A parte mais sombria
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Era domingo de manhã, o que significava que teria panquecas para o café da manhã . Nesse dia, Morgana acordou bem disposta e muito feliz. Jamais esqueceria a noite passada. Ainda podia sentir o cheiro de Peter em sua pele e os lábios dele beijando seus seios. Ele era apetitoso em todas as partes e mal esperava para repetir aquilo hoje à noite. Mas havia algo que a estava perturbando, lembrou disso quando entrava no refeitório e avistava seu amigo, Greg.
Ele sacudiu uma panqueca no ar com um sorriso de satisfação ao vê-la. Morgana não saberia comportar-se perto dele sabendo que ele viu tudo o que aconteceu ontem. Ela sentira uma sensação desconfortável enquanto beijava o peito nu de Peter e quando olhou para a porta mal encostada da sala, viu o vulto afastando-se dali e ela sabia que era Greg, pois reconheceria aquele moletom vermelho bordô em qualquer situação. E seu amigo até não parecia lembrar, pelo modo descontraído que a estava tratando enquanto ela se sentava ao seu lado e pegava uma panqueca.
— Dormiu bem? — Gregory perguntou encarando a amiga com um sorriso.
Morgana se sentiu desconfortável com essa pergunta. Será que ele não se lembrava mesmo ou estava só fingindo? De qualquer forma, achou melhor tratá-lo como se ele não tivesse visto nada, pois se não soubesse disfarçar poderia entregar toda a situação.
— Sim — ela meramente respondeu retribuindo o sorriso — E você?
— Hmm... maravilhosamente.
''Ah, droga. Ele hesitou, isso significa que ele se lembra do que viu ontem a noite'', pensou apavorada imaginando o que seu amigo poderia fazer com essa informação . Morgana sentiu suas mão começarem a tremer levemente de nervosismo. Ele sabia de tudo. E se ele contasse para o Diretor da instituição? Peter poderia ser despedido dali e o romance deles estaria acabado. Não, ela não deixaria que isso acontecesse. Ninguém como Greg faria mal ao amor de Morgana e Peter.
— Você está linda hoje, sabia?
— Obrigada — ela agradeceu secamente sem olhá-lo.
— O que foi? Parece tão tensa. Por acaso fez algo de errado? — ele disse em tom brincalhão, mas que para ela não tinha graça nenhuma. Ele estava provocando-a e isso a fazia ficar cada vez menos a vontade perto dele.
Ela continuava sem olhá-lo e agiu como se não o escutasse. Mordiscou a panqueca concentrando-se na ação de mastigar e engolir.
— O que fez ontem a noite em seu quarto antes de dormir?
Já chega, aquilo já era demais e ela não suportava mais ficar ali.
Levantou-se com sua panqueca na mão e saiu para o jardim, terminaria de comer lá fora sem a presença do amigo.
Morgana se sentou num banco de pedra voltado para as flores e árvores do jardim com metade da sua panqueca. Ali era seu segundo lugar favorito naquele lar de tratamento, vencido apenas pela sala do Dr. Peterson, onde ela já se familiarizou muito bem.
O jardim estava silencioso àquele horário, todos deviam estar tomando seu café da manhã no refeitório, o que era até melhor, pois assim poderia pensar direito em tudo o que acontecera a noite passada e desfrutar o momento sozinha.
Ela terminou de comer a panqueca em sua mão, mas continuou a observar o jardim e pensar em Peter. Parecia que seus pensamentos eram tão fortes que logo achou estar imaginando que via seu amado caminhando para ela. Mas não estava imaginando, até porque tomara seu remédio matinal e fazia uns bons meses que deixara de imaginar coisas. Não, era real.
Peter caminhou até ela e sentou-se ao seu lado.
— Bom dia! Como foi sua noite? — ele perguntou mantendo uma boa distância para não despertar a atenção da enfermeira sentada perto da fonte vigiando Morgana.
— Bom dia! Foi perfeita. Sonhei com você. Estávamos em sua sala nos beijando e fazendo outras coisas — Morgana levantou uma sobrancelha charmosamente — Ah, não, espere, não foi um sonho — ela fingiu surpresa — E a sua?
— Não muito boa depois que você se foi, mas pude aguentar.
Os dois riram e olharam-se apaixonados. Aquela conexão entre seus olhos os faziam esquecer de tudo.
— Queria tanto te beijar agora — o Dr. Peterson sussurrou.
Ele trabalhava naquele centro de tratamento psiquiátrico havia uns cinco anos e nesse tempo Morgana não tinha sido internada ali ainda, mas após três anos ela aparecera, ou seja, fazia dois anos que se conheciam. Peterson tinha vinte e oito anos, era um homem charmoso, sedutor, gentil e muito amável. O médico se lembrava muito bem quão mal ela chegara ali. Morgana fora diagnosticada com esquizofrenia e dizia que havia um serial killer que a perseguia e que seus parentes queriam matá-la, embora nada disso fosse verdade. Depois de muita investigação pela polícia foi concluído que não existia serial killer algum e quanto a sua família...bem, sua família morrera já fazia seis anos durante um incêndio na casa em que moravam. Morgana foi a única sobrevivente. E desde que ela chegara ali, fora tratada por uma equipe especializada, que incluía ele. Ela reagiu ao tratamento e foi melhorando com o passar do tempo. Agora Peter achava que Morgana já estava completamente curada.
— Quanto a isso, acho que deveríamos ser mais discretos perto das pessoas, talvez nos vermos com menos frequência ao dia — ela disse silenciosamente, pois a enfermeira ficara mais perto.
— Por quê?
— Não sei, parece que as pessoas estão desconfiando.
— Tipo quem? Seus amigos com mentes doentes? Ou aquela enfermeira com cara de homem? Relaxa, Amor, ninguém desconfia de nada. Vamos manter essa normalidade, afinal falta pouco tempo para você sair daqui e logo em seguida eu peço demissão e ficaremos juntos sem ter que esconder de ninguém.
— Eu sei e não vejo a hora para que isso aconteça. Falta apenas um mês, mas sei lá, acho que Greg sabe de alguma coisa.
— Esse Gregory... Ele fala de você nas sessões de terapia. Odeio ter que atendê-lo e odeio ainda mais ter que ouvi-lo falar do quão apaixonado está por você.
— Eu tenho medo dele.
— Por quê? Aquele babaca fez algo com você? — ele perguntou claramente preocupado.
— Shhh — ela diz preocupada com o volume de suas vozes — Não, claro que não. É que ultimamente ele tem ficado cada vez pior. Agora toda semana ele tem pelo menos uma crise e ele sempre corre para mim quando acontece. E eu fico com medo quando ele fala do que vê, parecem coisas horríveis. Com os outros eu não me importo tanto, eles parecem quase normais, às vezes. Ah, sei lá, preciso sair logo daqui, esse lugar está me deixando mal novamente.
Morgana não fazia ideia do motivo pelo qual não contou logo a Peterson sobre Gregory te-los visto na noite anterior, talvez tivesse medo do que quer que fosse acontecer se contasse a ele ou mesmo se dissesse isso em voz alta.
— Eu sei, eu sei, meu anjo, mas fique calma. Daqui umas semanas você e eu estaremos fora desse inferno — ele olhou rápido para a direção da enfermeira, que parecia mais curiosa do que nunca e logo voltou a olhar para Morgana — Acho que você está bem melhor do que na semana passada, senhorita Stewart. Só continue tomando seus remédios regularmente e não esqueça das nossas terapias — o som de sua voz aumentou um pouco para que a enfermeira pudesse escutar e achar que estavam tendo uma conversa de médico e paciente.
Peter tocou o ombro de Morgana delicadamente tentando não parecer íntimo demais e levantou-se, saindo.
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