A princesa e o plebeu (FF reescrita)

1 Entre muitas coisas ruins, uma é boa


- Todos os personagens de Captain Tsubasa, tá na cara que não me pertencem, e sim ao seu autor Yoichi Takahashi. Pois se fosse meu, com certeza, haveria muito mais romance do que futebol. Mas o Wakabayashi é meu!!!

Capítulo 1: Entre muitas coisas ruins, uma é boa

Quando Emma pediu para o taxista deixá-la algumas ruas antes do seu destino, queria ganhar tempo. Suas mãos tremiam e o suor escorria pelas costas.

Ela pôs as mãos no rosto e respirou fundo algumas vezes antes de seguir caminho. Destravou sua mala de rodinhas, ajeitou a mochila e começou a andar, um passo de cada vez. Seu olhar vagava ao redor, absorvendo cada detalhe. Manchester parecia uma cidade diferente da que havia deixado quatro anos atrás.

Mas não aquele bairro. Não aquela rua. Algumas coisas tinham mudado, mas o cheiro familiar ainda carregava a nostalgia.

Diferente da manhã em que partiu anos atrás, o dia estava lindo. O céu azul e o calor suave faziam jus a um típico dia de verão. Como era época de férias, as ruas e parques estavam cheios de crianças com seus pais, aproveitando o dia. Emma abaixou a cabeça e apressou o passo.

Seus olhos, antes brilhantes de empolgação com a ideia de voltar, agora refletiam dúvida.

Mas nada disso importava mais. Ela estava de volta.

Emma Grant estava de volta.

Ela não sabia como sua mãe a receberia. Não sabia como seu irmão reagiria depois de tanto tempo sem vê-la. Desde que o pai pedira que voltasse para Manchester, essas perguntas pairavam em sua mente.

Ela sentia uma saudade absurda da mãe e do irmão, mas ainda não tinha coragem de encará-los.

Uma semana atrás, o pai pediu que pausasse o último semestre de Direito e fosse para Manchester com urgência ajudar sua mãe. Sem tempo para pensar, Emma apenas obedeceu. Foi só quando o avião decolou que percebeu o peso da decisão.

Agora, parada em frente a um prédio de luxo, sabia que era tarde demais para voltar atrás.

Tentou dar um passo à frente, mas seus pés pareciam presos ao chão. O ataque de pânico veio rápido, como o que teve dentro do avião quando pousaram. O ar ficou escasso, a vertigem reapareceu. Mas ali, não havia aeromoça para ajudá-la. Estava sozinha. Precisava reagir.

Respirou fundo e traçou um plano: correr para dentro do prédio e torcer para que o Mister Simon ainda fosse o porteiro.

Antes que pudesse se mexer, um carro preto parou ao seu lado.

Emma olhou, confusa, e viu a janela se abaixar. Dentro, um homem moreno e jovem, de olhos escuros e traços orientais, olhou para ela.

— Com licença, poderia me dar uma informação?

Ela piscou algumas vezes, tentando afastar os devaneios. O homem falava inglês com sotaque. Logo percebeu que ele era estrangeiro, não só pelo jeito de falar, mas pela fisionomia.

— Acho que ela não entendeu, senhor Hyuga. — disse um rapaz da mesma idade. Ele sorriu para Emma e inclinou-se na sua direção. — Senhorita, estamos procurando um lugar chamado A.I.O. Trading Company? Onde fica o CT do Manchester United? O GPS quebrou e estamos perdidos.

— Ah, claro. — Ela esfregou os olhos e forçou um sorriso. — Vocês querem chegar a Carrington.

Enquanto explicava o caminho, gesticulando, o homem no banco do carona começou a prestar atenção nela.

Hyuga tirou os óculos escuros.

Ela era indiscutivelmente bonita, pensou ele.

— Acredito que esse seja o caminho mais fácil. Espero ter ajudado. — Emma sorriu docemente. — A propósito, meu nome é Emma.

Kojiro demorou para processar o que ela disse. A voz dela soava agradável. E aquele sorriso...

— Prazer, Emma. Meu nome é Mike e ele é…

— Kojiro Hyuga.

Emma olhou para o homem que agora estava sem óculos. Ele era bonito. Muito bonito.

Por um momento, ela sentiu o corpo aquecer.

— Bem-vindo a Manchester, Kojiro.

Rick acenou e seguiu com o carro. Emma observou o veículo desaparecer ao longe.

— Meu Deus. Que gato.

Ela mordeu o lábio inferior e sorriu de canto. Sentia-se mais leve.

Olhou para a portaria do prédio e decidiu acabar logo com aquilo.

— A senhora Larsson da cobertura está? — perguntou Emma à recepcionista.

— Um minuto, por favor. Vou verificar. Poderia me dizer seu nome?

Emma respirou fundo.

— Emma. A filha dela.

A recepcionista a encarou, boquiaberta. Definitivamente já tinha ouvido falar dela. Discou rapidamente o número do apartamento.

O silêncio tomou conta do ambiente.

— Ela a aguarda em seu apartamento.

O tom tenso da recepcionista fez Emma sentir um arrepio.

Agradeceu e pegou o elevador. No espelho, ajeitou a roupa e o cabelo, tentando decidir o que diria à mãe.

Quando as portas se abriram, deu uma última olhada para si mesma. Estava nervosa.

Andou até a porta do apartamento, respirou fundo e levantou a mão para tocar a campainha. Mas antes que pudesse tocar, a porta se abriu.

Uma mulher de cabelos castanhos, com um olhar severo, apareceu diante dela.

— Eu não acredito que você voltou mesmo.

A voz dela era fria e seca. Os olhos, severos. Emma soube, naquele instante, que tudo aquilo era culpa dela.

— Mãe, eu também não esperava por isso, mas meu pai...

— Eu sei que foi seu pai que pediu. — Elena a interrompeu. Sua expressão dura indicava que a qualquer momento poderia explodir. — Entre.

Ela abriu passagem.

— Eu sinto muito, mãe.

Emma manteve a cabeça baixa, consumida pela culpa.

Elena mordeu os lábios.

— Entre logo. Precisamos conversar.

Continua...