Um enorme pilar de luz surgiu de repente em um pequeno vale para desaparecer apenas poucos segundos depois, no local onde o pilar havia aparecido agora se encontrava um dreyen, vestindo roupas bem comuns para qualquer viajante encontrado naquela área, ele olhou para os lados e então começou a caminhar por entre as árvores na direção de uma pequena trilha.

Após poucos minutos de caminhada, ele avistou uma pequena vila, com pouco mais que trinta casas, após uma rápida observação ele continuou a caminhar.

— Mesmo estando de noite é raro não ver ninguém fora das casas – disse Ray para si mesmo – será que eles se surpreenderam pelo pilar de luz formado pelo Warp? Acho que não... mas mesmo assim, fazem quase sete mil anos que não venho pra Terra, devia ter ido na biblioteca da Luna e ver alguns fatos que ocorreram antes de descer, não é do meu feitio ser assim tão descuidado, acho que depois de todos esses anos eu ainda nutro sentimentos de ódio e vingança pelos Zentradi.

Chegando na vila ele percebeu que muitas das casas estavam danificadas, e haviam sinais de luta, sangue e armas espalhadas pelo chão, mas nenhum cadáver, no centro da vila uma grande fogueira que já havia apagado agora exalava apenas fumaça. Ray se ajoelhou e observou o conteúdo que foi utilizado na queima e após alguns segundos observando falou:

— Corpos... que tipo de ser faria isso? – após uma observação mais próxima, ele se levantou e deu um passo para trás surpreso – São dreyens, e... alguns humanos.

— Ei! Você aí, dreyen! – gritou um homem a alguns metros de distância de Rey – chefe! Achamos mais um! E esse é adulto – continuou gritando o homem.

— Ótimo – disse um outro homem que era o chefe – tentem não matar ele, alguma senhora rica pode querer um novo brinquedinho.

— Ou algum viadinho rico né? – falou outro guerreiro humano.

— Ou isso – continuou o chefe – venha conosco calmamente e você não vai precisar levar uma surra.

— Vocês que fizeram isso com esse vilarejo? – perguntou Ray colocando a mão no cabo da espada.

— Há! Parece que ele chegou aqui agora – disse um outro guerreiro humano – sabemos que vocês dreyens são guerreiros habilidosos, e é por isso que nós estamos aqui em uma quantidade muito superior, somos vinte, e você é um só! Renda-se, ou morra!

Após o término da frase, uma lâmina atravessou a garganta do homem, e sem ver mais nada ele caiu com uma chuva de sangue. Ray agora estava parado na frente dos guerreiros com sua espada desembainhada.

— Se vocês não quiserem morrer me falem tudo o que sabem, agora mesmo.

— Maldito! – gritou um outro soldado com uma lança – Morra agora!

A espada de Ray girou e a lança do guerreiro junto de sua cabeça, voaram para longe de seu corpo, que caiu imóvel no chão. Após aquilo, tudo o que foi visto pelo chefe daqueles homens, foi um banho de sangue, todos os seus soldados atacavam o dreyen e terminavam do mesmo jeito, mortos no chão ou quase mortos se afogando no próprio sangue. Foram necessários três minutos para que os vinte guerreiros virassem cadáveres frios e inertes no chão, sobrando apenas o chefe deles com vida.

— Então – disse Ray guardando a sua espada – vai me contar o que aconteceu, não é?

O chefe dos soldados caiu para trás e observou o dreyen a sua frente que mesmo após ter ficado em meio a tantos soldados morrendo, não estava com nenhuma mancha de sangue em suas roupas. Tremendo ele começou a falar:

— O... O que você quer saber?

— Primeiro, o que vocês estão fazendo aqui, segundo, foram vocês que fizeram isso? E terceiro, onde estão os habitantes dessa vila?

— Nós viemos para essa vila para conseguir escravos dreyens para o mercado negro, nós demos aos habitantes a opção de se render, mas eles quiseram lutar então atacamos, os habitantes estão em um acampamento aqui perto, ao sul, eles vão ser levados amanhã para o mercado.

— Obrigado – disse Ray se virando e começando a andar – Ah. Mais uma coisa, All’nash.

O chefe observou o dreyen ir embora após ter dito aquelas palavras estranhas, então se levantou devagar mas sentiu uma dor no peito que fez ele cair ajoelhado, a dor foi aumentando até ele estar com o corpo todo doendo de uma forma insuportável.

— Aquele... Aaaahhh!! Será... Será que ele é um... ma... Mago!?

Após proferir essas palavras o corpo todo do homem se iluminou até brilhar com uma luz vermelha, então explodiu, com vários pedaços de seu corpo voando para todo os lados e sangue se espalhando pelo já sangrento campo de batalha.

— Menos um problema – disse Ray enquanto seguia para o local indicado pelo chefe dos guerreiros humanos.

A alguns metros dali um pequeno acampamento estava sendo vigiado por vários guerreiros, um número próximo a cem soldados, todos bem armados e equipados, no centro do acampamento dezenas de dreyen amarrados estavam sentados no chão, alguns feridos e outros desacordados, todos com aparências abaladas e com rostos cheios de medo ou raiva, perto deles dois homens e uma mulher conversavam.

— Então – disse a mulher que possuía longos cabelos negros e olhos azuis e vestia um vestido curto com botas de caminhada – quantos são ao todo?

— Cerca de oitenta – disse um dos homens, de cabelo vermelho e pele morena com duas grandes espadas nas costas – a maioria mulheres, já que quase todos os homens morreram lutando contra nossos soldados.

— Podiam ser mais se os seus brutos não tivessem matado tantos dreyens assim, apenas desacordar estava bom – disse o outro homem, esse que vestia um casaco preto com um capuz e uma máscara que cobria quase seu rosto todo com a exceção dos olhos, e possuía várias adagas presas no cinto – se tivéssemos tentado uma aproximação discreta derrubando os vigias e depois desacordando cada um dos habitantes...

— Não íamos estar nem na metade quando a noite acabasse – interrompeu o homem moreno – admita Ren, seu jeito não funcionaria bem aqui.

— Pode ser que sim meu amigo bárbaro, mas teríamos capturada mais que o dobro se fossemos com mais cautela – respondeu Ren com um olhar que aparentava ser um sorriso, mesmo sendo impossível de dizer por baixo de sua máscara.

— Se realmente meus guerreiros tentassem desacordar os dreyens em vez de matar, teríamos mais que o dobro de baixas, isso sim, esses malucos cinzas lutam como demônios, precisaria de três soldado comuns para levar um deles. Pegar leve com um deles é pedir para morrer.

— Isso porque seus soldados são uns brutamontes que não sabem nada sobre a arte da batalha – disse Ren com um outro olhar semelhante ao que uma pessoa faz quando sorri.

Ah é? – respondeu o guerreiro moreno tirando uma das grandes espadas das costas – vamos ver quem é o melhor na arte da batalha então?

— Eu disse seus soldados, e não você – respondeu Ren enquanto pegava uma adaga com cada mão – mas se você insiste tanto assim em perder um olho ou uma orelha, então...

— Parem com isso logo, Ren e Grinn – disse a mulher – ou eu vou ter certeza que nenhum dos dois trabalhe novamente para o meu grupo.

— Que isso senhora Miles, não precisa disso tudo né? – falou Grinn guardando sua espada

— Estávamos apenas brincando – disse Ren rodando uma das adagas – poderíamos brincar com aquela pessoa ali também – disse apontando com a adaga em uma direção perto de uma árvore que estava encoberta pelas sombras.

Saindo de lá, andando lentamente um dreyen com uma espada em uma mão e com a outra começando a emitir uma energia vermelha brilhante.

— Um dreyen mago – disse a senhora Miles – vai valer muito no mercado amanhã, pago para vocês dois o dobro se me trouxerem ele vivo.

— Agora sim um desafio de verdade – disse Grinn sacando as duas espadas.

— Lembre-se – falou Ren preparando suas laminas para a batalha – ela disse vivo, Grinn. Mas caramba – disse ele com outro olhar semelhante a um sorriso – não achei que tinha mais nenhum habitante da vila por perto.

— Talvez esse aí estivesse viajando – respondeu Grinn já com as duas espadas em mão – mas fala aí, como você passou pelos guardas que estavam desse lado?

— Eu fiz com que sangrassem até a morte – disse Ray – assim como vou fazer com vocês e com todo o resto desse acampamento.

— Assustador – disse Ren – então vamos logo para a luta que todos esperamos! – gritou correndo na direção de Ray com as adagas preparadas para o ataque.

As laminas dançaram na direção de Ray que se esquivou dos golpes enquanto observava o oponente, após mais alguns golpes desviados ele levantou a mão que emanava magia e apontou na direção de Ren, que por pouco não foi atingido pelo raio escarlate que saiu da mão de Ray. O raio atravessou o acampamento até atingir uma árvore na outra ponta e derruba-la.

— Opa! – gritou Ren recuando com uma cambalhota para trás – isso foi perigoso, até que você é bem rapidinho, mas eu só estava te testando, agora sim que eu...

Antes que Ren pudesse terminar a frase Grinn avançou e deu um golpe da esquerda para a direita mirando no peito de Ray, esse que deu um salto fazendo com que a gigantesca espada ficasse a centímetros de seus pés, depois ainda no ar Ray usou o peito de Grinn como apoio e pulou mais alto ainda chegando no topo da árvore e carregando mais um disparo do raio. A concentração de energia vermelha pulsou e foi liberada, Grinn, que tinha se desequilibrado pelo salto de Ray se recuperou e colocou as duas espadas em uma forma de X para bloquear o disparo antes que acertasse seu peito. O disparo atingiu as laminas e foi bloqueado com sucesso, mas o impacto jogou o grande guerreiro moreno no chão.

— Acabem logo com ele! – gritou a senhora Miles se afastando para uma distância mais segura.

— Até que enfim um oponente que vai me dar trabalho para derrotar – disse Grinn se levantando.

— Você é um maldito bárbaro sem jeito – disse Ren – a senhora Miles diz para não matarmos ele e você já tenta partir ele ao meio.

Ray observou guerreiros chegarem para ajudarem seus líderes no combate, com a energia ainda em sua mão ele disparou contra alguns soldados atravessando o peito deles com seus raios, matou cerca de doze antes que flechas começassem a voar em sua direção, então foi obrigando a descer da árvore onde já pulou encravando sua espada na cabeça de um guerreiro que estava logo abaixo dele pronto para arremessar uma lança, livrando a espada do crânio de seu inimigo, Ray desfez a magia e com a mão agora livre, ele pegou a lança e encravou na garganta de outro homem que se aproximava para golpeá-lo com um machado, deixando a lança fincada no oponente, Ray golpeou mais um com sua espada, abrindo sua barriga com um corte lateral e deixando as tripas pularem para fora junto com uma pequena cachoeira de sangue, se apoderando do machado antes que este chegasse ao chão Ray abriu a cabeça de outro guerreiro com um golpe do machado, largando a arma e se virando para cortar uma cabeça com sua espada que logo depois já estava atravessando a barriga de outro homem, então decepou um braço, cortou um pescoço, se encravou em uma garganta, e assim rodopiou várias vezes ceifando as vidas dos homens e deixando seus cadáveres se acumulando ao redor dele até os guerreiros pararem de avançar por medo.

— Ele é um monstro! – gritou um dos guerreiros.

— Acabou com metade de nós e ainda nem fizemos um único aranhão nele – disse Grinn observando a chacina ao seu redor – ei! Dreyen, me diz, você também achou uma patrulha lá na vila? Uns vinte caras, mais ou menos.

— Matei todos, menos o líder – respondeu Ray ainda em posição de batalha – antes disso interroguei ele para saber onde vocês estavam, só então que eu matei ele.

— Ele era meu segundo em comando sabe? Não sabia lutar muito, mas era inteligente, sem pagamento em dobro, você vai morrer por ter levado tantos soldados meus.

— E você – disse Ray – vai morrer por tentar vender meu povo como escravos.

Acabada a frase de Ray, Grinn correu contra ele com suas espadas gigantescas dando vários golpes surpreendentemente rápidos para laminas daquele tamanho, Ray, no entanto, desviou de todos os ataques e também golpeou Grinn com sua espada, que foi bloqueada, continuou uma troca de golpes impressionante até Grinn recuar um pouco e Ray bloquear uma adaga que estava indo na direção de seu rosto com sua espada e então outras adagas voaram contra ele, cinco no total, das quais ele bloqueou quatro, e no último instante a quinta o atingiu no ombro esquerdo, rasgando a leve armadura de couro e a camisa de lã, o sangue começou a sair até descer pelo braço e começar a pingar lentamente no chão.

— Não importa o quão rápido ou habilidoso você seja – disse Ren — alguma hora você se cansa, e era exatamente isso que eu estava esperando meu amigo bárbaro aqui fazer.

Ray olhou na direção do assassino que estava tirando adagas de um bolso escondido em seu casaco, então olhou para o seu ombro e removeu a lamina e jogou no chão.

— Quer continuar jogando elas em mim na esperança que a hemorragia me mate ou vai vir lutar comigo? – perguntou Ray ficando novamente em posição de luta – eu uso minha espada com a mão direita afinal.

Ren arremessou outras duas facas que Ray rapidamente desviou então avançou contra o assassino antes que pudesse arremessar mais, os dois trocaram golpes, mas sua luta foi interrompida quando uma das espadas de Grinn passou a poucos centímetros da cabeça de Ray, fazendo ele dar um pequeno salto para trás, nesse momento Ren viu sua chance e golpeou Ray no flanco esquerdo, encravando uma de suas adagas perto da cintura do dreyen, porém seu movimento não foi perfeito pois a espada de Ray desceu e acertou o rosto do assassino que caiu no chão com golpe surpresa.

— Droga! – gritou Grinn – Ren, tá tudo bem?

— Ele... merda... eu acho que perdi meu olho – disse o assassino com a mão no rosto – maldito, eu vou te matar seu filho da puta.

Ray que havia cambaleado para trás pelo golpe da adaga se endireitou removendo-a de seu flanco, então moveu a boca falando palavras desconhecidas para todos ali presentes.

— Mas que merda... é um feitiço! Todos se afastem! – gritou Ren ao começar a correr para longe de Ray, mas já era tarde demais, uma grande onda de energia saiu do corpo do dreyen derrubando a todos no chão.

— Aaaahhh! Merda! – gritou Grinn – parece que meu ouvido vai explodir! Se levantem todos ele não pode... — mas a frase se perdeu quando ele bloqueou um golpe instantes antes deste atingir sua garganta – Im... impossível. Como você ainda tem tanta velocidade!?

— Grinn! Se abaixa! – esse aviso vindo Ren foi seguido por três adagas que passaram no momento em que segundos antes se localizava a cabeça de Grinn, as três atingiram seu alvo em cheio, se encravando no peito – Agora sim! Não deu pra pegar a recompensa em dobro mas...

Uma lamina desceu e se encravou no ombro de Ren que soltou um grito de dor, ao olhar para trás viu que Ray era quem segurava a espada que havia atingido ele, e voltando seu olhar para frente viu que aquele que ele havia atingido no peito tinha sumido e em seu lugar estava um dos guerreiros de Grinn, engasgando no próprio sangue.

— Magia de ilusão... Merda – disse o assassino antes de cair para frente desacordado.

Ray já ia dar o golpe final quando uma lança tentou atingi-lo, ele desviou da arma e matou o homem que a usava com um corte no peito que abriu um profundo buraco fazendo jorrar sangue enquanto ele caia no chão, outro golpe veio, mas este foi parado com mais dificuldade pois era Grinn que atacava com suas pesadas espadas.

— Então parece que agora sim você está cansado né? Seu merda! – gritou Grinn ao acertar o punho da espada sobre o olho de Ray que foi forçado a fecha-lo para não perder a visão.

As gigantescas espadas desciam e golpeavam Ray sem piedade que agora as bloqueava podendo apenas ver os ataques por um único olho já que o atingido pela arma agora estava fechado para evitar que o sangue que escorria fizesse mais estragos dos que já haviam ocorrido, a cada golpe Grinn sentia que estava ganhando e que poderia finalmente matar seu inimigo, pois a cada golpe Ray dava mais um passo para trás se aproximando do tronco de uma árvore que tinha próxima do acampamento.

— Está se divertindo bastante não acha? – perguntou Ray para Grinn – acho melhor acabar logo com isso.

As espadas de Grinn desceram mais uma vez só que Ray não as bloqueou, e sim saltou para trás, apoiando os pés no tronco que estava muito próximo dele, se jogando para frente com o impulso do tronco a lamina de Ray foi rápida ao mirar na cabeça de Grinn, mas este também foi rápido de bloquear o golpe, não com sua espada, mas sim com seu braço que foi arrancado durante o ataque, o ferimento foi próximo ao cotovelo, e o guerreiro berrou de dor ao ver o líquido vermelho voar do local que antes ocupava seu antebraço. Cambaleando para trás, Grinn caiu ajoelhado, agora sem seu braço direito, mas ainda segurando a espada com a mão esquerda ele tentou se levantar para voltar a luta, mas foi impedido pelo pé de Ray em suas costas, que o empurrou para o chão.

— Nunca pensei que poderiam haver pessoas tão fortes por aqui – disse Ray levantando a espada – é uma pena que vocês decidiram virar mercadores de escravos ao invés de achar alguma função mais honrosa.

Quando a espada se preparava para ceifar outra vida, um raio de energia atingiu Ray nas costas e o arremessou contra o tronco fazendo lascas de madeira voarem para toda parte enquanto ele voava a dezenas de metros do corpo ferido de Grinn.

— Esses dois idiotas, estavam realmente tentando matar um espécime tão valioso? – disse uma voz desconhecida que soou distante para Ray já que ele estava longe do local onde o autor do feitiço que o tinha atingido agora falava – levante-se meu querido dreyen – continuou a voz, agora um pouco mais perto – se você puder é claro.

Ray se levantou, removeu o peitoral de couro que usava e observando a parte de trás da armadura leve, encontrou um buraco chamuscado, assim como um buraco em sua camisa de lã que ficava cada vez maior por causa das pequenas chamas que a eletricidade causou, ele então removeu a camisa e arremessou ao chão junto do peitoral de couro revelando várias cicatrizes antigas ao longo de seu tronco, então se virou para encontrar um homem quase da mesma altura que ele sorrindo, com cabelos negros longos e um rosto que aparentava ser jovem, ele vestia um longo manto e em uma de suas mão estava um cajado de metal com um rubi na ponta e em sua outra mão faíscas elétricas saltitavam emanando uma luz azul clara.

— Quem é você? – perguntou Ray agora com sua espada novamente na mão.

— Eu sou Miles – disse o homem com um sorriso no rosto, e você?

— Miles era a mulher que contratou esse assassino e esse guerreiro para escravizar meu povo.

— Miles sou eu, é ela, é um outro homem longe daqui, uma outra mulher também longe daqui, Miles são muitos, não é o nome de um ser e sim...

— O nome de um grupo, um culto, ou talvez uma ordem – falou Ray interrompendo o homem – mas isso não me interessa, o que realmente interessa é por que caçam meu povo, e também quero saber onde está aquela mulher.

— Somos um culto – disse o homem sem prestar atenção na segunda parte da conversa de Ray – uma ordem, também, e um grupo com certeza, escravizamos seu povo assim como escravizamos muitos outros, não só dreyens, mas humanos, elfos, anões, orcs, ogros, Hiss’ars, e até mesmo o povo da raça de Grinn, os ferozes Garns, habitantes dos desertos profundos. Miles, você quer saber aonde está? Por que?

— Se essa Miles for a mulher, então é obvio o motivo, eu quero matar ela, assim como vou matar você e os outros dois ali.

— Não se preocupe — disse o homem se virando para contemplar a chacina feita por Ray – Eu já matei ela. Por que, você se pergunta. Porque sim, ela era fraca, Miles deve ser forte, todos nós, pelo bem de Miles, eu devo ser forte.

— Sinceramente, vou te manter vivo mais um pouco, quero saber mais sobre esses Miles, como conseguem escravizar ogros? – enquanto Ray falava os guerreiros restantes se reuniam para levar seu líder desacordado e o assassino para longe de Ray e do homem pertencente ao grupo chamado Miles – e outra dúvida que eu tenho aqui, mas não direi agora, pois não tenho certeza se pode estar ligado a vocês.

Observando o homem que se chamava de Miles Ray pensou: “se esse grupo for o responsável pela saída dos Zentradi eu devo descobrir de qualquer jeito”

— Dessas suas duas dúvidas você não perguntou onde ficam o local em que eu me encontro com Miles, e Miles, e todos de nossa ordem, não deseja saber o local de nossa base?

— Sim, mas você não me respondeu como capturam ogros.

O homem de repente fez um movimento com seu cajado e foi golpear a Ray na cabeça que segurou a arma com sua mão esquerda brilhando com uma luz amarelada.

— Capturamos eles ainda enquanto crianças e os ensinamos a servir, crianças aprendem rápido sabe? Um ogro adulto lutaria até a morte – respondeu o homem levando a mão dele até a barriga exposta de Ray para soltar outro disparo elétrico – você também vai ser como os ogros adultos, ou como as crianças?

Ray bloqueou a mão do mago com a que estava segurando o cajado e rapidamente trocou o que impedia o cajado de acerta-lo pela sua espada. Com um pequeno sorriso no rosto o homem ficou com os olhos brilhando de uma cor avermelhada, e abriu a boca para começar a recitar um feitiço, mas a cabeça de Ray foi contra seu nariz e ele não conseguiu falar. Quando se recuperou e ia dizer algo um punho o acertou na barriga e outro em sua bochecha, depois dezenas de outros socos o atingiram repetidamente no rosto até ele cair no chão com vários pequenos cortes em todo o seu rosto.

— Para não largar a espada eu te soquei enquanto a segurava, sem dúvida doeu mais os socos de direita do que os de esquerda.

— Realmente — disse o homem se levantando – não vai utilizar nenhuma magia para tentar me derrotar?

— Se você insiste — disse Ray guardando sua espada na bainha — acho que os prisioneiros estão realmente desesperados para ver a conclusão de todas essas lutas.

Enquanto juntava os dois punhos fechados na frente de seu peito ele mexeu a cabeça na direção dos dreyens amarrados que observavam a luta com olhares aflitos enquanto tentavam se soltar para ajuda-lo, o homem também olhou para os prisioneiros e então colocou sua mão próxima ao rosto e bateu com o cajado no chão e começou a emitir uma luz azul pelo corpo inteiro.

— Vamos logo com isso então – disse ele descarregando uma rajada de eletricidade de seu cajado na direção de Ray – fúria da tempestade!

Ray se abaixou e socou o chão criando uma enorme parede de pedra entre ele e o homem, que impediu o raio de continuar seu trajeto, rapidamente saiu de trás da parede e levantou a mão criando uma bola de fogo pequena e a arremessou contra o mago humano que bloqueou com seu cajado e então enviou outra rajada elétrica contra Ray que dessa vez deu um grande salto para desviar do ataque e ainda no ar carregou um disparo da energia vermelha que usou antes para matar os guerreiros e atirou no mago que desviou com o cajado fazendo ela atingir uma pedra que estava ali perto, ao pousar outro dispara elétrico voou na direção de Ray que defendeu com a sua mão direita enquanto carregava uma magia esverdeada na mão esquerda, ao terminar de bloquear toda a eletricidade do ataque ele colocou sua mão com a energia verde no chão e então rachou um pedaço do solo em volta da sua mão, porém nada aconteceu e o mago já preparava outro disparo com um grande sorriso no rosto quando uma raiz de árvore saiu do chão na frente dele e o atingiu na barriga, atravessando seu estomago. Ele olhou para Ray espantado e então caiu no chão de barriga para baixo. Cuspindo sangue.

— Como... acima de mim existem apenas outros quatro magos Miles... – com a voz falhando o homem levantou um pouco a cabeça para ver Ray o olhando em pé a sua frente – quem é você?

Ray se ajoelhou e colocou a mão na cabeça do mago. Emitindo uma luz dourada.

— A pergunta aqui é – disse ele fechando os olhos – quem é você? Alh Hin Na’dosh – ao proferir essas palavras, o mago soltou um berro de puro terror e então seus olhos brilharam da cor dourado e a única coisa que ele pode ouvir em sua mente era: quem é você?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.