A proposta
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Narração por Annabeth C.
Percy me aninhou em seu colo naquela tarde e começou a me fazer cafuné, me fazendo entender porque Pietro gostava tanto daquilo. Adormeci em seus braços e quando acordei, estava deitada e coberta. Suspirei e passei as mãos pelo meu cabelo e, olhando ao redor, percebi que estava sozinha. Decidi descer para procurar Pietro e Percy, ainda pensando se deveria ou não continuar naquela casa. A verdade é que a família de Percy tinha nos acolhido muito bem e tinha tanto tempo desde a ultima vez que passei o Natal com uma família de verdade. Cheguei à sala e foi então que percebi as fotografias espalhadas pela estante que ocupava uma parede inteira, e as fotos, aquelas fotos, me deixaram com um aperto no peito, um vazio no coração. Havia algumas fotos de Percy e Luke, sempre rindo juntos, abraçados e fazendo palhaçadas, me fazendo sentir culpa por contar a Percy sobre o primo.
—São antigas, Annabeth. –Me virei rapidamente para trás, vendo Luke parado, com as mãos no bolso da calça, olhando para mim. –Eu e Percy quando crianças nos dávamos muito bem, até porque sempre formos filhos únicos, mas já não somos assim faz alguns anos.
—Onde está todo mundo? -Perguntei enquanto dava um passo pra trás.
—Percy e o seu filho. -Ele deu ênfase na palavra seu, me deixando desconfortável, – foram ao mercado, mamãe e papai estão no escritório dele e eu tinha saído, mas esqueci meu celular, voltei para pegá-lo e te vi aqui. Assenti e de cabeça baixa, fui saindo da sala, em direção a escada, mas uma mão me impediu quando estava no segundo degrau e eu estremeci, virando para olhá-lo.
—Me solta, Luke...
—Nós precisamos conversar.
—Não, não precisamos. Você pode, por favor, me soltar? -Olhei fundo nos olhos dele e falei, nervosa.
—Não vou te soltar enquanto não me ouvir. -Ele respondeu, apertando o aperto ao redor do meu braço.
—Se não me soltar agora eu vou gritar. Você está me machucando, Luke! -Falei mais alto, tentando puxar meu braço.
—Qual a idade do garoto?
—Quê?! -Perguntei, por um momento esquecendo-me do meu esforço para sair daquele aperto. Pisquei algumas vezes, olhando-o, enquanto assimilava a pergunta dele. — Não te interessa qual a idade do meu filho. Agora me solta!
—Qual a idade do garoto? -Ele repetiu, apertando meu braço novamente. Quando eu estava prestes a gritar, ele me soltou e eu virei, subindo o restante das escadas e trancando-me no quarto de Percy. Sentei-me na cama e abracei minhas pernas, apoiando minha testa nos joelhos enquanto balançava o corpo pra frente e pra trás por um tempo indeterminado. Eu não conseguiria ficar naquela casa por muito tempo se Luke ficasse me cercando daquele jeito. Não podia! E para que ele queria saber a idade de Pietro? Parei de balançar ao ouvir batidas na porta e olhei pra ela fixamente por alguns segundos antes de finalmente levantar-me e abri-la, esperando ver Percy e Pietro, mas era Luke quem estava ali, um sorriso de canto nos lábios deixava-o com uma cara irônica que me provocava arrepios.
—O que você quer? -Falei enquanto tentava, inutilmente, fechar a porta que Luke agora segurava aberta.
—Ele é meu, Annabeth? -Travei segurando a porta com força, minha boca se abrindo em um O perfeito, meus olhos arregalados e meu olhar fixo no dele. Oh, céus, por quê? Porque eu tive que me meter nisso? Porque eu não podia apenas ter dito não ao Percy e seguido minha vida? Merda de coração mole.
—Claro que não. -Respondi, mas percebi que demorei demais... o sorriso em seus lábios aumentaram e suas mãos, antes na porta, agarraram minha cintura antes que eu pudesse notar e então, sem que eu tivesse qualquer reação, Luke estava me abraçando com uma força totalmente desnecessária.
—Eu sabia! Ele tem meus olhos.
—Me solte, me solte, me solte... -Falei alto, batendo com força em suas costas. — Eu vou gritar se não me soltar agora! -E então ele me soltou, mas ainda estava perto demais então dei passos para trás, aproveitando que ele parecia distraído para rapidamente fechar a porta. Tranquei-a em seguida e encostei-me nela, escorregando até cair no chão, meu coração apertado no peito. Batidas forte na porta me assustaram e eu me afastei um pouco da mesma.
—Annabeth! –Luke falou enquanto batia seguidamente na porta. -Responda-me! Porque não me contou? -Arregalei os olhos novamente. A cada coisa que aquele imbecil dizia, eu me surpreendia ainda mais.
—Cale-se, Luke! Pietro não é seu filho! Não importa o que você diga! Ele é meu filho! -Soquei a porta enquanto lhe gritava em resposta.
—Ele tem meus olhos!
—E o pai dele também tinha! -Gritei -Agora me deixe em paz, Luke!
—Ele é meu! -Ele gritou de volta e socou a porta, como eu fiz ainda a pouco.
—Não é! -Gritei enquanto sentia minha respiração falhar. Isso não pode estar acontecendo... Por quê? Por quê? Por quê?
—Claro que é, não importa o que diga, sei disso!
—Vai se fuder, Luke Castellan! VAI SE FUDER! -Gritei o mais alto que pude enquanto socava a porta para pontuar cada palavra dita. –Pietro não tem nenhum tipo de parentesco com você e nunca vai ter! Ele é meu filho e não importa o que você diga seu imbecil. Eu quero que você fique longe de mim e do meu filho, ou eu chamo a polícia! -Terminei de falar e abri a porta para encontrá-lo com um olhar sério -E eu não estou brincando -Falei mais baixo agora que estava cara a cara com ele. -Deixe-me em paz, ou eu chamo a polícia.
—Você não tem como provar nada! -Ele disse, querendo parecer seguro, mas sua voz falha o entregava. Estava com medo!
—Ah... eu tenho. Não me subestime, Luke Castellan! Se você se aproximar de mim ou do meu filho, vou contar aos seus pais o que fez comigo há seis anos e ainda chamo a polícia para você.
—Não seria capaz.
—Será que não? -Perguntei, uma sobrancelha erguida em desafio.
—Você me paga. -Ele disse antes de virar-se e começar a descer as escadas no mesmo instante em que a porta de entrada se abria e Pietro entrava com Percy, os dois sorridentes.
Percy olhou para Luke e me viu na ponta da escada, e uma sobrancelha logo se ergueu. Luke ergueu a cabeça quando ouviu a porta se abrir.
—O que você ainda está fazendo aqui seu panaca? –Disse Percy. Luke rapidamente ergueu as mãos como se estivesse se entregando enquanto terminava de descer as escadas e passava direto por Percy e Pietro, saindo porta afora.
—Mamãe, mamãe. –Pietro disse, subindo as escadas correndo. -O tio Percy me levou para passear...! -Meu pequenino disse, rindo enquanto se jogava em meus braços assim que chegou ao segundo andar. -Foi tão legal!
—É mesmo? -Perguntei sorrindo.
—Sim. Fomos ao mercado e depois fomos a um campo de futebol e o tio Percy me comprou um cachorro quente bem grandão lá nos jogamos futebol junto com as outras pessoas, foi muito legal...!
—Nossa amor, que bom. -Dei risada enquanto levava-o para o quarto de Percy. -Agora que tal você ir tomar um banho para poder ficar um pouquinho com a mamãe? -Pietro concordou e saiu correndo para o banheiro, fechando a porta atrás dele.
Quando ouvi o barulho do chuveiro, olhei finalmente para Percy, que me olhava com um olhar de interrogação. Então, sem aguentar mais segurar, joguei-me em seus braços e chorei. Chorei por tudo o que acabara de acontecer, por medo, por cansaço. Carinhosamente ele me aninhou em seu peito quando nos sentamos na cama e esperou pacientemente até que eu parasse e conseguisse falar. E então eu lhe contei tudo o que acontecera, sem me importar que Luke era seu primo, sem me importar que alguém pudesse aparecer e ouvir, sem me importar com nada. Contei-lhe absolutamente tudo, as ameaças e a constatação certeira de Luke. Quando acabei, estava ofegante e abaixei a cabeça.
—Ele não vai mais encostar em você, eu te prometo. E ele não vai chegar perto do Pietro -Senti seus dedos tocarem meu queixo com carinho e erguer minha cabeça até que meus olhos se encontraram com os dele. -Eu vou cuidar de vocês. Isso é uma promessa. -Não pude conter o sorriso que surgiu aos poucos em meus lábios e nem consegui pará-lo quando seus lábios se aproximaram dos meus num beijo calmo e carinhoso que encheu meu coração de algo que eu não me lembrava de já ter sentido antes.
Soltamo-nos ao ouvir o barulho do chuveiro cessar e logo Pietro surgiu na porta do quarto, com seu pijama e correu para mim, rindo enquanto eu o abraçava. Senti o olhar de Percy em nós, mas não me importei. Deitei-me na cama com Pietro e Percy ficou sentado na ponta, olhando-nos. Aos poucos o sono e o cansaço tomaram conta do meu filho e ele dormiu rapidamente, fazendo-me sorrir. Pietro era toda a minha vida e eu faria qualquer coisa para protegê-lo... qualquer coisa!
—Você vai ficar? –Percy perguntou, baixinho para não acordar Pietro que, mesmo dormindo, estava agarrado em mim.
—Eu... -Suspirei. -Sim! Eu vou ficar. -O sorriso que Percy me deu valeu à pena. Só esperava não me arrepender da minha decisão.
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