Notas iniciais
Olá, depois de algum tempo, olha eu aqui de novo! Boa leitura!

Morgana ouviu um barulho de passos apressados no corredor de seu dormitório, mas não deu atenção, concentrando-se apenas em fazer sua mala. Não importava o que estivesse acontecendo do outro lado da porta, mesmo que Robert Connor estivesse mantendo o senhor Steven sob refém ou ameaçando matar todos da instituição, nada a impediria de fugir com Peter, que àquela altura deveria estar pronto para partir.

Novos barulhos surgiram no corredor e Stewart se intrigou com o motivo de tanta agitação. Tentou apressada jogar suas duas peças de roupa dentro da mochila que Peter emprestara, quando apareceu uma sombra por baixo da porta. Alguém estava do outro lado e estava prestes a entrar. No entanto, aquela sombra ficou parada no mesmo lugar apenas, como se estivesse espionando. Rapidamente, Morgana jogou sua mochila para debaixo da cama e esperou em pé no meio do quarto, observando a sombra que continuava ali. Estranhamente, ela percebeu que não ouvia mais nada, nenhum barulho estranho, nada anormal, exceto...exceto uma respiração profunda. Não era como se alguém a três metros de distância estivesse forçando uma respiração exageradamente barulhenta. Era mais como alguém ao seu lado fazendo exercício de respiração.

Conforme Morgana caminhava lentamente até a porta, a sensação de que não deveria ir até lá sacudia em seu estômago. E se abrisse a porta e desse de cara com Robert Connor realmente? Não queria ter o mesmo destino da enfermeira Dill. Porém seu incômodo ia um pouco mais além do que a possibilidade de esbarrar em Robert. Ela sentiu uma forte ardência em seu peito e lembrou-se de todas as vezes em que seu Serial Killer se comunicava com ela. Aquele desespero apertando seu coração como um presságio. Aquela falta de vontade de se mover, ou o medo de fazê-lo caso estivesse prestes a morrer. E a falta de visão para as improbabilidades desse acontecimento. Tudo isso a fez acreditar que estava caminhando para a morte nos braços do Serial Killer logo depois daquela porta. Então ela parou abruptamente e fez o trajeto inverso, correndo para dentro do armário no canto do quarto.

Morgana ficou lá dentro, refém da escuridão e do medo, esperando o pior, aguardando o assassino entrar e encontrá-la, esquartejá-la e jogá-la na fonte como fizera com Dill. Naquele instante, ela percebeu que Robert Connor era o autor do assassinato da enfermeira e podia ser também o seu Serial Killer, o que significava que corria perigo se não fugisse logo dali.

Ela espiou pela fresta do armário, mas voltou a se esconder e a chorar ao ver que a sombra continuava ali. Se ao menos as janelas dos quartos não tivessem grades, ela poderia ter uma chance. Com esse último pensamento, Morgana adormeceu dentro do armário.

Ela se pegou em um beco escuro, o mesmo beco que sonhara na noite passada. Atrás de si havia aquele mesmo muro gélido e sólido, sem brechas para escalar e a sua frente a figura encapuzada se materializou empunhando um machado com uma mão e deslizando seu fio pela outra. No momento em que o Serial Killer deu o primeiro passo, o ambiente ganhou iluminação e ela se deparou com o espelho do banheiro da clínica. Seu rosto estava suado e doentio. Morgana pensou não estar mais num sonho, por isso se inclinou para baixo e molhou seu rosto na torneira, mas ao levantar seu rosto para o espelho novamente, havia uma presença sinistra. De momento, Morgana não pode ver, contudo, aos poucos seu olhar foi conduzido para o fundo da imagem no espelho a sua frente. Era ele. Estava ali, logo atrás dela. Ele conseguira entrar no quarto no fim das contas.

Morgana não se moveu, no entanto, não sentia medo naquele momento, seu corpo parecia estar em estado de torpor. Por isso, se limitou a erguer a mão apenas, tocando o espelho e tapando a visão que tinha do seu iminente assassino. Piscou uma, duas vezes lentamente. Quando os abriu e abaixou sua mão, seu coração deu um solavanco forte. Ele estava muito mais perto dela agora, tão perto que sentiu a mão dele tocar o pescoço dela e enforcá-la.

Um segundo depois, Morgana acordou assustada e ofegante. Estava de pé em frente ao espelho do banheiro, mas dessa vez era real e não estava mais entorpecida. Agora ela estava apenas chorando silenciosamente com o coração disparado. Não se lembrava de caminhar até ali e não podia nem supor quanto tempo havia se passado desde que adormecera no armário.

Desse modo, Morgana correu até o quarto e olhou por debaixo da porta. Não havia mais sombra alguma. O Serial Killer havia ido embora.

A porta abriu repentinamente, o que fez Morgana tremer dos pés a cabeça. Felizmente, era apenas a enfermeira chefe, Marcia.

— Aconteceu de novo — a mulher disse chorosa e saiu às pressas.

Morgana levou muitos minutos para entender o que ela quis dizer, só quando chegou ao saguão e se deparou com nova multidão de policiais, ela soube que mais alguém morrera. Ela não se preocupou como, onde ou quem era o assassino, mas rezou do fundo da sua alma para que Peterson estivesse seguro, embora nunca tivesse sido religiosa.

O diretor da clínica estava eufórico na porta de entrada, parecia estar surtando com tudo aquilo, alguns policiais tentavam acalmá-lo, mas ele não parava de berrar.

— Eu não vou ficar calmo! Como vocês não conseguem saber quem é esse assassino ?!

Stewart não conseguia pensar direito, seu coração batia forte e acelerado e seus tímpanos latejavam, de modo que o barulho tinha sido abafado e ela só escutava um zumbido. Se Peter estivesse morto agora, nada mais faria sentido no mundo dela. Todos os planos que fizera incluíam Peterson, desde de conhecer Paris até fazer amor durante uma semana na lua de mel deles. Ela o amava o suficiente para se casar com ele, amava tanto que parecia que não conseguia absorvê-lo com um abraço, um beijo ou uma transa. Não existia gesto que fosse suficiente para demonstrar seu amor.

— Peter, Peter, Peter, Peter, Peter, por favor, Peter — ela sussurrava para si mesma de olhos fechados, como uma prece desesperada.

Quando uma mão tocou seu ombro por trás, Morgana pulou de susto e virou-se rapidamente. Era Peterson, lindo, magnífico e em perfeito estado. Morgana se atirou em seus braços e só então percebeu que estava chorando. Apertou- o bem e não queria mais soltá-lo. Tremia, não sabia se de medo ou de alívio. Ficaram uns minutos assim, até ela se acalmar.

— Senti tanto medo, Peter. Pensei que Connor tivesse te tirado de mim.

— Connor? — Peter ficou sério — Connor não é o assassino. Na verdade, ele foi a vítima hoje.

Morgana levou a mão aos lábios aterrorizada. Quem seria tão pior que Robert Connor a ponto de matá-lo, existiria alguém mais psicopata e mais forte que ele? Se sim, todos da clínica corriam grave perigo.

— Com...como? — Morgana ainda soluçava e tremia.

— A subdiretora encontrou um embrulho redondo em cima de sua escrivaninha. Quando o abriu, se deparou com a cabeça de Connor toda desfigurada e empapada de sangue. Rose está em estado de choque, ela não fala, só olha para o mesmo ponto.

— Coitada, deve ter sido uma coisa horrível encontrar uma coisa dessas. Mas porquê o assassino foi perturbar a pobre Rose, porquê tinha que ser ela a encontrar a cabeça?

— Pelo visto, não sabemos nada desse assassino, suas intenções, o motivo das mortes, os policiais não conseguem achar um padrão. Antes seus palpites mais fortes eram no Robert Connor, mas agora eles não podem afirmar mais nada com certeza. Primeiro foi uma funcionária da instituição, agora, um paciente. Quer dizer, o que esse psicopata pretende? O que essas duas vítimas fizeram para serem mortas, digo, Connor até entendo, mas e Dill? — Peter suspirou esfregando os olhos — Morgana, precisamos sair o mais rápido daqui, não sabemos quem é a próxima vítima, e eu não quero arriscar perder você. Vamos fugir essa noite.

No momento em que Morgana iria responder que sim, Riley, o detetive que a interrogara no passado, se aproximou arfante, pois veio correndo as escadas.

— Detetive Riley — cumprimentou Morgana.

— Srta. Stewart, preciso que me acompanhe, irei interrogá-la novamente — disse um tanto ameaçadoramente.

Ela gelou dos pés a cabeça, sentiu muito medo de estar sendo suspeita. Olhou para Peter em busca de socorro, mas era tarde, Riley já havia se retirado e seguia em direção a uma sala vazia para o interrogatório. Peterson apenas deu um beijo em sua testa e disse que tudo ficaria bem.

Morgana seguiu o detetive muito insegura, o que Riley iria querer perguntar a ela dessa vez? Será que ele realmente suspeitava dela? Com todas essas questões ela entrou na sala e sentou-se numa cadeira de frente para o detetive.

Riley já estava com o gravador em mãos, mas antes de começar a gravar ele se explicou:

— Morgana, o motivo de eu te interrogar novamente é que penso que da última vez você não foi franca o suficiente comigo.

— Por que pensa que não fui? — fez voz de choro.

— Porque acho que escondeu algo de mim quando lhe perguntei se suspeitava de alguém, vi sua hesitação. Agora peço que me fale a verdade, você suspeita de alguém? Me diga quem — Riley se inclinou para frente e segurou a mão de Morgana, implorando.

Morgana sentiu um arrepio com seu toque e sentiu culpa por isso. Ela era de Peter e só dele. Os olhos de Riley estavam vidrados nos dela e ela não pode desviar por um minuto. Mas então a sensatez atingiu-a e ela se livrou da mão dele, respondendo firme e segura, parando de chorar:

— Sim, eu suspeito. Ligue o gravador, te contarei quem e porquê.

Se denunciar seu suspeito significava que aquele filme de terror pararia e que finalmente Morgana e Peterson poderiam seguir suas vidas, então ela diria tudo.

Riley sorriu sedutoramente e apertou o botão do gravador, começando o interrogatório.

Notas finais
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