A semideusa misteriosa
18 E finalmente...chegou a hora da Grande Batalha

Cada passo que dávamos na direção do monte com a placa de Hollywood, meu estômago se revirava em minha barriga. Estávamos andando para a morte certa e aquele cheiro de rosas, de certa forma, não ajudava em nada. Olhei para meus amigos lado a lado, e pela primeira vez fiquei realmente nervosa com uma batalha, até porque essa seria uma das maiores batalhas que eu possivelmente iria travar em minha vida. Lutar contra um enorme titã sem saber se iríamos sair vitoriosos ou não, afinal, éramos apenas oito semideuses contra eles. Engoli em seco e senti alguém segurar minha mão. Derek, como sempre, tentando me acalmar, porém, depois do sonho na noite passada, sabia que teria que fazer de tudo para impedir que fosse realizado.
Quando finalmente chegamos a área da batalha, o céu estava negro devido a chuva que estava por vir e um exército enorme de monstros apareceu, nenhum dos meus amigos pareceu se surpreender, mas para mim, foi uma das cenas mais aterrorizantes da minha vida. Não faltava um único tipo de monstro ali e, bem no meio, sentado em uma espécie de trono, estava Jápeto comandando todos e vestindo uma armadura reluzente.
Fiquei petrificada de medo e os instantes seguintes passaram como se fosse câmera lenta. Vi os monstros atacando, vi Percy cortar cabeças com sua espada "Contracorrente", Nice enfiar sua adaga várias vezes nas costas de um monstro, Mike acertando um raio em alguns lestrigões, Derek e Bía acertando flechas uma atrás da outra, até que uma cena chamou minha atenção. Perseis golpeava algumas dracaenaes com sua lança, até que um ciclope a agarrou por trás e jogou-a no chão com força, ela caiu gemendo e virou o rosto, o nariz todo ensanguentado. Ela fechou os olhos e se encolheu esperando o soco que o ciclope daria nela, porém Eric surgiu não sei bem de onde e golpeou o ciclope cortando-o ao meio. Ele se abaixou em direção a Perseis e afagou sua bochecha, fazendo-a abrir os olhos, e então ele deu um beijo na testa dela, sussurrou algo e saiu para guerra. Perseis se sentou e então...
Parei de respirar, o tempo voltou a correr normalmente. Havia uma dracaenae envolvendo meu pescoço e me sufocando, eu não conseguia pegar minha espada e já conseguia sentir a morte chegando. "Ótimo jeito de morrer", pensei. "Sem ter ajudado ninguém". Me debatia em pânico até que Nice surgiu do céu e cortou a cabeça da dracaenae. Cai no chão e retomei o ar.
— Você está bem? — ela me perguntou.
— Estou. — eu disse meio ofegante.
Ela saiu voando para a guerra e eu peguei minha espada. Corri em direção ao conflito, ou melhor, em direção a Jápeto. Alguém tinha que detê-lo.
— Ora, ora, se não é a pequena Maia. Veio reconsiderar se juntar a mim? — ele disse.
Ele diminuiu até ficar do tamanho de uma pessoa normal e veio andando em minha direção.
— Eu nunca me juntarei a você. — rosnei.
— Que pena, seus poderes seriam úteis... — ele disse.
— Poderes? — baixei a guarda. — Mas que po...
Ele me socou no estômago. Fui arremessada para longe e acabei batendo a cabeça em uma rocha. Pontos pretos ficaram rondando na minha visão. Me levantei com as pernas bambas e me apoiei na rocha.
— Isso vai ser rápido. — ouvi Jápeto dizer enquanto pegava sua espada.
Ainda meio zonza, não consegui escapar direito de seu golpe e a espada abriu um corte em meu braço, me fazendo urrar de dor. Rolei pelo chão pra longe dele e pressionei o corte, sentindo o sangue escorrendo pelos meus dedos. Mike" voou" e caiu no chão ao meu lado, gemendo de dor, sua cabeça sangrava. Um telquine o levantou do chão e Mike deu um chute nele.
"Preciso ajudá-los", pensei. "Eles vão morrer."
Me levantei, dessa vez mais determinada, e fui ao combate.
— Ela não desiste. — disse Jápeto sarcástico.
Começamos a duelar, tentei usar todas as técnicas que Eric me ensinara. Consegui ferir Jápeto algumas vezes mas nada que o atingisse de forma que ele parasse de lutar. Eu, em compensação, já tinha apanhado muito, estava toda ensanguentada e fraca. Fui chutada nas costelas e acabei voando longe, a dor era quase insuportável.
Dei uma olhada pela montanha, Bía estava gravemente ferida e deitada em cima de uma poça de sangue. Eric estava no chão e parecia inconsciente. Nice estava cercada de telquines e apanhava bastante. Percy e Mike lutavam de costas um para o outro e tentavam, em vão, não serem encurralados, mas um gigante acabou acertando os dois com um só golpe, os dois bateram contra uma das rochas da montanha e caíram no chão, inconscientes.
— NÃO! — berrou Perseis ao ver essa cena.
Com essa pequena distração dela, o ciclope com quem ela lutava tomou a lança da mão dela e enfiou em sua perna, fazendo ela gritar de dor. Estava começando a chover enquanto tentava novamente me levantar para a batalha, quando ouvi Derek gritar.
— MAIA, CUIDADO!
Vi uma flecha vindo em minha direção, eu não tinha tempo de desviar. Fechei meus olhos e esperei pelo impacto dela no meu corpo...o que não aconteceu. No lugar disso, eu ouvi um gemido de dor, abri meus olhos rapidamente e vi a pior cena da minha vida.
Foi como se tudo voltasse a ser câmera lenta. Derek estava em minha frente, a flecha havia acertado em cheio seu ombro. Não era um ferimento muito grave, mas foi quando ele tirou a flecha e que nós observamos a ponta, que eu me desesperei. A ponta verde indicava o pior: estava envenenada. Eu senti as lágrimas percorrendo meu rosto e eu corri para tentar impedí-lo de cair com tudo no chão. Coloquei sua cabeça em meu colo, seus olhos estavam abertos, sua respiração estava fraca. NÃO! Eu não posso perdê-lo, meu sonho não pode se realizar.
— Maia...sei que...é um pouco tarde...mas eu...preciso te dizer uma coisa... — ele disse, com dificuldade.
— Shh, por favor, não fale. — pedi a ele.
— Eu preciso...te dizer. Eu...eu te amo, Mai!
— Eu também te amo!
Depois de dizer isso, segurando firmemente em sua mão, eu o beijei e ele correspondeu. Quando eu terminei o beijo, eu senti sua cabeça pesar em meu colo, senti um enorme vazio em meu coração, as lágrimas não paravam de escorrer pelo meu rosto e a chuva estava me deixando ensopada. Eu olhei ao meu redor e pude ver Perseis lutando com o último monstro, ou pelo menos ela tentava. Eu coloquei a cabeça de Derek com cuidado no chão, me levantei e comecei a correr para ajudar Perseis.
No momento em que o monstro se preparava para enfiar a lança no peito dela, eu cheguei por trás e cortei a cabeça dele. Com a ajuda da água da chuva, Perseis conseguiu restaurar parte de suas forças e seu corte na perna já estava cicatrizando. Eu não sei como, mas eu me sentia mais forte, acho que foi o desejo de vingança pela morte de Derek, não sei.
Ouvimos um barulho e o chão tremia um pouco, Perseis já se encontrava ao meu lado, nós duas olhávamos para o mesmo lugar. Jápeto, em sua forma normal, com uns 20 metros de altura, vinha em nossa direção. Nós duas não tínhamos chance contra ele. Olhei para ela, eu não queria que ela morresse. O sentimento de raiva e vingança pela morte de Derek se transformou em culpa, culpa pelo que aconteceu com ele e pelo estado em que meus amigos se encontravam pesava em minha mente. Eu segurei a mão de Perseis e todas as lembranças de momentos com ela, desde que éramos bebês, veio em minha cabeça como um filme passando em alta velocidade. Eu percebi que Perseis estava com medo, e isso foi estranho, pois foi a primeira vez, desde que a encontrei na missão, que eu vi ela com medo.
Mas a coisa mais estranha que aconteceu, foi quando, do nada, nós duas sentimos um calafrio. Uma estranha luz azul nos envolveu e nós levitamos um pouco. Uma espécie de bolha nos envolveu, uma energia estava tomando conta de mim, ou melhor, estava SAINDO DE MIM. Vários redemoinhos de água surgiram no chão e de dentro dele saiam um monte de ciclopes com armaduras do palácio de Poseidon.
Perseis apertou minha mão com mais força e eu retribui o gesto, fazendo com que um brilho enorme ofuscasse meus olhos e só depois eu percebi que NÓS é que estávamos brilhando. Como se isso fosse um tipo de comando, os redemoinhos do chão começaram a se juntar e uma forma humana feita de água começou a se levantar. Os ciclopes montaram em pégasus e partiram para o ataque. A forma humana ficou de pé, era do tamanho de Jápeto. Os dois começaram a lutar e os ciclopes faziam de tudo para ferir e atrapalhar Jápeto.
Jápeto começou a tomar vantagem sobre nosso humano de água e eu, por impulso, dei um soco no ar, o (vamos chamar o humano de água de Brian) Brian imitou meu movimento e acertou o soco bem no queixo de Jápeto. "Gostei disso", pensei e em seguida, fiz o movimento de uma rasteira e BUM! Jápeto levou uma rasteira e caiu no chão. Perseis riu e fez um movimento com a mão, Brian soltou um jato de água fortíssimo fazendo Jápeto (incrivelmente) afundar no chão, fazendo um buraco ao redor dele.
— Tchau, Jápeto! — dissemos juntas e Brian repetiu.
Ela entrelaçou nossos dedos, Brian se transformou em uma enorme onda e entrou no buraco onde Jápeto se encontrava, o sufocando em um enorme redemoinho. O ciclopes comemoraram e entraram no redemoinho, ao longe escutamos os gritos do titã que foram abafados pela água.
O redemoinho sumiu e com ele, Jápeto e os ciclopes. Paramos de brilhar, a bolha ao nosso redor estourou e caímos no chão. Eu estava extremamente cansada e minha cabeça doía horrivelmente. Senti novamente os pingos de chuva batendo em meu rosto e comecei a me sentir melhor. Perseis soltou minha mão e me olhou assustada.
— Maia...O que...Maia! Olha! Na sua cabeça!
Um tridente brilhava acima de minha cabeça e eu sorri meio boba ao ver que finalmente havia descoberto o que tanto queria.
— Somos irmãs. — eu disse com lágrimas nos olhos e olhei pra ela.
Nos abraçamos e no fim tudo estava bem, eu sabia quem era meu pai, Jápeto fora vencido e...
— AI MEUS DEUSES! DEREK! — me soltei do abraço e fui em direção a ele.
Porém antes que pudesse chegar lá, tudo ficou escuro e eu já não me encontrava mais em Los Angeles.
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