A prometida das sombras
16 Capítulo 16
Notas iniciais
300 anos antes.
De passos lentos, pelos corredores daquela grande casa, Amara seguia pensativa.
Era um misto de sentimentos e pensamentos.
Parando em frente ao quarto de Seth, ela recua e pensa se deve ou não bater. Ela queria. Ela queria mais que tudo. Ela queria bater. Mas em sua mente vinha seu pai e seu irmão. Eles não gostariam, todavia, ela nunca foi e nunca seria correta.
Faltava pouco para seu casamento com Matt. Ela não queria aquele casamento, não queria um homem renegado como ele dividindo uma cama, muito menos um quarto fechado. Ela o odiava, sentia um misto de asco e algo mais. Ela queria Seth. Não o amava, não, não era isso. Era somente o desejo de algo proibido e exalava um ar... Era algo que ela gostava. Ela tinha dois coelhos em uma cajadada só. Era simplesmente algo que ela gostava.
Amara abriu um sorriso, se sentindo a Alice no pais das maravilhas, entrando naquele buraco, em um mundo desconhecido e ao mesmo tempo fantástico. Pura ilusão.
Ainda sorrindo, deu três batidas na porta.
Ela escutou passos vindo até a porta. O que ela via à sua frente a agradava muito. Ele vestia apenas uma calça e uma blusa branca larga, aberta no peito, deixando seus ombros e uma parte do peito, quase desnudos.
Seth olha para Amara de cima a baixo. Olhava para o tecido fino colocado no corpo da moça. Era pura luxuria naquele momento.
— O que veio fazer aqui? – Disse baixo, porém nervoso de um jeito meio atrapalhado.
— Não sei... Eu só... Não consigo dormir, não consigo tirar você da minha cabeça. Eu o desejo, Seth. – Disse ficando cada vez mais próxima à ele. Ela sabia que estava fazendo o efeito desejado.
Bem próxima à ele, como se fosse o beijar, entre o quarto e o corredor, ela olha para os profundos olhos de Seth.
— Não vai me convidar para entrar?
— Não podemos. Não podemos... Você não entende? – Disse chegando centímetros para trás.
— Podemos, meu doce Seth... Podemos tudo o que quisermos. É só me deixar entrar.
— Por favor... – Suplicou.
Amara chegou próximo à ele, dando um abraço no rapaz. Ela beijou o ombro quase nu dele o apertando contra seu corpo, querendo nunca mais o soltar.
— Não... – Ele a repreende, tirando as mãos da moça de seu corpo.
Ele não queria trair seu irmão, mas ele a desejava, ele estava querendo a agarrar ali, levando-a para sua cama. Ele não conseguia dormir e quando ela bateu em sua porta, ele ficou surpreso por tal ato e coragem. Se ela fosse descoberta, levaria uma surra de seus pais e seria julgada diante de todos da vila por tal traição à família.
— Não posso condena-la de tal maneira. Não entende?
— Você não me acha bonita, Seth? Não acha que sou boa o bastante para estar aqui?
— Não, Amara. Se formos pegos, não terão pena de você. Não entende?
— Já entendi, Seth. Estou indo, não irei incomoda-lo mais, nunca mais.
Amara sentia um aperto no peito, era como se estivesse traindo à si mesma, enganando seus próprios pensamentos. Ela sentia raiva de si mesma. Ela queria gritar, chorar e já podia sentir seus poderes gritar dentro de si. Por fora esta como toda garota deveria ser, mas por dentro gritava. Ela não mostrava seus sentimentos, estava agindo friamente. Ela virou-se de costas, olhando para a escuridão do extenso corredor.
As velas do quarto de Seth ascenderam-se sozinhas, fazendo-o se assustar e se afastar mais de Amara.
Ela sentiu medo por alguns instantes. Ao virar novamente para ele e constatar o que havia feito. Ela se sentiu acuada, como se fosse ser acusada de bruxaria a qualquer instante. Então várias coisas passaram em sua mente. Tais como ele a acusar de bruxaria, de enfeitiça-lo, entre várias outras coisas.
— Você viu isso? – Perguntou olhando para as velas.
Ela não sabia o que dizer, segurou com firmeza em seu vestido encolhendo os ombros e negando com a cabeça.
— As velas... Elas...
— Não aconteceu nada Seth... Não aconteceu nada... – Tentou dizer olhando para as chamas que havia feito.
— Sim, as velas acenderam... Você viu, não estou alucinando.
— Seth...
— Não minta pra mim, Amara... Você viu o que aconteceu...
Seth não sabia o que dizer, não entendia o que aconteceu ali, era inacreditável. Ele não poderia estar maluco. Ele viu as velas se acenderem.
Amara ficou calada. Ela tinha vontade de sumir e ao mesmo tempo de gritar aos quatro ventos o que era. Mas não poderia fazer aquilo.
— Bruxa! Você é uma bruxa. – Ambos pularam de suto, tanto Seth quanto Amara não esperavam ver Matt ali.
— O que está a dizer, irmão?
— Ela é uma bruxa... Ela está o seduzindo. Você não está vendo que ela serve ao diabo?
Amara sentiu vontade de queima-lo vivo por dizer tais palavras.
— Ela está a amaldiçoar e a sujar o nome desta família Seth, se afaste dela e vá chamar papai... Temos que matar esse... – A olhou com desdém. – Esse monumento sujo do inferno.
Seth olhava para o irmão com espanto, pelo jeito do qual agia.
— Não diga besteiras dela, irmão. Ela não é uma bruxa. Bruxas não existem, não seja tão besta quanto o povo da vila em acreditar em tal falatório.
— Não seja cego irmão. – Suplicou Matt. – Não a deixe enganar desta maneira... Ela quer destruir tudo o que temos. Por favor, acredite em mim... Eu vi o que ela fez. Eu vi os olhos dela. Eu vi as velas acenderem.
Seth cerrou os punhos olhando para o irmão que parecia alucinar.
— Não diga mais nada, volte para seu quarto, amanhã ao acordar, irá perceber que bebeu demais como sempre. Cresça, irmão. – Disse sério para Matt, virou de costas entrando em seu quarto.
Sem perceber a movimentação de Matt em direção à Amara, continuou andando para dentro. Amara vendo Matt se aproximar tentou correr para junto de Seth. Matt corra em sua direção olhando-a como um assassino. Ele queria matar Amara, estrangula-la com suas próprias mãos.
— Sua vadia... Você vai queimar, nem que eu tenha que faze-la cavar sua própria cova.
Matt segurava no braço de Amara fortemente. Amara por sua vez, queria usar seus poderes, mas não poderia usar para ferir humanos... Era contra as regras. Mas ela queria ver ele queimar. Queria ver ele sofrer como nunca em sua vida.
— Pare... Está me machucando.
Seth correu até seu irmão segurando o braço do mesmo, tentando solta-lo de Amara. Ambos pareciam absorvidos pelo ódio e o mesmo desejo de se destruírem.
Ele viu lágrimas nos olhos de Amara, como se ela se contivesse a algo.
— Solte-a, Matt... Está louco, solte-a.
Matt empurrava Seth, querendo se ver livre para matar a mulher à sua frente.
— Me deixa, Seth... Você está cego... Ela está o cegando. Você quer comer esta puta, quer provar desta carne podre? Ficaria mais satisfeito com as mulheres do beco. Essa rameira de quinta não tem nada de inocente, Seth. É toda arrebentada, tanto na alma como no corpo.
Matt soava como um bêbado para Seth. Sem entender, puxou o irmão com força da moça e deu-lhe um soco no rosto. Seth e Matt iniciaram uma briga, como se fossem se matar a qualquer instante.
— Você não ver que essa bruxa quer isso? Ela quer nos ver um contra o outro. Ela quer arrancar cada coisa importante que temos nessa família irmão. – Segurou Seth pelos punhos falando e olhando para os olhos dele.
— Não, você está bêbado, sinto o cheiro de sua bebida. Deixe-a em paz, irmão. Não pode acusa-la desta maneira. Ela pode morrer por tal calunia.
Matt soltou o irmão se afastando. Ela percebia que naquela luta, estava tudo perdido. Ele saia como o mentiroso. Não era uma luta ganha. Ela sentia, aquele ainda não era o seu momento.
— Ela... – Apontou para Amara olhando tudo assustada, encolhida com as mãos tampando a boca. – Vai ser nossa destruição, meu caro. Não diga que não lhe avisei. Ela vai destruir você por ser tão cego. Minha hora de provar tudo isso vai chegar, e quando chegar, irei matar os dois.
Matt saiu do local sem olhar para trás, saindo da casa e indo direto para a taberna, não muito longe dali.
Seth se virou para Amara que o olhava com medo de tudo o que causou.
— Você está bem? – Perguntou para Amara.
— Sim, e você? Está tudo bem... Ele te machucou? – Amara ainda chorava nervosa sentindo seus poderes agirem em seu corpo aos poucos. Seu lado sombrio queria explodir e o seu lado da luz queria combater tal mal. Ela sentia-se cansada, sentia-se com vontade de desmaiar e nunca mais acordar.
— Estou bem. – Disse por fim cheio de raiva e tocando nos lábios cortados pelos socos.
— Deixe-me ajuda-lo com isso. – Tentou sorrir, mas ao invés disso conseguiu fazer uma careta. – Só ai vai ficar tudo bem.
Seth nada disse, se sentou na cama e viu Amara pegar um pedaço de pano e água, começando a limpar os ferimentos do mesmo.
— Seth...
— Shh... Não precisa dizer nada. – Disse olhando para ela tocando nas mãos da moça. Seth pegou a mão vazia repousada em seu rosto e o moveu sentindo a pele quente e macia das mãos de Amara de olhos fechados.
Amara via o homem à sua frente ferido por sua causa. Por suas vontades egoístas e se sentiu culpada. Ela queria cura-lo. Mas temia a reação do mesmo. Mas ela tinha uma ideia. Ela usaria seus poderes para o que desse e viesse. Era valiosa demais para o mundo oculto e não morreria por se mostrar a um humano. Quem afinal iria acreditar em um pobre fazendeiro, sendo que ela era rica e tinha mais aliados do que poderia imaginar?
— Seth... Tenho algo para te contar.
— Não precisa me dizer nada... Acredito em você. Sei que não é uma bruxa e iremos descobrir o que aconteceu.
— Não... Eu sou. – Disse sem afastar as mãos de Seth das suas e sem olhar nos olhos dele. – Eu sou uma bruxa, Seth.
Amara sentiu lágrimas em seus olhos.
Seth sorriu achando que ela acabara de contar-lhe uma piada.
— Não existe, meu bem... Bruxas não existem. – Disse se afastando dela.
— Existem, Seth. Elas existem há mais tempo do que posso contar. Viveram escondidas pelas florestas e por todo um povoado. Minhas irmãs foram queimadas vivas, torturadas e sujeitas a tais tratamento por décadas sem que possamos ajuda-las. Eu posso tirar a dor de você, meu Seth.
Amara segurou na mão dele. Seth a olhava abobado com tudo o que ela dizia. Amara fechou os olhos abaixando à frente dele beijando a mão do homem sentindo seus poderes agindo. Ela estava o curando para provar o que realmente era.
Seth sentia o formigamento em seus lábios e em seu rosto. Ele ficou parado, olhando para a mulher que tanto lhe atraia.
Ela abriu os olhos chorando encarando os dele.
— Eu sou uma bruxa, Seth.
Seth não sentia seus lábios arderem. Não sentia mais as dores em seu corpo.
— Mais o que.... – Soava mais como uma divagação.
Ele tocava seus lábios não sentindo mais nada além do sangue que ainda residia ali.
— Você...
— Sim, Seth. Matt estava certo. – Limpou as lágrimas.
— Você... É uma bruxa. O que quer em minha casa... O que fez comigo?
— Por favor, não haja assim comigo. Não me trate com tal frieza... Estou a revelar o que sou, porque sinto que tenho que o fazer. Mas não me trate assim.
— Como devo lhe tratar... Bruxa.
— Por favor... Eu não vou lhe fazer mal, Seth.
— Como posso acreditar em você.... Olha o que eu fiz por você. Fiquei contra ao meu irmão por você e ainda acha que tenho que sorrir e abraça-la e fingir que o que aconteceu ali fora não me abalou? O que quer de mim? Quer uma noite? Duas talvez? Quer que seu seja seu amante?
— Não eu...
— Eu não sou a porra de uma diversão, Amara. Não sou um brinquedo do qual você brinca, larga e faz de fantoche. Não sou sua propriedade.
— Eu...
— Não. Saia. Só saia.
— Eu pensei que... Talvez...
— Que me dizendo o que era eu iria te amar? Te idolatrar... Perdoar o que fez? Não. Olha... Você veio até aqui pra que?
— Eu só queria ficar com você, Seth. Eu gosto de você... Eu queria que fosse você no altar e não ele.
— Não. Você não pensa assim. Você não quer alguém pra amar, Amara. Você quer alguém pra controlar. Pra consertar e tentar ser o que não é.
Amara sentia que o que ele dizia era verdade. Ela sentia raiva de si mesma. Ela saiu correndo dali aos gritos, querendo arrancar cada fio de seus cabelos de tanto que os puxava. Ela se sentia traída por Seth e culpava Matt por tal atrocidade que foram-lhe ditas.
Ela gritava quase acordando os outros que ali dormiam.
Ela entrou em seu quarto batendo a porta e se jogando no chão em frente à um espelho.
— Dói não, é? Ser rejeitada duas vezes. – Disse seu irmão entrando no quarto
— Não... Saia... Não quero escutar você.
Ele se abaixou à frente de Amara e levantou o rosto molhado de sua irmão e lhe sorriu.
— Se vingue, minha irmã. Use todo o seu poder e se vingue. A vingança é um prato que se come frio.
— Não... Pare... Não vou ir pelo mesmo caminho que você.
— Não... Você vai sim. Um Lockwood, sempre escolhe as sombras, maninha. E você, não está longe disso também.
Me deixe.
— Ele vai te destruir. Você vai se destruir. Ele vai te fazer infeliz, ele vai ser feliz... Seu Seth está sendo tirado de você querida, irmã. Case-se com Matt e se vingue dele. Limpe o nome de nossa família e vingue-se dele como uma Lockwood de verdade.
— Não se meta em minha vida. Você não tem o direito. – Disse tirando a mão dele de seu rosto.
— Você sempre vai ser esse lixo humano, querida irmã. Sempre vai ser esse pedaço de gente... Insignificante.
Amara se prepara para dar um tapa no rosto dele, mas é impedida.
— Não... Não faça isso. Estou aqui para lhe ajudar, minha querida.
Ele se levantou e riu ao ver o estado em que ela se encontrava.
— Ele vai ser feliz. Vai ter uma vida plena e feliz... Ambos serão felizes. – Disse se referindo ao Matt e a Seth. – Enquanto você será sempre essa... Coisinha.
E saiu do quarto a deixando encarar a si mesma no espelho.
Seus braços tinham a marca das mãos de Matt. Seus olhos mantinha suas pupilas dilatadas pela raiva. Seus cabelos antes arrumados, agora, totalmente bagunçados. Amara queria gritar mais. Queria destruir tudo. Mas não o fez.
Ainda em frente ao espelho, via-se derrotada. Seus olhos tomavam a cor negra. Tão escuras quanto a escuridão reciproca de seu quarto.
Ela se levantou, cerrando os punhos sem tirar os olhos do espelho vendo-se.
— Você nunca será amado, Matt Hemecker. Nem que eu garanta pela a eternidade. Você irá sofrer como eu sofro. Nunca será feliz.
Ela sorriu sombriamente.
— NUNCA! – Gritou vendo o espelho rachar.
Fale com o autor