Notas iniciais
Como prometido, notas explicativas sobre alguns termos usados no capitulo.

[0] Cada Emissário, após receber o titulo de mesmo, consta com a ajuda de um ente, esse recebe o nome de Ashi. Esses são necessariamente espíritos, guerreiros e guardiões que tem o papel de ajudar os emissários em suas missões, assim também como proteger esses mesmos

[1] Erbe, brasão em eslovaco, e Telum, do latim: arma. Literalmente que dizer armas de Brasão, seria armas especificas que representava cada uma das 7 casas dos Vasys, cada clã teria seu próprio Erbe, brasão. Esse teria sido deixado pelo grande Ysgaw aos seus filhos, e aos descendentes destes, como herança.

[2] Quando a divindade denominada Ymir foi destruída pelos deuses Odin, Vê Vili eles usaram seu corpo, sangue e ossos para criar os 9 mundos. Alguns fragmentos do seu corpo se tornam um tipo cristal místico poderoso, usado como Totem por alguns feiticeiros e valas.

[3] Meč Ohňa: literalmente Espada de Fogo.

A vida é curta e passa rápido demais. Uma pessoa normal desfrutaria a vida, viajaria por lugares inusitados, frequentaria festas e boates, experimentaria tudo que tivesse ao seu alcance. Teria uma vida que denominamos como vida “comum”. Um indivíduo normal teria essa opção, eu não. Quando você cresce fazendo parte de uma Sociedade secreta milenar, que tem como função proteger raça humana, você não consegue se encaixar em uma vida considerada “normal”.

Garotos da minha com a minha idade estariam terminando o ensino médio, frequentado festas e se preparando para entrar em alguma universidade. E não estariam viajando ao redor mundo caçando, destruindo e exorcizando bruxas, demônios, fantasmas, vampiros, lobisomens, todo o tipo de seres que assolam os contos de fadas e lendas contadas pelo o mundo a fora. Porém, eu não sou um garoto comum, eu sou um Vasy, faço parte de um grupo de pessoas que tem a missão de manter a harmonia entre o mundo dos humanos e o mundo dos espíritos, o outro mundo. E se não mencionei eu me chamo Ask, Ask Wotter.

E, nesse exato momento encontro-me em um sitio arqueológico, próximo na Província de Esmirna, na Turquia juntamente com meu Ashi e servo Hypérion. Mas, não estamos apreciando os recentes achados históricos do local, porém sim, meio a uma batalha com fortes e enormes e incansáveis golens. Golens são criaturas de pedras gigantescas, criados para servir de guardiões de tesouros e objetos valiosos. Um jeito eficaz de derrotar um dessas belezinhas é simplesmente destruindo suas cabeças. Sendo que, desde que a batalha começou, isso foi a exatamente há quase 40 minutos, eu e meu Ashi cortamos a cabeças das criaturas bem umas 4 vezes, como muita dificuldade, diga-se de passagem. Porém, eles sempre voltam a ser recompor.

– Senhor Ask – disse meu servo enquanto presenciamos novamente a cabeça de um dos golens se reestruturando ao seu enorme corpo de pedra – tem algo muito estranho aqui. Eles não morrem. Era para eles ter sido destruindo quando a cabeça deles fosse arrancada. Qualquer tipo de magia que tenha sido usada para a confecção deles dever ter sido muito poderosa. – completou meu servo.

Eu e Hypérion somos parceiros desde que eu tinha 13, quando todo Vasy passa pelo ritual de iniciação dos Emissários. É ritual simples. Acreditamos que descendemos dos deuses e que, por alguma razão se encontra em uma atmosfera celeste muito acima de nós, em outra dimensão para ser mais preciso. Consequentemente acreditamos que temos sangue desses deuses em nossas veias. O ritual de iniciação tem a intenção de “despertar” esse pedaço dos deuses de nós Vasys. Mas, não é qualquer deus. As sociedades dos Vasys são formadas por sete enormes clãs, sete casas como chamamos. Por alguma razão cada casa está ligada a um deus, que são os Patronos e guardiões da casa. Eu pertenço ao Clã dos Wotters, meu deus patrono é Odin, senhor dos deuses. Então, necessariamente invoquei uma parte desse deus que habita dentro de mim desde o meu nascimento.

Qual foi a surpresa que depois de finalizado o ritual e encontrar na minha frente uma figura alta, com longos e lisos cabelos cobreados, com pele que possuía uma pigmentação relativamente dourada, e com orelhas razoavelmente pontudas. Era Hypérion, meu ashi, meu guardião e servo. Um ashi Tem o papel de nos servi e ajudar em nossas missões. Além de nos fazer companhia. Cada Emissário tem um ashi, e compartilhamos um laço empático e mental.

– Eu já tinha percebido isso também Hypérion – respondi ao seu servo – porém eu não sinto nenhum sinal de anomalia vindo desse local. E os golens, sete deles, não deixa nos aproximar da gruta que há atrás deles. O que quer dizer, que o objeto guardado por eles se encontra lá dentro.

Eu já tinha percebido isso desde que a luta tinha começado. Encontrávamos-nos em um campo aberto, de frente uma espécie de caverna ou gruta, cercado de ruínas de templos gregos antigos. Pela a localidade em que nos encontrávamos poderia dizer que estávamos nas ruínas da outrora magnífica cidade de Éfesos. Por outro lado, tinha percebido também que havia espalhado ao logo do terreno pás e picaretas e todo tipo de instrumento usado em escavações arqueológicas. O que prova que os trabalhadores que as usavam tinham as largado e fugido. Outro fato interessante, é que próximo à entrada da gruta achava-se uma enorme pedra, o que levantava uma teoria que as criaturas estavam seladas dentro da gruta e quando os operários a removeram, a magia dos golens foi ativada.

– Protege et Ferarum! – recitei um encanto de proteção, levando uma barreia defensiva no exato momento que uma das criaturas tinha me golpeado diretamente. O surpreendi revidando com outro encantamento — Nocere malum! – partido o gigante em vários fragmentos. Não me espantei quando os fragmentos começaram a se reestruturar outra vez, em segundos o gigante já estava ali diante de mim, de novo.

– Droga! – Exclamei – Por Vanir, esse golpe teria reduzindo um zumbi ao pó. Isso já está começando a perder a graça.

Olhei rapidamente para lado e deparei-me com meu servo lutando com duas criaturas ao mesmo tempo. Ele manejava a sua espada de uma forma veloz. Entretanto, os monstros eram muito resistentes, até mesmo à magia dos ashis. Sinceramente eu tinha começado a detestar aquela situação. Eu tava a acostumado a enfrentar criaturas que morria, e não aquelas que ressuscitavam a toda hora. Eu precisava pensar em jeito de parar acabar com isso de uma única vez. Na verdade eu tinha um plano. Porém, imaginava que ele não agradaria a Hypérion. Mas não tinha alternativa.

– Hypérion! Afaste-se dos Golens – O ashi olhou para mim enquanto sustentava um enorme punho de pedra que estava tentando furar o bloqueio da lamina de sua espada – Me obedeça, saia de perto das criaturas – Com certa relutância o servo se afastou. E, observou em quanto eu colocava meu plano em ação.

Fechei meus olhos, tentei concentra-me fazendo que meus poderes tocassem as forças e os elementos que se encontrava a minha volta. Segundo o protocolo, esse tipo de encanto sempre deveria ser usado com o auxilio do meu Erbe Telum, atributos, ou herança, que cada um das casas dos Vasys possui. Porem, como eu nunca sigo o protocolo isso não deveria ser novidade. Senti que aquele cheiro típico de ozônio de quando se aproxima chuva, ou uma tempestade, percorrer pelo ar e um leve arrepio tinha começando a subir pela minha espinha. Pronto, eu tinha tocado no ponto, dirigi minha concentração ao céu e as nuvens acima de mim. Fazendo com as mesmas se agrupassem formando nuvens pesadas, como se um temporal tivesse a caminho.

– Irae Dei in... – abri os olhos, sem tira a vista dos golens e levantei a minha mão direita em direção aos céus, que já estavam pesados, preenchido por uma enorme nuvem negra -... Terram Cecidit!!! – Conforme abaixava a minha mão uma tempestade de raios se desencadeou sobre o local, atingindo em cheio os sete golens, reduzindo as criaturas a simples escombros. Minhas pernas cederam após conjurar um feitiço avançado desse.

– Mestre! – Hypérion já estava no meu lado, me aparando antes que eu convalescesse no chão – Eu já alertei ao senhor inúmeras vezes que para conjurar um encanto desse porte era para senhor usar Nottung como Totem — Era verdade. Desde que eu tinha me iniciando como Emissário relutava na possibilidade de usar Nottung, o Erbe Telum do meu clã, os Wotters. Eu achava que era injusto um Vasy, descentes do grande Varny, depender de seus Erbe Telum. Tínhamos poderes, nada mais justo do que utilizá-los e não depender de um totem.

Não respondi as criticas do meu servo. Primeiramente porque aquilo era de fato verdade, eu não usava Nottung, só em ultimo caso. Segundo, antes que eu começasse a formular algum tipo de resposta ouvi um barulho familiar, um zumbido e logo depois algo que lembrasse o som de pedras batendo uma na outra. E de fato tinha pedras batendo uma na outra, os Golens estavam se reestruturando outra vez. Começando primeiramente com as cabeças, os troncos e os tórax. Logo em seguida vinham os braços e pernas se fixando em seus lugares em seguida e por fim sete Golens sedentos de vinganças estavam outra vez diante de mim.

– Eu sei que já falei isso inúmeras vezes, mas tem momentos que eu odeio esse trabalho. — Respondi a Hypérion que tentou formar no rosto algo que se aproximava ao Maximo de um sorriso – Distraia-os eu tenho um plano – Meu servo levantou a sobrancelha, eu sabia que ele não tinha gostando da menção ao “plano”. Na verdade ele não gostava muito nos meus planos — Não se preocupe, estou com uma pedra rúnicano bolso, vou usá-la como totem se isso vai lhe agradar – ele só vez um sinal afirmativo com a cabeça e posicionou a sua espada, Meč Ohňa, em modo defensivo.

– Adolebit Omnes Hostes! – ouvi o ashi pronuncia. Pelo muito que o conhecia eu sabia que esse era um dos encantos que ativam o verdadeiro poder da sua espada. E estava certo, logo ao proferir essas palavras a espada começou a resplandecer como se tivesse sendo fundida no fogo. Com um simples movimento circulatório Hypérion disparou da lamina da espada chamas que atingiram os gigantes de pedra, os incapacitando momentaneamente – Ai está sua distração. O que você tiver de fazer, faça! – respondeu-me Hypérion já entrando em modo defensivo.

Não perdi tempo. Puxei a pedra rúnica que estava em um dos bolsos direito da minha capa, me agachei e desenhei um símbolo simples sobre a superfície do solo, um pentagrama. Qualquer coisa que essas criaturas tivessem guardando eu iria saber nesse exato momento. Peguei a pedra rúnica com a minha mão direito e concentrei-me, liberando um pouco do meu próprio poder para ativar as propriedades mágicas da pedra.

– Tempus volat... — declarei pressionando a pedra rúnica na minha mão direita -... et reperit! – coloquei a pedra no centro do pentagrama, que instantaneamente começaram a brilhar em sincronia. Continuei com a mão pressionada junta a pedra no centro do símbolo. O feitiço logo começou a fazer efeito. Sentir o tempo parar a minha volta, o vento, a batalha tudo parou no mesmo instante. Sentir também minha consciência sendo puxada para fora do meu corpo. Deparei-me de pé em frente ao meu próprio corpo agachado, com a mão direita direcionada a pedra rúnica no centro do pentagrama. Vi Hypérion lutando contra os Golens. Ao longe ainda podia se ouvi o ressoar da lamina de Meč Ohňa contra os corpos rochosos das criaturas.

Eles não me viam. O encanto que acabei de conjurar é útil para saber a historia de determinados objetos, saber por onde e quando ele andou, reconstruindo os passos e trajetória do mesmo ao longo das eras. Eu nunca tinha usado ele em algo que eu nem sabia o queria, mais sendo que for deveria ser muito importante para quem conjurou os Golens. Eu não podia perder tempo apreciando os acontecimentos, era estranho ver meu próprio corpo ali diante dos meus próprios olhos. Concentrei-me, repetindo mentalmente o encanto Tempus volat et reperit inúmeras vezes. A cena ao meu redor começou a destorcer e o “tempo” começou a retroceder, mesmo sabendo que não era realmente o tempo que tava retrocedendo, sim a minha consciência que tava viajando ao longo do passado.

Percebi instantaneamente que voltei a minha consciência a alguns dias anteriores, pois me encontrei em um cenário totalmente diferente do atual. O sitio arqueológico, abandonado, se encontrava em grande movimento. Sons de instrumentos de escavação ressoavam pelo ar. Dirigi a minha atenção para um grupo de operários ocupados tentando remover uma pedra enorme que cobria a entrada de uma caverna. Atrás deles estava um homem alto, aparentava ter seus 45 anos, loiro, forte, gritando velozmente com algo que parecia ser um mapa em uma das mãos. Pela a fúria estampada em seu rosto logo percebi que se passava do arqueólogo chefe daquela expedição.

Voltei meus olhos para enorme rocha que os trabalhadores tentavam arduamente remover e percebi que estava gravado em no centro da pedra um símbolo de desperta. Parece que ninguém percebeu ou notou a existência de tal símbolo, o que me fazia crer que ele deveria estar gravado magicamente na pedra. Um estrondo chamou minha atenção. Os trabalhadores conseguiram remover a pedra, o Símbolo do despertar, duas linhas traçadas uma sobre a outra formando algo que lembrava um xis ou uma cruz, começou a brilhar. Ouviu-se um estrondo mais forte, os operários se afastaram da entrada caverna, que já se encontrava totalmente aberta. Foi rápido demais para ser registrado. A pedra foi empurrada de dentro para fora, os trabalhadores correram assustados e sete enormes gigantes de pedra saiam de dentro da caverna. O arqueólogo ficou em pânico, inerte em sua posição. Um dos golens com uma das mãos o pegou e jogou-lhe para longe.

O vi batendo as costas contra o algo que seria umas colunas de ruínas de um templo ou palácio antigo. Imaginei que com o impacto ele tivesse morrido. Observando esse ocorrido a minha teoria de que uma expedição arqueológica tivesse ativando acidentalmente os golens se comprovou. No entanto, parecia que realmente eles procuravam alguma coisa. E Isso também queria dizer que eu deveria voltar a minha consciência anteriormente para saber o que realmente era guardado ali. Quando cheguei a essa conclusão agradeci aos deuses por está segurando uma pedra rúnica, viagens astrais desse tipo gastavam muita energia e eu não estava a fim de escutar Hypérion no meu ouvido mais uma vez sobre o que porque eu não uso um totem.

– Mestre! É melhor você se apressar! Não vou agüentar por muito tempo. – ouviu ao longe meu servo dizer. Percebi que ele tava falando mentalmente comigo.

– Agüente mais um pouco – respondi através do nosso laço mental — estou quase perto, preciso de um pouco mais de tempo – fechei meus olhos mais uma vez, me concentrando e voltando minha consciência ao passado, pedido aos deuses para não parar em algum momento remonto da historia do local — Tempus volat et reperit, Tempus volat et reperit, Tempus volat et reperit...- fiquei pronunciando o encantou, enquanto as cenas retrocediam de uma maneira incrível.

Até que tudo parou. O cenário não tinha mudado muito. Porém, o que mais chamou a atenção foi a que estava à noite, em um céu estrelado e uma enorme Lua cheia azul pairava acima da minha cabeça. Voltei à atenção para a caverna, ela tava aberta o que dava a impressão que tinha voltado a muito no passado, tipo muitos anos ou séculos atrás. Ao longe comecei a ouvir galopar de cavalos, uma comitiva com aproximadamente nove pessoas se aproximavam perto da caverna. O que me vez perceber que eu tinha voltado ao momento exato. Na frente vinha um homem alto, robusto, cabelo grisalho, revestido com algo que me lembrava um manto de linho fino e que passava um ar de nobreza e sabedoria. Logo, percebi o porquê dessa sensação, o homem emanava poder, magia poderosa. Compreendi então que se tratava de um bruxo, e dos fortes. Ao seu lado, estava um jovem franzino, creio que seja seu aprendiz. Junto com eles se encontrava 7 homens robustos, o que deu a entender que seriam servos do Bruxo.

O bruxo desceu e se dirigiu a entrada da Caverna, acompanhando pelo jovem e pelos 7 servos logo atrás deles.

– Mestre Cornelius! Vossa excelência tem certeza que esse é o único jeito? Não existe outra maneira? — perguntou o jovem ao seu Senhor. Pela a cordialidade que esse se dirigiu comprovei que realmente ele era um aprendiz.

– Não meu caro Elí — afirmou o bruxo – Os deuses me mostraram em uma visão, seremos atacados pelos os bárbaros, eles destruirão nossa querida cidade, todos morreremos. Respondeu o Bruxo – Esse é o único de preservar o papiro a salvo. Se ele por acaso caísse em mãos erradas e, se os boatos tiverem certos, que os bárbaros recrutaram bruxos para ajudado-los, nosso reino estará perdido. Não, todo mundo estará perdido – completou o bruxo.

– Sim eu entendo – pronunciou-se Elí outra vez – Mas não existe outra maneira de manter o papiro a salvo? O que o senhor está preste a fazer é uma profa... – o garoto foi interrompido pelos gritos de seu mestre.

– EU SEI MUITO BEM O QUE ESTOU PRESTES A FAZER SUA CRIANÇA TOLA – bradou o sábio – EU TAMBÉM SEI AS CONSEQUÊNCIA QUE ESSE ATO TRARÁ PARA MIM– Completou Cornelius – O QUE OS DEUSES TENHAM MISERICÓRDIA DE MINHA ALMA MORTAL.

Após proferir essa declaração Cornelius se dirigiu ao coração da caverna, enquanto caminhava tochas fissionadas nas paredes se acendiam. Ele caminhou até chegar centro da mesma, diante de algo que lembrava um penhasco. Tirou de dentro da capa pergaminho, um papiro para ser mais exato. Eu podia sentir magia emanando do objeto era algo poderoso, ao mesmo tempo em que era perigoso. O bruxo começou a balbuciar algumas palavras e logo percebi que ele tava conjurando algum tipo de encanto. Segurou o papiro com força e o jogou contra o penhasco diante dele. Eu esperava que rolo caísse até o fundo do mesmo, mas o contrario ocorreu, o papiro ficou suspenso no ar, como se tivesse sendo segurado por fios invisíveis.

Ele se voltou para entrada novamente. Lá Elí o esperava com uma tocha nas mãos.

– Mestre! Está quase na hora. – afirmou o aprendiz do mago. – os servos já estão posicionados, o ritual já pode começar. – completou logo em seguida. Dirigi a minha atenção para entrada da caverna. Cada um dos servos estava defronte a algo, que não me era estranho, chegava a ser familiar. Era algo como estatuas. Estatuas? Como não percebi isso antes, os golens que estávamos enfrentados estavam ali, diante dos meus olhos, inertes, mortos. O que realmente achei irônico.

O bruxo se posicionou na entrada da caverna, ergueu as mãos e começou a balbuciar novamente, enquanto as movia. Sentir um frio percorrer a minha espinha, e percebi que algo ruim estava por vim. Podia sentir o poder fluindo através do bruxo, envolvendo todo o lugar com uma atmosfera mágica e poderosa. Seus servos pareciam encontra-se em transe diante das estatuas. Até que com um simples movimento com as mãos Cornelius fez que os servos erguessem, sincronicamente, suas mãos direitas, com as esquerdas puxassem um tipo de punhal e cortando a mão estendida e fazendo o sangue pingar. Em seguida, com as mãos direitas ensanguentadas, os sete servos as colocaram sobre o as sete respectivas estatuas. Enquanto isso ocorria percebi o porquê dos golens se reconstruírem. Magia negra, magia negra de sangue. Um tipo de feitiço poderoso, ao mesmo tempo em que era profano. Isso provava que Cornelius era um bruxo poderoso.

Novamente com um simples movimento todos os sete servos caíram por terra. Eles estavam mortos, suas almas se ligaram as estatuas, por toda a eternidade para guardar o papiro. Cornelius e Elí, já posicionados na entrada. Novamente em um simples movimento ele fez pedras unissem ate se obstruir totalmente a entrada da caverna. Ele chegou até que outro momento era a entrada do mesmo, tirou um punhal, cortou sua mão direita e colocou na grande rocha e com o sangue traçou o símbolo de despertar.

– Está feito. — Suspirou o bruxo. Esse ritual provavelmente deve ter minguado suas forças – Seja o que os deuses quiserem. — logo em seguida o cenário voltou a tremer. Percebi que minha consciência tinha voltado para meu corpo e percebi também que Hypérion continuava a lutar bravamente com os monstros de pedra.

– Eu já sei! — exclamei me levanto bruscamente, minha cabeça girou um pouco, agradeci mentalmente por estar usando a pedra rúnica outra vez. – Hypérion aguente mais um pouco, eu já descobri o que os golens estão protegendo e talvez eu sabia como detê-los.

– Estar certo Ask, mas não demore muito. Essas crianças dão um baita de um trabalho – reclamou o ashi. — Sacra Ignis Fugat Malum! – pronunciou logo em seguida. Esse era a segunda técnica da sua espada. Os golens foram atingidos e instantaneamente se despedaçaram mais algo interessante ocorreu, invés de reconstruir novamente, os escombros começaram a se unir. Os sete golens se uniram em um só corpo, formando um enorme escorpião de pedra com duas caldas e quatro enormes pinças. Tive a impressão de ouvir meu servo ofegar.

Não perdi tempo. Fui me locomovendo entre os golens, levitando e me teleportando até chegar à boca da caverna. Corria até o seu interior, me lembrando da visão que tinha acabado de ter. Observei as tochas nas paredes, eu estava no caminho certo. Emanei um pouco do meu próprio poder em direção a elas acendendo-as até chegar à clareira do penhasco. E pude contemplar o como era magnífico o papiro. Envolto de um cordão que lembrava ouro, o artefato emanava poder, muito poder para dizer a verdade.

Nesse exato momento fiquei em duvida, se apenas removesse o pergaminho os Golens ainda ficariam a solta, isso significaria mais problemas. Mas se no lugar de remover eu simplesmente destruísse o pergaminho, e com ele destruído as almas dos servos preços nas estatuas ficaria livres, e encontraria a paz. Fiquei com a opção que me parecia mais racional, mesmo sabendo que depois teria que arcar com as conseqüências.

Fechei a minha mão direita enquanto imaginava e concentrava em algum encanto. Eu precisava de um encanto com fogo. Ao contrario das bruxas, nós Vasys não estávamos presos aos elementos, não precisávamos ter eles a nossa volta para poder usá-los. Uma bruxa precisaria de no mínimo ter em mãos uma tocha para usar algum feitiço com fogo, os Vasys não, nos combinamos nosso poder interior com o exterior, podendo materializar o elemento que queríamos conjurar, e nesse caso eu queria fogo.

– Flammare!- minha mão direita esquentou e as chamas brotaram. As redirecionei-las para o pergaminho que logo já estavam em chamas. Ao longe conseguir ouvir um forte ganido. Logo pude entender que o enorme escorpião de pedra que Hypérion enfrentava estava em chamas e logo em seguida, as pedras caíram por terra. Mas uma vez minha teoria de que a alma estava dos servos dentro de Cornelius das estatuas estavam ligados ao papiro.

– Você conseguiu! – Exclamou meu servo – Seu filho da mãe você conseguiu, você derrotou – Hypérion completou enquanto chegava perto. Seu liso e longo cabelo cobreado, e sua pele douradas estavam sujos de fuligem. Deu pena de vê-lo dessa maneira.

– Pois é! Eu não disse que ia dar certo? – respondi com um largo sorriso que foi desaparecendo depois de perceber o que eu tinha acabado de fazer. Eu tinha destruindo um papiro mágico, provavelmente o ultimo. Mas eu não me arrependia, eu tinha escolhido a opção mais racional, tinha resolvidos dois casos, os dos golens e o das almas humanas fixadas dentro desses. Mesmo sabendo que essa opção “racional” poderia desagradar os meus superiores.

– E Hypérion, acho que teremos uma pequena audiência com o Conselho quando chegamos à fortaleza. Melhor, acho que teremos sérios problemas com Accalon...

Notas finais
* Então só pessoal ... se gostarem comentem!!! Qualquer pergunta e sugestão será bem vinda ...