A pedra no meu sapato
16 Noite
Notas iniciais
Ela nos encarava furiosa. Peter começou a rir e eu o puxei pela mão rapidamente, correndo para fora do estabelecimento sem parar, pois a mulher saiu atrás de nós. Com uma cara furiosa. Enquanto o milkshake ainda pingava na sua face.
Eu tropecei em meio às risadas, mas foi rápido e não nos prejudicou. Olhei para trás e vi a morena de face molhada e furiosa ficando para trás.
— Ela... Parou... — Tentei dizer enquanto corríamos.
— Ah. — Peter se acalmou e ficou parado. — Ufa.
— Por quê você cuspiu na cara... — Eu ri. — Dela?
— Sempre quis fazer isso. — Ele disse isso sorrindo.
Eu ri. Não tinha como me conter com aquele sorriso dele. Não conseguia sequer encará-lo diretamente, não me pergunte por que.
— E agora? — Perguntei.
— Vamos voltar pro baile... — Ele me encarou dos pés a cabeça e ficou pensativo. — Acho melhor irmos pra sua casa.
— Ah. — Corei. — Sim.
Sorrindo, ele tirou o celular do bolso e ligou para um táxi.
(...)
Tranquei a porta, pois são 01:17 e essa hora pode ser perigoso. Peter suspirou profundamente e jogou-se na primeira poltrona que viu.
— E... Agora? — Ele me encarou, com uma sobrancelha arqueada.
— Agora... — Me aproximei dele, bocejando. — Vou dormir.
— Hein? — Ele bufou. — Tá de brincadeira, né?
— Não. — Ri. — Vou morrer de sono.
— Eu posso ajudar com isso.
Eu corei. Ele estava daquele jeito normal, sério de novo. Sério em cada palavra. Como se ele não tivesse dito nada. Ainda com aquele olhar monótono.
— Não, não pode. — Dei um risinho, não me contive. — Boa noite.
Ele pigarreou e se levantou. Veio até mim e me olhou de cima. Eu só o encarei de volta. Sentia um calor muito grande. Ele se aproximou e me deu um beijo na testa.
— Boa noite. — Ele se afastou e voltou a me encarar.
Eu estava me controlando pra não agarrá-lo ali mesmo. Esse menino é a maior tentação que eu já vi. Me virei de costas para ele e dei dois passos.
— Sarah. — Ele me chamou, fazendo-me parar.
— Quê? — Perguntei, me virando.
— Dá uma ajudinha?
O encarei e, ele havia tirado o blazer. Estava apontando para a gravata borboleta, então eu me aproximei e tentei desfazer o nó atrás dela. Nunca vi alguém usar uma gravata daquele jeito. Sem contar que ele estava extremamente sexy sem o blazer e também iria ficar mais ainda se ele resolvesse tirar essa camisa né, porque esse Peter é um menino que me dá vontade de...
— Sarah? — Ele me encarou, monótono. — Não vai me ajudar?
Eu percebi que estava parada. Havia pegado a gravata mas não tinha feito nada com ela. Merda. Corei. O encarei. Aqueles olhos, irresistíveis. Aquele MALDITO olhar monótono que me dava vontade de beijá-lo até morrer. Eu queria me conter, mas o meu corpo não.
Coloquei as duas mãos no rosto dele e o puxei para mim, beijando-o. Não. Agora eu estava convencida. Não queria conter minhas mãos, nem meus lábios, nem minha língua, nem nada disso. Eu só o queria para mim, e assim que acabei com a distância entre nós dois, parecia que ele também a mim.
Ele entrelaçou os braços na minha cintura e me puxou para cima. Eu fiquei com os pés em cima dos dele e ele começou a caminhar. Não sabia para onde estávamos indo, pra falar a verdade, nem queria saber. Porque ele não parou de me beijar.
Eu só notava que ele dava alguns passos em falso e sorria de vez em quando. Mas isso ele fazia lentamente, totalmente oposto a velocidade em que explorava minha boca com a língua.
De repente ele me colocou de volta no chão e me segurou pelas pernas. Só aí afastamos nossos rostos, ele me pegou no colo, e foi subindo as escadas. O que me deixava enfeitiçada era sentir a paixão que eu sentia nos olhos dele, olhar para a face da pessoa com quem eu queria dividir o resto da minha vida.
Ele me colocou delicadamente na minha cama e quando eu estava preparada para soltar um "vamos parar", ele tirou a camisa numa velocidade que eu nunca vi alguém fazer. Perplexa pela velocidade e maravilhada com aquele peitoral só o agarrei de novo, envolvi meus braços por suas costas e o beijava deliciosamente, saboreando cada momento.
Tudo o que ele fazia era perfeito. Ele é perfeito.
Ele se afastou de mim por um segundo para respirar e segurei o seu rosto. O encarei e finalmente disse o que ele esperou ouvir faz muito tempo...
A sua expressão monótona se fez em um sorriso tão alegre e verdadeiro que eu nunca havia visto na face dele. E ele repetiu as mesmas palavras enquanto beijava meu pescoço:
"Eu te amo"
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