A ressurreição do fantasma vigilante
16 Demonios podem Chorar?
Notas iniciais
O inferno continuava frio, assim como a alma de Bianca. Ela estava sentada no peitoril da janela de seu quarto improvisado, vendo as almas gritarem de agonia. Como um bom deus poderia permitir aquilo? Ela não sabia. Ela não sabia também o porque deu um beijo no garoto. Ela não era assim tão boazinha. Talvez a eternidade estivesse amolecendo a, mas o fato que mais chamou lhe atenção enquanto grudava sua boca na dele, foi como se ela estivesse beijando o fantasma. Ela escolheu outro, Monica também fez isso, aumentando ainda mais a dor do fantasma. a pergunta não era quem era o fantasma, mas sim quem era o fantasma de Monica.
Ela estava pensando nisso quando Dimitri, o demônio entrou.
– Eles vão conseguir abrir, minha senhora. – Disse o demônio.
– É exatamente o que eu quero que eles façam. – Bianca soltou uma risada gostosa. – Por que acha que eu trouxe os outros garotos para cá?
O demônio deu um sorriso.
– Para preencher o vazio e a solidão de dentro do seu coração?
Bianca o olhou curiosa.
– Explique se.
– Você era uma garota feliz, esnobe e que todos queriam perto. Era rica e tinha um coração de pedra, esnobava a todos e eles ainda te queriam. Agora você já não tem mais nada.
Bianca deu lhe um tapa na cara.
– Desgraçado. Como ousa me insultar assim? Eu sei que não tenho mais nada, nem ao menos o meu noivo. Por mais de uma vida eu esperei, mas ele não voltou. Se você quer saber o que realmente aconteceu com a merda de minha vida, vai ter que me deixar explicar.
O demônio, mesmo vendo sua cara fechada em repleta raiva, a abraçou.
– Bianca... ninguém nunca deveria sofrer assim.
Bianca o empurrou forte.
– E eu não sei disso? Deus é um filho da puta injusto!
O demônio se encolheu ao ouvir tal blasfêmia. Como alguém tinha a coragem de insultar uma pessoa daquele modo, não uma pessoa, Deus! Até mesmo ele que era um demônio, respeitava o cara. Porra, ela jamais seria perdoada desse jeito.
– Manere nos xingamentos, por favor.
– Okay, mas não deixa de ser verdade. – Bianca estava se lembrando de seu amigo, o Fantasma Vigilante.
–Um dia, meu amigo veio me procurar. Estava desesperado por uma paixão não correspondida, assim como a mim. Essa foi a pena que Deus colocou nele, sofrer eternamente. Acabar tentando salvar uma pessoa e nunca conseguir, pois no final, ela sempre irá morrer.
– Também não é assim. Deus deu uma chance de ele voltar a amar.
– E continuar a sofrer. Deus tem senso de humor, mas voltando aqui ao assunto, talvez eu possa acabar com o sofrimento dele.
– Ele é imortal. Como você vai matá-lo?
Bianca suspirou.
– Ninguém disse nada sobre matar. Mas eu vou matar sim, aquela menina que o fez sofrer. Só então a gente pode ir embora para o paraíso, só nós dois, livres.
O demônio piscou. Aquela menina tinha um serio problema mental. Mas era bonita, muito bonita. Ele pensou que talvez por ela valeria a pena morrer.
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– Okay careca, qual o plano? – pergunta Cascão.
Cebola estava aflito. Ontem à noite, ou dia, ou sabe se lá o que era no inferno, ele veio para o encontro de Cebola e explicou lhe um plano. A primeira coisa que passou pela cabeça de Cebola foi: Eu vou matar esse cretino! Mas logo depois, o garoto lhe explicou o plano.
– Cascão, nós temos que esperar a hora certa e pegar o mapa do inferno.
– A ta, legal. – disse Denise irônica. – Agora me diga, como vamos fazer isso, vegetal?
Cebola estranhou. Uma pessoa apenas o chamava assim.
– Quem te disse isso Denise?
– O fantasma Vigilante. – disse Denise inocente, sem saber o que revelava.
– Puta que pariu! – exclamou Cebola. Ele já sabia quem era o fantasma, na verdade era obvio, tão obvio que chegava ser genial. Cebola pensou de novo: Eu também mato esse cretino!
– O que foi Cebola? – pergunta Cascão.
– Nada. Onde a gente estava? – sem dar tempo para que alguém respondesse, ele continuou. – O plano, sim. Pelo que ele me disse, Bianca vai duas vezes ao dia para fora do inferno vigiar o fantasma e os outros. Ninguém pode vê-la fora de sua casa. Os horários variam e o tempo no inferno passa diferente. Então, nós temos que olhar para a sombra que o fogo projeta.
– Fogo? – pergunta Denise. – Aqui está gelado!
A resposta para isso era também obvia.
– Não. Aqui está tão quente que seus nervos confundem e sentem frio.
Denise suspirou.
– Não é a toa que tirei F na prova de geografia.
Cascão e Cebola começam a rir.
– Não é a toa mesmo Denise! – disse Cascão. – eu pensei que fosse historia.
– Por que estão rindo?
– A matéria é ciências Denise. Mais precisamente biologia.
– Aié. – ela murmura envergonhada. – mas não é a mesma coisa?
Outro ataque de risos em massa tomou conta do inferno. Os demônios e as almas torturadas olharam para eles sem saber por que diabos alguém estaria sorrindo no inferno.
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– . Non ultra audeas, serpens callidissime, decipere humanum genus... – todos murmuravam a oração em coro. Era assim, em latim que eles abririam a passagem para o inferno.
(ignorem o fato de isso ser um exorcismo, já que eu não manjo das invocações, eu peguei isso de supernatural hehe)
– Fantasma... — disse Monica. – está acontecendo algo.
Todos pararam de falar e olham para a cama. Meu querido Deus, eles esqueceram de purificar a entrada para o inferno. Os demônios tentavam sair pelo portal que ainda não estava aberto.
– Magali! Pega o sal! – gritou o fantasma. assim que recebeu a mais poderosa arma contra fantasmas, fez um círculo em volta da cama.
– Isso não vai segurá-los. – Disse o fantasma jogando sal no buraco. – Precisamos de algo para mantê – los ali.
– E o que seria? – gritou Monica. O vento que saía daquele buraco ficava cada vez mais forte.
– Sangue humano! – gritou o fantasma de volta, fazendo um arrepio passar por todos.
– Diga que não é o meu, — rezou Titi para não ser o dele. – por favor, diga que não é o meu.
– Temos que pensar em outra coisa!
Os demônios ainda tentavam passar pelo portal, ficava cada vez mais difícil segurá-los, já que o Maximo que estavam fazendo era bater neles com a espada de prata do fantasma e um pé de cabra.
Prata e ferro! Na casa de Bianca tinha isso até demais e era uma das únicas coisas que davam certo com demônios.
– Magali, preste atenção! – chamou o fantasma. – Eu quero que você e os outros desçam lá embaixo e junte toda prata e todo o ferro que conseguirem.
– E você? – ela grita.
– Eu vou segurá-los, mas você tem que fazer o feitiço logo. Peça a seus amigos para lhe ajudarem e faça o feitiço para repelir os demônios.
Magali sorriu.
– Viu só? Eu disse que ele não era o Toni.
O fantasma sorriu junto enquanto cortava um demônio ao meio.
– Toni? Sai demônio!
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– Aqui Magá! – gritou Monica jogando prata no chão. Eram milhões de taças, talheres, molduras... tudo jogado no chão. Se Bianca visse isso, elas iriam morrer, mas era melhor morrer depois do que morrer agora.
– Está bom! – gritou a garota. – vem pra cá!
Monica se juntou à ela e a Titi. Magali teve que colocar o máximo de força para que o feitiço desse certo. Ela tentou falar em latim, que era a língua dos demônios. Ela começou com uma oração:
– Deus Pater + ; imperat tibi Deus Filius + ; imperat tibi Deus Spiritus Sanctus... – depois começou o feitiço. — Ab insidiis diaboli, libera nos su Domine. Vade, satana libere suum unigenitum...
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Quando terminaram o feitiço, todas as coisas que juntaram explodiram e só ficou o pentagrama desenhado onde eles estavam sentados. O vento parara, então o feitiço deve ter dado certo. Eles correram para ver como estava o fantasma, encontraram no no chão, deitado, inerte, talvez até mesmo... Morto!
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