Notas iniciais
Que demora de louco, não é? Mas estou aqui, firme e forte. E toda atarefada. Está aí o cap, desculpem a demora, mas como todos sabem, eu também tenho uma vida aqui fora. E estou lutando por um futuro melhor. Espero realmente que gostem. E obrigada aos que ainda estão comigo. Amo vocês s2

—Você sempre dá um jeito de fugir de todos, não é?

Santana torceu o pescoço para o lado e viu seu tio Luc se aproximando, com um saudoso sorriso iluminado, com dificuldade para passar pelos arbustos. Ela então sorriu de volta, indo até ele para ajudá-lo a se desenroscar.

—Ah, obrigado. Se fosse por minha desenvoltura, passaria a noite inteira embrenhado nos galhos.

—O papai também se prende aí todas as vezes que vem me procurar – Santana riu e sentou-se com o tio na pedra que estava sentada anteriormente.

—É coisa de Fabray ser desastrado- coçou a cabeça, sem jeito.

—Agora tudo faz sentido—Luccas riu pela referência. Lembrou-se que Quinn, quando criança, só vivia se metendo em enrascadas e caindo no vazio ou trombando em qualquer coisa – Estava me procurando, tio Luc?

—Ah, bom. Sim. Estava – respondeu, inquieto- Não é nenhum problema, antes que pergunte.

—Ah, que bom!- sorriu aliviada, passando a mão na cabeça. Tanta coisa acontecendo que ela até se estremeceu por dentro- Bom, mas se eu puder ajudar de qualquer forma, ficarei feliz.

Inesperadamente, Luc abraçou a sobrinha postiça. Santana de nada entende, apenas leva uma das mãos ao braço do tio e delicadamente afaga.

—Oh,hum... Tio Luc? Tem certeza de que está tudo bem?

—Sim, sim. Me perdoe por agir dessa forma tão repentina, não queria te assustar.

—Não assustou- Santana sorriu para ele enquanto Luccas a soltava- Só havia me esquecido que além de desastrados os Fabray adoram abraçar também.

Seu comentário fez Luc rir alto.

—Somos muito calorosos. Não é à toa que já temos tantos bebês Fabray por tanto calor.

Agora os dois riram alto.

—Disso eu tenho que concordar. Temos uma família linda.

—Temos sim- Luc ficou pensativo por alguns segundos- E você salvou a minha família linda. Não sei o que aconteceria se você não nos tivesse oferecido ajuda. É um verdadeiro anjo, Santana. Como meu irmão Russ sempre fala.

—Não, espera, tio Luc. Eu não sou tudo isso. O papai exagera demais, às vezes. Eu só... -Luc tocou em seu ombro e sorriu, fazendo-a parar- Não adianta eu dizer nada, não é mesmo?

—Humm... Não!

Santana fez careta. Luc continuou.

—Sabe, Charlie está em uma alegria que não cabe em si por podermos ficar perto de vocês, dessa vez por muito mais, assim espero. Mas mais ainda perto de você.

—De mim?

—Sim. De você. Char admira muito você, Santana. E ama o fato de que casou com a prima dela e teve filhinhos lindos, sendo assim parte da nossa família. Você me promete uma coisa, já que tocamos no assunto?

—Se eu puder ser útil, tio. Claro.

—Certo. Só preciso que, caso aconteça algo a mim e a minha esposa... -ele pausou alguns instantes, reflexivo a ponto de parecer triste- Você poderia cuidar da Char para nós?

—Tio Luc... Nossa... Eu fico lisonjeada por confiar em mim dessa forma, sua filhinha, mas, céus, não acontecerá nada a você e a tia Luiza. Vocês são pessoas maravilhosas. Seria até pecado- a latina levou a mão ao peito, tentando afastar a sensação ruim que lhe atingia ao ouvir as palavras do tio postiço. Luc soltou uma risadinha divertida.

—Se acalme, querida. Ficaremos bem, eu espero. Mas, eu só queria garantir o bem estar de minha princesinha caso faltássemos. Esse mundo está tão louco, não está? E a Char confia e adora você e Quinn. Quero que ela fique o mais confortável possível. A mãe da Luiza é assustadora e controladora na maioria do tempo. Char não se sente muito confortável com aquela família.

—A vi uma vez, e preciso concordar com você- fez careta ao lembrar dos faniquitos da sogra de Luc- E eu adoro a Char. Ela é um doce de criança e espero que meus filhos aprendam muito com a prima. Você deve se orgulhar muito da filha que tem, tio Luc. – Luccas sorriu em encanto.

—Sim, tenho muito. Meu anjinho foi o melhor presente que Deus pode me dar, nunca quis nada mais depois que a Charlotte nasceu. Para mim, com ela, eu já tinha tudo.

—Eu sinto o mesmo com os clones da Quinn que eu chamo de filhos – Luc soltou uma risadinha. Santana o acompanhou, lembrando das peripécias dos filhos- Eu prometo, tio. Char terá o melhor de mim. Porém, estaremos todos ao lado dela, em cada momento especial seu, OK? Prometemos isso juntos.

—Está certo. Nada mais justo- Luc passou a mão entre os cabelos mais loiros que os de Russel.

—Certamente.

—Agora, sério. Obrigado mesmo, minha querida sobrinha. Espero um dia poder contribuir todo apresso.

—Já contribui. Vocês acolheram a mim e a minha família com muito carinho. Isso já é tudo.

Luc tocou o ombro da mulher e sorriu como forma de gratidão. Santana o mirou até que saísse e pensou consigo que tinha muita sorte em cair de paraquedas em uma família tão maravilhosa quanto a de sua esposa. E estava incrivelmente feliz aquele dia. Porque parecia que estava tudo indo bem, e que Charlotte e sua família teriam uma nova chance em se estabelecer, enfim. E nada mais naquele momento poderia mudar o seu humor... Bem, mas quem foi que disse que tudo que é bom dura para sempre?

Por um momento, o ser de seus pesadelos, a criatura horrível de máscara, sorriu para ela enquanto perdia a consciência e era engolida pelo fundo das águas. Ele a encarava ela todo o momento.

Xxxxx

—FINN! Onde você está, cara?!- Puck gritava desesperado pelo primo, que ainda estava debaixo da água e demorava emergir. O rapaz trazia consigo Santana desacordada nos braços, e esta, sangrava em um ponto da testa e o líquido avermelhado ia tomando cor nas águas geladas já banhadas pela Lua a essa hora.

Um tempo depois que a morena perdeu a consciência, seu irmão apareceu, nadando o mais rápido que podia, até conseguir alcançá-la.

—Calma, Puck. Estou bem- o grandalhão gritou mais atrás, fazendo força para tirar algo das águas- Leve a San para terra firme. Eu encontro você lá.

—OK, cuidado.

Puck não esperou mais. Precisou esforço para sair dali. As águas estavam intranquilas e a correnteza só aumentava conforme a chuva ameaçava cair. Quando enfim chegou em terra, depositou Santana com cuidado no chão e passou a verificar se ela respirava. O que de fato não acontecia e o rapaz logo em seguida entrava em desespero.

Char estava mais ao fundo. Ela já havia despertado e se mantinha em choque ao olhar para as águas que engoliu por completo o carro de sua família.

Finn já dava sinais de que se juntaria a eles, mas aparentava ter trabalho para sair de lá, pois trazia consigo algo que parecia pesado. Porém, algum tempo depois, dois rapazes loiros entraram na água para lhe auxiliar. Eram Jeff e Chan, filhos do irmão do meio de Russel, Ritchie.

—San! Acorda, desgraçada. Não me assusta desse jeito. Nem vem com essa de querer morrer agora. Para de palhaçada- Puck chacoalhava a irmã pelos ombros, assustado, e quando não obteve lucidez vinda dela, aproximou a orelha de seu peito percebendo logo que sua respiração só se enfraquecia mais- Mas que droga!

—Se afasta, Puckerman!

—Kate!- o rapaz quase derrama uma lágrima ao ver a amiga médica. Kate já posicionava ao lado de Santana, checando sua pulsação- Ajuda ela, Kate. Salva minha irmãzinha.

—Prometo fazer o que eu posso, Puck. Você só precisa se afastar.

—OK, OK. Eu vou ficar aqui.

O rapaz estava tão atordoado que mal conseguiu levantar-se. Caiu sentado ali mesmo, ao lado do corpo se Santana, sem tirar os olhos dela.

Kate a essa altura já iniciava os procedimentos de ressuscitação pulmonar. Pressionava algumas vezes o tórax de Santana e em seguida fazia respiração boca a boca, com alguns intervalos para checar seu pulso.

Puck comentava consigo mesmo sobre o quanto a loira havia amadurecido com o tempo. Se fosse naquela época do colégio, nunca acreditaria que essa médica séria e competente a sua frente seria a Kate Loren do futuro.

—Vamos lá, Tana. Você tem que respirar. Respira, por favor. Me ajuda com isso- Kate pedia atônita enquanto ainda tentava a todo custo trazer a amiga de volta.

Em poucos instantes ouviam-se vozes alteradas ficando cada vez mais próximas. Quinn foi a primeira a alcança-los. Seu olhar de pavor ao ver a esposa desacordada foi o suficiente para fazer Puck correr até ela e impedir que a mesma se aproximasse e atrapalhasse Kate nos procedimentos.

—O que aconteceu, Puck? O que a Santana tem? Meu Deus, ela não está respirando?

—Calma, maninha. Kate vai trazê-la de volta.

—Me deixe ir até ela. Puck, me solte- a loira se debatia, porém Puck não acatava seu pedido.

Kate agora tentava novamente mais uma sessão de pressões no tórax, dessa vez mais demoradas, finalizando com a respiração boca a boca mais intensa.

Quinn retirava o olhar toda vez que isso acontecia. Apesar da situação desesperadora, ela não conseguia segurar o ciúme por ver Kate livremente tocar os lábios de sua esposa com os seus. Por um instante ela se sentiu ridícula por pensar assim, mas lembrou-se quem era Kate e passou.

Bastou mais alguns movimentos sobre o peito de Santana e logo ela tossia cuspindo parcialmente toda água que havia engolido no afogamento. Kate respirou aliviada, colocando a latina de lado para eventualmente não acabar engasgando com o líquido.

—Está tudo bem agora, San. Descanse.

—Tio Luc... Char.

—Ela está bem, San. Está logo ali. Não se preocupe.

—T-Tio Luc...- a latina fraquejava ao falar. Tentou levantar-se porém não aguentou o peso do corpo. Estava muito tonta. Kate e Puck se entreolharam, preocupados. Quinn correu até a esposa e beijou-lhe a têmpora.

—Vai ficar tudo bem, meu amor.

—Quinn... Tio Luc... Onde... Onde...

—San!

Quinn se viu desesperada no momento que Santana estirou os olhos e desmaiou ali, mole em seus braços. Kate tomou a frente e analisou o ferimento na testa da amiga.

—Ela precisa ser levada ao hospital. Está com uma lesão grave na cabeça que pode e vai se agravar. Já está afetando o olho esquerdo. Puck... – chamou a atenção do rapaz, que se assustou- Cuide da remoção da San. Vou examinar Charlie e quem mais estiver envolvido no acidente. Com cuidado, OK?

—Sim, mas...

Mal Puck pode mencionar o nome de Finn e o grandalhão saía das águas, juntamente com os outros primos, cada um trazendo na feição uma expressão mais triste que a outra, e nos braços, os corpos dos tios falecidos lado a lado. Charlotte gritou mais atrás e correu na direção dos pais, sendo parada por Kate que abraçou a adolescente. Puck caiu de joelhos, pasmo, em choque. Aquilo tinha que ser um sonho... Um dos piores da sua vida.

O que fazer agora?

***

PLIC PLIC PLIC

Até o barulhinho do soro caindo no suporte já estava incomodando qualquer um que estivesse naquele quarto de hospital onde Santana agora repousava pelo terceiro dia seguido.

A lesão tinha sido mais grave que Kate pode supor. Havia uma porcentagem preocupante de Santana acabar, por eventualidade, perdendo a visão do olho esquerdo. Esses dias de molho, em um sono induzido, foram cruciais para o desenvolvimento da melhora da latina, que já mostrava cada vez melhor.

Kate havia conseguido uma autorização para cuidar pessoalmente do quadro da amiga. E não havia uma porcentagem sequer de hora que ela não estivesse presente, zelando por seu bem estar. Quinn também, claro, não saía do lado da esposa. Mesmo estando tão triste quanto a perda dos tios e o mal estar da gravidez, que era horrível no período inicial, sempre estava na vigília no leito de Santana.

Nesse momento estava Quinn, Maribel e Rachel no quarto da morena. A loira havia deixado os filhos sob os cuidados de Brittany para poder estar com a esposa no hospital e acompanhar o funeral de Lucc e sua linda esposa Luiza. Ainda estava com as roupas pretas fúnebres. Nem quis ir em casa trocar só para poder estar com Santana quando ela acordasse.

E foi o que aconteceu: Santana abriu os olhos devagar, tentando se acostumar com a claridade até dar de encontro com os olhares preocupados das mulheres presentes na sala.

—Oh, céus, ela despertou. San, filha, como passa?- Maribel foi a primeira a perceber o despertar da filha e agora, com todo cuidado, a acariciava o rosto.

—E-Estou com um pouco de, hum, de dor na cabeça. – tentou tocar o local, porém Quinn segurou sua mão e a beijou, olhando-a com ternura.

—Você está machucada, amor. Não tente se mover tanto.

—Eu vou chamar Kate. Um instante.

—Sim, Rachel. Obrigada, querida- a baixinha fez um gesto solene cabeça para Maribel e saiu em disparada.

—Onde... Estão... Beth e Tyler?- Santana perguntava com dificuldade.

—Eles estão bem, querida. Estão em casa com a Britt- Quinn explicava atenciosa.

—Quero sentar.

—Mas você não pode ainda, filha.

—Por favor, me ajudem a sentar. Não estou inválida- Santana fazia força para isso, forçando a Maribel e Quinn ajudá-la para que não se machucasse. Mesmo tonta, ela se fixou ali, com a mão no rosto.

Kate chegou nesse instante.

—Hey, Hey... O que a senhora faz sentada aí? Acabou de acordar de um coice de anestesia, sedativos e analgésicos e já está querendo aprontar, Santana Lopez? Coisa feia- a loira entrou sorridente, se aproximando da amiga, que a encarou na mais completa seriedade.

—Quero que me libere, Kate. Odeio hospitais.

— Está louca? Tem noção do que é um traumatismo craniano, sua idiota? Sua visão foi comprometida. Você não é de ferro, vai ter que ficar no hospital sob observação e análises constantes. Liberar, pifff- Kate rolava os olhos para o pedido da morena, olhando seu prontuário perdurado ao lado da cama- Aconselho a você nem pensar em sair dessa cama hoje. Seu quadro é estável, mas ainda não está completamente fora de perigo.

—Escute sua médica, filha. Ela é competente no que faz. E eu confio em seu julgamento- Maribel reforçou. Quinn mais ao lado mordeu o canto dos lábios. O que mais Kate havia ganhado nesses últimos dias eram elogios, dos mais diversos, de seus chefes, dos outros médicos, familiares e amigos de Santana por todo o seu trabalho constante na recuperação dela. Seu jeito esforçado, atencioso e profissional chamava a atenção, mas Quinn bem sabia o porquê de todo esse empenho para com a esposa. Se não fosse por ela, Santana não estaria ali, de fato. E Quinn odiava ter essa dívida com ela.

—Sua mãe tem razão, amor. Você precisa se cuidar agora- apertou a mão da latina em sinal de conforto e a outra bufou, descontente. Levou a mão ao olho coberto com gaze e coçou.

— Isso incomoda.

—Eu sei, mas é necessário. Uma parte da sua visão esquerda sofreu alguns danos e isso no seu olho, é para evitar mais alguns outros. Sacou? Não ouse tirar. Estou de olho- a latina fez careta- Vou pedir daqui a pouco para uma enfermeira vir trocar esse curativo. E relaxa que temos um colírio muito bom aqui para apaziguar essa coceira. Vou aferir sua pressão agora e promover alguns testes de reflexos para avaliar possíveis sequelas da pancada na cabeça. Todas de acordo?

Maribel e Quinn concordaram com um gesto de cabeça. Santana voltou a se deitar pois a tontura havia aumentado.

—Essa tontura logo passa, Tana. Você quer alguma coisa para dor?

—Uhum- Santana gemeu em resposta, levando um das mãos a têmpora.

—Tuuudo bem. Vou prescrever isso aqui e, vamos ver, mais algumas indicações e... Credo, que feia essa letra que eu tenho. Aff!- fez careta a acabou por deixar a caneta cair, batendo a cabeça na cama assim que abaixou para pegá-la. Apesar da situação, Santana riu divertidamente do jeito destrambelhado da médica, o que a fez rir também. Quinn olhava de Santana para Kate com um olhar deveras questionador- Levante os braços, por favor, Tana.

Assim que Santana acatou, deixando ligeiramente um semblante de dor transparecer, Kate levantou até o busto a blusa hospitalar que a latina vestia, deixando seu abdômen, com alguma marcar roxas, de fora, e começou a apalpar pelas costelas de um lado e depois do outro.

—Isso é realmente necessário?- Quinn questionou, desconfortável com a cena.

—Santana ficou muito tempo submersa. Traumas pulmonares são facilmente adquiridos e podem ser notáveis ao toque. Respire fundo agora, querida- pediu carinhosamente. Santana acatou, sem deixar de olhar para Quinn em sua carranca.

“Querida?”. A Fabray repetia em pensamento, com sarcasmo. “ Ela realmente está querendo me tirar do sério, não pode”. Continuou, lembrando dos dias em que teve de conviver com uma Kate tocando no corpo de Santana e lhe lançando olhares zombeteiros. Já para a médica, Quinn estava agindo como o pitbull de sempre, porém de uma maneira mais territorial e ameaçadora.

Santana permaneceu calada por um tempo. Respirava tão fino que parecia nem respirar. Ela estava muito pensativa. O rosto ficou escondido debaixo dos cabelos negros que haviam crescido muito nesses últimos meses. A latina vivia dizendo para a esposa que deveria cortá-lo e Quinn sempre ria rebatendo que ela ficava parecendo uma sereia assim, e era muito lindo.

Kate recolheu a blusa da morena para como estava antes e ficou a observá-la em seu semblante reflexivo, que se acentuava a tristeza a cada levantar e abaixar de seu peito.

—Eu vou providenciar seu remédio agora, San.

Kate acariciou o rosto de Santana e se virou para deixar o quarto, porém foi parada pela mão da latina segurando a sua. Ao retornar o olhar para a amiga, Kate logo notou seus olhos cheios de lágrimas amargas, que teimavam em não cair.

—Tana...

—Me diz que o tio Luc está bem.

—Céus, Tana- Kate suspirou, triste. Quinn levou a mão a boca e já começava a chorar- Eu sinto muito. Fizemos o que podíamos. Você fez o que pode.

—Ah, não. De novo, não. Estava tudo tão bem. Ele...E-Ele apareceu de novo. Por que? O que eu fiz dessa vez?

—San, amor...

—Me deixem sozinha, por favor- a latina pediu, da maneira mais calma que pode. Porém tanto seu semblante quanto sua voz demonstravam revolta. Antes que Quinn falasse, Kate se apressou e a interceptou no caminho, pegando-a pelo braço.

—Você terá seu tempo- olhou firme para Quinn- Certo?- a loira concordou, visivelmente chateada. Ela também estava triste pela morte do tio, e queria ficar perto da esposa nesse momento. Mas, acontece, que acabou por concordar com Kate de que a morena necessitava de um espaço. Seria um baque monstruoso para ela superar.

—Vou estar esperando lá fora, amor- Santana gesticulou com a cabeça que entendia.

Antes que as loiras saíssem, Santana as parou.

— Char está bem?

—Está, meu bem. Está sob os cuidados da Britt, juntamente de Beth e Ty.

O suspiro de alívio da latina foi audível. Ela simplesmente em seguida deitou-se e passou a mirar o teto. Assim que saíram do quarto, bastou fechar a porta, todos no corredor ouviram o grito desesperador de Santana, o que fez todos se entreolharem em penar. Russel, que chegava nesse instante, abriu os braços para receber uma Quinn chorosa e triste.

—Ela já soube, não foi?

—Eu sinto muito, papai. Sinto tanto- a loira chorava forte contra o peito de seu pai, que, nesse instante, só pode abraçá-la o mais apertado que poderia.

—Vai ficar tudo bem, querida. Vai sim. Luc não ia querer nos ver dessa forma. Você sabe o quanto seu tio era alegre e espirituoso.

—O que nós vamos fazer? E quanto a Char? Céus, pobrezinha da minha prima. Os pais...perder logo os pais tão cedo.

—Shiii! Vamos dar um jeito nisso. Eu vou pensar em algo, filha. Venha... Vou te levar para tomar um café. O que acha?- acariciava o rosto da filha, ao falar.

—Mas... A San...

—Ela vai ficar bem. Vamos, hum?- sorriu tenro para a filha, que o abraçou de lateral e ambos seguiram juntos para o refeitório do hospital.

Xxxxxx

No dia seguinte, durante o café da manhã, a família foi surpreendida no café com a invasão de alguns parentes da esposa de Luccas e até mesmo do próprio, todos nervosos e impactados, querendo uma resposta.

—Vamos manter a calma, por favor. Vocês estão assustando meus netos- Russel os repreendeu enquanto pegava Tyler no colo e o acalmava. Maribel estava com Beth, por sua vez- O que isso significa?

—Queremos levar Charlotte desse lugar de desgraça- a mãe de Luiza, esposa de Luccas, falou, extremamente abalada.

—Espera! Eu sei que você está passando por um momento difícil, eu como mãe te entendo bem. Agora vir na minha casa, chamando-a dessa forma, eu não admitirei. Meus filhos, netos e amigos vivem muito bem aqui, obrigada- Maribel dizia, chateada. Entregou Beth a Rachel, e esta ficou dizendo coisas engraçadas para a pequena, no intuito de distraí-la.

—Não estou nem aí para o que vocês pensam, são ou o inferno que seja. Eu quero minha neta e a quero agora. Não quero que ela acabe como os pais por participar disso que vocês chamam de família- a senhora destilava essas palavras com uma expressão de desprezo e ódio, de uma maneira assustadora.

—Ora, mas que petulância!

Antes que Maribel acabasse perdendo a paciência, Charlotte descia as escadas, com uma expressão triste porém assustada ao mesmo tempo por conta de tanta confusão barulhenta que pode ouvir do quarto em que estava instalada.

—Vovó?

—Meu bem... Vim tirá-la daqui- ela caminhou até a neta e a envolveu em um abraço forte. Char encarava a todos sem entender absolutamente nada- Você estará segura conosco. Sua família de verdade. Vamos!

Ela pegou na mão da adolescente e já se preparava para sair com ela. Antes que qualquer um fizesse alguma coisa, a porta de entrada se escancarou com um forte barulho, o que fez a todos olhar no mesmo instante, assustados. Santana logo atravessou por ali, acompanhada de uma Kate ofegante e vermelha, que aparentava ter corrido uma maratona. A latina tinha cara de poucos amigos, porém encarou cada um naquela sala. Mesmo com um dos olhos ainda tampados por gaze.

—Ela... Ela... Nossa senhora, eu vou morrer- Kate parava alguns segundos, com a mãos apoiadas aos joelhos como quem busca ar para falar- Ela fugiu do hospital. E eu tive que correr atrás dessa desgraçada até aqui, para impedir que ela acabasse morrendo atropelada. Você me paga, Santana. Vou aplicar óleo de cozinha na sua bunda- a loira se jogou sobre uma poltrona enquanto abanava a si mesma com uma revista que encontrou por perto.

—San, por que fez isso?- Quinn se aproximou da esposa, que em resposta a abraçou apertado e por fim, olhou fundo em seus olhos, acariciou seu rosto e a beijou carinhosamente. Mesmo com toda aquela gente na casa, ela não se importava. Sentia falta de sua loira.

—Você está bem? E o bebê?

—Estou, amor. Estamos- tocou no ventre enquanto sorria. Russel e Maribel se entreolharam, como quem pergunta um ao outro se aquilo significasse o que estavam pensando.

Ao dar um último selinho na esposa, Santana voltou a encarar a todos, firmemente. A avó de Charlie a mirava com uma expressão de desagrado.

—É nesse pecado que querem criar minha neta? Onde mulheres beijam-se livremente na frente de crianças?

—A senhora beija seu marido?- Santana perguntou, a encarando a altura.

—Claro, ele é meu companheiro e eu o amo.- deu de ombros.

—Exato. Quinn é minha companheira e eu a amo. No que sou diferente de você?- abraçou a esposa de lado.

—Você atrai a morte!

—Retire o que disse. Agora!- Maribel se enervou e precisou ser segurada pelo marido.

—Não admito que a senhora entre em minha casa e ofenda a minha filha, senhora Carlile- Russel se pronunciou, tentando nesse meio tempo acalmar Maribel, que chorava copiosamente. Santana havia abaixado a cabeça, sentida depois daquela ofensa pesada. Brittany estava mais atrás, com a mão na boca. Todos da família se sentiram afetados pelas palavras da senhora- Sei que a senhora perdeu uma filha e isso dói. Mas eu também perdi alguém, o meu irmão caçula, que eu praticamente terminei de criar. No entanto, isso não lhe dá o direito de ofender a minha família. O que aconteceu foi uma fatalidade. Agora, queira retirar-se, por favor. Está causando mal estar a minha família.

—A única coisa que vou retirar aqui é minha neta. Dessa perdição. Pior desgosto da minha vida foi ver minha Luiza se juntar aquele homem sem futuro e viciado, que, por acaso, a levou para a morte- a senhora chorava ao falar- Vamos, querida.

—Não vai levá-la a lugar algum- Santana se pôs na frente.

—E por que não? Quem é você para me impedir de levar minha neta? Esses latinos não se põem em seu lugar. – debochou. Algumas pessoas que vieram com ela se entreolharam, sorrindo.

—Santana Lopez. Dona da maior empresa de Advocacia e contabilidade da cidade. Da qual, possui os melhores advogados do país. Meus clientes, de fato, são pessoas influentes em qualquer meio que procurar. Sou filantropa, bem sucedida, mãe, esposa, filha de pais maravilhosos, este que estão bem aqui, caso queira saber- e apontou para Russel e Maribel. O homem chegou a chorar por ser mencionado dessa forma pela filha postiça- Essa sou eu. A que ama a Charlotte como ama os próprios filhos. Tio Luc me pediu que cuidasse dela, e é isso que eu vou fazer. Porque ao contrário da senhora, eu farei isso com amor, não com ódio a pessoas boas que só ajudaram sua filha quando VOCÊ a pôs para fora de casa por estar namorando um rapaz pobre.

—Você não sabe nada de mim- a senhora rebatia, visivelmente abalada pela investida negativa de Santana.

—Lido com seu tipo o tempo inteiro, senhora Carlile. Não quer a Char por se preocupar, está querendo arrancar o quanto puder de dinheiro do meu pai.

—Só quero o que é meu por direito. Quer dizer, dela- se refez, pondo as mãos nos ombros de Char, que esse tempo todo, apenas chorava desconsolada, por ser o motivo de toda aquela briga- Vou levar tudo isso a justiça.

—A senhora pode tentar. Farei questão de sair da aposentadoria só para defender Santana- Russel afirmou.

Em segundos um intenso bate boca se instaurou, dos dois lados. Quinn olhava para aquilo com pesar, pasma, e ao reparar em Charlotte, viu que a garota estava extremamente preocupada.

—PAREM JÁ!- a loira gritou bem no meio da sala, fazendo todos repararem nela. Santana a olhou espantada. Nunca imaginaria que a esposa faria tal coisa- Vocês ficam aí discutindo como loucos enquanto o que é mais importante aqui é a Char. E o que ela quer para si. Meu amor, venha cá- estendeu a mão a prima, que depois de um tempo, foi até ela, mesmo a avó tentando puxá-la de volta- Me desculpe por tudo isso, tá? Estamos todos com os nervos à flor da pele, mas você é mais importante que toda essa desavença- passou a mão pela bochecha de Char, enxugando alguma lágrimas da garota carinhosamente- O que você quiser será lei para nós. Falo por todos quando digo que respeitaremos sua vontade.

—Não fale por mim. Meus objetivos são os melhores- a matriarca Carlile disse, e a maioria a olhou feio. Quinn foi uma.

—Quinn tem razão, Char. Perdoe minha arrogância- Santana se agachou em frente à adolescente- Não importa o que você escolher, eu aceitarei e respeitarei. Porém, nada vai me impedir de lutar por você. Porque era isso que o tio Luc ia querer. Sua felicidade- ela beijou uma das mãos da garota e sorriu com carinho para ela. Char a olhava sem reação. Apenas chorava a ponto de ficar vermelha- Eu te amo, tá? Sei que ainda não cumpri a promessa de te dar 20 priminhos, como você pediu quando tinha 5 anos, mas quem sabe um dia?- isso fez Char rir, mesmo ainda derramando tantas lágrimas.

—A vovó tem uma casa grande, querida. E você tem muitas priminhas da sua idade, que vão te ajudar a se encontrar como uma garota de verdade. Você tem muitas opções no Kansas. E os rapazes de lá são uma gracinha- a senhora sorriu assustadoramente. Charlie lhe olhou e tentou foçar um sorriso para ela.

—Char- Quinn tomou a atenção da prima- Não se sinta pressionada agora a escolher. Você tem todo tempo do mundo. E precisa curar suas feridas agora. Mas é você quem decidará tudo, OK?- a garota apenas olhou para Quinn e acenou- Mas, por enquanto, aonde você quer ficar?

Notas finais
Eita... A guerra está travada? Quem será que vai ficar com a Char? Ela vai escolher a avó ou Santana? Beijo a todos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.