Notas iniciais
Oi pessoas, faz um tempinho que eu não posto, mas é que ando muito ocupada. Mas enfim, aqui está o capítulo 6.

Tudo estava mergulhado numa escuridão assustadora e não havia sequer uma alma viva, se não Morgana. Ela não sabia como tinha chegado àquele beco desértico, achava que estava sendo perseguida por alguém. Seu rosto estava ruborizado, as roupas finas encharcadas de suor, os cabelos desgrenhados e a respiração ofegante. A mulher estava assustada e sua cabeça se virava bruscamente de um lado para o outro, sempre vigilante. Ela olhou para o chão feito de lajotas de concreto, que se estendia até uma bifurcação no fim do beco, entre os enormes arranha-céus que se erguiam dos lados. O céu era negro, sem estrelas ou nuvens. A única luz que existia era a da lua cheia que, pendurada naquele breu, namorava a Terra.

Morgana não perdeu tempo contemplando o cenário. Estava sobrecarregada de adrenalina, pois fugia da pessoa que assombrava seus pesadelos. Era ninguém menos que o Serial Killer que a ameaçava há alguns anos atrás. Ele voltou para matá-la, uma coisa que não conseguira antes.

O braço da loira estava sangrando com uma ferida feita pela faca do criminoso. Sua carne ardia com o pulsar do seu coração. Cambaleando, ela correu até o final do beco e ficou indecisa com que caminho seguir na bifurcação. Decidiu ir pelo direito, sua pior decisão. Por estar escuro, não havia modo de enxergar o fim do caminho, mas, ao esbarrar com um muro de tijolos, soube que pegara o caminho errado, era uma rua sem saída. Virou-se querendo voltar para a direção esquerda do beco, mas uma figura de preto no início da estrada a deteve. Era o assassino. Ele empunhava uma faca numa das mãos e a luz do luar projetava uma sombra enorme dele no chão falhado.

O Serial Killer moveu sua perna dando um passo a frente lentamente e Morgana espelhou o movimento com um pé atrás. Ela sentiu o muro gélido em suas costas e os pelos de sua nuca se arrepiarem. Era isso?Esse seria o seu fim? Ela teria uma morte trágica e macabra nas mãos daquele psicopata e deixaria essa vida que estava começando a melhorar? Realmente o mundo era injusto.

Stewart tateou suas mãos na parede fria e pensou em escalá-la. Será que era possível? Ela pensava nisso enquanto seus olhos encaravam a sombra a alguns metros sem desviar. Uma gotícula de suor escorreu de sua testa e foi cair em cima de uma pálpebra, fazendo-a piscar. Bastou o movimento dos olhos para a pessoa de preto se manifestar e começar a correr em direção a Morgana. Ela se virou e iniciou uma busca desesperada por falhas no muro para poder escalar, mas, por mais que tentasse, não as achava.

Sua mão trabalhava pela parede e seus pés forçavam uma subida, mas não tinha jeito, era íngreme demais. Virou-se só para encontrar o corpo do malfeitor colado ao seu e a faca entrando em sua barriga com violência. Morgana soltou um grito morto, estremeceu acordando e checando sua barriga intacta. Passou a mão pelos fios de cabelo grudados em sua testa e sentiu não só a roupa, mas a cama molhadas de suor.

Ela se levantou e, trêmula, foi ao banheiro tomar uma ducha e colocar roupas secas. Depois trocou a roupa de cama e voltou a deitar, mas sem conseguir dormir. Era a terceira noite seguida que tinha pesadelos com o Serial Killer. Da primeira vez ela estava em uma floresta tão escura quanto o beco dessa noite e o assassino de preto tinha um machado de lenhador. Já a segunda, ela estava em casa, na casa que fora incendiada e, enquanto ela queimava lá dentro, podia ver pela janela o homem do lado de fora brincando com um isqueiro.

Nada mais estava normal depois que Dill fora assassinada. Os pacientes viviam assustados e cautelosos, temendo a presença de alguma mente maléfica. O número de crises que tinha por dia quase que triplicou. Ninguém mais queria dar uma volta pelo terreno da clínica, principalmente o jardim. E para acabar com tudo, Morgana estava assombrada com esses pesadelos. Malditos pesadelos, que a faziam acordar na madrugada, perder o sono e deixá-la com olheiras profundas e escuras.

Hoje Morgana tinha uma seção com Peter, mas não contaria sobre os pesadelos. Estava claro que o tal assassino era uma invenção sua de quando não tinha a mente equilibrada e falar disso com ele o faria pensar que ela não estava completamente curada. Mas ela estava e tinha plena certeza disso. Além do mais, não colocaria sua liberdade em cheque agora que faltava menos de um mês.

Morgana desceu as escadas do dormitório assim que deu oito e meia da manhã — e depois de tomar seu remédio matinal — e dirigiu-se para o refeitório movimentado a fim de comer bolo floresta-negra e beber leite, uma combinação perfeita.

O dia estava ensolarado e ela decidiu passar a manhã sob o sol no gramado da clínica. Era relaxante, pois não havia mais ninguém por perto, todos estavam enfurnados dentro do prédio com medo do exterior. Esse momento era só ela, o chão verde e a bola flamejante no céu. Sem o restante dos pacientes, sem o medo do foragido Robert Connor, sem o cheiro de hospital e sem Gregory para ter uma plena paz. Mas maldito pensamento que fora lembrar de Greg. Ela ouviu um som preso e desesperado vindo em sua direção e já sabia a origem disso. Era mais uma crise de Greg.

— Por favor, me salva, Morgana. Ela quer me esquartejar. Por favor, me salva — ele disse agarrando-a pela cintura e balançando-se.

— Calma, Greg. Calma. Nada vai te acontecer. Está tudo bem — ela dizia, acariciando o cabelo do amigo.

— Não consigo me acalmar. Ela vai me esquartejar, Morgana. Por favor não deixe que ela faça isso comigo, não tenho culpa do que aconteceu a ela.

— Quem quer te esquartejar, Greg? — ela quis saber.

Ele soltou um gemido esganiçado e disse:

— Dill!

— Mas por que ela faria isso com você?

Gregory se afastou dela como se fosse perigoso estar perto e depois a lançou um olhar furioso.

— Você não sabe de nada! NADA! Entendeu? Por que você não estava lá, você não viu — seu rosto estava contorcido e saliva saía de sua boca como se fosse um cão raivoso.

Morgana ficou com medo do amigo pela violência que ele entoava aquelas palavras e pelo dedo nervoso apontado para ela. Parecia que ele avançaria para cima dela e a enforcaria.

De repente, Greg abriu um sorriso malicioso e sombrio. O sorriso foi ganhando força e transformou-se em uma risada diabólica que só de ouvi-la fazia o seu interior gelar e estremecer.

Morgana viu algumas enfermeiras virem atrás de Greg e segurarem-no para aplicar sedativo. E enquanto ela corria para longe dele, ela escutava-o gritar:

— Você não viu! Você não sabe de nada! Eu a matei! MATEI!

A mulher chorosa corria com todas as suas forças para a sala de Peterson. Não olhara uma vez sequer para trás, temendo que se fizesse isso cairia no chão. Ela abriu a porta dele com desespero e encontrou-o sentado em sua cadeira acolchoada com o óculos de grau deslizando pelo nariz.

— Não aguento mais! Não suporto ficar aqui nem mais um segundo! Por favor, me leve daqui, estou implorando. Não posso mais ficar aqui — ela dizia desmoronando nos braços de Peter.

Notas finais
Por favor, pessoal, comentem o que acharam. Até a próxima!