Notas iniciais
Eu particularmente amei escrever esse capitulo, espero que gostem também. Boa Leitura.

Capitulo X

Eu ofegava loucamente, tinha a mão sobre o peito e praticamente o esmagava tentando aplacar a dor que havia se instalado ali. Desde o momento que entrei no carro e coloquei o cinto de segurança a única coisa que fiz foi segurar as lagrimas que ameaçavam cair a qualquer momento.

– Victoria, pode chorar. – Robert disse puxando a marcha e acelerando, derrapando e dobrando em alta velocidade. – Eu já a vi fazendo isso, não se preocupe, qual for a razão eu estarei ao seu lado. – sua voz era doce e confortável e muito estável para quem dirigia a mais de cem por hora.

– Pode diminuir a velocidade? – falei. Engraçado, pensei. Com Dante eu nunca havia pedido para que ele diminuísse, mesmo sendo em uma moto e muito mais veloz.

– Claro, minha querida. – ele falou diminuindo até setenta.

– Obrigado. – eu ainda muito ofegante.

– O que houve com você? – ele soltou uma das mãos do volante e segurou a minha que estava agarrada ao banco. Não tive forças para tira-la dali.

– Nada. – menti.

– Ah, por favor, Victoria. – ele sorriu calorosamente. – Eu a conheço muito bem para saber quando está mentindo. Por que estava parada no meio da rua, com o risco de ser atropelada? – ele perguntou.

– Eu apenas não prestei atenção ao sinal. – menti novamente, dessa vez melhor. Ou pelo menos eu achava.

– E por que estava sozinha? – ele soltou minha mão para dar marcha. – Aquele anjo maldito a deixou sozinha?! – ele aumentou a voz e fechou os olhos.

– Abra a porcaria dos olhos! – gritei assustada.

– Ah, desculpe-me. – ele voltou sua atenção novamente à estrada. Reparei que estávamos bem próximos a escola agora.

– E, bem, Dante tinha outros compromissos e pediu que eu caminhasse sozinha até a escola, e eu concordei. – menti de novo

– Claro. – ele colocou sua mão sobre a minha. – Sua escola é aquela antiga no fim do quarteirão não é? – balancei a cabeça concordando. Ele riu. – Sempre os mesmos lugares.

– Como assim? – falei

– Não se lembra? – ele riu de novo. – Na sua penúltima encarnação você estudou aqui também. – ele estacionou na frente da escola.

– Obrigado pela carona. – falei abrindo a porta do carro, ele puxou minha mão com força o que fez com que ficássemos a centímetros, não, milésimos de distancia. Pude sentir o cheiro de seu hálito, o som de sua respiração forte. Foi mais forte que eu.

Eu puxei seu cabelo e o beijei freneticamente, ele por sua vez não ficou para trás, puxou minhas costas para junto dele e retribuiu o beijo com tanta intensidade quanto eu.

Recuei meio desorientada. O que foi que eu fiz?! Mas já era tarde demais para qualquer arrependimento. As lembranças de Victoria exerciam mais poder sobre mim do que eu podia imaginar.

Sai do carro e antes de bater a porta escutei uma ultima frase, algo como “de nada e não se esqueça do...” eu não pude mais ouvir. Imaginei que seria do beijo, mas ele podia ter certeza, Dante não deixaria que eu esquecesse tão cedo.

Cambaleando, entrei na escola. Não havia quase nenhum aluno o que fez com que eu imaginasse que eu estava bastante atrasada. Corri até a escada e a subi de dois em dois degraus. Na porta da sala ajeitei o cabelo rebelde para trás da orelha, os fios que se desprenderam da trança embutida eu coloquei de volta no lugar e alisei a saia. Tive um deja vú muito forte, mas ignorei-o e bati na porta, o professor autorizou e então entrei na sala.

Não pude deixar de notar que praticamente toda a sala havia parado tudo que fazia para olha-me entrar. O que me deixou ainda mais vermelha do que eu já estava. Dante esboçava um sorriso que não tinha nada de angelical, era quase debochado o que fez com que eu ficasse com raiva. Sentei ao seu lado com a cara fechada, anunciando que não queria nenhum papo.

Porém, havia uma coisa que eu não poderia esconder e se eu não contasse sabe se lá o que Dante não faria comigo. Resolvi contar por pensamentos, não sabia muito bem como faria isso mais tentei.

“Dante? Pode me ouvir?” estava me sentindo completamente idiota e ridícula. Até que ouvi uma voz totalmente diferente da minha consciência dentro da minha cabeça.

“Sim, eu posso.” Ele olhou para mim confirmando.

“Você também pode colocar pensamentos em minha cabeça?!” gritei em meus pensamentos.

“Posso.” Respondeu de novo.

“E por que nunca me contou?”

“Você nunca perguntou.” ele olhava para frente.

“Enfim, preciso lhe mostrar uma coisa.” Agora eu olhava para frente. Sem hesitar para não perder a coragem mostrei desde a travessia de rua até bem é claro que omiti a parte do beijo.

“Sinto muito pela sua irmã.” Ele falou dentro da minha cabeça. “E sobre Robert, obrigado por me manter informado dessa vez” e depois disso não falou mais nada.

– E então você vai me levar para casa ou eu vou a pé? – perguntei quando arrumávamos nossas coisas para irmos embora.

– Não vou correr o risco de morrer. – ele fechou a bolsa e me olhou debochando. – Se não fosse por isso você poderia ir como preferisse.

– Hmpf. – bufei. – Queria ver se fosse você que estivesse usando salto. – falei e ele riu.

– Com certeza seria mais coordenado que você! – e riu. Nem respondi, apenas saí da sala.

Logo que cheguei à escola, muitos me observavam e alguns até tentaram me conhecer, mas Dante não deixou que se aproximassem muito. Eu era a novata, o assunto novo, a caloura. Bem, nem tão caloura assim, segundo Robert eu já havia estudado aqui, só queria lembrar.

– Oi Vi. – uma garota que tinha o armário ao lado do meu falou, qual era o nome dela mesmo?

– Ah, oi. – respondi sem graça por não lembrar seu nome.

– Não se lembra de mim? – ela riu. – Você me ajudou a pegar meus livros quando chegou.

– Ah... – estalei os dedos. – Lembro sim. – como poderia esquecer a descoordenada e nerd que deixou cair uns dez livros por que tropeçou no ar?

– Falando nisso, obrigada por aquele dia. – ela terminou de guardar os livros no armário e o fechou. – Quase ninguém fala comigo, mesmo aqui nessa escola. – ela riu. Engraçado que quando ela ria o seus óculos ameaçava cair e uma bolinha de catarro se formava e espocava em seu nariz.

– Er... – eu estava olhando para aquela coisa gosmenta e verde em seu nariz. – De nada...?

– Cassandra, mas pode me chamar de Cássia – ela estendeu a mão. – Cássia Jet. – eu a apertei.

– Então, de nada Cássia. – falei soltando sua mão.

– Até amanhã Vi. – ela acenou e foi embora. Virei para abrir meu armário.

– Que coisa, eu estava esperando você e você aqui de papinho! – ele falou escorado nos armários e riu quando eu gritei.

– Isso está começando a me irritar de verdade. – abri o cadeado do armário com força.

– Que bom, significa que estou fazendo certo agora, já que antes você se irritava de mentira.

– Dante, me responda. Você não tem nenhuma outra alma aflita, angustiada e louca pela salvação para atormentar, quer dizer, ajudar não? – olhei para ele.

– Você fica muito sexy fazendo esse olhar sabia? – ele sussurrou.

– Ah, desisto. – fechei o armário com força. – Eu vou sozinha. – e então fui embora.

– Espera, espera. – ele riu. – Preciso arrumar um apelido pra você!

– Ah tá! – desdenhei, e continuei caminhando.

– É sério! – ele riu.

– Você ainda não respondeu minha pergunta. – falei andando mais rápido.

– Qual?

– Se você não tem nada mais importante pra fazer. – falei emburrada.

– Er... – ele fingiu pensar. – Não.

– Foi o que eu pensei. – andei pela parte mais difícil da escola, o meio. Ali todos ao redor podiam olhar para você, mas era o caminho mais rápido.

Quando chegamos do lado de fora da escola Dante não me acompanhou, o que eu achei estranho, mas não me fez parar. Quando eu estava prestes a atravessar ele apareceu freando a moto ao meu lado.

– Sobe pequena. – ele levantou a abertura do capacete. Olhei para ele cruzando os braços. – Isso é uma ordem. – consegui ouvir sua risada por baixo do capacete. Subi com força, o que o fez rir mais.

– Não vou me segurar em você. – falei.

– É o que nós veremos. – ele apostou e acelerou, fazendo-me segurar nele e fazendo-o rir alto.

“Você é um idiota sabia?!” – pensei gritando.

“Alguém me disse uma vez que é disso que as mulheres gostam” – ele colocou seus pensamentos em minha cabeça.

“E você acreditou?” – pensei.

“O que eu poderia fazer? Não tenho muita experiência com mulheres”.

“Um idiota completo mesmo” – bufei

“Segura, pequena” – ele acelerou fazendo a moto empinar e eu, gritar.

– Meu cabelo está um ninho de pássaros. – reclamei.

– Não mudou muita coisa. – Dante debochou tirando o casaco e guardando os capacetes.

– Hmpf. – subi as escadas da garagem.

– Que bom que chegaram juntos. – Dona Cho falou abraçando-me. Foi impressão minha ou eu ouvi mesmo alguma coisa implícita no “juntos” que ela disse?

– Pois é. – revirei os olhos.

– Chozinha! – Dante a abraçou, levantando-a no ar. Ela riu, batendo em seus ombros.

– Solte-me Dante. – ele a colocou no chão rindo. – Agora vão tomar banho para comer.

– Eu não quero. – falei subindo para o quarto.

– Vamos logo Vi. – Dante pegou em minha mão.

Ficamos ali por segundos? Minutos? Horas? Não percebi o tempo passar até que ele soltasse minha mão.

– Acho que vou comer um pouco. – senti o sangue fugir de minhas veias e se acumularem em minhas bochechas. Quase caí da escada. Senão fosse Dante me segurar acho que não teriam sobrado ossos de mim.

– Você está bem fraca não é? – ele riu fraquinho.

– Talvez. – soltei-me de seus braços. – Obrigado. – e então fui tomar banho.

Deixei a água refrescar meu rosto e meus pensamentos. Ficar ali, debaixo do chuveiro era muito bom, me deixava pensar sobre o que eu estava sentindo. E eu poderia dizer, pelo menos para mim, não era só o momento.

Sentei à mesa com Dante, comemos carne com batatas, rimos de algumas coisas e também falamos sobre a escola e sobre Cássia.

– Ela teve uma doença muito grave na sua vida passada, morreu muito jovem. – Dante falou com boca cheia de chocolate. – Acho que resolveram dar outra chance pra ela.

– Que barra, mas pensei que aquela escola era para Reencarnações Delinquentes. – falei e Dante riu alto.

– Mais ou menos isso. Mas eu não sei muito sobre o que ela fez para chegar até lá. – ele ainda ria e quando parou me encarou. – Humor meio pesado para uma pessoa tão pequena.

– Olha quem fala. – ele riu mais alto. – Eu já expressei a minha opinião sobre esse apelido que você me deu? – falei cerrando os olhos.

– Estou louco para saber. – ele se inclinou em minha direção, eu me afastei um pouco.

– Achei ridículo. – falei. – Eu não sou tão baixa assim para um apelido como esse.

– Ah claro! – ele jogou as mãos para o alto. – Você tem quanto de altura? Um metro e meio? – ele riu debilmente da própria piada. Fiquei calada, o que o fez rir mais ainda.

– Quer saber uma ótima, senhor perfeito? – falei com o sangue fervendo.

– O que? – ele novamente se inclinou, dessa vez me inclinei também.

– O beijo do Robert é muito melhor que o seu. – sussurrei.

Vi o sangue fugir de seus lábios e lentamente de seu rosto, ele levantou-se da mesa, inspirou alto, as mãos espalmadas sobre a mesa e os olhos fechados. Não sei por que mais eu realmente senti medo, eu já havia visto aquela expressão antes.

– Você o beijou? – ele falou ainda de olhos fechados.

– Sim. – respondi. Um minuto. Eu respondi?!

– E você fala assim?! Com a maior tranquilidade?! – ele abriu os olhos, negros e profundos.

– Está com raiva por que eu desobedeci ou por que ele beija melhor que você?!

As palavras explodiam da minha boca. O que eu estava fazendo?! Provocar Dante era algo que realmente não se podia fazer. Ele veio até mim, os olhos brilhando de raiva, mas o que nem ele e muito menos eu esperávamos é que enquanto ele estava quente, eu estava fervendo.

– Não dessa vez. – eu segurei a mão dele quando ele a levantou.

– Você realmente quer brigar pequena? – ele deu um sorrisinho debochado e sombrio, o que me deixou com mais raiva ainda.

– E se eu quiser? – eu o empurrei. Ops. Ele caiu na mesinha que ficava encostada ao lado da parede, derrubando o vaso de vidro com as flores vermelhas que Dona Cho havia deixado ali. Coloquei as mãos sobre a boca.

– Não devia ter feito isso. – ele levantou-se e veio em minha direção.

Ele pegou meu pescoço nas mãos e tentou me empurrar para a parede. Eu dei um soco em sua barriga, não foi o suficiente. Bem, existem coisas que você realmente não deve fazer, mas eu estava em uma briga injusta, com um anjo triplamente mais forte, eu tinha o direito de apelar, e suas partes baixas estavam bem na direção do meu joelho, foi involuntário, juro.

Ele me soltou na hora, caindo de joelhos no chão e arfando. Ele levantou e me olhou, e para minha surpresa estava rindo.

– Isso é o melhor que pode fazer? – ele riu mais alto. – Vamos lá, me mostra do que esse um metro e meio é capaz. – e com as duas mãos ele fez um sinal, chamando-me para cima.

A adrenalina é uma coisa incrível. Além de ela te fazer perder o medo, ela te dá força. E foi com essa força que eu dei um soco em cheio no nariz de Dante.

– Você me devia essa. – falei enquanto ele limpava o sangue do nariz. Quando ele veio para cima de novo pensei em o quanto Dante era lento para um anjo e joguei a jarra de suco em cima dele.

Ele aparou a jarra com o braço, o vidro quebrou e deixou uma pequena marca de onde saía o liquido vermelho e espesso.

– Cansei de brincar. – ele me pegou pelo pescoço e levantou-me no ar.

Quando chegou à parede, ele colocou-me como uma boneca em cima da mesinha que a pouco eu o havia jogado, eu não conseguia mover um musculo, suas pernas prenderam as minhas deixando-me imóvel, seu braço livre prendeu minhas mãos, toda minha respiração se fora.

– Você estava deixando eu te bater. – falei sem ar, ele apenas riu.

– Você tem coragem pequena. – e então ele me beijou. Colocarei a culpa na adrenalina de novo, por que o jeito que eu retribuí o beijo não foi nada educado. – E agora? – ele ainda segurava meu pescoço, só que agora menos apertado e mais para minha nuca, mas ainda tinha o domínio sobre minhas pernas.

– Da próxima eu vou bater mais. – falei sem fôlego.

– Robert realmente beija melhor que eu? – ele falou segurando meu cabelo mais forte e o rosto colado ao meu. – Ou foi só um jeito de me irritar?

– Ainda não sei. – e então o beijei novamente.

Notas finais
Ai ai, o que fazer com o casal "Danny"? Ou será que é "Vicert" ? kkk não sou muito boa com junções de nomes. Ideias melhores? Obrigado.