A pequena demônio, novamente.
1 Quando os chifres nascem novamente.
A vida continuou praticamente a mesma após os eventos ocorridos no conselho mágico, nem mesmo Max e nem Gear haviam conseguido me explicar o que havia acontecido, a sensação horrível continuava e eu não conseguia entender o motivo e isso começou a se refletir negativamente. Papillon, após voltar para a Fairy Tail, me contou sobre as peculiaridades de Crisântemo, e então comecei a entender um pouco mais sobre o que me rodeava e pensar por mim mesma no que fazer, ainda assim, o treinamento com Papillon havia começado e eu não conseguia me concentrar de forma alguma, havia algo muito errado comigo e eu tinha certeza que tinha haver com as minhas memórias perdidas.
Não havia como conversar com Danny sobre aquilo, a ida do parque havia me mostrado aquilo, as preocupações que eu tinha não eram visíveis para ele, afinal nem mesmo eu sabia o motivo de estar daquele jeito, ele apenas falaria algumas palavras bonitas de encorajamento, assim como a maioria, mas havia alguém além de Danny com quem eu confiava e podia falar, Roxanna. Havia Ethel e Vangar também, mas Ethel nunca faria o que eu queria, ele não se abriria o suficiente, Vangar por outro lado está desaparecido faz muito tempo, então Roxanna era a garota que provavelmente iria ouvi-la e talvez a mais próxima de entender, ao ligar para a garota e pedir para encontra-la com uma voz que talvez transpassasse uma seriedade que não era costumeiro, logo estava em Cedar na casa dela, sentada em sua cama com a garota do lado.
— Roxy, vai parecer estranho, que eu, e fique bem claro que a ênfase no “eu” dessa frase tem muita importância. *Rio para a garota enquanto a olho e mantenho um sorriso.* — Desde que eu perdi a minha memória tentando invadir a sede do conselho mágico para participar da reunião dos mestres e tentar descobrir algum tipo de informação que estar por vir. *Digo rapidamente com outra risada porque a expressão que Roxy fez no rosto foi engraçado, um conjunto de “Sério que você fez isso” e “Por que você não me chamou para ir junto?”* — Encontrei com Marie depois, se ela soubesse que minha memória havia sido tirada por terem me descoberto na reunião, teriam me dito que o fizeram e me alertado. Gear também estava lá e eu vi na cara dele que ele estava tão confuso quanto eu, então não acredito que ele mexeu com minhas memórias. *Dou um suspiro e abro um sorriso.* Com isso eu só posso supor que quem tirou minhas memórias não foi alguém que esteja do nosso lado. *Termino a explicação do acontecido, mas a impeço de me interromper, porque isso não era o que preocupava mais, uma vez que a reunião nem chegou a acontecer.* — O que me preocupa... *Continuo tirando o dedo da boca da garota e dando uma risada.* — É que desde aquela vez, algo dentro de mim não anda certo, é uma sensação horrível de que a memória que apagaram ou as informações que lá continham eram de suma importância para mim, de tal forma que eu não consigo nem mesmo me concentrar no treinamento de Papillon.* — Não é que seja forte, eu consigo me divertir, rir, falar dos seus peitos, espalhar o caos como sempre fiz, porque eu simplesmente finjo não me importar, já no treinamento com Papillon minha mente teria que estar cem por cento focada no treinamento e infelizmente isso me incomoda ao ponto de atrapalhar. Não é como eu não conseguisse conviver com isso, dado o que eu passei, mas eu percebi que enquanto eu não me livrar disso, treinar com Papillon vai ser em vão e eu não vou chegar a lugar nenhum. *Termino enfim de explicar a garota o motivo do porquê veio. Então baixei a cabeça, porque as únicas vezes que tinha desabafado com alguém na vida fora com Vangar, e quando ainda era uma criança.*
— Você procurar Papillon pra treinar e não conseguir se concentrar é de fato algo estranho, Kijin. *Ela me disse olhando com uma expressão preocupada depois de assimilar tudo o que foi dito.* — Você me parece estar convencida de que não foi alguém do nosso lado que fez isso, mas aí temos... *Então ela fez um gesto erguendo o indicador.* — Primeiro. Você tem algum palpite de quem acha que foi? *Então ergueu dedo médio e o juntou ao primeiro.* — Segundo. Como alguém que não está do nosso lado poderia estar zanzando pelo Conselho assim? *Depois ergueu o outro, sinalizando o número 3.* — Terceiro. Se você está com essa sensação, por que não avisou à Marie? Uma maga de rank mais alto que o nosso, mestra de uma guilda e ainda por cima com a magia que ela tem não deveria ter pelo menos uma noção do que poderia ter causado isso?
— Eu avisei. *Digo a ela abrindo um sorriso.* — Ela disse que não sabia o que era e falou que talvez fosse o pós-efeito de acordar sem memória. O que na verdade faz sentido, mas ela de fato me pareceu despreocupada com o fato de dois magos estarem na frente do conselho e sem memória, talvez acha que foi um próprio membro do conselho mágico, o que também é uma possibilidade. *Dou uma risada para ela novamente e então levantando o dedo indicador.* — Não, não tenho a mínima ideia de quem possa ter sido, pensei em várias pessoas mas cada um mais improvável que o outro, e as únicas pessoas magas que eu conheço que mexem com a cabeça, são Max e Gear, já fui até Max e nada, Gear também não resolveu. *Digo abrindo um sorrisinho e subi o dedo médio, mostrando que agora responderia a segunda pergunta.* — Também não sei, alguém pode ter uma magia parecida com a de Gear de esconder sua presença, sei lá, fora que não é tão difícil, eles sendo um bando de inúteis. *Mudo o meu sorriso para um sádico e levantando o terceiro dedo, se referindo a terceira pergunta.* — Foi a primeira coisa que eu respondi. *Digo com outra risada para ela.* — E dando mais um argumento de que foi o inimigo... *Dou uma parada sorrindo.* — Se nos matassem, talvez fossem pegos e daria um trabalho maior para eles fugirem, tirar nossa memória não causa um alvoroço tão grande o que permite eles escaparem. E como não tenho memória deles, a única coisa que podemos fazer são suposições.
— Mmmm... E ouvindo assim, a parte final faz total sentido. Lembra do que aconteceu em Watergate? *Ela murmurou, provavelmente lembrando das informações que Max tinha passado sobre as bonecas de Roderich, mas não parecia saber também muito sobre elas pelo que pude ver de sua expressão*
Pelo que parece Roxy, também não pode ajudar, ela só fez as perguntas que eu já fazia para mim mesma, sem chegar em lugar nenhum e sem respostas e só perguntas, mas eu não a culpava, não era como se tivesse esperança que a garota iria mesmo resolver essa sensação ruim. Que por sinal ainda continuava ali, e não parecia cessar de nenhuma forma, então decidi que infelizmente iria para a minha última cartada, eu não pude deixar de sorrir ao imaginar a cena, antes de continuar.
— Como não lembrar? Só lá pode se dizer que eu matei Lestrad, Yato e Isaac. *Lembrando-me dos acontecidos e abrindo um sorriso, apesar de não gostar muito das memórias.* — Mas de qualquer jeito... *Começo dando um suspiro.* — Chegar a quem fez isso não vai resolver o meu problema. *Dou outra risada e me levanto.* — Vou ver se meu último trunfo de conseguir as respostas se dispõe a ajudar, afinal a sogra do Gear, deve estar muito interessada do que está acontecendo com Nashira não é? Ela meio que sabe, mas, parece que ela não tem como ficar stalkeando tanto assim para saber de tudo, talvez eu ainda consiga surpreende-la. *Dou uma risada e me espreguiço ao me levantar dando um suspiro incomodado e abrindo um sorriso.* — Nada como ir visitar alguém que me ameaçou de morte e me torturou um pouco. *Digo comicamente.* — Obrigada Roxy. *Sorrio para a garota me teleportando dali para o monte Hakobe, na caverna anterior, onde havia se encontrado com a Anciã, mãe de Nashira.*
— Ei! *Gritei dando uma risada.* — Eu sei que pode me ouvir! *Continuei gritando no local, fazendo um eco estarrecedor.* — Ei! *Abro um sorrisinho malvado.* — O que você acha sobre GESHIRA!? Sua filha e Gear! O que acha disso?! *Continuei exclamando na caverna, até que notei um brilho vindo de uma direção e aquela figura que havia mais de um ano que não via, surgiu de lá.*
— Eu já sei o que quer, não se dê o trabalho de explicar. A pergunta é, por que eu deveria ajudar você? Não há nada que você possa me dar ou fazer para que eu queira lhe ajudar. Você somente está viva por causa de Nashira, não se esqueça disso.
— Eu sei... eu sei... mas... *Abro um sorrisinho para ela, encarando aqueles olhos, lembrando da antiga ameaça de tortura e tendo certeza que ela falava a verdade.* — Quanto mais forte eu estiver, melhor poderei proteger Nashira, afinal com você aqui, uma membro da guilda como eu faria o serviço sem considerar um serviço. *Dou mais uma risada antes de continuar, afinal, proteger os membros é algo que gosto de fazer por mim mesma, o que é bastante irônico.* — Quanto mais forte eu estiver, mais minha voz será escutada ao defender o preconceito que ela pode vir sofrer no futuro. E eu sempre estarei em suas mãos de qualquer forma. *Digo apontando para o próprio peito, onde batia o coração* — Se eu for uma ameaça a Nashira, basta você terminar o serviço, ou me torturar assim como você disse até se satisfazer e eu morrer. *Digo displicentemente, como se fosse algo que eu já havia previsto e aceitado sem medo, mas não era bem isso, eu tinha certeza e confiança em mim mesma que nada poderia me abalar, minha lealdade, minha crença era mais forte que tudo e foi por isso que novamente sorri para a feiticeira.* — Eu serei a futura mestra da Sabertooth! Eu cuidarei de cada membro como se fossem meus filhos. *Dou outra risada para ela.*
— Sua irmã está morta. Foi essa a memória que foi tirada de você. *A anciã disse, sem parecer se importar com nada que eu havia dito e me olhando com um olhar de superioridade.* — Se é só isso que veio saber. *Ela disse com um olhar satisfeito ao ver o choque no meu rosto a medida que ele esbranquiçava.* — Me dê licença. *E como da outra vez, desapareceu em um brilho de luz, me deixando ali, de joelhos, com as mãos no chão, lágrimas caindo e branca de medo, foi um movimento rápido, meu cabelo foi puxado e a faca arrancou boa parte dele, a franja novamente se tingiu de vermelho e branco, a roupa novamente se tornando o vestido branco, vermelho, azul e preto e os chifres voltaram a cabeça pelo efeito do Magic Color.
— O mundo agora, está prestes a virar de cabeça para baixo ♪♫ O quanto mais você ganha, na verdade perde. ♪♫ Vamos lá... fazer o meu pior. ♪♫
*A melodia ecoou lentamente na caverna, eu conseguia ver a marca da guilda em minha coxa, e apesar de ter certeza que agora Saber estava sentindo tudo, não fui capaz de arranca-la, não era como se eu não estivesse lúcida, conseguia pensar, conseguia sorrir apesar de tudo, conseguia andar, conseguia gritar porque foi o que aconteceu logo depois, de joelhos com as mãos abertas e jogadas para cima, eu não havia ficado louca, estava ali sozinha, numa caverna gritando para ninguém, ou na verdade talvez para mim mesma, talvez para algum ser que parecia ter prazer em se vingar de todo o mal que fiz e agora estava colhendo, mas naquele momento, após os gritos que pareceram intermináveis eu estava lúcida, não era meu eu normal, mas ainda assim ainda era eu mesma, um outro sorriso se formou em meu rosto ao perceber que a caverna estava tremendo fortemente e após o desmoronamento da caverna e a avalanche de gelo, jazia ali ao pé da montanha, algumas roupas características, um conjunto de facas, algumas ervas e poções e um tecido mas nenhum sinal de meu corpo.*
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