A saga de V - Immortalis
19 Capitulo 18 - Parte 1
Notas iniciais
Capitulo XVIII
Todos me abandonaram. E quando digo todos, são todos mesmo. Até mesmo Cho. Há um mês não tenho uma conversa de mais de três frases com ela. E Dante então nem se fala. Não o vejo direito desde aquele dia em que ele acordou e decidiu me ignorar totalmente.
Apenas Cass tem me acompanhado na escola e me dando carona todos os dias de volta para casa. Até me convidou para comemorar meu aniversario amanha em uma boate, mas eu recusei. Festas e Cass eram sinônimas de problema.
Estou na mesa de jantar rodeada de livros e folhas de cálculos. Bela sexta à noite. Está tudo muito silencio, até Cho saiu e até agora não voltou. Ela e Dante. Todos me excluíram de seus programas. E olha que amanha era meu aniversario.
Decido desistir do estudo, estava sem cabeça para isso. Martelava um prego em minha mente a cada vez que pensava que amanha poderia ser o dia mais importante da minha vida.
Fui até a cozinha e peguei uma maça, bebi um copo com agua e uma aspirina e então fui para quarto. Peguei meu pequeno Ipod e coloquei no modo aleatório. Nunca mais havia escutado música o que me deixou bem assustada. Eu era louca por música e sempre me ajudava a pensar enquanto estava deitada.
Um baque surdo me assusta. Retiro os fones para escutar melhor, mas eu sou lenta demais e ele já até fechando a porta da varanda. Não sei se fico morta ou morta de feliz.
– Você não deveria estar aqui seu louco! – falo agradecida por Dante e Cho estarem fora.
– Não sei se vou poder me aproximar de você amanha. – Robert sussurra quase engasgando. Sinto sua voz rouca. Ele estava chorando?
– Para minha proteção não é? – falo indo até ele e o abraçando. Ele confirma com a cabeça e retribui o abraço.
– Precisava te dizer algumas coisas. – ele sorri e me afasta.
– Pensei que estava morto. – sussurro sem esconder minha preocupação e desespero.
– Não antes de lhe entregar isto. – ele puxa do bolso uma caixinha preta.
– O que é isso?
– Feliz Aniversario adiantado. – ele abre devagar a pequena caixinha de veludo e releva um lindo colar cinza.
– Oh, minha nossa! – coloco as mãos na boca. Estou pasma com tanta beleza. O cordão é feito de argolinhas prateadas entrelaçadas formando uma fina corrente e o pingente é um infinito todo cravado de pequenas safiras.
– Posso? – ele pergunta retirando o colar da caixinha.
– Sim. – murmuro. E então viro de costas e suspendo o cabelo para que ele coloque o colar. Assim que o sinto fechado solto os cabelos e vou até o espelho. – É simplesmente lindo. – falo acariciando-o.
– Que bom que gostou. Quis lhe dar alguma coisa azul. – ele sorri.
Então não aguento e pulo em seus braços dando-lhe um beijo crescente e ardente. Pode até ser carência, mas naquele momento eu realmente precisava de Robert e toda sua atenção em mim.
Ele pega em minha cintura e a aperta levando-me até a cama. Assim que a sinto atrás de mim apalpo-a e então curvo até que esteja totalmente deitada. Robert tem seus olhos loucos em mim.
– Não pode fazer isso comigo. – ele sorri. E então levanta e estende a mão. Sorrio e então aceito sua mão e levanto. – Vem comigo. – e então vamos até a varanda.
– Hoje as estrelas estão lindas. – falo sorrindo. Robert que está deitado ao meu lado sorri e concorda.
– Sim. Há tempos não olho para o céu. – ele fala com as mãos atrás da cabeça.
– Por quê? – perguntou olhando para ele.
– Era uma coisa que eu costumava fazer com você. – ele sorri.
– Ah. – falo e então olho para o céu de novo. – Pode me responder uma coisa?
– Sempre.
– Por que me tratou tão mal quando me viu pela primeira vez? – falo com um pouco de ressentimento na voz. Ele ri.
– Fazia parte do teatro. – ele sorri. – Sabia que te tratando daquele jeito só ia aumentar sua curiosidade em Traves Romer.
– Idiota. – falo dando um soco em seu braço de brincadeira.
– Ai! – ele ri.
– Então amanha é o grande dia né? – falo mudando totalmente de assunto.
– Sim. – ele suspira.
– Eu costumo morrer amanha mesmo? – falo o mais calmo que consigo tentando esconder o medo puro em minha voz.
– Nem sempre. – ele suspira. – Depende de se você estiver comigo ou não.
– Então por isso não vai pode vir amanha? – falo.
– Sim. – ele esconde algo na voz. – E também por... – um som de carro parando nos assusta.
– Acho que é Dante! — falo levantando em um pulo. – Você tem que ir.
– Quando estiver segura me procure. – ele me beija. – Ainda tenho muita coisa para lhe falar.
– Sim, sim – confirmo rápido. – Agora vai. – E então ele me solta e pula da sacada.
Entro o mais rápido que posso e fecho a porta atrás de mim. Meu coração a mil. E quando toco percebo o colar. Merda! O colar. Luto contra o fecho até conseguir tira-lo e então coloco dentro da gaveta do criado-mudo.
Respiro fundo algumas vezes tentando acalmar a respiração e os batimentos. É então que escuto dois toques na porta.
– Entre. – falo o mais calmo que posso. Ele abre a porta devagar e olha para a cama, se assusta e então me vê em pé.
– Oi. – ele diz cauteloso.
– Oi. – respondo.
– Você sabe que eu sei não é? – ele diz calmo e firme.
– Do que? – falo o mais inocente que posso.
– Qual é Vinny! – ele ri – Robert é tão silencioso quanto um gato no cio. – ele bufa e então abre a gaveta onde acabei de colocar o colar. Ele pega em suas mãos e observa.
– Larga isso Dante! – vou para cima dele para tirar o colar de suas mãos. Ele me segura.
– Se vire. – ele então me gira e coloca meu cabelo para frente. Estou em choque. Ele coloca o colar de volta e o fecha. Sinto todo meu corpo se arrepiar ao seu toque. Ele me vira de volta. – Uma coisa eu tenho que admitir. – ele suspira.
– O que? – falo segurando o pingente nas mãos.
– Esse filho da mãe tem bom gosto. – ele sorri. Mas por trás do sorriso vejo lagrimas em seus olhos.
– Merda! – falo quase chorando também. – Está todo mundo chorando hoje?
– Feliz Aniversario Vinny. – e então Dante me agarra em um abraço de urso e me beija forte. Por cima de seus ombros vejo o relógio marcar 00hr00 em ponto.
– Dante, Dante! – falo afastando-o. – Você não pode fazer isso! – falo agora chorando.
– Por quê? – ele se aproxima de novo. Eu me afasto.
– Por que nunca me contou que anjos não podem ter contato físico com humanos? – falo meio rouca e enxugando com raiva as lagrimas que escorrem do meu rosto.
– Pelo mesmo motivo que você não foi embora agora com Robert! – ele diz se aproximando e não deixando que eu me afaste.
– E qual é? – falo.
– Eu te amo! – ele diz com todas as letras e me beija.
Agora ele conseguiu. Estou chorando e rindo ao mesmo tempo. Retribuo o beijo com toda a força que posso. Pensarei nas consequências daqui a algumas horas.
– Você vai ficar comigo? – falo chorando e rindo ao meu tempo enquanto ele me levanta.
– Sim minha pequena. – ele sorri. – Meu lugar é aqui. Eu sei. Eu sinto.
– E Robert? – falo preocupada. Ele ainda está em risco de morte.
– Dou minha palavra que não mexerei em um fio de cabelo loiro dele. – e então ele me beija. – Agora só falta uma coisa. – ele diz.
– O que? – falo preocupada.
– Você dizer que me ama. – ele ri debochado como sempre. O sorriso que eu amo.
– E quem te iludiu a esse ponto? – falo rindo. Ele faz beicinho. – Eu te amo seu idiota!
Comemos panquecas no café com mel e suco de laranja. Teve bolos, cupcakes, e claro, leite e torta de chocolate. Assim que descemos para o café Dona Cho não tira um sorriso de orelha a orelha do rosto. Eles tiveram que cantar um animado “parabéns para você” e eu tive que soprar uma vela e fazer um pedido. Mas eu já tinha o que queria.
– Está pronta para os presentes pequena? – Dante diz animado.
– Presentes? – repito o plural.
– Sim. Alguns são meus e outros são da Chozinha.
– Espero que goste do meu. – ela diz retirando as louças do café da mesa. Dante me levanta e me beija. Assusto-me com tanto carinho.
– O primeiro está lá fora. – ele diz.
– Onde? – pergunto curiosa.
– Na estufa. – ele sorri meio tímido.
– Eu nunca fui a sua estufa. – falo.
– Eu sei. – ele ri. – No tempo que estive afastado estava trabalhando em seus presentes.
– Então vamos logo que eu estou curiosa. – sorrio e ele revira os olhos.
Ele destranca a grande estufa redonda de vidros espelhados e brancos. Lá dentro é morno. Há um circulo central onde estão vários vasos de vários tipos de flores e ao redor existem bancadas com mais vasos.
Ele me guia até o lado oposto e então atrás de mim coloca as mãos em meus olhos.
– Siga em frente. – ele diz autoritário como sempre.
– Que droga. – eu falo rindo. – Eu quero ver.
– E eu com isso? – ele ri.
– Tudo bem. – e então caminho devagar em frente.
– Agora pare e deixe seus olhos fechados. – ele diz retirando as mãos devagar do meu rosto. Continuo imóvel. Até que um cheiro invade minhas narinas fazendo-me esquecer de tudo e qualquer coisa.
– Pode abrir. – ele diz e então eu abro.
Estou sem reação. Dante tem um sorriso largo no rosto enquanto segura uma pequena cúpula que guardava um pequeno vaso branco que continha... Uma pequena roseira de rosas azuis. Isso mesmo. Rosas azuis.
– Você que a fez? – seguro com cuidado um pequeno botão ainda úmido e que exala um perfume perfeito.
– Sim. – ele responde meio tímido. Dante. Tímido? Desde quando?
– Não sabia que tinha um dom tão maravilhoso! – falo puxado quase todo o perfume da pequena rosa. – Obrigado. Elas são perfeitas. – Falo quase chorando.
– Elas só abriram ontem. – ele diz. – Exatamente a meia noite.
– Por quê? – falo.
– Por sua causa. – ele diz e então inspira o doce perfume. Doce e azedo, forte e suave. Combinando a mistura perfeita de rosas e madeira. O acre e o sutil. – E o perfume é feito de sua essência.
– Como?! – falo assustada.
– As flores tem seu cheiro Vinny. – ele ri. Começo a chorar.
– Eu te amo! – falo pulando em seus braços e o beijando!
– Eu te amo. – ele responde. – Um mergulho de piscina?
– Claro. – falo e então beijo a pequena rosa e Dante a coloca de volta em sua pequena cúpula.
– E então está gostando do seu dia? – ele ri e enquanto tentamos ficar pé na piscina.
– Sim. Acabaram os presentes não é? – falo meio constrangida.
– Ainda nem começaram. – ele ri.
– Aposto que ainda tenho mais folego que você! – falo inspirando fundo.
– Se manque pequena. Meus pulmões são maiores!
– E dai? agora eu tenho 17 – falo rindo.
– E eu 20! Cala a boca e mergulha! — – ele ri e mergulha logo atrás de mim.
Dante enrola a toalha por meus ombros. Já estava tremendo de frio. E então vamos almoçar.
– Posso pedir uma coisa? – falo olhando para Cho que nos observa como sempre ao lado da mesa.
– Já está pedindo mula. – Dante responde. Bufo e reviro os olhos. Ele ri.
– Pode se sentar conosco? – Falo a Cho.
– Sentar com vocês? – ela pergunta assustada.
– Sim, sempre tive vontade de pedir. Não aguento você ai em pé! – falo.
– Eu concordo! – Dante diz de boca cheia. Olho com reprovação para ele. Ele faz uma cara de “O que?”.
– Se insistem. – ela ri e senta-se a minha frente.
Estamos vendo teve na sala, abraçados quando Cho aparece. Já estava quase cochilando.
– São cinco horas Dante! – ela diz alarmada.
– Ah! Claro! – ele diz colocando a mão na testa! – Como fui esquecer?!
– Odeio quando me deixam de fora. O que houve? – falo cruzando os braços.
– Hora de mais dois dos seus presentes! – ele ri.
– Dois?! – falo exasperada.
– Estão sobre a sua cama. – ele beija minhas mãos. – Encontro você em meia hora aqui em baixo.
– Espero que goste. – Cho me abraça e sussurra ao meu ouvido.
Subo morrendo de curiosidade e abro a porta o mais rápido que posso. Lá encontro três coisas sobre minha cama.
Um vestido vermelho. Um sapato da mesma cor. E um vidro modesto de perfume azul.
– Vamos sair. – falo sorrindo. E então corro para o banheiro para tomar uma pequena ducha antes de experimentar meus presentes.
Coloco o vestido ajeitando onde ele é mais justo. E então me olho no espelho. Dou uma pequena pirueta. Justo na cintura e de alças finas com a saia rodada e cheia de pregas. Esse vestido. Tenho certeza que foi Cho que me deu. Calço os sapatos de salto medianos que encaixam perfeitamente. E então me sento em frente ao espelho.
– Presos? – e então seguro meus cabelos no alto. – Ou soltos? – falo soltando-os.
Decido que vou com meus cachos vermelhos soltos. Livres. Assim como eu estava me sentindo. Destemida.
Coloco um pouco de rímel incolor, hoje não quero esconder meus pelos ruivos de nenhum lugar. E então um batom vermelho. Minhas sardas a mostra. Uma ultima olhada no espelho. Estou linda e totalmente vermelha a não ser pelo colar em meu pescoço. E então olho para o vidrinho em minha cama. Abro e quase choro – quase por que não iria borrar minha maquiagem. — É o perfume das rosas azuis.
Passo em meus pulsos e um pouco atrás das orelhas. E sinto o aroma tomar conta do ar. E então desço.
– Nossa! – Dante diz de boca aberta e Cho segura o rosto entre as mãos. – Você está tipo... – ele suspira sem achar a palavra.
– Maravilhosa. – Cho completa pegando em minha mão e ajudando-me a descer. – Hora do meu ultimo presente. – ela sorri.
– Mais um?! – falo envergonhada. – Eu amei todos, mas não acho que precisa tanto.
– Esses foram apenas meras lembrancinhas. – ela sorri. – Está na garagem. Dante vai mostrar. Dante! – ela chama sua atenção. Ele ainda está de boca aberta.
– Sim? – ele diz meio devagar.
– Pare de babar e vá mostrar a Vinny. – nós rimos.
– Ah, claro. – ele diz.
– Bom passeio querida. – ela me abraça forte. – Feliz Aniversario. – e então ela vira para Dante. – Juízo!
– Sempre! – ele ri e a abraça e então descemos para o sótão/garagem.
Há uma grande lona preta preenchendo quase toda a garagem. Fico assustada e tento não pensar que o presente é o que eu estou pensando.
– Você mesma quer levantar? – Dante diz. Só agora percebo o quanto ele está elegante em uma calça jeans e uma blusa de mangas longas preta.
– Pode fazer isso? – falo com medo. Ele ri.
– Medrosa. – então puxa a lona.
Minha primeira reação é a vontade de voltar lá em cima de gritar com Cho para que ela o devolva. A segunda é ficar maravilhada com o carro preto e brilhoso que agora será meu.
– O modelo é um Chevy Impala 66. – Dante diz acariciando a grande dianteira do carro. E então me dá a chave. – É seu.
– Mesmo? – falo tremendo.
– Mesmo.
– Mesmo, mesmo. Tipo mesmo?
– Sim cabeça oca. – ele ri e da à volta até o banco do carona.
– Eu dirijo? – falo assustada.
– O carro é seu né! – ele ri e entra.
– Ah, claro. – falo e entro.
– Por favor, diga que sabe como fazer isso e que não vai nos matar. – Dante diz. Bufo com raiva e me atrapalho ao colocar a chave.
– Cala a boca Dante! – finalmente consigo e sorrio em vitória.
– Ufa! – lanço um olhar mortal para ele.
– Aonde vamos? – falo animada e admirando o painel todo de couro branco assim como os bancos.
– Conhece o big bang? – ele ri. Então tiro o freio de mão, passo a primeira e acelero.
– Direita Vinny! – Dante grita e mais uma vez tenta colocar as mãos no volante. Um carro passa buzinando. Estamos entrando na mão oposta.
– Quer dirigir?! – grito de volta.
– Não.
– Então cala a merda da boca. – falo. – Eu sei onde estou indo.
– Olha o carro ai! — ele grita enquanto faço uma manobra rápido para a direita. O carro buzina e o motorista xinga-nos.
– Onde paramos? – falo sorrindo já me recompondo.
– Em qualquer lugar por aqui. Já estamos perto podemos ir andando.
– Uhum. – concordo e dou pisca para a direita.
– Duas pipocas. – Dante pede em uma pequena barraquinha onde um senhor de idade nos atende.
– A minha doce, por favor. – falo sorrindo. O senhor afirma com a cabeça.
Recebemos nossas pipocas e seguimos em frente. Já podemos ver a grande roda gigante. Há muitos casais por aqui. O dia está agradável e Dante escolheu a hora perfeita. 18hr30. A noite está só começando.
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