A ressurreição do fantasma vigilante
17 Nunca é o que parece
Notas iniciais
“Era bem estranho o inferno ser frio, acho que ninguém imaginaria isso, depois de toda aquela descrição na bíblia... só não sei o porque o fantasma fez aquilo com a Denise. Acho que ele sabia que quanto mais tentasse aquecê-la, mas as coisas iriam piorar... ele era mesmo tão mal assim? Não. Com certeza não. Ele, mesmo sendo ele, jamais faria algo assim. Será que eu estou mesmo certo? Será essa a identidade do fantasma vigilante?”
Cebola não conseguia raciocinar direito deitado assim juntinho com Denise. Porra, o inferno quase o levara à loucura tantas vezes que ele já tinha perdido a conta. Poderia parecer pouco tempo para quem estava na terra, mas no inferno cada minuto correspondia à um dia. Eles estavam sofrendo sabe se lá a quanto tempo. Tinha um lado bom no inferno, Cebola até gostaria se não estivesse com fome, frio (ou calor de mais) e com o seu órgão sexual dolorido por causa dos murros de Denise.
Ele sentia saudades também de uma pessoa, Monica. Ele sempre corria atrás dela, parece que a situação se inverteu e ela agora ia atrás dele. Como a vida podia ser assim tão irônica?
– Cebola... – disse Denise – você já pode me soltar!
– Desculpa... – ele disse nervoso e soltando a garota.
– Por que está assim tão... estranho? Saudades?
– É claro. Eu só quero sair dessa merda.
– Para se encontrar com a Monica.
– What? Não não, clalo que não é isso.
Denise esboçou um sorriso.
– Clalo que é. Você pode assumir. Aqui só tem eu e o casca-boy. – ela apontou para Cascão que estava roncando ao seu lado.
– Okay, eu estou sim com saudades da Monica. Eu nem mesmo falava com ela depois do namoro com DC, mas...
Ele não era capaz de terminar a frase. Mesmo assim, Denise entendeu.
– Agora que o DC morreu, o caminho está livre.
– Não foi isso que eu quis dizer, eu só...
– Eu entendi. – de repente, Denise surtou. – EU NÃO POSSO MAIS VIVER COM ISSO!
“Revelações.” Pensou Cebola. “Essa guria é mesmo louca, é meio estranho esse jeito dela, mas é até legal.”
– Não pode mais viver com o que Denise? – perguntou Cebola.
– Eu que matei o DC.
Um arrepio passou pelo corpo de Cebola. Por que diabos ela matou o DC?
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– Fantasma... – Titi cutucou o com a sua bengala. Sem resposta. Seu abdômen não se mexia, mas com ele era um caso diferente, ele estava morto mesmo.
– Monica... – murmurou Magali. – É uma ótima chance de descobrirmos quem é ele.
Monica olhou para a amiga sem acreditar que Magali se rendeu a curiosidade.
– Magali! – disse Monica. – não é certo...
– Que se foda o que certo! – disse Titi. – quero saber de uma vez por todas quem é esse infeliz! Magali chegou perto de Monica e sussurrou:
– Esse cara vem e atormentando a tanto tempo, você tem o direito de saber quem ele realmente é.
Monica se rendeu à curiosidade.
– Okay... eu vou fazer isso.
Ela se abaixa e se senta em cima do peito do fantasma, a curiosidade estava matando a. Quem poderia ser o tal fantasma? O dono do beijo que a fez sentir o que podia jurar que era um orgasmo? Ela estava sem palavras e emocionada, mas ainda com medo de que o fantasma acordasse e nunca mais quisesse vê-la. Sua mão já estava próxima à mascara, que se fechava por trás, então lentamente ela levantou a cabeça dele, tocando os cabelos logo embaixo da cartola. Ela estava com a mão no fecho. Era uma simples questão de abrir para acabar com tal mistério de uma vez por todas, e ela faria, se não fosse o susto.
O fantasma sorriu e abriu os olhos. Ela estava muito próxima à ele e podia sentir o calor de seu corpo. Ela teve um mini ataque cardíaco quando ele colocou a mão atrás de sua cabeça e a beijou. De novo o tal beijo, gostoso, quente e que levava o êxtase para seu corpo. Ele havia armado tudo. Pensado nos mínimos detalhes só para tê-la ali, sentada em cima dele.
O fantasma traçou círculos circulares pelo seu pescoço, descendo pelo seu corpo até sua cintura. Ela gemeu com o toque que fazia cócegas. Ele parou de beijar sua boca e passou a dar pequenos beijos em seu pescoço. Monica realmente gemia, estava impressionada com o que acabou de acontecer e muito surpresa. Ela queria que ele tocasse suas partes mais intimas, mas ele não fez isso, mas pouco importava, ela já estava em puro êxtase.
Titi pigarreou.
– Tem platéia. – ele parecia surpreso também. Afinal todos pareciam.
Monica se afastou vermelha de vergonha com os cabelos bagunçados e ofegando. Ela foi cambaleando para perto de Magali.
– O que aconteceu aqui? – perguntou a menina assustada.
O fantasma sorriu e se levantou.
– Vocês queriam retirar minha mascara, só dei um jeito de evitar.
– Você armou tudo! – disse Monica ainda sem fôlego.
– E você gostou da minha armação...
Monica decidiu ficar envergonhada de boca fechada.
– Vem cá oh seu fantasma. – disse Titi. – a gente não tinha que entrar no inferno? O portal está aberto. – ele apontou para a cama de Bianca, que agora tinha um buraco no meio e uma escada que saía dele.
– Ah, — o sorriso do fantasma desapareceu. – isso. Yeah, vamos?
E os três seguiram pro inferno. Todos logo sentiram o calor ficar mais forte, menos a Monica, o beijo do fantasma a deixou quente o suficiente.
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– Como assim você matou o Do Contra? – perguntou Cebola assim que Cascão acordou, ou melhor, assim que acordaram Cascão.
– Pera ae... – disse Cascão sem entender. – Você matou o Do Contra? Que vacilo.
Denise olhou para longe deles.
– É parte do plano do Fantasma. Ele me fez matar o DC, pois precisava dele. Você deveria saber, Cebola.
– O que? Como eu poderia saber de algo?
– Naquele dia na festa eu te vi. A fantasia do Fantasma Vigilante fora roubada, então você estava fantasiado de Conde Drácula. Eu vi você olhando para a Monica e para o fantasma dançando.
– E daí?
– Daí que você deveria ter visto o sinal. O fantasma abaixou a cartola e refletiu direto no interruptor. Eu apertei e as luzes se apagaram. Aí foi a vez de Bianca fazer o serviço. Ela iluminou apenas minha vista e pegou o Toni e o DC. Foi tudo muito rápido, trocamos as roupas deles e matamos o Do Contra, um único golpe na cabeça.
– Espera um momento. – disse Cascão. – Você viu o Toni e o DC pelados?
Denise olha pra ele rosa de vergonha.
– Eu te contei uma historia estranha como essa e você vai se lembrar logo disso?
Cascão se virou envergonhado enquanto Cebola ria e fazia piadinhas do quão gay isso tinha soado.
Quando parou a crise de risos de Cebola e Denise, Cascão perguntou:
– Por que vocês queriam justo a alma do DC?
Denise olha para eles séria.
– Isso eu não posso contar. Mas eu vou dar uma dica, quando o fantasma veio até mim e pediu para ajudar a separar um casal, ele na verdade os queriam sempre juntos se tudo desse errado.
“Que fantasma perturbado.” Pensou Cebola. “Mas tenho que admitir, esses planos dele até lembram os meus quando eu era criança.”
Bianca e Dimitri (o demonio) chegam na porta da cela.
– Se divertindo? Que bom. – diz Bianca.
– Sua vadia! – exclama Denise. – como pode nos desejar diversão se nos trancou aqui?
Bianca sorriu.
– Dois homens sozinhos com uma única mulher... isso pode lhe proporcionar muita diverção imagino.
Denise corou.
– Escolha então homens melhores! Eu não quero fazer Menage a trois com eles!
– Elas manjam das putaria – sussurra Cascão para Cebola.
– O que eu tenho de errado? – grita Cebola.
Bianca o olha com uma cara travessa.
– Você é mesmo um filho da puta. Disse que estava apaixonado por outra garota e agora se oferecendo para transar com outra... Lamentável.
Cebola virou a cara envergonhado. O que aquela vadia queria com ele?
– O que veio fazer aqui? – disse Cascão.
– Eu vim apenas para ver se estavam bem. Dimitri está aqui para garantir isso. Eu não quero que sofram.
– Isso não tem lógica! – diz Cebola. – Aqui é o inferno, como não quer que a gente sofra?
O sorriso da garota desapareceu.
– Exato, aqui é o inferno e eu poderia fazer muito pior. Eu trouxe comida para vocês, agasalhos... O que vocês querem a mais?
Denise foi quem falou por todos.
– Liberdade! Nós queremos sair daqui!
– Isso não será possível fofa. – disse Bianca. – Não até que seu namorado super poderoso venha aqui para te salvar.
Denise, mesmo sendo impossível, ficou ainda mais corada.
– Ela não é meu namorado. Ele ama outra. Você não cansa de esperar?
Aquilo pareceu ser um golpe de espada direto no coração de Bianca.
– Eu sei disso. E não quero que a história se repita. A maldição do Fantasma Vigilante passa de geração em geração, enquanto minha alma estiver “viva”, ele não pode ser feliz.
Ela nota o sorriso de Cebola e diz num tom triste.
– Não fique assim tão feliz. Eu sei o que está pensando, a fantasia passou de seu avô para sua mãe e com ela a lenda. Mas como toda lenda, tem variação. Diz-se que o príncipe rejeitou a princesa para que pudesse ficar com o fantasma, mas já era tarde e ele havia se matado. Sendo assim, ele juntou os dois corpos e os selou em um beijo eterno sobre um leito, de modo a ficarem sempre juntos. Mas então, como esse reino deixou a filha do rei morrer, o pai da menina se aliou ao inimigo e juntos destruíram o reino. O príncipe se mudou com sua família e levou os corpos. Depois que o corpo do fantasma virou pó, a fantasia continuou a ser passada de geração em geração, mas pelo príncipe que rejeitou a garota. – Bianca terminou com um sorriso maldoso. – Por acaso isso te lembra alguma coisa?
Cebola sentou se no colchão e começou a chorar. A historia do fantasma tinha tudo a ver com ele, ele só não sabia a qual linhagem pertencia, a do homem ou a do traidor.
Dimitri entrou na cela.
– Está tudo bem?
Cebola afirmou enquanto Denise o abraçava para que ele se sentisse um pouco melhor.
– Então temos um plano para seguir.
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