– ... Mourrice! — gritou o fantasma, tentando retirar o cão demonio de cima de si mesmo.

Eram cinco cães e a sala era cheia de armadilhas. Do chão, em uma área, saía lanças e de outra saia chamas. Os cães os caçara desde que começaram a correr rumo à luz no final da sala. Eles estavam quase ganhando a fase quando o cachorro pulou sobre o fantasma.

– Onde está a espada? — gritou Mourrice.

Magali engoliu em seco e recuou até se encostar na parede. Ela estava cercada pelos outros quatro cães, o que deu a Mourrice a vantagem para que fugisse sozinho. Mas o homem olhou para trás. Ver aquela cena deprimente onde seus amigos estavam morrendo mexeu de alguma forma com ele.

Parece que passar todo aquele tempo com Cebola e os seus amigos o mudara, ele estava cada vez mais parecido com Dimitri, seu disfarce. Talvez não fosse necessário apagar a memoria da garota quanto a ele, mas o fez por que não queria arriscar. O plano do Fantasma iria funcionar? Ou ia acabar como cada plano infalível ja bolado por aquela pequena mente insana?

Ele iria descobrir.

Mourrice... Não, Dimitri, se jogou contra o cão que estava sobre o fantasma e rolou com ele até o outro lado da sala.

Magali lutava para que os cachorros não a matasse, mas as mordidas iam ficando cada vez mais dolorosas.

O Fantasma estava muito ferido para que pudesse se levantar, ele não iria conseguir defender Magali dessa vez. Tudo parecia que estava acabado, mas Dimitri lançou o cão de encontro aos outros. Ele sempre odiou cachorros, aquelas criaturas eram sempre fiéis e mesmo de encontro a morte faziam o que lhe fora ordenado. Eram tolos, burros... Mas nobres, de um modo que ele jamais seria.

Por sorte Magali abaixou se na hora em que a massa de cães se espremeu na parede sobre ela. A garota levantou se cansada. A outra sala lhe causara diversas queimaduras dolorosas e vários cortes superficiais.

Dimitri correu até ela e a segurou. Os mastiffs tibetanos eram enormes e não estavam mortos. Eles precisavam sair logo dali.

– Não se preocupe donzela. — Disse Mourrice rouco. — Estou aqui agora.

Se alguém olhasse para Mourrice agora, jamais passaria pela sua cabeça que ele era um príncipe.

Suas roupas estavam rasgadas e seu corpo coberto de fuligem, quase não dava para ver seu peito sarado por trás camisa rasgada.

Mas Magali sentia e... De algum modo gostava.

Dimitri passou correndo com Magali e no caminho pegou o corpo inerte e machucado daquele que algum dia fora o maior soldado que já existira.

E continuava sendo, mesmo tendo ficado fora de forma de algum jeito.

Os cães correram atrás deles, mas ja era tarde, eles conseguiram alcançar a luz.

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Cebola caiu sobre Cascão depois de alcançarem a porta. Ele parecia péssimo depois daquela noite.

– O que você tem careca? — perguntou Cascão tentando colocá-lo de pé.

– Nada. Não é nada. -Mentiu o garoto.

Mônica e Denise ajudaram a apoiar Cebola.

– Porque não diz a verdade Cebola? Tá na cara que você não está bem. — Disse Mônica o segurando.

– Fofa... — Denise pigarreou. — Não disfarça. Cebola, a gente já sabe da sua reuniãozinha com a Bianca.

Cebola se jogou no sofá do hotel. Típico da Denise.

– Por que eu fui o ultimo a saber disso? — reclamou Cascão.

– Isso não foi nada demais só...

–NADA DEMAIS? — berrou Mônica assustando geral. — Nada demais ver as torturas do inferno? Passar o quinto teste sozinho? Nada demais dizer que me ama? Que não se importa em ficar como a Bianca, se for por mim?

Mônica não conseguiu disfarçar aa lágrimas e deixou que corressem livres pelo seu rosto e pousar graciosamente nos braços de seus amigos.

– Você ouviu tudo? — perguntou Cebola olhando de relance para Denise. — Então sabe que não vou ficar aqui parado.

Cascão o empurrou de volta ao sofá quando ele tentou se levantar.

– Está louco careca? Você não vai ajudar nada morrendo no meio do teste.

Cebola sorriu.

– Vocês não vão se livrar de mim assim tão fácil.

Cebola se levantou e abriu a porta, revelando um tunel escuro que eles sabiam que levariam à um ultimo teste, antes de tudo se esclarecer.

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Sabe se lá quanto depois....

Eles se expremeram uns aos outros até que saíram pela não tão pequena abertura da caverna. Resumindo a aventura: Eles caíram depois que chegaram ao final do túnel, todos em cima do Cebola que ia na frente. Depois disso, vagaram sem rumo por uma caverna extremamente quente, onde acharam Cerberus, que se cansara de brincar e ia comer o Titi, que de algum jeito ainda estava vivo, mas nu e com sérias queimaduras no corpo. Eles o salvaram e foram perseguidos pelo monstro por horas até que encontraram a abertura em uma rocha e caíram todos em cima de Cebola novamente.

– Alguem me de uma roupa! — Gritou Titi tentando tampar o seu órgão sexual.

– Alguem de uma roupa pra ele! — gritou Denise. — Que decepção, até o Cebola tem um "pinto" maior que o seu.

Cascão rasgou sua camisa enquanto ria e entregou-a a Titi.

– Como sabe o tamanho do "pinto" do Cebola? — Reclamou Titi tentando achar um lugar para esconder sua cara de vergonha.

– Isso não é importante. — Disse Denise olhando assustada para Mônica.

– Na boa, já superei. — Mentiu Mônica muito mal.

– Onde a gente está? — perguntou Cascão olhando em volta. Era tudo plano e lindo, o pesadelo de qualquer um que amava Le Parkur. Nenhum obstáculo a vista, nenhum prédio, nenhuma arvore... Apenas gramas e flores. Ele olhou para o alto, nada de céu azul ou o sol, nada. Era apenas branco.

– Que porra de lugar é esse? — perguntou Cebola olhando em volta.

– Eu gostei. — disse Mônica olhando em volta também.

Denise se encolheu abraçada e acompanhada de Cascão.

– Sem shopping, computador, cinema, internet... Me tirem desse pesadelo Caralho! Nem mesmo banheiro tem aqui!

– Para de reclamar! — disse Titi se sentando. — Pelo menos você não está ao natural!

Depois de muitas gargalhadas, decidiram explorar.

Mal acreditaram no que viram ali na frente.

Fantasma, Magali e um cara que se assemelhava muito ao Toni estavam vindo na direção deles.

– Fantasma! — Gritou Denise. O lugar ja não parecia mais tão ruim assim.

A garota correu na direção dele e pulou sobre ele, o derrubando com o abraço.

– Que bom te ver. — Disse sorrindo.

– Então você veio mesmo me salvar? Cara, eu te amo!

Mônica pigarreou, depois de um abraço gostoso em Magali.

Denise se levantou e passou as mãos pela roupa. Ela parecia pior do que quando estava presa naquela sala, quase congelando junto a Cebola e Cascão.

As roupas ainda eram as mesmas. Camisa rasgada e o pequeno short jeans. O maldito hotel tinha chuveiro de luxo, mas não oferecia roupas.

Quando Denise finalmente largou o Fantasma, Mônica o abraçou chorando. Ele era tão familiar...

– Eu voltei para você, como prometi Milayde.

Mônica estremeceu ao ouvir o nome. — Senti saudades, Mylorde. — Mônica o olhou nos olhos e e eles compartilharam um sorriso. Mônica sentiu o aproximar o rosto, mas dessa vez, não recuou, pelo menos não até Cascão dizer:

– Sabe como a gente sai daqui, seu Fantasma?

– Que parte do não corta o clima você não entendeu? — Disse Denise apertando o ombro do garoto.

– Foi mals — ele disse sorrindo sem graça.

Mônica se afastou do Fantasma e encarou a turma que os observava com vergonha.

Até que ela viu um homem que ela não conhecia a olhando, mas ele lembrava muito ao Toni.

– Prazer, sou Mônica. — disse a garota estendendo a mão.

O homem pegou sua mão e a beijou.

– Apesar de saber quem é, sinto prazer em conhecê-la, donzela. Meu nome é Mourrice.

Cebola o olhou chateado. Não gostara da cena que ocorreu antes.

– Seu nome não era Dimitri?

Maldição! O garoto o reconhecera.

Mesmo assim não deixou de sorrir, não era necessário continuar a mentir.

– Nos tempos em que governava, meu nome era Mourrice. E também mais tarde, quando fui um completo idiota.

Mônica não podia acreditar que aquele jovem encantador poderia ter sido mal algum dia.

– Resumindo aqui. — disse o Fantasma. — Ele é o cara que deixou Bianca esperando.

Todos ali presente o olharam com raiva. Exceto Magali, que se perguntava por que o demonio mentira pra ela.

Dimitri os olhou nervoso.

– Você não precisava contar essa parte! — disse para o fantasma.

– A culpa é toda sua por isso estar acontecendo.

Foi a última coisa que ouviu antes de os garotos pularem em cima dele e o espancarem.

Magali e o Fantasma ficaram assistindo.

– Isso é mesmo necessário? -

perguntou Magali.

– Não. — disse o Fantasma serio. — Mas ele mereceu.

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Dimitri estava babando no chão enquanto eles conversavam.

– Então ele salvou a vida de vocês ?

Perguntou Cebola olhando nos olhos do Fantasma.

– Ele não é tão mal assim. — Disse Magali. — Embora tenha mentido pra mim.

– Fantasma... — Disse Cebola ignorando totalmente a garota. — Por que você trouxe todos aqui ao invés de vir resgatar Denise sozinho?

O fantasma sorriu e deitou se na grama.

– É uma boa pergunta. Por que você nem mesmo estranhou quando o demonio quase te estuprou?

Cebola se enrolou todo nas palavras e virou o rosto.

– Quando você vai contar para mim quem você é? — perguntou Mônica se deliciando com a visão do delicioso Fantasma.

Ele olhou a no fundo dos olhos.

– Você não quer saber, pois lá no fundo, ja sabe.

Mônica refletiu um pouco. Era poucas as vezes em que ela imaginou quem seria o tal Fantasma, não seria importante.

Ela se lembrou da poesia que escrevera antes. Caixa de Pandora... Ela jamais parara para ler a tal lenda, mas o título veio na mente dela do nada. Isso, porque ela não estava sozinha naquele dia. Na verdade, ela nunca esteve sozinha. Todas as vezes em que chorou por ele, ele estava lá. Toda vez em que sentiu que queria morrer para encontra lo, ele a convencia a continusr a viver.

O Fantasma dissera que ficou vigiando Do Contra naquele dia.

Mônica pegou a bengala que carregava sempre presa a coxa. Ela ja usara a espada que estava escondida ali, mas ela não era boa.

– Mascarado, eu imploro que me mostre a sua face. — ela disse olhando para o chão.

Todos olharam em direção ao Fantasma. Titi até parara de tentar prender a camisa ao corpo e olhava peladão para ele.

O Fantasma sorriu e Denise o abraçou.

– Está mesmo na hora de vocês conhecerem meu rosto.

E ele deixou todos surpresos quando tirou a máscara... É, nem todos.

Notas finais
Então. .. Alguem ai ficou curioso? Não percam o próximo se quiserem saber. Bjs pra vocês galerinha que eu amo. Vejo vocês nos reviews