Notas iniciais
Bom.. Resolvi introduzir essa nova personagem porque ela vai deixar a história definitivamente melhor. Ontem eu havia escrito o capítulo todo, mas sem querer a cpu se apagou e eu perdi tudo. Fiquei muito irritada e não postei. Perdão.

Acordei com Peter em cima de mim. Dei um tapa na cara dele que justificou estar apenas "me acordando".

Prendi o cabelo, amarrei minha bota e chamamos um táxi. Rapidamente chegamos no meu apartamento, onde eu desci sozinha, para pegar meu material e colocar o uniforme.

Chegamos na escola. A aula passou rápido. E hoje, Peter não me incomodou, apenas recebi vários olhares mortais de Lucy, o que não era comum.

Quando era a hora do recreio, Julie convidou-me para ir com ela ao pátio, mas rejeitei. Resolvi ficar sozinha. Louis foi o último a sair da sala e me convidou novamente. Rejeitei.

Fiquei completamente sozinha. Ao redor das classes vazias, mergulhada no silêncio súbito que ali pairava. Era bom ficar assim, às vezes.

Pensei nos meus pais.

Eles realmente não ligavam pra mim. Me sustentar deveria ser como um peso morto. Algo a mais que tinham que gastar com. Mas, e se eles morressem? Eu me sentiria horrível por não poder chorar. Eu definitivamente não os amo.

Sim, é horrível um filho não amar os pais. Mas eles nem imaginam em como era quando eu morava com as empregadas. Uma mansão luxuosa, com dezenas de pessoas dispostas a fazer tudo o que eu mandasse a qualquer momento. Parece um sonho, uma vida perfeita. Mas uma criança precisa de amor, carinho, não de uma mansão. Mas eles não sabem, ou melhor, não sem importam com isso.

Meus pensamentos profundos foram interrompidos pela porta se abrindo. Um homem entrou com uma classe, seguido por outro com uma cadeira. Eram dois funcionários, largaram a mesa e a cadeira atrás da minha e saíram de volta pela porta.

Em menos de dez segundos depois da saída, uma menina adentrou a sala. Ela era loira, e tinha olhos verdes.

— Oi. — Ela disse quase murmurando.

— Oi.

— Eu sou nova. — Ela deu um risinho. — Me chamo Lilly.

— Sarah. — Sorri. — Também sou nova.

Ela sorriu de volta e foi até a classe, que ficava atrás da minha. Me virei para ela.

— Então... — Ela começou a tirar os livros da bolsa — É aqui que o Peter Johnson estuda?

Não.

Não.

NÃO.

NÃO!

Mais uma menina que veio pra cá por causa do Peter. O que essas imbecis tem na cabeça?! E além do mais ele já era meu. Quer dizer, ele estava livre e... Não sei se ele iria querer ela. Mas... Ele beijava muito bem, e....

— Você gosta dele? — Ela perguntou, provavelmente referindo-se ao fato de eu estar totalmente vermelha.

— N-NÃO! — Eu comecei a rir, forçadamente. — Claro que não.

— Certeza? — Ela me encarou, agora séria.

— Absoluta.

— Hmm... — Ela abriu o sorriso novamente. — Eu vim pra cá porque queria conhecê-lo. Já vi ele no facebook e tudo mais. Mas, eu queria conhecer aquela coisa linda e perfeita ao vivo. Ele parece muito legal.

— É... — Eu tentei fazê-la mudar de ideia. — Mas ele é muito anti-social. Quer dizer, sério o tempo todo, nunca sorri e dá um fora em todo mundo que chega nele.

— Todo mundo?

— Todo. Mundo. — Enfatizei.

— Ual... Ele já deu um fora em você?

Eu avermelhei de novo.

— N-Não!! Eu nunca... — Engoli em seco — Quer dizer, nunca tentei, você sabe...

— Ah, sim. — Ela riu. — Mas você deve ser muito apaixonada por ele pra ficar vermelha desse jeito.

Eu não respondi. Eu acho que, não dava mais pra esconder. Mas eu também não admitiria.

— Bom, mesmo que você o queira... — Ela ficou séria de novo e se aproximou de mim. — Ele vai ser meu a partir de agora.

Eu ri.

Mas só por cima do meu cadáver que uma vadiazinha dessas, chegada em um dia, achava que poderia me intimidar. Pouco me importava o Peter pra ela. Mas com argumentos tão fúteis, ela não chegaria à lugar nenhum. Eu levantei, e cruzei os braços. A encarei, levantei uma sobrancelha como Julie fez comigo aquela vez e disse:

— Vamos ver.

Sorri de canto e o sinal tocou. Alunos invadiram a sala. Um olhar mortal se fez nos olhos daquela menina. Enquanto a sala vazia se tornava um formigueiro humano, eu me senti "like a boss" pela minha pose que não se desfez enquanto todo mundo entrava.

Aquilo poderia ser a cena de um filme. Eu ri sozinha de novo, que pensamentos idiotas os meus. Sentei-me e o segundo sinal tocou. Peter entrou e sentou em cima da minha classe.

Não, eu não queria problemas. Sim, eu queria irritar aquela menina o máximo que eu pudesse. Eu não sei porque, acho que é coisa de menina. Eu não queria me envolver com ele, e ao mesmo tempo queria profundamente.

— O que ficou fazendo aqui sozinha? — Ele perguntou.

— Conhecendo a colega nova. — Apontei pra trás.

— Interessante. Tão interessante que eu tenho vontade de te beijar. — Ele disse fazendo biquinho.

— Fácil. Você é fácil demais, Peter. — Eu ri, afastando o rosto dele com a mão.

— Não sou fácil. — Ele disse. — Você que fica se fazendo.

— Idiota.

— To brincando. Não estaria interessado em você nem que fosse a última mulher do mundo. — Ele saiu da minha mesa, e sentou-se na dele, ao lado.

— Eu sei. — Sorri.

Ouvi um riso muito alto atrás de mim. Era aquela vadia de novo.

— Eu sou Lilly. — Ela riu, estendendo a mão até Peter.

— E o que eu tenho a ver com isso? — Ele disse.

Agora foi a minha vez. Soltei uma gargalhada muito alta. Peter ficou me encarando. Fechei a cara, tentando esconder meu riso.

— Tem a ver que você deveria conhecer novas pessoas. — Ela falou, num tom bravo.

— Tem a ver que a vida minha e você não deveria se meter nela. — Ele retrucou, voltando o olhar pra mim.

Coisa fofa!

— Gente!

Ouvi um grito e me virei para a porta. Lá estava Louis, gritando.

— O professor não veio. Mas temos que ficar aqui na escola até o fim da aula. Se não incomodarmos podemos sair da sala e pairar por aí. — Ele disse, sorrindo.

Aquele barulho de várias pessoas falando ao mesmo tempo tomou conta do ambiente e, a maioria foi saindo da sala. Peter levantou-se, estendeu a mão pra mim e perguntou se eu sairia com ele. Respondi que sim e pela mão ele me levou até o corredor. Ficamos conversando sobre bobagens, escorados na parede. Até eu sentir uma puta vontade de ir ao banheiro.

Fui lá rapidamente. Quando entrei na divisão, ouvi barulhos de alguém entrando desesperadamente. E pude ouvir barulhos de gente se batendo na divisão ao lado. E, gemidos... Não era o que eu estava pensando, certo?

Depois que terminei o que estava fazendo, os barulhos ficaram mais altos. Cuidadosamente fechei a tampa do vaso e subi sobre ela. Coloquei as duas mãos na parede que dividia as privadas e espiei...

Eu não conseguia acreditar naquilo mas, vadias são vadias.

Lilly. Primeiro dia de aula. Transando com Louis dentro do banheiro.

Eu estava com muita raiva dela. Eu não gostava do Louis, pois ele mesmo era um galinha, mas seria interessante ferrar os dois. Saí cuidadosamente do banheiro sem fazer barulho. Corri até Peter e o avisei do ocorrido.

— E você quer ferrar eles? — Perguntou.

— Sim. — Respondi.

— Deixa comigo.

Ele desapareceu da minha vista e em menos de dois minutos depois, passou reto por mim com a diretora. Eu comecei a rir. E em dez minutos, ouvi gritos. Lilly veio correndo do fundo do corredor. Mas assim que ela me viu, começou:

— Foi você sua vadia? — Ela gritou furiosa.

— Que dei no banheiro? Não. — Respondi, rindo.

Ela bufou e levantou uma mão pra mim, mas a diretora chegou e a levou até a diretoria. Louis veio logo atrás seguindo de Peter.

— Sarah... — Louis murmurou. — Obrigado.

— Você não devia fazer isso na escola. Ainda mais com Lilly, no primeiro dia dela. — Sorri.

— Lilly? — Ele me olhou confuso.

— Ele não sabe nem o nome dela. — Peter comentou.

— É.. Tenho que ir. — Ele deu um risinho falso e saiu correndo.

Eu e Peter nos sentamos, escorados na parede novamente e conversamos por um bom tempo. Como uns trinta minutos.

Era confortante e agradável conversar com ele, pois o mesmo tinha assuntos interessantes, ele era muito inteligente e sabia como dialogar com alguém. Mas de repente eu não escutava mais nada do que ele falava. Só encarava seus olhos azuis e as curvas perfeitas no seu rosto...

Ele se levantou, me levantando pra fazer o mesmo. Ficou na minha frente. Ele sorriu. Aquilo era tão lindo...

— Você tá vermelha. — Ele sorriu mais ainda.

Eu apenas passei a encarar o chão. Mas na verdade, o que eu não conseguia esquecer era a cena que eu acabara de ver, no banheiro.

— Deixa eu...

— Não, Peter.

— Eu quero. — Ele se aproximou de mim, ainda sorrindo. — Quebrar as regras.

Quando eu achei que ele me beijaria, ele se ajoelhou no chão. Mas o que caralhos?

Agora sim. Um calor infernal subiu pelo meu corpo todo e eu estava completamente vermelha. Haviam pessoas ali em volta. Olhei para o lado e vi Julie de longe já com a boca aberta.

Mas, não... NÃO! Eu não o conheço, olha o que acabou de acontecer, nós nunca nos vimos antes e agora ele já vai... Isso não é possível.

Esse menino é totalmente maluco.

E...

Meu.

Deus.

Ao mesmo tempo que estou com raiva, continuo sorrindo porque ele é lindo, perfeito, gostoso, sexy, e extremamente irritante.

Ele pegou minha mão e a beijou. Me encarou, e, ainda sorrindo, disse o que eu mais temia:

— Quer namorar comigo?

Notas finais
Eheheh... Agora o bicho vai pegar.