A prometida das sombras
7 Capítulo 7
Notas iniciais
CAPÍTULO 7
Kate levantou terminando de analisar o lugar e não tinha ideia de onde estava. Ela poderia sentir a adrenalina surgir em seu corpo, como fogo e facas afiadas, fazendo sua pele queimar. Sua garganta estava seca, podendo sentir a mordida de Matt ainda latejar em seu pescoço. Fechou os olhos, tocando em seu pescoço sentindo a dor ao toque.
Ela percebeu que estava usando uma roupa diferente, ao invés da roupa que usava, estava com um vestido cinza aberto na cintura. Seus cabelos estavam soltos e seus pés descalços. Alguém havia a trocado, mas não havia cuidado de sua ferida no pescoço.
Kate andou até a porta, que tinha um olho mágico. Ela tocou a porta, aproximando sua cabeça encostando seu ouvido para tentar escutar alguma coisa, porém, não havia nada além daquela porta. Então ela olhou pelo olho mágico, levantando seus pés e olhando através dela. Mas tudo o que ela conseguiu ver foi árvores tampando sua visão.
Kate não sabia como havia parado naquele lugar, não se lembrava do que havia acontecido. Era estranho demais. Ela podia sentir o sentimento estranho de perda e ansiedade por algo que ela não sabia bem o que era. Então como uma flecha acertando seu subconsciente, se lembrou de tudo. Da ponte, do sonho e da voz lhe chamando... E principalmente de como deixou Matt parado na floresta sem se lembrar de nada assim como ela, no momento.
Kate bateu na porta gritando para alguém lhe tirar dali, ninguém atendeu seu pedido, muito menos abriram a porta.
— Abram a porta! – Gritou socando com força, mas tudo o que conseguiu foi a dor pela porta ser de aço. – Abram isso! Abram agora!
Ela sentia seu coração disparado. O medo do que viria estava presente. Ela não sabia o que a esperava do outro lado da porta.
— Abram isso aqui! Vocês não podem me prender! – Gritou.
Kate não viu outra escolha, há não ser abrir a mesma com seus poderes e assim sair dali, mesmo sem saber o que havia do outro lado. Valeria a pena tentar!
Kate fechou seus olhos tocando na porta, encostando sua testa imaginando-a se abrindo e a deixando sair. Ela poderia sentir a magia circular pelo seu corpo. Ela conseguia sentir a energia queimar nas pontas dos seus dedos.
Abra... Abra! Eu ordeno que abra.— Pensou ela.
Kate escutou o barulho de ferro sendo torcido. A porta começou a tremer, ficando quente. Ela se afastou da porta, vendo que a mesma ia se amassando e sendo aberta como uma lata de sardinha, caindo para o lado de fora, dando a ela uma visão de onde exatamente estava.
Havia árvores, mato e uma pequena trilha para o nada. Kate deixou que a porta caísse no chão, antes de pisar na mesma, sentindo que ainda estava quente e enfim pisar no gramado ao lado de fora. Ela olhou tudo à sua volta, vendo que estava dentro de uma floresta, em cima de um morro dando-a uma visão do precipício que dava ao mar.
Onde eu estou?— Pensou.
Kate sentia o cheiro de maresia, o vento gelado pegando em sua pele e diferente de Westwood, ali não nevava, fazia apenas sol. Ela decidiu descer pela trilha, mesmo sabendo que poderia dar de cara com quem a havia prendido.
Kate escutou galhos se quebrando, como se alguém a estivesse seguindo, estava perto, bem perto. Um uivo, mais barulho... Era um lobo? Ela decidiu correr sem olhar para trás, seguindo a trilha, ela não queria chamar a atenção do lobo ou de quem estivesse ali para ela. Tudo o que queria era ir embora e esquecer-se de tudo isso.
Ela corria sentindo o vento soprar por seus cabelos, sua respiração acelerada e seu corpo cansado. Ela olhou para trás, nada viu, parou um pouco encostando a mão em uma das árvores sentindo o ar preenchendo seus pulmões. Sentiu a presença de alguém e escutou um uivo. Ela olhou para trás e deu de cara com o mesmo homem que havia fritado o cérebro na noite de sua fuga atrás de sua irmã.
Ele sorria para ela, como se a quisesse seduzir. Seus olhos brilhavam em um amarelo intenso, como um dos olhos de Seth brilhava perto da lua cheia.
— Por que está atrás de mim? Quem é você? Não me faça usar a mesma coisa que usei da última vez! – Falou sentindo-se tremula, sem saber o que esperar. Como Sarah disse pra ela uma vez, um raio nunca cai no mesmo lugar.
— Estou vendo que está um pouco estressada... – Ele ficou sério. – Sou apenas um servo de vossa senhoria! – Falou se aproximando e tomando uma das mãos de Kate olhando dentro dos olhos dela e depositando em sua mão um beijo lento.
Ela puxou sua mão de volta e o olhou com raiva.
— Nunca mais encoste sua mão em mim, está me ouvindo? Se encostar em mim de novo eu frito seu cérebro até ele encolher!
— Só estava tentando ser gentil... Vossa senhorita!
— Pare de me chamar assim... Quem é você? Que lugar é este? – Kate ainda estava nervosa, com fome e podia sentir a energia de pura magia naquele lugar, uma magia mútua; tanto de luz quanto das sombras.
— Desculpe-me, sou Jamie. – Respondeu e sorriu. – Vim buscá-la, mas pelo o que eu vejo conseguiu sair sozinha... Agora, espero que se comporte, os anciões não gostam muito de desordens... – Resmungou.
— Jamie... Então... Como eu faço para sair daqui? – Perguntei.
— Não vai... Vou leva-la para os anciões e sua... Família.
— Família? Eu... Não tenho família aqui, devem ter se enganado! – Falou sentindo seu coração bater mais forte e suas mãos soarem.
— Não mesmo, Katherine Lockwood. Você é a descendente de Amara LockWood... Que morreu há mais de 200 anos, filha de Sebastian Lockwood e Kesiah Hemsey. – Ela sentiu um arrepio em sua pele.
— Não... Minha mãe se chamava Esther Lockwood, você errou nessa parte. Quem você pensa que é pra pesquisar sobre a minha vida? – Recrutou com raiva.
— Sou aquele que vai te levar para as respostas. – Sorriu e saiu andando sem dar ouvidos para a moça.
— Vai me deixar aqui? – Falou com indignação.
— Mais uma fresca pra aturar. – Resmungou. – Você tem pernas, é só me seguir!
— Não sou fresca, eu quero sair daqui... Eu quero ir embora, ninguém pode me prender! Eu quero ir embora!
— Então, está fazendo o que aí parada? Vai me seguir ou não? – Falou com deboche.
Kate começou a andar sem falar mais nada, estava se sentindo indignada com tudo. Ele nem sequer olhou para trás. Ele era um homem bonito, usava apenas uma calça comprida, deixando seus ombros largos de fora, seu corpo era malhado combinando com sua natureza, seus cabelos eram lisos e iam até a altura de suas orelhas, moreno de olhos castanhos claros.
Kate apenas abaixou a cabeça se sentindo envergonhada por reparar tanto em um estranho, porém, também pensava em Matt, comparava Matt como o lindo e gostoso estranho à sua frente. Ela colocou uma mecha de seus cabelos para trás de sua orelha e sorriu ao se lembrar de Matt, e de como era seu cheiro. Ela estava cheia de saudades de seu vampiro, de seu dono, por assim dizer.
— Estamos quase chegando! – Avisou Jamie cortando os pensamentos de Kate, que ficou calada.
Eles andaram até chegar a uma entrada que dava para uma cidade. As ruas eram feitas de pedras, eram estreitas, com casas antigas que no começo eram pequenas e conforme iam andando pelas ruas iam ficando maiores. Kate olhava tudo encantada, havia crianças correndo pelas ruas, brincando, algumas até usando magia, levantando pedrinhas e sorrindo para os colegas.
— Lindo lugar, não? – Falou Jamie com certo orgulho na voz. – Há muitos anos, nós não tínhamos nem uma casa para se morar, mas depois com muitas perdas conseguimos nos reerguer e construir tudo isso. – Sorriu.
— Onde estamos exatamente? Usar magia é proibido, não é?
— Não aqui... Em nossa casa. Você é livre... – Kate se sentiu fisgada por aquele lugar. Tudo o que ela queria era liberdade, e ali ela até poderia conseguir.
— Essa cidade foi fundada há 180 anos, depois que Amara morreu. Não foi fácil, todos admitimos isso. Mas conseguimos um lugar 70% seguro, valeu a pena. – Se expressou.
— Como assim... Que tipo de esforço e onde estamos exatamente? – Perguntei.
— Usamos a magia e todo ser vivo contribuiu... Cada parte da cidade é o equivalente de raças. Aqui temos vários tipos de sociedades e classes. Temos a classe dos anciões, que são os protetores de todos. Temos as bruxas mais poderosas que os ajudam. – Falou apontando para mim. – Temos a segunda classe, que são os servos e isso quer dizer que todos que foram criados pelas bruxas... Como eu, servem a cidade, como guardas, protetores e somos muito valorizados. Por último e não deixando de serem importantes, temos os humanos, aqueles que escolheram viver aqui. Porém eles nos servem, tanto aos servos quanto aos bruxos. Muitos estão aqui porque se casou com um sobrenatural ou porque escolheram viver para servir a nós.
— Você está dizendo que os humanos são escravos de sangue? Vocês são cruéis... Assim como esses bruxos foram com todos esses servos.
— Não diga o que não sabe, gracinha! – Sorriu perversamente. – Eles estão aqui para nos servir, assim como devem a você a vida. Não somos cruéis, apenas mandamos e cuidamos daquilo que é da gente. – Se exaltou.
— Você disse sobre liberdade, sobre como lutaram para viver em paz... Mas o principal vocês não fizeram... Essas pessoas merecem viver sem tanto sofrimento... Elas merecem ir embora... Não podem ser escravas! – Ela se exaltou. Lembrando-se como era acordar no meio da noite, lembrando-se que o rei logo iria escolher suas prometidas. Se lembrou de Emma e de quando soube que ela era uma prometida.
— Quando você era a dos reis, não reclamou! – Falou. – Você é tão hipócrita quanto essas pessoas que são seduzidas pelo nosso mundo... Você não sabe de nada.
— Você não teve escolha, aposto nisso... Você está aqui agora... Mas tenho a certeza que deve querer voltar no passado e conviver com sua família, ninguém gosta tanto da eternidade. – Disse Kate.
Ele gargalhou e olhou pra ela.
— É ai que você se engana, eu gosto do que sou... Gosto de libertar o mal dentro de mim... Uma coisa que você não sabe, Lockwood... Somos o que somos porque temos o desejo de sangue por dentro. Sou um lobo porque eu tenho a besta dentro de mim... Seu reizinho é Vampiro porque ele é um monstro por dentro, Matt é frio e é isso que tem dentro dele. Todos somos monstros, todo temos nossas marcas para deixar no mundo, não me diga do que eu gosto ou não, você não sabe nada sobre mim ou sobre eles. – Falou deixando-a sozinha olhando pro nada na rua.
Katherine continuou o seguindo pelas ruas e ficou pensando nas palavras dele... Ela não entendia, como alguém poderia apoiar tanta desgraça e sofrimento... Ela constatou então que ele não queria ser salvo, como Matt precisava ser. Ela sentiu as lágrimas descerem pelo seu rosto, porém, sumiram tão rápidas como surgiram.
O que fosse que acontecesse dali pela frente, ela sabia que o mundo estava em suas mãos e estava disposta a salvar aqueles que queriam ser resgatados. Havia mais deles ali, muitos sofreram como Matt e Seth. Ela sentia raiva pelo o que fizeram a eles... Como este Jamie poderia aceitar tudo isso?
Eles andaram até chegarem à uma grande mansão, era isso o que aquela casa era, uma mansão pintada de marfim. Era tão antiga e majestosa quanto um castelo. Rodeada de magia de ambos os lados, negra e luz.
Kate sentiu seu coração disparar enquanto entravam no lugar, parando em uma grande sala.
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