A sala proibida
11 A caminho do inferno frio
Notas iniciais
– Já pode me começar a contar tudo sobre esse Andrew e os outros 4.- Eu disse para Cath.
Malcon ia mais a frente, checando para ver se está tudo seguro. Eu achei ridículo ter que usar blusa de manga comprida no calor do deserto, mas a roupa era muito fresca. A paisagen a nossa volta era areia branca. Dunas. Muito raramente viamos uns bichinhos beges e peludos passarem correndo por nós, eram lindinhos: Orelhas pontudas e abaixadas, e um rabinho parecia 2 rabos de porco, e a carinha redonda com um nariz pequeno e azul. Cath disse que eram Lapsas e que são inofensivas.
As vezes apareciam a nossa volta palmeiras.
– Bom, pra você entender quem são eles, vou te contar uma historia que aconteceu a muito tempo atrás...
– Aff... Por favor, diga que não é longa. — Implorei.
– Só escute.
Bom, a mais ou menos 451 anos atrás duas garotas, filhas legitimas do sol e da lua...
– Como alguém pode ser filho do sol ou da lua?- Interronpi.
– Shiiiu! Continuando.
Elas decidiram que este mundo deveria ter guardiõs para cuidar das coisas quando elas não estivessem mais aqui. A filha do sol criou os princípes do gelo, ar e fogo. Andrew, Anik e Riot. E as princesas da terra e da água. Ámelia e Lyncë. Cada um cuida dos 5 elementos. E a filha da lua criou os anjos. Como a lua sempre foi mais "trevas", apesar de ser boa, ela criou os demônios também. Ambos para protegerem as criaturas vivas. Elas pagaram um preço por isso. Uma espécie de maldição. Álem, é claro, de ter suas almas capturadas em um pacto de sangue com as estrelas...
– Como alguém pode fazer um pacto de SANGUE com ESTRELAS?- Interronpi novamente. Ela me olhou feio e continuou.
– Um de seus decendentes teria que um dia se atirar no Pico das almas condenadas, para que sua alma boa regenerace as forças dos guardiões.
– Isso ja aconteceu alguma vez?
– Não. Nunca, e espero que não aconteça tão cedo.
Mas voltando ao assunto dos guardiões dos 5 elementos, você precisa saber umas coisas deles. O principe Anik, comanda o ar e todas as criaturas desse elemente. É muito sério e calmo em QUALQUER situação. Ah, e odeia quem mata na sua frente, ou se ele vê que a pessoa morreu. A Lyncë, tem poderes da água e adora brincar. É uma tonta, mas ela é legal. Ámelia é um doce com qualquer um que goste da natureza e trate ela bem. Ela também adora matar demônios das outras dimensões. Mas você deve tomar cuidado com o Riot. Ele é digamos... Ah... Nunca fique sozinha com ele. Só digo isso.
– E o de gelo?- Olhei pra Catherine e não vi uma pedra no chão. Caí da cara no chão. Cuspi areia e gritei:
– Tem areia no meu olho! E na minha língua! Cath me ajuda.
– Pera- Ela colocou uma jarra na minha boca, eu bochechei e cuspi. Depois ela abriu meus olhos e despejou água neles. Ardei um pouquinho. Sempre tive olhos sensiveis.
– Arhg, valeu.
– Disponha.- Vi ela bebendo água e passando a mão na testa- Está ficando mais quente agora. Significa que estamos chegando.
– Quer dizer que o fato de que está ficando mais quente significa que estamos chegando nas terras de GELO?! Isso tem sentido? Parece que nada aqui tem...
– Isso mesmo. Bom, O Andrew era mais reservado, na dele. Ele fazia de tudo pra ajudar quem pudesse. Ele também é lindo. Tem cabelos loiros, alto, robosto, tem um sorriso...- Quando vi ela olhava o nada com olhar sonhador.
– Ah, huuuuuuummm... Tô sabendo. Você gosta dele!
– Sim...- Ela pareceu acordar.- Que?! Não!
– É. Você gosta dele.
Ela abaixou a cabeça e corou. Quando eu ia encher mais o saco dela, Malcon gritou alarmado de londe:
– Meninas! Meninas! Temos problemas!!!
Cath correu até lá e eu a segui facilmente. O calor do sol nunca me afetou muito, e pelo visto os dois também não.
Olhei para frente e vi um bando grande de bichos rastejantes. Eles eram negros e tinham garras/dedos muito pontudos e compridos. Os dentes eram tão grandes que os demônios não fechavam a mandíbula. Saia um líquido gosmento e vermelho da boca deles. Presumi ser sangue. Eles vinham rasterando rápido na nossa direção.
– Annita -Olhei pra Cath- Esses são Sarkipas, demônios rastejantes. Aquilo que sai da boca deles é um veneno forte. Cuidado.- Ela tirou a mochila da bolsa e mexeu até tirar uma adaga do tamanho do meu cotovelo até meus dedos e me entregar.- Use isso se precisar.
Ela e Malcon partiram na direção dos Skarpias(Os mesmos bichos de que Dimítre falou) e eu fiquei olhando eles lutarem. Malcon era habilidoso em luta corporal. Desferia chutes na cabeça, na barriga, dava socos dignos de um profissional lutador de box. Cath usava uma foice. Girava e cortava o braços, fazia cortes no corpo, decepava a cabeça... Os Skarpias rugiam. Um rugido estridente e rouco. Atacavan com suas garras, e cauda que parecia um chicote. Os dentes eles não conseguiam usar, pois Cath e Malcon desviavam rápido e com agiligade.
Estava tão entretida olhando a luta, que não percebi dois demônios proximos a mim até levar uma chicoteada na perna nua. Eu caí mais pelo susto, que pela dor. Minha perna sanguava e ardia. Me levantei e desferi um chute na cabeça de meu agressor que caiu pra trás. O outro veio e me empurrou, eu me desequilibrei e ele me prendeu com sua calda e arranhou me rosto. Gritei. Tentei me soltar, dei uma cabeçada nele que doeu até na minha cabeça e ele me soltou. O outro veio e caiu em cima de mim. Tirei a adaga da bota e apunhalei sua cabeça, ele gritou e forçou suas garras na minha garganta até sangrar. Com muito esforço fiquei por cima e com meus braços envolvi seu pescoço. O quebrei. A cabeça tombou pro lado e o aperto na minha ganganta acabou. Mesmo assim eu cuspia sangue. Pulei em cima do outro e forcei seus braços pra trás, num movimento rápido, girei seu corpo e ele caiu com tudo no chão. Cravei a agada no seu coração e sangue negro jorrou na minha cara.
Vi um metal brilhante preso no seu pescoço, me abaixei quase desmaiando de dor e arranquei dele. Entretanto, senti dentes fortes e grossos rasgando meu ombro. Depois veio uma ardencia, como se acído corroesse a pele. Gritei com todas as minhas forças, e caí, ainda segurando a placa de metal e olhei o mundo dando voltas e giros, ficar de ponta-cabeça, e ao poucos escurecer enquanto eu me contorcia de dor e gritava.
Antes de apagar ouvi alguém gritar meu nome de muito longe. E o negro se apoderou da minha mente.
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