A raça divina
1 Prefacio
Um ano antes
Lynna
– Não! Não! Por favor! Tenha piedade! Eu só estava seguindo ordens! – gritava em desespero o homem de joelhos em minha frente – Não me mate!
Engraçado como ultimamente me encontro em situações como essa com mais freqüência do que antes, sinto que estou ficando mais forte a cada dia. O problema nisso tudo, é que depois de conseguir o que eu queria, simplesmente esqueço tudo o que eu fiz e perco meus poderes. Eu nem ao menos sei o que tanto aterroriza homens como esse a minha frente, mas eu sei que se eu olhar para trás vou ver corpos por todos os lados, todos eles, sem vida alguma.
Ignorando a figura repugnante, me viro para o corredor ao lado, há uma porta, coberta de cadeados, olho novamente para o homem, ele já passou por maus bocados, grisalho e um pouco gordo, usando roupas esfarrapadas, em seu cinto, vejo o que estava faltando para finalmente me livrar desse maldito lugar.
— As chaves – digo calmamente.
— Claro! Fique com elas! – ele me estende as mãos gordas com o molho de chaves.
Assim que me viro, ele sai correndo, começo a destrancar cada cadeado, e logo fico impaciente com tantas chaves. Quando finalmente consigo, ouço passos atrás de mim.
— Não vai escapar de mim, princesa— aquele velho, deve ter ido chamar ele.
Só o som dessa voz me faz arrepiar todos os fios de cabelo, sem me virar eu sei quem é. Aquele que me prende aqui e também o único que pode me enfrentar mesmo quando eu perco a consciência e libero meus poderes, pior do isso, o único que pode me vencer, o real motivo de meus pesadelos.
Permaneço de costas para ele, pronta para correr ao menor sinal de distração, enquanto caminha lentamente em minha direção. Eu sei que se tocar em mim minhas chances de finalmente escapar dessa maldita prisão irão por água abaixo, mas preciso ter calma, fazê-lo acreditar que desisti para ter uma chance. Quando o sinto a centímetros de distância, saio em disparada pela porta e a empurro para trás de mim. Então eu corro.
Porém não fui muito longe, eu sabia que nunca ganharia dele, meu corpo enfraquecido desde que eu voltara à minha consciência não aguentaria o esforço. A sua respiração em meu pescoço me avisa que já pode me prender quando quiser e só está brincando comigo. Ciente disso e cansada de me esforçar em vão, desisto e diminuo a velocidade. Ele me envolve nos braços e me beija no rosto.
– Você é minha. Nunca vai escapar de mim e sabe disso.
— Eu tenho nojo de você! – cuspo as palavras em sua cara e me solto de seu abraço, carinhoso de mais para quem parece desejar a mim todo o sofrimento do mundo.
— Acabou a brincadeira Lynna, volte para seu quarto –me repreende agora sério – levem na para o quarto dela e não se atrevam a deixá-la escapar novamente, estou cansado de brincar de pega-pega com essa criança.
Alguns capangas, aqueles que não foram mortos por mim, se aproximam de forma cautelosa e me guiam através dos corredores até meu “quarto”, eu prefiro chamar de cela. Um maldito cubículo de dois metros por três, com uma cama, uma mesa, uma cadeira, uma pia e uma privada. Sim, a minha vida é uma merda.
Eu posso conviver com isso por mais alguns anos, como eu disse inicialmente, meus poderes estão ficando mais fortes, ele sabe disso, e seus capangas também, por isso tem medo de mim, correm para chamá-lo todas as vezes que eu tenho um surto e quase escapo. Quando meus poderes atingirem seu auge, ninguém, nem mesmo ele, vai conseguir me deter.
Isso é só o começo.
Notas finais
Bom, só o começo da minha história. Se gostarem coloco mais >.
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