A procura da felicidade
3 A culpa é toda minha
Notas iniciais
Eu era o culpado de tudo...
Fiquei perplexo por um grande período de tempo e quando percebi olhei para o lado e vi Violetta com a cara enfiada nas mãos aos prantos. Eu não podia contar a ela, não agora pelo menos.
León: É... desculpe por te fazer contar essa história. Você tem que se vestir, vou preparar a comida. — fui frio, mas estava perplexo, agora mais uma razão para ajudar a menina, tinha algo em mim que me dizia isso do momento em que a atropelei. — Venho te chamar! — virei as costas e saí do quarto, fui em direção a cozinha e achei um pacote de macarrão, era só o que eu sabia fazer, então comecei a cozinhar. Ela não saía da minha cabeça.
León OFF/ Violetta ON
Eu contei toda a história a ele. Logo que terminei ele ficou perplexo, e eu já estava com a cara enfiada nas mãos chorando, era a primeira vez desde o acontecimento que contava aquilo a alguém. Depois de um tempo ele mandou eu me vestir e foi cozinhar, falou tudo em um tom frio, mas não dei muita importância. Fiz o que mandou, lavei o rosto mas continuei com os olhos vermelhos inchados de tanto chorar. A pergunta continuava martelando em minha cabeça. Porque ele estava me ajudando? Dó? Não creio. Ele disse que sentia que devia me ajudar, mas não sei o porque, e nem ele deve saber, pois parecia muito confuso quando eu perguntei. Desci as escadas e senti um aroma delicioso, meu estômago estava roncando. Da sala vi León cozinhando macarrão, ele parecia perdido em pensamentos, ficava balançando a cabeça para tentar esquecer algo.
Vilu: Está bem?
León: Não, quer dizer sim, estou. — sua testa pingava suor como se estivesse muito nervoso.
Vilu: Tem certeza? — olhei em seus olhos, parecia que ele estava lutando para não dizer algo. — Pode se abrir comigo!- me aproximei dele e acariciei seus cabelos para transmitir confiança. Ele pareceu criar coragem.
León: Violetta, a culpa é toda minha.
Vilu: Culpado do que León? Do que está falando?
León: Culpado de você estar na rua! Da morte dos seus pais! ( contou toda a história do que aconteceu...).
Paralisei. Definitivamente não esperava por aquilo. Não sabia que reação tomar. Vi ele libertar lágrimas de seus olhos que estavam marejados, assim como os meus. Pensamentos e pensamentos percorriam minha cabeça, saí da casa sem pronunciar uma palavra. Caminhava sem rumo, eu não estava brava com ele por incrível que pareça. Ele não era culpado. Tinha sido honesto comigo e cuidado de mim como ninguém nunca fez desde a morte de meus pais. Ouvi passos vindos em minha direção, me viro e vejo León correndo atrás de mim.
León: Vilu por favor espere! — Parei de caminhar e o esperei chegar até mim, o mesmo começou a falar. — Me perdoe, eu sei que nada que eu diga vai trazer seus pais de volta, eu sei que por minha culpa você não pode mais vê-los, mas tem algo que eu preciso te dizer antes que não tenha mais chance. Desde o momento em que eu te vi eu senti algo por você, algo que eu achei ser vontade de te ajudar, mas que percebi que não era. No momento em que você saiu por aquela porta eu senti meu mundo desabar com a possibilidade de te perder. Eu sei que eu não sei quase nada sobre você, mas eu sei de uma coisa. Não posso te deixar ir.
Eu não conseguia dizer nada, apenas o abracei. E ele retribuiu entendendo minha resposta. Eu não o deixaria tão cedo. Para mim ele não era o culpado daquilo e mesmo se fosse, ir embora não traria meus pais de volta, apenas traria minha infelicidade. Quando ele me soltou vi um largo sorriso em seu rosto. Nossos olhares se cruzaram. Fomos andando de mãos dadas de volta até sua casa, nessa hora nem me importava mais a minha perna dolorida.
Chegando na casa sentimos um cheiro de queimado. León bateu na testa com a mão.
León: Droga, esqueci de tirar o macarrão do forno antes de sair. Espero que você goste de macarrão preto... — ri com a situação, ele jogou fora o macarrão. Pegou pão francês e uns frios para comermos.
Assim fizemos, depois de um tempo eu estava saciada. Eu não estava com muito sono então fomos ver um filme de terror que estava passando. Toda vez que passava uma cena de medo eu escondia minha cabeça no peito de León e o mesmo afagava meus cabelos. Apoiei minha cabeça em seu ombro e adormeci.
Acordei na cama de hóspedes e lembrei de tudo que tinha ocorrido ontem. Eu sabia de uma coisa...
Violetta OFF/ León ON
Vimos um filme de terror e ela ficou com tanto medo que quase o tempo todo ficou escondendo a cabeça no meu peito enquanto eu afagava seus cabelos. Depois ela adormeceu em meu ombro e a levei no colo até seu quarto. Deitei na minha cama e adormeci.
Acordei com a luz da janela adentrando o quarto e fiquei pensando no dia anterior. Sabia de uma coisa...
(pensamento Vilu e León): eu estava perdidamente apaixonado(a).
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