Notas iniciais
Olá, faz tempo que eu não posto aqui, mas algumas pessoas já conhecem meu jeito de escrever. Não pretendo (ainda, porque vai depender se vocês vão querer ou não) postar alguma cena mais picante, se você quiserem, me mandem mensagem e eu escrevo (saibam que eu não escrevo o sexo explícito e com palavra mais obscenas, se eu escrever vai ser mais romântico e implícito, estilo Machado de Assis mesmo). Eu tenho quase toda a história pronta aqui comigo, costumo postar um capitulo a cada uma ou duas semanas, se a faculdade não me interromper. Ainda, classifiquei como romance e tragédia por ser uma tragédia grega, e como +16 por ter uma linguagem mais "difícil", mudarei caso necessário.
Beijo amores, espero que gostem da história.

Parecia um pesadelo. Após tanto tempo, seis meses, meio ano! Perséfone achou que ninguém iria se lembrar... ela mesma tentava ignorar o que havia ocorrido, fingindo que nada mudara. Mas como qualquer um esqueceria aquilo?

Pegava-se imaginando que sua mãe, ou até mesmo Zeus, interfeririam. Ela, honestamente, havia sido tão protegida a vida inteira que parecia que aquela súbita reviravolta iria desaparecer do mesmo jeito que todos seus problemas desapareciam: resolvidos ou pela mãe ou pelo pai. Mas, desta vez, aquilo não seria resolvido por nenhum dos seus pais. Talvez nunca seria resolvido.

Assim, tudo que ela podia fazer era continuar se preparando para a descida ao submundo, pegando todas as suas coisas, vestimentas, sandálias, louros de ouro e jóias, e colocá-los dentro de sua sacola de pano. A jovem deusa não queria nem pensar naquele lugar. Da última vez que estivera lá, tinha sido mantida refém por seu próprio tio, o deus do submundo. Não que Perséfone soubesse o que era ser mantida refém, aquela fora a primeira vez, mas para ela, ser engolida para o Submundo e ser privada de voltar para a superfície era uma espécie de prisão, mesmo que tivesse permissão para andar por toda a extensão do mundo dos mortos e tivesse mais criados do que podia contar servindo-a de todas as maneiras possíveis.

Por que ela teve de experimentar a Romã do mundo inferior? Por quê? Deuses, se sentia tão burra e impotente! Agora todos os anos teria de passar metade do tempo com um deus que a desejava!

Ela piscou tentando não chorar. Era orgulhosa demais para isso, ao menos, na frente dos outros, não choraria. Quando finalmente acabou, Hermes, o deus mensageiro, bateu em sua porta.

“Está na hora, Persê.” Ele falou pelo lado de fora.

Ela suspirou e abriu a porta de seu quarto, assentiu com a cabeça para ele e o seguiu até o hall do palácio dos deuses.

Como Démeter era uma Olimpiana, Perséfone tinha direito de residir em um quarto do Olimpo.

No Hall, sua mãe ainda estava do mesmo jeito de quando ela saiu: jogada em seu trono, em prantos enquanto vários dos deuses tentavam acalma-la em vão.

“Ah, Perséfone!” A mãe fungou, a voz embargada no choro, e se levantou drasticamente do trono, correndo para envolver a filha em um abraço. “Por que você? Não quero que vá, minha garotinha, minha Perséfone!” Démeter voltou a chorar, enquanto sua filha retribuía aquele abraço apertado, sua mãe parecia prestes a ter um enfarto e sua voz se tornou tão chorosa que as palavras se perdiam em meio aos soluços e se tornavam irreconhecíveis.

Perséfone não conseguia responder, ela não sabia o que dizer, e mesmo que soubesse, provavelmente choraria também, então permaneceu em silêncio até o momento em que a carruagem de Hades estacionou na base do monte Olimpo e tocou um sino, avisando sua chegada.

“Mamãe!” Ela chamou baixinho, apertando Démeter mais forte contra o próprio corpo quando o badalar do sino foi ouvido. O pânico era evidente em sua voz. “Eu te amo, mamãe.” Ela apertou os lábios segurando as lágrimas enquanto Hermes a puxava pelo braço para que fosse levada à carruagem. Sua mãe teve de ser segurada, primeiramente para não desmaiar, mas depois para que não machucasse ninguém, principalmente as ninfas e sátiros que não eram imortais como os deuses, pois ela se debatia, gritava pragas e uivava de raiva.

“Desculpe, Perséfone. Só estou cumprindo ordens.” Hermes disse enquanto a guiava até o veículo de Hades.

“Eu sei.” Ela suspirou pesarosamente.

Quando finalmente chegaram ao pé do monte, a deusa das flores empacou enquanto fitava a carruagem preta e brilhante como obsidiana, os cavalos, também todos negros e com olhos profundos, lhe causavam arrepio e admiração.

Perséfone levantou o queixo apenas para parecer confiante, arrumou a postura e subiu na carruagem. Enquanto isso, olhando para fora, percebia-se as plantas murchando lentamente enquanto as flores ficavam secas. O outono começava.

Notas finais
Esse foi o primeiro capítulo, amores. Gostaria que comentassem se gostaram ou não, pois assim posso mudar algumas coisas ou até mesmo erros. Recomendem aos friends, e obrigada!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.