Ele jogou a mochila no chão e logo o corpo na poltrona. Me sentei na do lado e fiquei o encarando.

— E aí? — Perguntei.

— Ah... — Ele continuou monótono olhando pro teto. — Você não vai gostar nada de saber disso...

— Fala de uma vez, Peter!

— Ela é uma enviada, do seu pai... — Ele me encarou.

Eu não respondi. Eu não acredito que aquele filho de uma puta ainda tenta se meter na minha vida, e além do mais, eu achei que ele estava pobre agora, como caralhos que...

— Ele quer que ela tire tudo que você tem... Julie, Henry, eu... — Ele observou minha reação. — Mas não vai conseguir. Você viu. O planinho deles não deu certo. Ela foi embora. E se ela voltar mais uma vez não vai ter jeito.

— Não vai ter jeito? — Eu estava confusa.

— Se ela voltar, eu vou denunciar ela e aquele filho da mãe do seu pai.

— E por quê não denunciou agora? — Perguntei.

— Porque ela estava ameaçando matar meu pai.

Eu levantei e ri. Ri porque isso era ridículo. Claro, agora minha vida virou um filme clichê no qual estou apaixonada e o menino que amo sofre ameaças de morte pela menina que me odeia e o quer para si. Ótimo. Matar? Matar é demais, isso já é frescura, e...

— Você acha engraçado? — Ele perguntou, se levantando.

— Matar? — Ri mais um pouco.

— Eu fiz isso tudo por você, e é assim que me agradece? — Ele continuava monótono.

— Desculpe. — Me contive, percebi que ele falava sério.

— Eu a convenci de que se ela falasse com o seu pai que desistia da parceria tudo daria certo e que aí sim talvez ela conseguisse me tirar de você.

Eu não pude evitar um sorriso. Por mais que eu estivesse cheia de raiva e ódio por dentro, eu estava me sentindo aliviada por ter finalmente me livrado daquela vadia loira. E porque eu finalmente sentia que tudo estava dando certo.

— Me desculpa não ter te contado antes... — Ele olhou para baixo. — Só queria ter certeza que ia ficar tudo bem. Desculpa não ter falado com você desde domingo...

— Não tem problema. — Sorri.

— Tem sim. Eu não devia...

— Não tem — o interrompi — problema.

Ele sorriu e veio até mim. Para minha surpresa ele me deu um abraço. Eu não pude deixar de sorrir novamente. Ele levou seu rosto de encontro ao meu e me beijou. Suas mãos desceram até a minha cintura e as minhas subiram até o seu pescoço.

E lá vamos nós...

(...)

Cheguei na escola junto de Peter, que me esperava na frente da minha casa. Julie já veio dar o ar da graça.

— Bom dia! — Ela gritou, abrindo os braços.

— Oi. — Respondi, batendo na mão dela.

Ela deu um sorriso e Peter "assentiu" com a cabeça em sinal de cumprimento. Entramos na sala, e a aula passou muito rápido. Sempre passava, pra falar a verdade. Hoje tivemos química, biologia e educação física. Eu amava educação física, jogar era uma coisa que me deixava muito bem, principalmente pra extravasar a raiva. Hoje fazem dois meses que Lilly foi embora e eu não consigo expressar como os últimos dias depois de que ela desapareceu foram maravilhosos, exceto que agora eu não posso mais jogar a bola na cara dela em qualquer esporte.

Não tivemos notícias dela, e é melhor que seja assim. Não quero dar mais dor de cabeça ao Peter. Eu imagino como ele deve ter se sentido mal, mas... Eu devo parar de pensar nela. Pensar em coisas boas, é nisso que devo me concentrar. Afinal, amanhã eu e Peter comemoramos dois meses de namoro. Espero que ele lembre. No mês anterior ele comprou um buquê de rosas e me levou lá em casa. Confesso que o Peter com um buquê era a coisa mais fofa que já vi. Imagina de terno então.

Enquanto eu ria e sonhava sozinha, o sinal tocou. Todos já foram se organizando para sair dali e eu só juntei meu material que já estava guardado. Peter veio até mim.

— Vamos embora de uma vez. — Ele falou, com uma cara de preguiçoso.

— Tá. Peraí. — Falei, colocando a minha bolsa-mochila nas costas.

Fiz sinal de que estava pronta e fomos caminhando até a minha casa.

Chegando lá, ele reclamou que estava com fome e fizemos um miojo para cada um. Depois de estufados, nos sentamos nas poltronas da sala e ficamos conversando. Olhei o relógio e eram 15 horas da tarde em ponto.

— Acho que você deveria comprar um carro. — Peter falou, do nada.

— Eu também acho, a propósito existe uma concessionária aqui nessa cidade? — Perguntei.

— Sim. — Ele se virou para mim, me encarando. — Foi lá que comprei o meu.

— Você tem carro? — Arrumei minha postura.

— Sim. Mas não uso porque tenho preguiça.

— Eu preciso de um. Preciso. — Eu disse, me levantando.

Eu estava decidida a comprar um carro, finalmente. E diferente do Peter, usá-lo.

— Então vamos. — Ele falou, enquanto ligava para o táxi.

(...)

Chegando no tal lugar, era pequeno mas tinha carros de qualidade. Olhei um por um, checando detalhe por detalhe, como era por dentro e por fora, a marcha, se era automático ou não, de que país e fabricante ele vinha, para fazer questão de que escolheria uma marca de qualidade.

O vendedor que me atendera fazia questão de me citar todas as qualidades — até as que não existiam — do veículo, parecia que ele estava realmente com muita pressa de vender qualquer uma daquelas porcarias que havia ali em sua loja. Eu analisei bem o último antes de ter certeza que seria aquele.

Era um citröen C4, muito bonito. Era branco e o teto era preto. Eu me encantei com aquele carro e resolvi que o levaria. Não fazia ideia de tanto papel que eu tinha que assinar, até poder pagar tudo à vista.

Mas eu ainda teria que esperar chegarem os documentos e uma baboseira que diria que o carro era meu e só aí seria legalmente permitido andar com ele pela cidade. Quando eu finalmente recebi aquelas chaves nas minhas mãos, eu sorri internamente, e entrei dentro do carro. Peter entrou no banco do carona ao meu lado e eu arranquei. Ele começou a rir quando viu que eu estava passando da velocidade permitida.

Cheguei em casa e estacionei na garagem que até agora estava vazia. Fechei o portão dela e entramos dentro de casa. Peter me beijou e disse que já ia indo porque estava cansado. Assenti e fiquei ali, deitada no sofá da sala enquanto ele saiu. Foi aí que eu percebi o bocado que demoramos lá. Já eram oito da noite. Eu fiquei tanto tempo assim na concessionária? Ri.

Aproveitei pra tirar um cochilo. Fechei os olhos e fiquei um bom tempo ali, sentada, até finalmente dormir. A poltrona era realmente confortável.

. . .

Ouvi um barulho da porta se abrindo. Tinha alguém entrando na minha casa... Ah meu Deus!! Eu vou morrer!

Notas finais
hehehe... Deixem reviews1