A princesa e o plebeu (FF reescrita)
10 Capítulo 10: À Primeira Vista, Tudo Certo
A primeira rodada da Premier League havia terminado. O Manchester United venceu o primeiro jogo com um gol de Cruyfford e outro de pênalti cobrado por Fernandes. A vitória por 2x0 em casa, contra o Fulham, deu o tom perfeito para o início da temporada.
Hyuga entrou no intervalo e fez um bom jogo. Deu passes precisos, criou jogadas e quase marcou. O gol chegou a sair, mas o impedimento foi marcado. Ainda assim, o técnico Jorge Almeida o parabenizou pelo desempenho no segundo tempo.
Os jogadores estavam em êxtase no vestiário. Começar o campeonato vencendo trazia uma energia diferente ao grupo.
No caminho para a saída do vestiário, Kojiro recebeu uma mensagem.
"Vi o jogo e você estava ótimo. Foi por pouco. Mas no próximo tenho certeza que você vai marcar o seu gol."
Kojiro sorriu, mas o gesto foi breve. Ele sabia que deveria se sentir feliz. Maki sempre o apoiava, sempre estava ali. Mas uma pontada incômoda apertava seu peito, porque, naquele momento, não era nela que ele estava pensando.
Assim que saiu do vestiário, já na virada para o corredor, avistou Cruyfford em um canto. Ele estava conversando com alguém. Emma.
Ela sorria, animada, gesticulando bastante enquanto falava. Brian a ouvia, apoiado contra a parede, os braços cruzados. Os dois estavam tão próximos que pareciam que iam se beijar a qualquer momento.
Emma percebeu Kojiro passando e acenou para ele. O sorriso dela permaneceu, mas Brian, ao seu lado, apenas forçou um sorriso discreto.
— Você jogou muito bem. Foi uma pena aquele impedimento.
Kojiro assentiu.
— Obrigado.
Eles não tinham se falado muito depois da festa de Antony. No fim daquela noite, Kojiro percebeu que Brian estava diferente.
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Na segunda-feira, a intensidade voltou. O treinador não deu descanso, já que o primeiro jogo foi no sábado e tiveram o domingo para isso.
Cruyfford chegou cedo e estava na academia, levantando peso com um foco feroz. Seu semblante carregava uma expressão de raiva silenciosa.
Kojiro seguiu sua rotina: aquecimento, treino físico e uma reunião com o auxiliar técnico. No caminho de volta, cruzou com Emma saindo com sua mãe e ela definitivamente estava bem.
Quando ela o viu, pegou o celular de maneira rápida e apontou do celular para Kojiro como se dissesse algo sem palavras.
Minutos depois, já no seu carro, Kojiro recebeu a mensagem.
"Não deu tempo de conversar direito com você depois do jogo."
Kojiro deu um sorriso de canto.
"Poderia ter conversado no domingo."
"Queria, mas com tudo que aconteceu, as pesquisas do meu TCC ficaram atrasados. Fiquei tão focada que esqueci do resto."
Logo depois, outra mensagem chegou.
"Tive até ajuda."
E, em seguida, uma foto apareceu na tela. Era Tiger, seu gato, deitado ao lado do computador e de uma pilha de anotações.
Kojiro riu.
"Então é assim que você estuda?"
"O nome dele é Tiger. Mas antes que você se ache, foi meu irmão quem escolheu, há muitos anos atras.” E logo após, outra: “Essa foi quando eu o encontrei no lixo, ainda filhote."
Kojiro se recostou no banco do carro, olhando a foto do pequeno animal cinza, que não sabia se era a sua cor original ou sujeira.
"Então ele se deu bem. Arranjou uma dona linda e que o mima."
Emma parou. Seus dedos ficaram imóveis sobre a tela, e um calor começou a percorrer seu corpo.
Desde aquela festa de Antony, pensar em Kojiro despertava algo nela. Um incômodo, um calor interno, algo que não queria admitir para si mesma.
Quando Brian a chamou para sair no sábado, após o jogo Emma recusou, alegando cansaço. Mas a verdade era que seu pensamento estava longe dali. Ela estava começando a querer outra coisa.
No caminho para voltar ao escritório, Elena pediu para que fosse para casa. Ela não era mais necessária, mas ainda assim tentou argumentar.
— Eu posso continuar o expediente normal, mãe. Já estou bem.
Elena nem ergueu os olhos do celular.
— Hoje já foi o suficiente.
— Mas eu...
— Emma — Elena parou diante da filha, bloqueando a entrada. O tom firme, sem espaço para discussão. — Vá para casa.
Emma sentiu a frustração crescer, mas conteve a resposta. Havia algo errado.
- Eu preciso pegar minhas coisas.
- Não precisa.
Elena chamou a assistente que foi até ela e lhe entregou sua agenda, junto com sua pasta. Depois fez um sinal para o segurança, que já estava próximo e ordenou que a levasse para a casa.
Emma abriu a boca para insistir, mas hesitou. Sentia que estava pisando em um território perigoso. As coisas entre ela e a mãe haviam melhorado um pouco depois do dia do restaurante e forçar a barra poderia estragar tudo. Respirou fundo e se conteve.
— Tudo bem. – Pegou suas coisas e foi em direção à saída acompanhada pelo segurança.
Foi só no carro, percebeu que tinha esquecido o computador. Revirou os olhos, irritada.
— Preciso voltar.
O segurança hesitou.
— Tenho ordens para levá-la para casa.
— Vou pegar meu laptop e volto em dois minutos. — Emma abriu a porta antes que ele protestasse.
Assim que entrou na sala, Elena endureceu na mesma hora.
— O que você está fazendo aqui?
Emma estranhou a recepção.
— Esqueci meu computador.
Foi quando percebeu as duas garotas na sala. Provavelmente as estagiárias que sua mãe mencionou anteriormente e que não estavam lá na parte da manhã. Uma delas sorriu timidamente e a outra, de óculos e olhou fixo.
Elena não havia notado o computador alí, se não teria feito questão de pedir a secretária que enviasse para sua casa, para não correr o risco de Emma voltar. Que foi o que aconteceu.
Enquanto andava pela sala, sentiu um olhar cravado nela. Se virou por reflexo e se deparou com uma das garotas a encarando fixamente. Alta, magra, de cabelos compridos e óculos.
Emma franziu a testa, um pouco confusa.
— Boa tarde. – apenas cumprimentou as garotas e seguiu para buscar o que precisava.
A outra menina de cabelo cacheado, um pouco gorda respondeu de volta prontamente, com um sorriso tímido. Mas a de óculos permaneceu calada por um instante. Vendo que não era reconhecida, respondeu:
— Olá, Emma.
O jeito que ela disse o nome dela fez um arrepio desconfortável subir pela sua espinha.
— Você não se lembra de mim?
Emma piscou, analisando-a.
— Deveria?
A garota sorriu, mas o tom de voz escondia algo mais profundo.
— Estudamos na Ashbourne Academy.
Emma buscou na memória, mas nada veio.
— Andávamos no mesmo grupo.
— Nós...?
Emma riu de deboche.
Quando olhou para Elena, a mãe estava olhando duramente e parou.
A menina de óculos apertou os lábios de raiva, mas em seguida forçou novamente o sorriso.
— Sim, Emma. Nós éramos amigas.
O jeito que ela enfatizou o nome dela fez Emma repensar, tentando buscar na memória.
— Eu não lembro de você. E, com certeza, nós não éramos amigas.
Elena, que antes estava irritada por sua ordem não ter sido obedecida, agora observava tentando assimilar algumas coisas.
— Como não lembra? Eu sempre estive por perto. Sempre com vocês. Anne, Mei. Nós gostávamos até do mesmo tipo de garoto. Mas tinha um em especial.
Jay.
— Você e o James estavam sempre juntos. Lembro que ele amava te filmar de todos os jeitos.
Elena deu um soco na mesa.
— Jessica, cala a boca.
Jessica sorriu para Emma que parecia ter tido um transe, após ouvir aquele nome.
— Ah, agora eu lembro. Você era a garota desesperada para ser nossa amiga. — Emma rebateu no mesmo tom. — Mas todo mundo te chamava de... Como era? Ah! Jessie, a estranha.
Jessica serrou os dentes.
— Até onde eu sei, você e as suas amiguinhas igualmente estranhas, estavam entre os nomes das pessoas que divulgaram...
— Os seus vídeos pornôs.
Elena se levantou e se pôs no meio da sala.
— Se você falar isso mais uma vez, você está fora. – Elena apontou o dedo indicador para a garota. Se virou para Emma e lhe entregou o laptop. – Nós conversamos em casa.
— Nunca provaram nada. – Jessica se defendeu.
— Você sabia? – Emma questionou a mãe. – Era por isso que você não queria que eu estivesse aqui?
— Eu não sabia que ela estava metida nisso.
— Elena, eu juro que não fiz isso. – Jessica pós a mão no peito tentando reforçar uma sinceridade.
— Que bela advogada você é, senhora Gibson.
Ela olhou para Emma com raiva depois daquele comentário. Elena se levantou furiosa.
— Jessica, vai para casa você também.
— O que? Você não pode...
— Quem decide sou eu. Você vai para casa e vou falar com o seu pai para decidir o que fazer.
— Quem é o pai dela? – Emma perguntou.
— Não te contaram, sua vadiazinha? A mamãe já deveria ter dito.
— Não sou sua mãe e não se refira a ela dessa forma. – falou Elena.
— Contar o quê? – Emma alternou o olhar entre as duas. – Me contar o que?
A garota de cabelo cacheado chegou a se assustar com o grito de Emma. A secretária abriu a porta.
Jessica sorriu, satisfeita.
— Que nós vamos ser irmãs, bobinha. Meu papai vai se casar com a sua mamãe.
Emma piscou. O olhar se moveu lentamente para a mãe e ela parecia paralisada.
- Era isso que você não queria que o meu irmão contasse?
Elena ficou sem saída.
— Eu ouvi as brigas. Ele nunca me disse nada.
Jessica cruzou os braços, se deliciando com o impacto de suas palavras.
— Meu pai é Dean McBride.
— Foda-se seu pai.
Jessica avançou em cima de Emma e começaram a se bater.
Elena tentou puxar as duas e Anabell, a outra estagiária, correu pedir ajuda a secretária, que entrou com o segurança de Emma.
A morena a jogou no chão, tentando arranhar seu rosto, mas Emma conseguiu se desvencilhar e ir para cima de Jessica.
Ela conseguiu desferir alguns socos, usando a sua raiva que estava reprimida até o segurança tirava de cima, a soltando assim que sua mãe a segurou, para prendendo Jessica com os braços.
Elena tentava a filha, que queria partir para cima.
— Sua vagabunda. – Jessica sentava colocar a mão no nariz para saber se havia sido quebrado, mas o segurança prendia suas mãos. – Me solta.
— Você não volta mais! – Elena gritou e Jessica começou a espernear. – E você. – Olhou para a filha. Vai para casa e cuida desses arranhões.
Emma, que até então não tinha reparado que tinha se machucado, começou a sentir o ardor no rosto.
— Leve ela, por favor? – Pediu ao motorista que soltou Jessica, que não fez mais nada, diante do olhar que Elena a deu.
— Nós temos muito que conversar.
Elena concordou. Emma pegou sua bolsa e seu computador de cima da mesa e deu um último olhar para Jessica que estava com o nariz vermelhos.
— Me espere em casa. – Elena pediu. – Vou sair mais cedo.
A secretária abriu a porta para que Emma e o segurança passassem.
— Aproveita e pergunta o que prometeram ao Brian Cruyfford para não cancelar o contrato para vinda dele.
A porta foi fechada imediatamente.
O segurança, segurou Emma, a impedindo de voltar.
— Não mais.
O que se ouviu foi a voz alta da sua mãe, furiosa, enquanto Emma era puxada.
Emma mal conseguia respirar quando entrou no carro. O nó na garganta parecia sufocá-la. Se não saísse dali, desmoronaria.
Não era para eu ter voltado.
A frase pulsava na sua mente, martelando sem parar.
Seu peito doía, como se algo o comprimisse por dentro. Os músculos estavam tensos, os dedos dormentes. Ela forçou uma respiração longa. Depois outra. Mas o ar parecia preso.
O carro parou em frente ao prédio. Emma saiu correndo, apertando os botões do elevador repetidamente, os olhos arregalados, a respiração curta e acelerada. As portas começaram a fechar. O chão sumiu.
As luzes do elevador pareciam mais fortes. O barulho do motor soava ensurdecedor.
"Você e o Jay eram tão próximos."
"Lembro que ele amava te filmar de todos os jeitos."
— Para. Para. Para. — A voz dela saiu baixa, trêmula, um sussurro desesperado.
Seu peito subia e descia de forma errática. As mãos formigavam. As pernas pareciam fracas. Então vieram os flashes.
Um quarto abafado.
O cheiro de cigarro e bebida.
Uma câmera sendo ligada.
E a lâmina fria entre os dedos dela.
Sangue.
— Para!
Emma arfou, o coração acelerava tanto que parecia que iria desmaiar.
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