A pedra no meu sapato
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Notas iniciais
(...)
— Obrigada. — Agradeci depois que Richard me ofereceu uma cadeira para sentar. Ele era realmente um cavalheiro.
— De nada. — Ele sorriu e se sentou. — Bom, o que eu vim dizer é...
— O que vocês gostariam de comer, ou beber? — Disse o garçom se aproximando.
— Uma água por favor. — Richard pediu.
— Também.
— Ok. — O homem saiu.
— Sarah. Nós precisamos do acionista. Do dono, o real dono da empresa. Alguém presente, que possa nos ajudar ali e tomar decisões importantes. No momento, essa pessoa é você. — Ele me encarou.
— Sim...
Ele fez uma pausa enquanto o garçom nos servia.
— E você está aqui. Quero dizer. A empresa fica do outro lado do país. Você entende o que eu quero dizer?...
— Sim. Mas, eu estou sendo demitida? — Meu coração batia muito rápido.
— Não! — Ele riu. — Então, o que eu vim dizer é: há uma outra empresa, querendo comprar a nossa.
— Oh.. — Arqueei as sobrancelhas e sorri.
— E, claro, você vende os empregados e tudo. O nosso salário será dobrado. E o dinheiro da venda é todo seu.
— Vou ter que vender você? — Ri enquanto tomava a minha água.
— É, infelizmente. — Ele sorriu. — Quatro bilhões.
Cuspi tudo pro lado. Sorte que era uma lanchonete e estávamos ao ar livre. Richard continuou rindo da minha cara enquanto eu digeria a notícia.
— Quatro... Bilhões de dólares? — Arregalei os olhos e o encarei.
— Exatamente. — Ele sorriu de canto.
Ele tinha um sorriso encantador. Ah, eu esqueci de comentar, Richard é o jovem prodígio da empresa. Ele tem vinte anos. Belos vinte anos, assim como seus belos olhos caramelados e seus cabelos castanhos.
— Eu estou bilionária? — Sorri de orelha a orelha.
— Se você... — Ele tirou uns papéis de uma pasta que carregava — assinar aqui... Sim.
Peguei os documentos sem nem falar nada. Analisei o título e página por página o que levou uma meia hora. E estava lá, tudo escrito, do que ele acabara de me dizer. Sorri mais ainda. Pedi uma caneta e assinei sem exitar. Quando entreguei novamente os papéis para ele, Richard sorriu.
— Não acredito que você... — Ele me encarou sério.
— O quê? — Não pude deixar de expressar espanto.
— Me vendeu. — Ele fez uma carinha triste e logo voltou a rir.
Ri junto. Ele era muito abobado. Conversamos por mais algumas horas e dividimos uma alaminuta. Ele me informou que em três dias eu teria o dinheiro. Saímos dali e fomos até a praça do centro. Lá, ele pegou um táxi e disse que deveria pegar um avião em uma hora.
Peguei outro táxi e fui até a casa de Julie. Quando entrei, a mãe de Julie estava sentada no sofá e me cumprimentou. Fiz o mesmo e fui subindo até o segundo andar. Abri a porta do quarto de Julie e ela e Henry estavam deitados ali. Não estavam fazendo nada. Acho eu que acabaram de fazer.
Ele estava sem camisa com os dois braços para trás da cabeça e Julie estava apoiada em seu peitoral, aparentemente coberta somente pelos lençóis.
— Boa tarde, casal.
— Eaí Sarah. — Ele falou, sorrindo.
— Oi! — Julie quase gritou.
Joguei minha mochila em uma poltrona e deitei na outra.
— Como foi a tarde com o empresário chato? — Ela perguntou.
— Ele não é chato. — Ri. — Ele é bem bonitinho.
— Mas ele não é velho?
— Não. — Eu a encarei. — Três anos mais velho do que eu.
— Ual. É pegável? — Ela deu um risinho.
— Super. — Eu ri. — Mas enfim, vendi as empresas.
— Hein? — Ela se levantou da cama, e estava de sutiã e calcinha.
— Agora estou bilionária. — Sorri, olhando pra cima.
— Nossa. — Ela estava se vestindo. — Então agora dá pra pegar esse carinha aí que você saiu hoje.
— Mas e o Peter? — Henry se meteu.
— O que tem ele? — perguntei, encarando-o.
— Você e ele... — Ele me encarou, sentando-se na cama. — Não?
— Não... — Olhei para cima de novo. — Sei.
— Eu sei. — Julie riu. — Acho que ela não tá muito afim.
— Hm... — Henry se encostou na parede. — Mas ele tá.
— Ele é confuso. — falei, afundando-me na poltrona.
— To ligado.
— Qual é Sarah, ele é super legal. — Ela veio até mim, sentando-se no braço da poltrona.
— Eu sei, eu sei.
— Dá uma chance pro moleque. — Henry riu.
Eu ri. Ouvimos batidas na porta e Julie mandou entrar.
— Ai meu Deus! — A porta se fechou. — Por que o Henry tá pelado?
— Eu não tô pelado! — Ele gritou, levantando-se e colocando uma camiseta.
Ele realmente estava de calça.
Peter entrou dentro do quarto. Ele me encarou dos pés a cabeça e voltou a olhar para Henry.
— Cara, você e a Julie deveriam ir até um hotel. — Ele disse, sentando-se na cama.
Os dois riram e saíram do quarto do nada. Me deixaram sozinha com o Peter. Ótimo. Maravilhoso.
— Quem era aquele cara com quem você saiu hoje? — Ele me encarou, encostando-se na parede.
— Você me seguiu? — Arqueei uma sobrancelha.
— Não. Ele foi te buscar na escola, idiota. — Ele desviou o olhar para o lado.
— Porque você quer saber? — Sorri.
— Nada.
— Vendi as empresas do meu pai, ele era o presidente.
Ele riu.
— Não faça piada. — Ele me encarou, sério novamente. — Um cara da nossa idade presidente das empresas Trow?
— Era com ele que meu pai queria que eu namorasse. — Falei, séria.
— Vendeu as empresas?
— Sim. Mas não quero falar sobre isso. — Quase sussurrei.
Ele veio até a poltrona do meu lado e jogou minha mochila no chão, sentando-se no lugar dela. Ficou me encarando. Caralho. Vai me encarar pra sempre é?
— Você vai fazer o quê agora?
— A primeira coisa que eu quero fazer é... Ir embora daqui.
— Não se sente a vontade?
— Não é isso. — Olhei para baixo. — É que eu não gosto de incomodar.
— Você sabe que não tá incomodando. — Ele empurrou sua poltrona pra mais perto da minha.
— Mesmo assim, é bom me virar sozinha.
— Você é orgulhosa demais Sarah. — Senti o olhar dele em mim — Mas você não pode fugir de tudo.
— Eu posso. — Ri sozinha.
Esfreguei os olhos e quando os abri, Peter estava em cima de mim. Com cada mão segurando cada braço do sofá. Com aquelas bolas azuis no lugar dos olhos me encarando.
— Mas você não pode fugir de mim. — Ele sorriu.
— Como você se mexe tão rápido? — Disse, tentando disfarçar o vermelho em minhas bochechas.
— Você que é burra. — Ele ficou sério. — Vim pra cá bem devagar.
— Mentira.
— Eu não minto pra você.
— Não cansa de me chamar de burra?
— Mas você é burra. — Ele sorriu.
Por um momento eu esqueci o que ele disse e me concentrei nos olhos dele. Meu Deus, ele era tão perfeito... Tudo bem, é fútil se apaixonar por uma pessoa só porque ela é bonita, tudo bem não foi por isso que eu me apaixonei por ele, mas mesmo assim, todo mundo sonha em arrumar alguém bonito e, pera, eu estou apaixonada por ele? Ele é tão lindo...
— E você é sexy. — Falei, imediatamente colocando as duas mãos sobre a minha boca.
Eu não falei isso. Estou sonhando. Não falei, não falei. Não. Falei.
Ele parecia envergonhado. Era a primeira vez que eu via o Peter assim. Ele olhou para baixo rapidamente e de volta para mim, sorrindo mais do que antes.
Se aproximou de mim tirando os braços da poltrona. Ele me encarou ainda sorrindo e tirou minhas mãos da minha boca. Eu acho que eu iria ter um ataque cardíaco. Sentia meu coração bater cada vez mais rápido. Mas de repente ele se afastou. Estou livre. Ufa.
Ele pegou minhas duas mãos e me puxou violentamente pra frente, fazendo-me levantar. Ele riu e entrelaçou as mãos na minha cintura. Eu tentei mas não consegui conter um sorriso. Olhei para cima nos olhos dele. Ele não era tão maior que eu. Só um pouco. Mas eu estava perdidamente apaixonada. Droga. Eu não queria que isso acontecesse. Mas, quem poderia resistir aos encantos de Peter Johnson?
Ele me beijou. De novo. Entrelacei meus braços em seu pescoço e o puxei mais ainda para mim. Eu sei, isso soa meio estranho, pelo menos para mim. Eu não me imaginava aqui, agora. Peter me inclinou para trás que nem naqueles filmes, fazendo-me ficar 'deitada' no ar enquanto ele me segurava nas costas.
— Você é burra. — Ele sorriu e eu não consegui evitar uma risada.
Ele me puxou com o outro braço pelas pernas e me pegou no colo. Andou comigo sem tirar os olhos dos meus até a cama e me largou lá. Ele deitou-se ao meu lado. Ele ficou me encarando e mexendo nos meus cabelos.
— Eu sei que eu disse que não ia perguntar de novo mas... — Ele engoliu em seco.
Olhei profundamente para ele. Eu sei o que ele ia dizer. Então, puxei com as duas mãos o rosto dele e o beijei. Ele foi se sentando e eu fui seguindo seus movimentos, não queria que ele perguntasse de novo. Assim que estávamos sentados, fiz uma pausa para respirar e colei meus lábios nos dele novamente. Ele se afastou de mim.
— Sarah. Eu... Acho melhor irmos procurar o Henry e a Julie. — Ele se levantou e logo saiu do quarto.
A cara dele não estava nada feliz. O que diabos está acontecendo com o Peter?
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