A pedra no meu sapato
27 Festa
Notas iniciais
Voltei até aquela sala e encarei pela última vez aquela cena. Peter beijando aquela... vadia. Percebi que Colin também os encarava. E... por quê eu ainda não dei uma chance pra ele?
Andei até o sofá e Colin agora me encarava com um semblante decepcionado. Ele parecia "sentir muito" pelo que eu tive que ver. Quer dizer, pelo que eu estava vendo... Vendo o homem que eu amo se agarrar com outra. Decepções acontecem, não é?
Aconcheguei cada joelho a cada lado de onde Colin estava sentado. Sentei em cima de seu colo e coloquei meus dois braços em volta de seu pescoço. Ele parecia surpreso. E eu parecia uma vadia. Mas, à essa altura, quem se importa?
Ele colocou as mãos nas minhas costas e me puxou para si. Eu o beijei com tanta vontade que quase não consigo explicar. Sua língua explorava minha boca e eu fazia o mesmo.
Eu não estava me importando com mais nada. Eu realmente, na verdade, perdi a noção de tudo. Naquele momento eu só pensei em mim mesma. Em enciumar Peter. E... Isso pode fazer mal ao Colin, depois... Eu não quero magoá-lo.
Me afastei dele e olhei ao redor. Nem sinal do Peter. Me levantei.
— Vamos... Tomar alguma coisa? — Pedi.
— Claro. — Colin aceitou.
Ele segurou a minha mão e me puxou, passamos pelo meio das pessoas amontoadas dançando, e tudo o que eu via era a mão dele. Logo chegamos naquela sala que eu estava antes. Colin me soltou e foi até a mesa, servindo uma coca-cola.
— Você quer? — Ele perguntou, estendendo o copo que acabara de servir.
— Sim. — Peguei da mão dele e tomei um gole. — Obrigada.
Ele sorriu e eu devolvi o copo. Ele começou a tomar e eu enxerguei ao longe uma porta com a plaquinha de banheiro feminino.
— Vou no banheiro. — Avisei.
Ele apenas assentiu com a cabeça e eu me dirigi até lá. Passei pelo corredor pequeno e quase me espremi, pois haviam casais se agarrando ali na parede. Cheguei em frente à porta e entrei no cômodo. Girei a chave e tranquei a porta. Fiz minhas necessidades e depois fui até a pia.
Me encarei bem no espelho. Eu sou tão ruim assim? Eu não consigo imaginar uma razão pro Peter ter feito isso comigo... Ah... Eu esqueci. Ele é um galinha. Vai fazer o mesmo com a Lily. Mas, mesmo depois de ela ter ameaçado matar o pai dele? Não, espera... Se ela o ameaçou, então...
Meus pensamentos foram interrompidos pela música parando, seguido por um barulho muito alto de algo quebrando. Corri até a porta e a destranquei. Saí daquele lugar estreito e o corredor já estava vazio.
Havia um aglomerado no meio da sala e eu não conseguia enxergar o que estava acontecendo. Tentei passar pelas pessoas, mas elas me apertavam e não me deixavam sequer me mexer.
— Nunca mais... Jamais... Chegue perto dela... de novo.
Eu conhecia aquela voz. Ouvi um som de soco e de alguém caindo no chão. As pessoas gritavam felizes, incentivando os outros a continuarem.
— Você que é idiota demais e a perdeu.
E ouvi outro soco.
— Cale a boca, seu filho de uma puta!
E aí eu não me segurei e empurrei todos que interrompiam minha chegada, pisei em pé, dei cotovelada, mas fiz questão de chegar ao meio onde acontecia a briga. Ouvi outro soco e finalmente cheguei no meu destino.
Colin estava jogado no chão se apoiando de costas apenas com os cotovelos. Sua face estava vermelha, mas ele não parecia ter levado tantos socos quanto eu ouvi. Peter tinha um semblante furioso e estava de pé com o punho vermelho. Ele não notou minha presença e partiu pra cima do Colin novamente, logo após o moreno dos olhos verdes se levantar. Eu gritei mas não consegui impedi-lo de dar outro soco. Colin caiu novamente e Peter me encarou.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa eu dei um soco com todas as minhas forças em sua face. Ele deu dois passos e cambaleou para trás, colocando a mão sobre o machucado. O encarei com raiva e ajudei Colin a levantar o mais rápido possível enquanto as pessoas gritavam em comemoração. Eles abriram espaço para que passássemos.
— Eu não estou tão mal assim. Posso caminhar sozinho. — Colin tentou sorrir enquanto eu o ajudava a caminhar.
— Não vem com essa. — Bufei.
Ele ficou quieto e saímos pela mesma porta que entramos. A música voltou a tocar e debaixo da varanda da casa peguei meu celular e chamei um táxi. Onde será que a Julie e o Henry se meteram?
Ouvi a porta se abrindo e olhei. Era Peter.
— Quer apanhar mais? — O encarei, me aproximando. — Você não se toca?! Me deixa em paz!
— Não vim pra brigar. Não com você. — Ele encarou Colin.
— O que você quer? — Colin se levantou com dificuldade e ficou do meu lado.
— Falar com a Sarah.
— Ela não quer fal...
— Tudo bem. — O interrompi. — Fala.
— Não com ele aqui. — O loiro olhou feio para o menino ao meu lado.
— Daqui eu não saio, muito menos ela. — Colin retrucou.
Peter revirou os olhos. Cruzei os braços. Ele deu dois passos em minha direção e ouvimos então Lily chamando por ele.
— Sua querida tá te chamando. — Avisei.
Ele me olhou feio e aproximou sua face da minha orelha esquerda.
— Eu não sou o que você pensa. Muito menos o Colin. E...
O sussurro quase inaudível de Peter foi interrompido pelos gritos de Lily, novamente. Ela se aproximou de nós.
— Amor, vamos. — Ela encarou Peter sem nem dirigir um suspiro para mim. É melhor assim.
— Tá. — O loiro concordou.
Os dois rapidamente sumiram de vista. Colin se sentou novamente.
— O que esse idiota falou? — Ele perguntou.
— Não ouvi.
— Hm.
Eu ouvi mas... Prefiro guardar isso pra mim.
Encarei o Colin e percebi que ao redor do olho dele havia um pequeno corte, e um roxo se formando. A porta se abriu novamente e ao olhar para trás vi quem eu mais queria: Julie.
— Julie! — Corri até ela e a abracei.
De trás dela surgiu Henry.
— O que aconteceu? — Ele perguntou. — Ouvimos comentários.
— Ele tomou uma surra do Peter. — Respondi sem graça.
— Nã...
— Vai mentir? — Perguntei, o interrompendo.
Colin dirigiu o olhar ao chão.
— Precisamos levá-lo ao hospital. — Henry, o aspirante a médico comentou.
— É. — Julie concordou.
— Não quero. — Colin discordou.
— Você vai. Precisa de um ponto aí. — O loiro falou, já ajudando o amigo a levantar.
— Me larga em casa antes, por favor. — Pedi.
Colin me olhou decepcionado. Eu é que vou pra hospital essa hora?
— Tá bom. — Henry sorriu e voltamos para o carro.
(...)
Deitei na minha cama e tentei entender tudo o que aconteceu. Eu... Preciso organizar as minhas ideias. Eu não quero mais ver o Peter, e ao mesmo tempo eu quero incessantemente.
Eu já não entendo nem meus próprios pensamentos. Esse cara vai me perseguir para sempre?
E o que ele quis dizer com aquilo? Minha cabeça só fica mais e mais confusa.
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