é?

— Acho que sim. Não se preocupa, eu e Luciane damos um jeito. Diz pro maninho chegar cedo em casa para arrumarmos ele.

— Pode deixar, eu aviso ele. – Helena sorria com a língua entre os dentes – Até.

Ela pousou o fone no gancho orgulhosa. Tiago tinha as mãos na cintura.

— Você é louca. – ele então sorriu.

— Muita sorte a sua, né?

Helena mordia o lábio inferior, se encostando na mesa, quase sentando, mãos apoiadas na beirada. Tiago inspirou forte e foi se aproximando dela, ficando de frente para Helena, que já abria a boca. Ele chegou o corpo dele no dela, e afundou o rosto no pescoço de Helena, beijando a curva dele, afastando a alça da regata para o lado, beijando o ombro. Então ele pegou as pernas dela e as levantou, segurando na parte de trás dos joelhos, a subindo sobre a mesa, e fazendo Helena dar gritinhos. Ele ergueu a cabeça a admirando, enquanto Helena colocava os braços ao redor do pescoço dele.

— Eu tenho que trabalhar, bandida.

— Tira uma folga! – ela subiu as sobrancelhas e abaixou ligeiro.

Ele sorriu, pegando ela pelas coxas e a puxando para ele, com força, mordendo o lábio inferior.

— Sabe o que é? – ele virava a cabeça de um lado para o outro, brincando com Helena que o seguia para beijar – Eu não posso tirar folga.

— Você é o chefe. – ela já tinha as mãos na nuca dele.

— Mas não é assim que ... – ela beijou ele.

Os dois mantiveram o beijo, puxando o ar, estalando quando se afastaram.

— Sabe o que eu estou lembrando, porquinho? – ela falou afastando o rosto, trazendo a mão direita para a frente, passando o dedo indicador pela linha do maxilar dele – Que você está me devendo um encontro. É bom me pagar hoje!

Ele jogou a cabeça para trás, curvando os lábios num sorriso maroto, erguendo as sobrancelhas.

— É? E faço como se você fica marcando compromissos com a Camila?

— Eu? – ela ergueu as sobrancelhas, o olhando nos olhos, tentando entender – Aaah, se é sobre nosso plano contra Aline. Ele ia ser rápido. Mas você já cuidou do assunto. – ela desceu a mão esquerda para o cós da calça dele, o puxando para si, fazendo Tiago prender a respiração.

— Camila já te passou tudo, é?

— Ahã... – ela pegou a nuca dele, o puxando, passando o nariz pelo pescoço dele – Eu fiquei animada só de imaginar você expulsando a barata. — Helena tirou a mão da nuca dele, passando a desabotoar a camisa de Tiago – De quebra poupou a noite para nós.

Ela levantou o olhar para ele.

— Pena que você acabou de marcar outro compromisso para a noite, né? – ele apertou os lábios e ergueu as sobrancelhas pra ela.

Helena franziu a testa ainda olhando os botões da camisa dele, então entendeu o que ele quis dizer, ergueu a cabeça ligeiro, abriu a boca e fechou os olhos.

— Ah, não! – Helena se jogou para trás, deitando na mesa, colocando a mão na cabeça, sem se importar com os papeis que amassava, respirou fundo e olhou para ele, que agora se inclinava sobre o corpo dela, mãos apoiadas na mesa – Olha o que você faz comigo, porquinho! Eu não penso direito.

Ela foi puxando ele pelo colarinho aberto, enquanto ele ria, pegando a cabeça dela pela nuca com a mão esquerda, e dando outro beijo.

— Tiago... – Misael entrou na sala.

Tiago se levantou rápido, deixando Helena na mesa, que virou a cabeça na direção da porta, ainda deitada.

— Desculpa. – Misael olhava para os dois encabulado.

— Que isso! Eu só estava medindo a mesa...com as costas!

Falou Helena irritada, se levantando. Misael conteve um riso. Tiago também continha o riso, a olhando se erguer na mesa e o olhar frustrada.

— Eu vou indo – ela estava de pé, em frente a Tiago – que a sua sala é mais movimentada que a cozinha e sala da sua casa. – Tiago riu, ela então saiu fazendo questão de passar o corpo pelo de Tiago, mordendo o lábio inferior – Chega em casa cedo hoje! Tem evento.

E ela saiu se despedindo de Misael e Sueli, sem olhar para trás. Tiago a observou sempre com a mão nos bolsos, se sentando logo, suspirando.

— Misael! – ele então voltou sua atenção ao empregado – Me explica tudo o que preciso para esse evento de hoje a noite. – Tiago bateu a mão direita animado sobre a mesa, mordendo o lábio inferior, sorrindo animado.

O outro sorriu e fechou a porta indo se sentar.