A ruiva

1 Capítulo Único


O calor dentro do clube me deixava extasiada, enquanto eu suava na pista de dança e algum cara mexia mas eu não dava bola. Aquela noite parecia diferente, como se ali dentro eu pudesse me sentir comum, ou pelo menos mais humana. Longe dali, nas noites frias em que eu embalava meu whiskey duplo na mesa da sala, eu parecia mais como um espectro falido de mulher, que só pensava em seu trabalho, sem se deixar levar pelas melhores coisas da vida. Fazia anos que eu não saia para dançar, ou para me divertir, sem precisar sair pra conhecer alguém. Já estava cansando a vida de conhecer um cara, transar, e no dia seguinte não lembrar mais do nome dele. Eu precisava de uma diversão que eu não ia conseguir apenas transando com qualquer desconhecido como eu as vezes fazia, nas minhas folgas às sextas feiras a noite.

Mesmo com esse pensamento vivido em minha mente, não consegui deixar de notar uma ruiva que entrava na boate naquele instante. Ver o jeito como ela mexia o cabelo ao rir sozinha me deu um arrepio na espinha. Acho que eu já tinha visto aquela mulher antes, ela não me era desconhecida, mas eu não conseguia me lembrar de onde. Também não era importante, afinal não havíamos sido apresentadas formalmente. A imagem dela possivelmente vagueava meus sonhos, porque bonita daquele jeito, ela só podia estar neles mesmo.

Antes de tudo, ela se dirigiu ao bar e pediu um drink que eu não consegui escutar o nome. Sentou-se no banco de madeira colado ao balcão de vidro, onde outras pessoas conversavam animadas e se virou para olhar a multidão que dançava e se beijava em cada canto do local. Achei que ela tinha olhado diretamente para os meus olhos, mas depois percebi ser apenas a minha vontade de chamar atenção dela. Ouvi meu nome.

- Rosa, você está bem? – Perguntou-me Samara, minha amiga que havia me acompanhado até ali.

- Sim Sah, porque? – usando seu apelido respondi com uma pergunta, coisa que eu estava habituada a fazer sempre que me sentia invadida.

- Nada é que você tá a mais de um minuto encarando o bar. Está com sede ou viu algum gatinho? – ela riu.

- Não é nada disso, vou ao banheiro ok? – disse a ela, me esquivando de responder a sua pergunta.

Ainda escutei Samara me peguntar se não era uma gatinha, mas não respondi e fui em direção ao banheiro. Lá dentro, eu podia escutar dentro de um dos três boxes de madeira, alguma infeliz que havia bebido demais e agora o conteúdo de seu estômago se misturava com a água da privada. Fui em direção à torneira mais próxima de mim, que era daquelas que abre com sensor, e enfiei minhas mãos embaixo dela. A sensação da água gelada diminuiu um pouco o calor que eu estava sentindo, e enquanto eu passava minhas mãos molhadas pelo meu pescoço senti um perfume invadir o ar. Era algo misturado com uma flor adocicada, e o cheiro que pairava no ambiente me fez acordar do meu devaneio.

Ao meu lado estava a ruiva, fazendo exatamente o que eu havia feito segundos atrás. Molhava as mãos e passava no pescoço, de olhos fechados, sentindo o corpo estremecer em contato com a água. Pude escutar a mulher que estava vomitando nos deixar a sós.

- Se eu fosse você, não faria isso. – Disse, um pouco receosa em puxar assunto com uma pessoa tão bonita. Eu não era de se jogar fora, mas nunca me imaginei conversando com alguém do nível dela.

- Porque? Pelo que estou vendo você acabou de fazer. – Ela me respondeu, sorrindo, com uma voz em um quase grave e muito sexy.

- É, mas o seu perfume não deve ser desperdiçado, pois é muito bom. – respondi, ainda sorrindo um pouco tímida.

- Não será desperdiçado, se você sentiu, eu já ganhei a minha noite – É impressão minha ou aquela mulher estava me dando mole? Precisava responder à altura.

- Eu estava te observando desde que você chegou, e sinceramente, adoraria sentir seu perfume mais de perto. – respondi.

- Você é muito atirada. – Ela foi andando em direção à porta. Por um momento achei que fracassaria, mas segundos depois, eu a vi girando a tranca de uma porta lateral, que eu nunca havia notado antes. – Vem comigo.

Chegando na porta, percebi uma escada turva, meio em caracol, com um corrimão prateado e uma luz quase avermelhada que iluminava os degraus de pedra. Ela subia como se conhecesse bem o caminho, então eu apenas segui de perto, sentindo aquele perfume delicioso que me embriagava toda vez que eu inspirava o ar daquela mulher.

Chegamos a um corredor escuro, com diversas portas em ambas as laterais, e o cheiro de sexo predominava ali. Talvez naquela boate tivessem quartos disponíveis para aquele tipo de serviço, e ela fosse uma prostituta. Por ela eu estava disposta a pagar.

Entramos em um dos quartos do meio do corredor, enquanto ela me puxava pela mão. Ao fechar a porta, ela me jogou em cima da cama redonda, circundada por espelhos e papel de parede vermelho, e me beijou intensamente. O gosto daquele beijo era indescritível, e mesmo que eu quisesse descrevê-lo não conseguiria encontrar palavras que se encaixassem com aquele momento. Ela mexia os quadris enquanto seus lábios tocavam os meus de forma extremamente sensual. Minhas mãos em sua cintura foram descendo e tocaram sua bunda, e eu pude perceber um sorriso entre o beijo. Eu apertava sua cintura e sua bunda, enquanto ela arranhava meus ombros e meus braços, e mordia meus lábios de uma forma quase agressiva.

Ela me deitou na cama, me deixando claro que quem mandava ali era ela. Tirou a blusa me deixando de boca aberta com a beleza de seu corpo, e jogou o cabelo pro lado, me olhando com aquela cara de tarada que eu havia percebido no primeiro sorriso que a vi dar. Beijou meu pescoço devagar, alternando com algumas mordidas bem intensas, mas eu estava gostando. Pus a mão em sua barriga e subi para os seios, enquanto ela gemeu levemente ao meu toque. Tirou o sutiã enquanto rebolava em cima de mim, e eu não sabia se perdia a cabeça pelo colo dela exposto ou pelos movimentos nada estudados dos quadris dela em cima dos meus. Ela guiou minhas mãos por todo o seu corpo enquanto gemia delicadamente a cada toque meu.

A ruiva se levantou, tirando a saia, quando eu percebi que ela não usava nada por baixo. Sorri sapeca enquanto ela guiava minhas mãos por toda a sua intimidade, e parecia chegar em seu ápice a todo momento. Sentou-se novamente em cima de mim, e agora eu a penetrava com meus dedos enquanto ela fazia os movimentos mais sexys que eu conhecia. A cada vai e vem que ela executava, eu a via se corroer de prazer, enquanto minha mão viajava entre seus seios e seu cabelo, que eu puxava, sem do, fazendo ela acelerar. Ela rebolava nos meus dedos como nenhuma outra mulher havia feito, e sabia me dominar como homem nenhum havia conseguido. Ela pegou meu cabelo na altura da nuca e me puxou de encontro a ela, fazendo meus lábios tocarem seus seios. Eu beijava, sugava e mordia, enquanto ela intensificava os movimentos que estava fazendo em cima dos meus dedos.

Eu achava que ela iria atingir o céu a qualquer minuto, e então ela se virou. Ficou de costas pra mim, deixando claro o que queria que eu fizesse. A empurrei pra baixo, deixando sua bunda totalmente exposta na minha frente. Agarrei sua cintura com uma das mãos e empurrei meus dedos pra dentro dela com certa força mas tomando cuidado pra não machucar. Ela olhou pra mim por cima dos ombros, aprovando o que eu estava fazendo. Eu tocava seus seios com a outra mão e ela vinha de encontro aos meus dedos enquanto eu a penetrava. Já estava ficando louca com aquela situação, eu mordia seu ombro enquanto a penetrava e escutava ela pedir por mais. Em alguns minutos pude perceber o seu orgasmo, chegando pela respiração desrritimada e pelo corpo se mexendo mais do que o normal.

Ela me puxou pra um beijo longo e deitou ao meu lado, enquanto adormecemos. Quando acordei, ela não estava mais ao meu lado. Perguntei ao garçom sobre ela antes de sair, mas ele disse que nunca havia visto alguém com a descrição dela na boate. Eu sabia que nunca mais a veria de novo, mas o cheiro dela ainda estava na minha roupa quando deixei o local.

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