Havia passado alguns dias, desde a suposta morte de Kijin. Nashira e Saber haviam tranquilizado aos membros da ST que Kijin estava viva, a Anciã não quis dizer a Nashira ou a qualquer um o que havia acontecido. Então para muitos, Kijin simplesmente havia desaparecido de Fiore, deixando boa parte confusa e preocupada, uma vez que quase ninguém sabia da morte de Remilia, informação que foi retida por Saber, Ethel e a Anciã. Por outro lado na Fairy Tail, Crisântemo ainda estava sendo guardada por seus membros, não houve nenhum outro incidente os envolvendo, e a única anormalidade a mais era alguns corpos encontrados ali e acolá, todos mortos, e isso preocupava principalmente Saber que por algum motivo apesar de conseguir sentir as sensações de Kijin, não estava sendo machucado ou ferido, e assim como os demais ligavam as mortes recentes ao desaparecimento de Kijin, a maioria parecia achar que a garota tinha envolvimento nos acontecidos, com exceção de Sukuna que durante dias, havia chamado todas as pessoas que conheciam para ajuda-la a procurar por Kijin e agora estava voando em Fawkes, para tentar convencer mestre Ethel a realizar uma reunião com os demais mestres para acha-la, depois de dias infrutíferos de procura.

— Eu sabia que tinha algo errado com ela! *Exclamo apontando a agulha em direção a ST.* — Eu sabia! *Apesar de tudo, eu sorria confiante, afinal era a orgulhosa boneca de Kijin e não desistiria.* — Eu notei assim que eu cheguei da missão da BP e você também né Fawkes! Mas... eu sou a grande Sukuna! Nyeh heh heh! Eu irei fazer Fiore inteira procurar por você se precisar! *Exclamo em voz alta, para conter o impulso de chorar, como já havia feito tantas vezes de preocupação com as recentes notícias.*

Então, após algum tempo, a ave adentra a janela da Sabertooth e pousa em uma das abas do sofá, Sukuna desceu e foi até a sala do mestre e bateu na porta. Alguns segundos depois, sai de lá um velho de cabelos brancos presos em um rabo de cavalo, uma barbixa tão calva como os cabelos, vestes verdes, duas katanas presas em seu kimono, e me olhando dando um sorriso.

— Então... você é a boneca que sempre esteve do lado de minha pequena Kijin? *Sua voz saiu serena e calma, algo que parecia acalmar até a pessoa mais irritada do mundo, esbanjava uma calmaria sem igual.* — Prazer. Eu me chamo Vangar. *E então ele tirou as mãos das vestes e direcionou uma para mim, aberta, como uma forma de cumprimento.*

— Vangar! Sério! *Meus olhos brilharam de expectativa.* — Kijin fala tanto de você! Mas... *Abaixo a cabeça ficando um pouco chateada.* — Você está aqui e ela bem... sumiu... por favor... por favor... me ajude a encontra-la. Eu estou com medo, eu não sei o que aconteceu e... e...

*Então o velho me pegou em sua mão quase no exato momento que as minhas próprias iam aos meus olhos para secar as lágrimas, ele colocou o dedo indicador em minha testa e em pouco tempo, eu estava vendo tudo que havia acontecido entre Kijin e ele, de como passaram por dificuldades, e o laço que se formou entre os dois.*

— Eu confio em Kijin. *Ele disse em sua voz grave e melodiosa, parecia tranquilo.* — Ela não se desviou de seu caminho. *Ele disse em um tom que não parecia haver como refutar, havia tanta certeza em sua expressão que era difícil somente pensar em nega-la.* — Afinal, ela não apagou a marca da Sabertooth. Eu não vim por ela, eu vim por um outro assunto.

*Então de trás do velho, pude ver mestre Ethel que parecia impaciente por Vangar ter obstruído a porta.*

— Você quer sair da frente? Ou eu vou ter que te empurrar mesmo? Você continua o mesmo de antes...

*Era uma voz irritada, e apressada, Vangar riu e se afastou do caminho de Ethel, dizendo com um sorrisinho.*

— E onde está o respeito com os mais velhos? Eu sou somente um velho que tem dificuldades de se locomover.

— Sei... Então Sukuna, não é? Você bateu na porta por que queria falar comigo. Desembucha. Que eu tenho mais o que fazer além de escutar as divagações desse velho babão.

*Eu olhei para os dois estranhando a situação, mas ainda alegre por ter os dois ali, Vangar já havia algum tempo que queria conhecer, e Ethel parecia normal de novo.*

— Eu queria ver se dava para fazer uma reunião com os mestres para procurar por Kijin. *Vou para cima da cabeça de Vangar e sento lá, olhando para Ethel e apontando a agulha para ele.* — Eu a grande Sukuna desejo que Fiore inteira se mova para busca-la.

— Nenhum dos mestres acreditou que ela estava morta, e eu nem precisei dizer nada. *Diz ele dando um suspiro com visível irritação.* — Papillon já esteve aqui, assim como Lunam, Marie e aquela garota do circo. Todos eles vieram me importunar com esse assunto e minha resposta sempre foi a mesma. *Vi ele fechar os punhos de raiva.* — Kijin é uma maga da Sabertooth e ela faz o que ela quiser, eu não vou me meter, ela que cuide da própria vida. *E depois de soltar as palavras de maneira rude e grossa, simplesmente saiu da guilda com passos pesados, eu não conseguiria acompanha-lo então apontei para as costas dele.*

— Ei! Espera! Vangar! Atrás dele! *Exclamo de maneira autoritária puxando o cabelo dele, mas ele apenas riu novamente e se sentou no sofá da guilda, para minha surpresa.* — Ei! Você não sabe o que significa ir atrás dele?! É tipo seguir, eu não terminei de falar o que eu queria com ele!

— Não se preocupe Sukuna, Ethel age dessa forma, mas assim que ficou sabendo da suposta morte dela, foi o primeiro a chegar no local e foi o primeiro a constatar pelo que viu, que Kijin não estava morta, foi ele também que falou com Saber para entender o que estava se passando com Kijin, o que temo ter sido sim um grande choque para ela.

— Mas o que aconteceu? Eu não estou sabendo do que aconteceu. Você sabe? É segredo? Eu não posso saber? Tem que ter sido alguma coisa muito séria para fazer Kijin sumir do nada sem falar com ninguém.

*Vangar então suspirou e me tirou da cabeça, me colocando novamente na mão e me encarando com aqueles olhos imensamente azuis que assim como a voz parecia causar uma sensação de calmaria ao encarar por muito tempo.*

— Kijin descobriu que a irmã dela, Remilia estava morta. *Ele disse dessa vez, sem o sorriso, sua voz apesar de calma estava carregada com uma raiva que deu para perceber pela oscilação do tom que usava.* — Ethel, disse para manter a informação em sigilo, então somente ele e eu sabemos disso, é certo que a feiticeira, a mãe de Nashira tenha contado a ela.

*A notícia, no entanto me abateu mais do que esperado, meus olhos se alargaram, e minha agulha escorregou de minha mão.* — Mas se for isso... Como vocês podem ficar tão tranquilos? Eu também confio nela, mas ela já estava muito instável, depois do que aconteceu na mansão. *Digo ficando um pouco pálida.* — Ela vai acabar fazendo coisas que...

*Então Vangar me interrompeu, dessa vez sorrindo novamente.* — Eu já lhe disse. Eu confio nela. *E nisso a conversa pareceu se encerrar.* — Agora, se você e sua amiga não se importam, eu gostaria que vocês não espalhassem isso por ai. Eu tenho que resolver mais alguns assuntos pendentes.

— Amiga que amiga? *Pergunto olhando ao redor sem ver ninguém por ali, e então olhando confusa para Vangar.*

— Eu sei que você entrou e pegou a conversa no meio, mas eu a reconheci pelo jeito que Kijin fala de você pelas cartas. *Então o velho sorriu, a medida que Roxanna, saia de trás da parede um pouco envergonhada, mas decidida, caminhando para frente o olhando.*

— E o que Kijin falou sobre mim para você?

— Segundo as exatas palavras dela, “Roxanna é uma garota de seios fartos, cabelos bem vermelhos, seios fartos e um corpo escultural. Eu namoro Danny, mas estou interessada nela também, ela não pareceu se importar com meu jeito desde que eu conheci a dona daqueles seios fartos, por outro lado, a dona dos seios fartos namora Lunam o mestre da BP, então a dona dos seios fartos e eu ficamos nessa coisa de querer mas não acontecer.” *Ele recitou toda aquela fala sem se alterar, nem se envergonhar do que havia acabado de falar, então soltou um suspiro, olhando a garota novamente, abrindo outro sorriso e se levantando.* — Espero que a amizade de vocês dure por muito tempo, ou pelo menos mais do que me resta de vida. *E então ele riu, e saiu pela porta da guilda a medida que Roxanna virava para ele.*

— Mas Ethel falou para você não espalhar, porque você contou para a gente? Isso não vai causar mais problemas? *Roxanna perguntou corando um pouco depois de ouvir o que Kijin havia escrito sobre ela, por outro lado parecia feliz.* — Você saber onde ela está? E o que ela planeja fazer? Porque assim que eu a ver eu vou esmurrar aquela vadia por inteira já que ela me deixou preocupada. Como pode? Sumir e não falar nada?

*Eu que estava observando aquilo tudo, ainda bem confusa de como Vangar parecia tranquilo, ele se virou, acenando, antes de dizer.* — Ela não foi a única que aprendeu. Após muito conviver com ela, eu entendi que para algumas coisas funcionarem é preciso quebrar algumas regras. *Então ele sorriu de um jeito maroto, assim como Kijin costumava a sorrir.* — É na nova geração que devemos confiar o nosso futuro e a nossa história. *E então saiu da guilda, mas uma foto caiu de seu kimono e vôou diretamente para as mãos de Roxanna, assim que a viu, Roxanna sorriu.*

— Ei! Roxy! Roxy! Deixa eu ver também! *Exclamo escalando a garota, até que Fawkes me pega e me deixa flutuando do lado da garota, também olhando a foto que era de uma pequena Kijin, com não mais do que seus dez anos, os chifrinhos, a franja central tingido de vermelho e tiras em branco.* — Wowieee! *Exclamo impressionada ao ver.* — Que coisa mais lindinha! *Roxanna virou a foto, que se lia, “um presente a vocês.”* — Vangar parece ser um cara super legal né Roxy?!

— É... mas eu ainda quero encontrar Kijin, e não vai ser essas conversar sentimentais que vai me impedir de ir procura-la. Kori e Danny estão procurando por ela. E nós não vamos ficar para trás! *Ela exclamou para mim me pegando de Fawkes e colocando em sua cabeça*

— É isso ai! Temos que achar Kijin! Mesmo que ela esteja bem! Que ela esteja bem com a gente! Nyeh heh heh! Como se ela pudesse estar realmente bem sem estar comigo ao lado dela. *Balanço a cabeça em negação.* — Ela estará bem melhor quando me reencontrar, afinal, eu sou a grande Sukuna e todos se alegram quando eu estou por perto!

*E juntos saímos da ST, passando pelo portão aberto e indo em direção aos demais.*

... Em uma madrugada, lua cheia, duas garotas andavam lado a lado conversando rapidamente.

— E ai? O que você acha?

— Dos corpos? Não tem nada de mais neles, foram só peixes pequenos até agora, nenhum é realmente importante.

— Mas... Nós não somos o que pode se considerar grande.

— Ah, mas somos maiores do que a maioria que está sendo abatida, não temos muito o que nos preocupar ainda.

— Mas como? Somos uma guilda de assassinos que opera sobre ordens daquela guilda. Sempre estaremos em constante perigo.

— Você tem razão.

Uma terceira sombra se uniu as duas, após sua fala sussurrada na orelha e então rápida como uma bala o brilho carmesim da katana cintilou e logo duas cabeças estavam nas mãos de uma garota, que pegou os corpos das duas garotas e começou a carrega-las, jogou as duas cabeças em um grande saco marrom nas costas e começou a andar, a medida que saia das sombras a lua iluminava a garota, que possuía cabelos brancos e curtos, um kimono verde que possuía a bainha de duas Katanas, uma vazia e outra bem embainhada, várias faixas amarradas que iam das coxas até as canelas, e preenchiam do ombro até as pontas dos dedos, porém no ombro direito o símbolo de um olho roxo aberto, também brilhava.

A garota andava sozinha, com o rastro de sangue tanto da Katana como a do saco fazendo o caminho até a casa que ela adentrou, assim que entrou, vários olhares se dirigiram a ela, todos das sombras, sem se levantar, apenas a observando. A garota então, jogou o saco no chão e então três cabeças rolaram para fora.

— Com essas quinze, são noventa e nove.

Ela disse para os demais que ali estavam, mas se dirigindo a um rapaz de longos cabelos pretos que a encarava com um sorriso de quem havia descoberto uma joia.

— Não são as cem que eu pedi, mas com isso, você poderá ser apresentada a quem você quer, irei providenciar logo. Com certeza aceitarão você com eles, afinal, não é todo mundo que faz o que você fez.

O rapaz então sorriu, se virando, mostrando seus olhos verdes, o rosto oval, a marca da Succubus Eye gravada em sua testa, e todo o resto do corpo escondido nas sombras. Mas foi por pouco tempo, rápido como antes, a cabeça do rapaz já estava voando e o corpo caindo para trás. Assim como antes, ela segurou pelo cabelo e mostrou a todos que estavam ali.

— Agora, eu sou a mestra, vocês agora estão sob o meu comando e qualquer tentativa de retaliação, será somada aos números dessa sacola.

Ela apontou em direção ao saco com as cabeças e deu uma risada.

— Muito prazer, eu me chamo Youmuu Youki. E há uma certa maga que eu quero acrescentar a essa pilha.