Notas iniciais
Eu sou o mal das coisas ruins, o medo do terror, a alegria da tristeza, a beleza do horror , a felicidade na dor , o caos da satisfação , a comodidade na agonia , incerteza da ilusão , sou a mascara do lado sombrio , a magoa da satisfação , o lado negro do coração o sofrimento da emoção!!

Gabriel C. machado

Prefácio

Frio, fome e solidão haviam se tornados amigos inseparáveis de Julia naqueles últimos dias. Respirou fundo mais uma vez. Abriu os olhos e não viu nada além de escuridão. Tentou se mexer, mas seu braço bateu contra algo próximo que delimitava seus movimentos como uma parede. O ambiente era abafado e frio. Não conseguia se lembrar de como fora parar ali. Fechou os olhos e repassou pausadamente os últimos acontecimentos mentalmente. Nada... Havia uma lacuna entre o ultimo lugar em que se lembrava ter ido e aonde estava. Começava a se sentir claustrofóbica. Era como se tivesse sido enterrada viva e nem ao menos sabia disso.

De repente começou a ouvir vozes se aproximando. Não diziam nada em seu idioma natal mas era uma língua que aos poucos ela começou a reconhecer e entender. As vozes estavam mais altas e barulhentas. Juntou as ultimas forças que lhe restava e começou a gritar desesperadamente por socorro. Os homens que já estavam curiosos com aquilo se apressaram ao ouvir os gritos e com um machado conseguiram abrir a caixa.

Por alguns instante Julia estranhou a luz, mas logo conseguiu abrir os olhos e se levantou com a ajuda daqueles homens que a olhavam curiosos e perplexos. Ela olhou ao seu redor e percebeu que estivera trancada em uma caixão de madeira. Era bem simples, sem adornos, apenas a cor de mogno e um espaço para a colocação de um cadeado. Ao olhar ao seu redor pôde ver o mar calmo quebrando suas ondas na praia e o sol nascer para mais um longo dia. Também sentiu um incomodo em seu sutiã e achou um bilhete dobrado. Ao desdobrá-lo, pode ler a seguinte frase: “Alea jacta est” e no verso estava assinado “Charles”.

Finalmente dirigiu a palavra àqueles homens que aguardavam por respostas e com um belo português começou:

- Agradeço por terem me ajudado nessa situação tão incomum. Sei que devem estar imaginando inúmeras coisas, pois não é todo dia que se encontra uma senhora trancada em um caixão na praia, porém, para acabar com as dúvidas, conto a vocês que tudo não passou de uma brincadeira de mal gosto de um amigo de infância meu. Estão vendo esse bilhete em minhas mãos? Está escrito: A sorte está lançada. E como se estivéssemos em uma brincadeira de gato e rato – e dava aquele sorriso meigo e educado como se quisesse dizer “por favor, não façam mais perguntas” – por isso vou precisar de uma pequena ajuda.

- Somos pessoas simples, mas faremos tudo que estiver ao nosso alcance – disse um dos homens. Era moreno, cabelo negro curto e baixo. Com uma visão mais detalhista era possível deduzir que todos ali eram pessoas que viviam do comercio informal e formal na praia. Todos vestiam roupas leves e descontraídas, como regata e bermudas, e eram queimados de tanto trabalharem expostos ao sol do trópico. Era fácil notar que a senhora eram bem diferente deles. Ela era muito branca, roupas quentes, típicas dos países europeus frios, e elegantes como um cachecol roxo, combinando com a camisa lilás cheia de rendas nas mangas e uma calça jeans preta. Tinha um colar de ouro com três corações, um de ouro branco, outro de ouro dourado e outro de ouro rose. Seu cabelo cacheado e loiro escuro ia até a altura do ombro e possuía uma beleza medieval. Transmitia uma ar de sabedoria e tranquilidade.

- Gostaria de saber onde estou, por favor.

- A senhora está em Natal.

- Brasil, certo?

- Sim – Cinco dos sete homens que estavam presentes inicialmente já haviam ido embora para cumprir com seus afazeres, tendo ficado apenas dois, que pareciam ser os mais novos do grupo.

- Podem me informar onde consigo fazer uma ligação? É importante.

- A senhora pode ir conosco até o restaurante onde trabalhamos. É logo ali e se falar com o Junior, o gerente, talvez ele a deixe usar o telefone. Caso contrário, a senhora terá que ir de loja em loja até conseguir ou até achar um telefone público.

- Obrigada pela gentileza, vou com vocês.

Os dois ainda pareciam encantados com ela e nem fizeram esforço para disfarçar. Andaram por uns 200 metros até chegar ao tal restaurante. Lá, é claro que o gerente viu que Julia era estrangeira e, achando que poderia conseguir uma nova cliente, permitiu que ela usasse o telefone. Sozinha, discou rapidamente para Londres.

- Joule, sou eu. O que nós temíamos aconteceu. Preciso de você.

- Onde você está?

- Estou na praia de Ponta Negra, em Natal, Brasil.

- Vou ver a quem podemos recorrer. Me ligue dentro de uma hora.

Ela não tinha nenhuma relógio, mas por uma hora podia ficar ali. Sentiu seu estômago pedir desesperadamente por comida e achou cinquenta dólares guardados no bolso traseiro da calça. Olhou o cardápio e pediu o prato mais barato, o que não agradou muito o gerente.

Agoniada, ficou vidrada no relógio que estava em uma das paredes e exatamente uma hora depois pediu de novo ao gerente para usar o telefone. Ele não quis, porém, com seu charme feminino ela conseguiu fazê-lo mudar de ideia.

- E então?

- Falei com Eduardo Prado. Pra sua sorte ele está em Fortaleza e disse pra você o encontrar dentro de duas horas no Morro do Careca. Boa sorte.

-Muito obrigada, Joule.

- De nada, mas ainda temos muito que fazer.

Notas finais
Pessoal,

Quem se interessar pela história comente, por favor, para que eu me anime a publicar o restante.

Obrigada.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.