A que Despede-se
1 A que Despede-se
Notas iniciais
Ela sabe o quão difícil é despedir-se de si
Difícil é despedir-se de sua felicidade
De vê-la voar em asas abertas e ser obrigada a desejar-lhe boa sorte
De sorrir quando os sorrisos já lhe abandonaram
E todos os tesouros, de todas as sagas, de todos os episódios,
Aqueles que eram posses de suas mãos e frutos de seus pomos corados
Lacrimejam-se para tão longe dos domínios de seus olhos.
E é trajada com os fios de recordações que ela acena.
Mas sobre o leito aguarda melancolia para fazer-lhe companhia,
Agora, que já fez de seus dias áureos ave amante da liberdade
E, vejam, no âmago de sua lamentação amiga,
Todas as miríades de felicidades vivem a morte eterna dos condenados
Há miríades de felicidades em seu pranto seco.
Ela sabe o quão difícil é despedir-se de si
Difícil é despedir-se quando se abandona de seu próprio peito,
Rasgado, arrancado pela impiedosa mão de um destino de maldições
Que a escolheu a mísero e patético acaso por vítima
Fazendo-a semear e colher a própria desgraça
Como uma condenada a condenar-se
E é com os fios de felicidade que já não possui
Que se traja o sorriso dos lábios ao pronunciar:
Adeus.
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