Não acredito que vou ser madrinha de casamento... De novo. E a cerimônia é daqui a quatro meses.

Bom, eu já comecei aqui reclamando e nem me apresentei. Meu nome é Clarisse Newil, mas todos me chamam de Lice , tenho 28 anos e sou jornalista de comportamento de uma revista em Nova York.

Nasci no Brasil, mas depois de formada consegui um emprego na Vanity Fair e já moro há dois anos no Estados Unidos. Ah, não posso deixar de falar o mais importante: Já fui madrinha de casamento cinco vezes. Isso mesmo cinco vezes.

Eu nunca conheço a pessoa que vai ser o padrinho junto comigo. Só fico conhecendo no dia e sempre vou ao casamento na expectativa da pessoa com que eu vou entrar na igreja seja meu príncipe encantado. Mas em todas elas estava enganada.

A primeira vez que fui madrinha de casamento, foi da minha melhor amiga Alice, em uma praia de Salvador. O casamento parecia dos sonhos: um mar perfeito na nossa frente e um pôr do sol esplêndido. Tudo estava maravilhoso até na hora que a Alice me chamou e me apresentou o André, o cara com eu quem ia entrar na igreja. Desde da hora em que eu conheci esse André, até no final da cerimônia, ele não parava de falar de si mesmo: que era um empresário rico, que podia ter todas as mulheres que quisesse etc. Resultado: Quase sair correndo da cerimônia e na festa fiquei bem longe dele.

Na segunda vez, foi até legal, mas o meu par na igreja era o primo distante do noivo ( que eu nem conhecia), Brian, de 16 anos. O menino era encantador e educado. Mas lógico que fiquei só na amizade.

Na terceira vez achei que eu ia sair do casamento com um noivo. Foi no casamento da minha irmã, Clara, no Rio de Janeiro. Como nossa família é pequena, Clara escolheu as madrinhas ( que contando comigo só foram 3) e o noivo escolheu os padrinhos.

Ela já tinha me avisado que eu ia entrar na igreja junto com o Simon Back. E por sinal, também me avisou que ele era um gato. Um D-E-U-S G-R-E-G-O. Eu já não querendo perder tempo, já perguntei o sobre nome e tentei procurar esse suposto príncipe encanto em alguma rede social. Acredita que ele não tinha facebook, nem twitter, nem instagram?

Só o conheci no dia do casamento. Ele parecia uma mistura do Leonardo Di Caprio com o marido da Giselli, o Tom Brady. Já imaginou a mistura né?

Enquanto esperávamos para entrar na igreja, comentei que o lugar estava lindo, e que o casamento é uma forma de união e laço entre quem se ama.

Acredita que o Simon começou um discurso totalmente anti- casamento? Lembro até hoje as palavras dele:

“Casamento nada mais é do que mais uma forma de capitalismo. Não importa se o casamento é simples ou não, é tudo uma forma de você gastar dinheiro. Além do mais, para que vou perder meu tempo casando se seu que o amor não é pra sempre? “

Olha, eu entrei na igreja devastada e com lágrimas nos olhos. Até menti para Clara, dizendo que eu estava emocionada com o casamento. Mas na verdade estava chorando de raiva por ter criado expectativas com o D-E-U-S G-R-E-G-O , e perceber, que na verdade , ele era um ogro.

Na quarta vez em que fui madrinha, foi aqui em Nova York. Ia entrar com um cara chamado Joaquim, mas no dia da cerimônia ele passou mal (até hoje não sabem o porquê) e eu tive que entrar sozinha na igreja. Isso mesmo sozinha. De madrinha, passei ser a daminha de honra. Que sorte a minha hein?

Na quinta vez, o cara que ia ser o padrinho junto comigo era até bonito e simpático. Mas ao contrário do Simon, ele tinha um discurso totalmente a favor do casamento e lá, antes de entrarmos na igreja, ele falou que eu era a mulher da vida dele.

Calma aí. O sujeito me conheceu em menos de três horas e já veio com esse papo? Aí nessa hora usei as mesmas palavras do discurso do Joaquim e disse que amor não é pra sempre e que eu jamais ia me casar.

O cara ficou decepcionado e não me procurou mais durante a festa. Ainda bem né?

Hoje chegou o convite oficial da minha amiga Janice. Conheci-a logo que eu entrei na Vanity Fair e nos tornamos muito amigas. Janice é fora do convencional, tanto que ela resolveu fazer o casamento em julho na Cordilheira dos Andes, no Chile. Isso mesmo. Em julho, naquele frio, estarei saindo de NY e indo para a neve.

Com esse casamento, serei madrinha pela sexta vez. E eu já estou na ansiedade pensando com quem eu vou entrar na igreja. Só que se eu só focar nisso durante todo esse tempo, vou entrar um colapso. Por isso, acho que vou entrar em contato com a Janice e pedi a ficha completa, afinal, tenho direito de saber com quem eu vou entrar na igreja? Não tenho?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.