A protegida de Anúbis
13 Pelas mãos de Sekmet
Tudo parecia confuso do outro lado. Horus e Anúbis estavam em guarda.
Toth havia os mandado para o templo em Luxor, porém os deuses estavam em um local totalmente diferente, tudo estava escuro e se ouvia alguns rugidos vindo de todas as partes.
—Fique atento Sekhmet não brinca em serviço._Disse Horus em guarda.
—Não é a toa que ela é a deusa da guerra e da vingança._Respondeu Anúbis.
De repente a escuridão começou a tremular como aguá, uma paisagem noturna começou a se formar e um templo surgiu. Havia arvores frutíferas e felinos por toda parte deitados na areia branca e fina. O templo era feito de mármore branco com detalhes em esmeralda, subindo as grandes escadas podia-se ver um arem com alguns homens servindo a grande deusa com corpo de mulher e cabeça de leoa.
—Ora ora, o que os ventos trouxeram até mim, Horus e Anúbis...que delicia._A deusa lambeu os lábios.
—Sekhmet...a quanto tempo, continua graciosa em suas curvas como sempre._Disse Horus se curvando.
—Desculpe pela armadilha, mas você me entende não é querido?! São tempos de guerra, preciso me prevenir._Sorriu a deusa._Mas enfim, o que os trazem até a mim?
Horus se sentou ao lado da deusa acariciando seu ombro gentilmente.
—Preciso de motivos para visita-la?
Sekhmet riu.
—Não seja ridículo Horus, nós dois sabemos muito bem que foi Toth que o enviou aqui.
A deusa se colocou de pé se transformando em uma linda mulher de longos cabelos ruivos e olhos dourados.
—Precisam de mim para curar uma mortal._Disse ela entre os dentes.
—Sim, o nome dela é Maya, é a reencarnação de Bastet._Concluiu Horus.
Sekhmet pareceu interessada ao ouvir o nome da deusa.
—Bastet ham?
—Sim sua irmã Bastet._Disse Anúbis se impondo.
A deusa logo o encarou com interesse.
—Então você é o famoso deus dos mortos Anúbis, os boatos fazem jus a sua pessoa._Ela se aproximou.
Anúbis continuou parado a encarando.
—Gosto de você Anúbis, é atraente, charmoso e jovem, daria um ótimo amante._Ela cochichava em seu ouvido, porém o deus continuava totalmente indiferente a sedução de Sekhmet.
—Precisamos que você ajude Maya, ela foi atacada por um demônio vermelho de Seth e está a beira do mundo dos mortos._Disse Horus se aproximando da deusa que ainda encarava Anúbis com desejo.
—E o que eu ganho em troca, afinal nos dois sabemos que não simpatizo com mortais.
—Sekhmet você e eu temos um assunto mal resolvido, prometo honrar com a minha promessa se você nos ajudar._Disse Horus
A deusa se sentou novamente e encarou Horus por algum tempo até enfim dar a resposta:
—Tudo bem querido Horus, mas eu vou dizer o que vou querer em troca, não agora, mas no momento certo._Ela sorriu maliciosamente, passando as mãos pelo peito do deus guerreiro.
Horus a puxou para perto e a beijou.
—Continua o mesmo._Sorriu Sekhmet
—Se for por você..._Respondeu Horus a beijando novamente.
Depois de um longo tempo explicando a situação atual em que nos encontrávamos, Sekhmet aceitou ajudar não só com a cura para o meu ferimento como em nossa batalha contra Apófis.
Assim que retornaram para o museu, ou melhor dizendo, templo de Thot, Sekhmet logo começou com sua magia. Como era algo que exigiria muita atenção, pois o poder maligno de Apófis havia penetrado em minha corrente sanguínea através do ataque do demônio, a deusa pediu que todos a deixasse sozinha comigo e não a incomodasse até o dia seguinte.
Enquanto Sekhmet iniciava os encantamentos, minha dor aumentava cada vez mais, era como se algo tentasse me devorar por dentro.
—Você precisa ser forte garota, isso não será fácil._Disse a deusa colocando a mão em cima do ferimento. O toque me fez gritar de dor, era insuportável, sentia como se Sekhmet houvesse enfiado a mão no ferimento e arrancado algo extremamente grande. Logo após terminar o ritual, desmaiei.
Meu corpo estava pesado. Abri meus olhos e vi grandes cidades sendo destruídas, haviam demônios, mas não como os de Seth, esses eram como os que são relatados em quase todas as religiões, alguns tinham chifres e asas, outros tinham cabeças de animais e corpo humano, havia um grande trono se levantando rapidamente em meio a uma montanha de areia, nesse trono havia um homem, ele era forte, mais forte que qualquer outro deus que já tenha ouvido falar, seus olhos mudavam de cor constantemente, mas era quase impossível ver seu rosto. Ao me aproximar do trono o homem ordenou que todos os demônios se prostrassem perante a mim, mas eu recusei apavorada, então com grande ira o homem enfiou uma lança em mim, o sangue esvaia sem parar, eu gritava e chamava desesperadamente por Anúbis, mas ele não estava lá, de repente senti algo me arrastar rapidamente e então acordei sem ar chamando pelo meu protetor, o deus dos mortos:
—Anúbis!!!!Anúbis!!!
Não demorou muito para que ele surgisse na sala as pressas.
—O que ouve?_Sua voz soava apavorada.
—Um pesadelo...de novo..mais um..._As lagrimas escorriam como se eu não pudesse as controlar, Anúbis gentilmente se aproximou e colocou a mão em minha cabeça. Ainda não estava recuperada totalmente, Sekhmet havia ordenado que ninguém poderia entrar na sala até que eu estivesse pronta, provavelmente esse havia sido o sinal.
—Está tudo bem, nós estamos aqui com você..._Disse ele.
Eu estava cansada e assustada, mas a presença de Anúbis era tão viva que eu não queria que ele fosse embora.
—Por favor....não me deixe sozinha, eu não quero ficar sozinha..._Falei em meio ao choro.
—Você não está sozinha...eu estou com você._E então Anúbis aproximou os seus lábios aos meus e me beijou. Senti como se o mundo inteiro desaparecesse sob meus pés. Nunca imaginei que ele fosse me corresponder. Senti meu coração disparar, de longe ouvi uma voz me chamando, quando olhei para o lado vi Sekhmet me encarando com cara de deboche.
—Você estava delirando?
Sem graça virei o rosto e resmunguei.
—Você ouviu tudo?
—Tudinho._Riu a deusa.
—Por deus..._Suspirei.
—Relaxa Maya, entendo o que está acontecendo muito bem...
Sekhmet me ajudou a se levantar e continuou a falar.
—Amar um deus sempre foi problema, mas se apaixonar por Anúbis...
Fiquei sentada sentindo aquele altar de quartzo, frio e duro como Anúbis era comigo. Parada ali, fiquei admirando-o descansar do outro lado da sala, deitado numa poltrona branca enquanto Sekhmet continuava a falar.
—Já não é mais paixão não é mesmo?!_Ela também o encarava. Eu mal conseguia falar, eu amava Anúbis, desde o dia em que o vi na tumba, quando ele me salvou do guarda, algo em mim se despertou, eu me apaixonei e agora eu já o amava.
—O que eu faço?_Perguntei derramando algumas lagrimas.
—O ame._Disse Sekhmet com uma piscadinha.
—Mas ele é um deus...
—Tenho certeza que ele não se importa com isso Maya.
Quando olhei novamente para a poltrona onde Anúbis repousava, ele já não estava mais ali.
Toth preparou um café da manhã digno de um deus, com direito a todos tipos de pães e frutas deliciosas. Horus e Sekhmet flertavam um com o outro, trocando insultos e carinhos, enquanto isso Toth e Anúbis conversavam sobre o livro dos mortos e como invocar Bastet.
—Conheço bem o ritual de invocação, mas antes preciso dizer uma coisa a vocês._Disse Toth em tom serio. Todos nós o encaramos.
—Assim que invocarmos Bastet ela precisará de um recipiente...
—Já sabemos disso gênio!_Debochou Horus.
—Porém a alma de Maya terá que ser sacrificada para isso.
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