A proposta. Catradora AU

4 Bom dia, segunda-feira! Parte final.


Notas iniciais
Opa, bão? só deixando rapidinho o capitulo aqui. Não vou ter dia fixo pra postar, vai ser conforme vou adiantando a fic, mas provavelmente vou postar outro até o final da semana. Obrigadinha pra quem está apreciando a fic

Manhattan, NY. Prédio da editora The Horde. Departamento de edição e revisão de textos.

Segunda-feira. 9:41 AM.

— Per-Perdão? — O homem-lagarto estava aturdido, não entendia o porque estava sendo demitido assim tão de repente.

Catherine não gostava dessas situações, mas o híbrido tinha passado dos limites, ela já não aguentava mais aturá-lo por causa do restante da diretoria, hoje daria um basta nisso.

— Não, não está perdoado, Lashor. Te dei meses para levar o Frank até o programa da Oprah, o que foi muito custoso para nós da editora conseguir um horário com ela. E o que você faz? Nada. Simplesmente não consegue pegar o telefone e ligar para alguém e perguntar se ela gostaria de fazer uma entrevista. — Catherine despejava as palavras sem alterar o tom de voz, mas a feição dela estava cada vez mais fechada.

Adora se surpreende com a fala da chefe, disfarçadamente fecha a porta da sala, sabia que Catherine não gostava que bisbilhotassem enquanto dava bronca em algum funcionário. Ela não conseguia manter os olhos fixos em alguém, hora olhava pra chefe hora pro homem-lagarto, ainda sem palavras.

— Catherine, não estou te entendendo! — Lashor deu um leve rosnado, ainda indignado com sua situação — Frank não dá entrevista há 12 anos! Ele nem atende mais meus telefonemas, já tem semanas que ele me ignora! É impossível falar com esse homem!

— Sério, Lashor? — a felina dá uma risada anasalada antes de continuar, ainda sem mudar o tom sério de sua voz — Então me diz, porque ele me atendeu e concordou em ir fazer a entrevista com a Oprah, esse sábado?

Sem querer, Adora arqueou as sobrancelhas e fez uma careta quando viu que sua chefe havia pego o híbrido na mentira, ela tentava disfarçar ajeitando o cabelo, mas a situação para Lashor estava cada vez pior, não conseguindo controlar suas caras e bocas pelo constrangimento alheio.

— Eu-Eu não entendo, como cons-

— Você sequer tentou ligar, não é? — a felina o cortou, ela respirava fundo para se conter, poderia ficar o dia todo depreciando seu funcionário mas não era sua intenção, nunca foi — Olha Lashor, vou te dar dois meses para achar outro emprego sem descontar de seu salário e acertar tudo com o RH, farei isso em agradecimento pelo o que já fez pela empresa, mas não espere mais nada vindo de mim. Se precisar de algo converse com a Adora, não me incomode mais. E pode dizer para todos que se demitiu porque achou um emprego que te paga bem mais, vai ser melhor assim.

Catherine deu uma última olhada no híbrido e foi em direção a porta, que prontamente Adora tinha aberto para que ela saísse da sala, deixando um Lashor enfurecido e que ainda não tinha deixado a ficha cair.

Já no corredor, Adora virava o pescoço para poder ver o que estava acontecendo na sala de Lashor, podia ouvir ele rosnando alto e quebrando alguma coisa de madeira, ela aperta o passo para ficar perto da chefe por puro instinto de proteção, mesmo sabendo que ela não precisasse.

— Prepare-se, ele está vindo. — a felina disse calmamente diminuindo a velocidade e se virando para a direção dos xingamentos do ex-funcionário, ele saiu de lá a passos pesados e seguindo em sua direção pelo corredor. — Não faça isso, Lashor…

E como Adora tinha alertado, o pau ia comer solto no escritório e ninguém iria perder isso, os funcionários estavam estrategicamente posicionados em suas mesas, fingindo que estavam trabalhando. Adora se pôs à frente de Lashor pois sabia que ele era um covarde e que não iria bater de frente enquanto ela estivesse ali, mas não queria dar sorte para o azar e deixar que sua chefe acabasse sofrendo alguma agressão dentro de seu escritório.

— SUA COBRA VENENOSA! CRETINA E MAU CARÁTER! VIRA-LATA NOJENTA! VOCÊ NÃO PODE ME DEMITIR! — Lashor enchia seus pulmões para gritar em alto e bom som, ele até poderia ser mandado embora, mas com certeza ia sair atirando.

— Lashor, é meu último aviso — disse com a voz firme e sem perder a compostura ou se intimidar com o homem-lagarto lhe rosnando forte — Pegue o que lhe resta de dignidade e volte para aquela sala antes que se arrependa. — a felina arrepia sua cauda e estreita suas pupilas, as garras afiadas estão para fora por instinto, mas não se portava como um animal brigando por território, diferente do outro.

O escritório estava pegando fogo, todos os funcionários querendo ver o que estava acontecendo e se inteirar da fofoca, viam o Editor-sênior, Lashor bater boca com a Editora-chefe, Catherine.

Os dois estavam extremamente irritados, deixando seus lados irracionais aflorarem pouco a pouco.

— Acha que eu não sei o que está fazendo, Catherine? Sei muito bem que se sente ameaçada por mim! — Lashor arrumava o terno caríssimo, enquanto tentava se recompor para não atacar o pescoço da felina.

Adora se mantinha em guarda, Lashor era um híbrido instável, diferente de Catherine e da maioria dos híbridos com quem trabalhava, tinha que tomar cuidado para evitar alguma agressão além da verbal.

— SIM! VOCÊ SE SENTE AMEAÇADA, POIS SABE QUE EU FIZ TANTO PELA EMPRESA QUANTO VOCÊ! — Ele eleva mais uma vez a voz, não conseguindo controlar os rosnados que saem do fundo da sua garganta. — Não é só porque você tem uma parte dessa empresa, que pode me tratar assim! Que pode tratar seus funcionários como escravos, usá-los e jogá-los fora! Não pode me massacrar com essa história de Oprah! Eu tenho uma vida fora desse escritório diferente de você!

Catherine respirou fundo tentando a todo custo controlar seu gênio, andou para frente se aproximando de Lashor e tirando Adora do lugar que estava a empurrando levemente para o lado, não queria que sua funcionária humana se machucasse por causa de um híbrido instável.

Com um sorriso cínico e mostrando uma presa, ela responde a altura o homem-lagarto:

— Veja bem, Lashor, já que você quer expor para todos os presentes o motivo de estar sendo demitido, aqui vai: Você realmente fez muito pela empresa, eu não discordo disso. Mas há anos você vem sendo desleixado e preguiçoso com suas obrigações. Só esse mês você chegou 7 vezes atrasado, com uma desculpa mais estúpida que a outra e nem estou contando os atrasos do restante do ano.

A híbrida tomou fôlego e continuou com seu discurso, deixando o híbrido acuado com a verdade sendo esfregada na sua cara.

— Suas faltas ao trabalho são para ficar fodendo qualquer mulher que não seja sua esposa, Lashor, sem contar as secretárias que você leva para a sua sala depois do expediente. Sua incompetência nos custou milhares de dólares por não ter capacidade de fazer uma simples ligação e agendar uma entrevista e não estou só falando do Frank, você nos fez perder entrevistas com outros escritores importantes para a empresa. — A felina conseguiu dizer tudo o que queria em apenas um único fôlego, ela estava zangada com o híbrido tanto quanto ele estava com a ex-chefe.

— Eu tenho pena de você, Catherine. — o homem-lagarto tentava disfarçar a voz embargada de frustração — Pois não terá uma única pessoa que vai estar presente em seu leito de morte, ninguém!

— Não preciso da sua pena, Lashor. Agora pegue suas coisas e saia da minha empresa, agora. — Catherine entregou seu copo de café para Adora, fazendo um sinal com os dedos que a loira reconheceu e prontamente atendeu seu pedido — Aliás Lashor, meus parabéns, você ganhou uma bela justa-causa, o RH vai te procurar depois.

— Seu monstro! Você tem noçã-

— Mais uma palavra, Lashor! Mais uma palavra e os seguranças armados não vão hesitar em usar os tasers de alta voltagem em você enquanto te escoltaram para fora do prédio! — a híbrida o interrompeu com um rosnado forte, estava farta de escutar os esculachos de seu ex-funcionário. Detestava profundamente fazer “barraco”, principalmente dentro de sua empresa.

Adora rapidamente acionou em seu celular, um aplicativo que chamava os seguranças para o andar que estavam, assim como Catherine havia lhe ordenado. Viu a felina andar firme pelo corredor em direção a sua sala, mas ela ficou no lugar para ter certeza que Lashor não iria fazer nada estupido naquela altura do campeonato.

— Não dê as costas para mim, Catherine! — e como a loira previu, Lashor foi em direção à felina, com os dentes à mostra sem pensar nas consequências.

— Ah não vai não! — com toda a sua força e raiva acumulada pela manhã, Adora deu um encontrão forte em Lashor, batendo seu ombro fortemente no peito do homem-lagarto, fazendo o mesmo trombar na parede do escritório e cair para trás, perdendo totalmente o fôlego.

Lashor tentou se recompor da ombrada que ganhou da assistente de Catherine, tinha noção da força da loira, mas nunca imaginou que ela era capaz de deixá-lo atordoado mesmo com o porte atlético que tinha. Ao levantar-se, foi em direção a loira mas dessa vez não para trocar socos com a humana, isso poderia sair muito mal para ele, então se limitou em apenas rosnar e ameaçar:

— Olha aqui garota! Sei muito bem que fica lambendo a boceta daquela gata escrota! Guarde minhas palavras, você vai se arrepender de ter feito isso comigo! — como um cão, Lashor ladrava para a loira que não se intimidava nem um pouco.

O híbrido percebendo os seguranças do prédio se aproximando, se afastou rapidamente da assistente antes que piorasse para seu lado.

Adora ficou encarando o híbrido se afastar para sua sala e vendo os seguranças o escoltarem, relaxou um pouco ao ouvir alguns funcionários a ovacionar e dando baixos assobios. Sentiu as mãos de alguém em seus ombros e quando se virou, viu seu melhor amigo lhe olhando preocupado, procurando algum sinal que ela se machucou de alguma forma.

— Você foi incrível Adora, mas olha, não quero te alarmar, mas a chefe não parece nada feliz com teu ato de heroísmo. — Bow tinha noção que a amiga não se safaria de uma bronca, afinal, ele mesmo conhecia o jeito da felina, ela detestava violência dentro de sua empresa.

— Eu sei Bow, mas foi automático, não podia deixar aquele babaca atacar a Catherine, mesmo que às vezes ela mereça. — a última frase saiu em um sussurro tão baixo que somente seu amigo seria capaz de escutar.

— Adora! Para minha sala, agora! — a voz rouca e irritada de Catherine ecoou por todo o escritório, fazendo não só ela e o amigo, como o restante dos funcionários corressem para mostrar que não estão à toa no serviço.

Bow se afastou mas conseguiu dizer um “boa sorte” para a amiga enquanto ela ia andando de volta para a sala da chefe. Adora seguiu a felina para dentro de sua sala, ela estava com sua cauda espichada e não parava de chicoteá-la no ar, ela sabia que estava encrencada e nem rezando muito para a Deusa, se livraria da bronca.

A loira sentou na cadeira vaga que sua chefe havia lhe apontado, Catherine não dizia nada enquanto arrumava sua postura na frente de Adora, o que significava que ela sairia daquela sala de orelha quente.

— Posso saber o que foi isso? — as pupilas da felina pareciam uma linha fina, ela realmente estava se segurando para não explodir com a assistente. — Qual a parte do “apenas observe” você não entendeu?

— Ma- mas chefe! — com a voz trêmula e as mãos nervosas, Adora tentava se defender — Ele ia atacar a senhora pelas costas! Não podia ficar parada vendo isso acontecer!

— É para isso que eu pago seguranças armados, Adora. — a híbrida respirou fundo, mas não desviou o olhar bicolor dos cianos da loira — E outra, eu não sou nenhuma princesa que precisa de um cavaleiro para me defender.

Adora desviou o olhar para o chão, procurando qualquer coisa para fixar seus olhos, não conseguia sustentar o olhar nos de Catherine, aqueles olhos pareciam que podiam ver sua alma.

— Adora, olha pra mim. — a felina tentou não elevar sua voz para a assistente, mas os nervos estavam todos a flor da pele, esperou que a loira voltasse a olhá-la nos olhos para continuar — Não é a primeira vez que faz isso, mas eu espero do fundo do meu coração que seja a última. Você não tinha que se meter em uma briga com um híbrido!

— Mas! Não é justo! — Adora falava nervosa e se esforçava para não apertar o copo de café que ainda segurava — Ele quase voa no seu pescoço e eu sou a errada da história?

— Adora, para de ser idiota e metida a heroína! — a felina cruzava os braços pra se conter em gritar com a assistente — Eu sou a responsável por você aqui dentro da empresa, já imaginou se ele resolvesse revidar o golpe? E se você se machucasse seriamente? O que vou dizer pro RH quando descobrirem que a minha assistente anda trocando socos com outro funcionário?

— Tecnicamente ele não era mais seu funcionár-

— Chega! — Catherine levantou a mão para que a loira parasse de falar e evitar que ela mesma a esgane — Você nunca mais vai por sua integridade física em risco por minha causa, entendeu? — o tom de voz era firme, só de imaginar a loira trocando socos com Lashor, mesmo que não tenha acontecido, deixava a híbrida tremendo de ansiedade, jamais queria que ela se machucasse por sua causa.

Mas Adora não lia pensamentos e estava com muita raiva para entender o que a chefe realmente queria dizer. Fechou a cara e se limitou a apenas acenar, tinha receio que se falasse mais alguma coisa iria se arrepender depois.

— Já são quase 10:15, preciso me preparar para a reunião. Não quero ser incomodada por nada nem ninguém, nem mesmo por você. — a híbrida olhava rapidamente o relógio de pulso enquanto dava as últimas ordens para a assistente — Quando terminar os meus afazeres eu te chamo, agora vai esfriar essa sua cabeça oca lá na cafeteria e só volte quando ela estiver fria e pronta para trabalhar.

Adora estava inconformada com a bronca, nem mesmo um mísero agradecimento ganhara da sua chefe. Só estava esperando que ela dissesse que estava dispensada para que pudesse sair daquele lugar infernal e comer alguma coisa, pois a fome estava a deixando ainda mais irritada e com os pensamentos desorganizados.

Catherine deu um último suspiro e olhou bem para a assistente, sabia que ela não fez por mal, mas preferia agir assim do que deixar que uma situação dessas realmente aconteça, seu estômago revirava só de imaginar aquela loira estabanada toda machucada.

— Pode ir. — a felina se limitou nas palavras e tirou o copo de café das mãos da assistente.

A híbrida acompanhou com o olhar a loira saindo, percebeu que ela se conteve dentro da sala, pois assim que colocou o pé pra fora e fechou a porta, conseguia ouvir ela marchando pesadamente enquanto falava coisas incoerentes rumo aos elevadores.

— Ótimo jeito de começar a semana, Catra…— a felina voltava a se sentar em sua mesa enquanto dialogava com seus próprios pensamentos, sem conseguir jogar aquele copo de café fora, que há muito tempo já havia esfriado.

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ʕ•́ᴥ•̀ʔっ♡

Notas finais
pobre não tem um minuto de paz nessa caraia
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.