A outra face- Surgindo das cinzas
39 Capítulo 39- Transmitindo felicidade
Notas iniciais
A humanidade, a cada dia que se passa, vai se modificando. Assim como se vão rapidamente as horas, as pessoas vão se moldando de suas formas e conceitos. Pra tanto, que nem se nota como o tempo está passando tão rápido e dizem ‘’nossa, o mundo está acabando mesmo’’. Engana-se quem pensa assim. O mundo não se acaba, mas sim quem vive nele. Anos se vão muito rápido, mas não é tão difícil dar um sentido a vida, apesar disso. Santana era sabedora desse fato e nessa linha de pensamento foi reformulando muitas coisas de sua vida. Dizer que ela ainda não estava assustada com tudo que aconteceu após o nascimento de seus filhos e até mesmo antes, seria uma total mentira, mas ela resolveu usar isso como um impulso para mudar. Queria ser alguém diferente, apesar de nunca gostar de mudanças. Entretanto, por sua família, ela estava disposta a qualquer coisa.
Quase cinco anos haviam se passado. As coisas tinham se apaziguado e não se tinha mais sinal de nenhum atentado ou represália vindo sabe-se lá de onde. Tudo acontecia de repente, então sentiam-se tranquilas por pelo menos agora as coisas se acalmarem. Russel há quase dois anos havia se aposentado, nomeando assim Santana como presidente da FLC. A latina foi relutante ao aceitar, mas seu padrasto foi insistente dizendo que nunca haveria ninguém no mundo que pudesse cuidar tão bem da empresa quanto ela e que futuramente esse legado poderia ser passado para um de seus filhos. Ela acabou aceitando depois de semanas com Russel no seu ouvido, fazendo aquela famosa chantagem de pai ‘’Filha, nada faria seu pai mais feliz que ter sua filha de coração tão amada, me substituindo no negócio da família. Sua mãe concorda comigo’’. Ria demais dos bicos que o louro fazia pedindo para que ela aceitasse, e depois de pensar bem e no futuro de seus filhos, resolveu aceitar a oferta e hoje havia ficado mais famosa ainda por seus métodos de trabalho.
Cinco anos... Foram dias que se passaram voando, mas foram gravados na memória de todos à sua maneira. Pelo o quarto do casal estavam espalhadas fotografias dos filhos nesse decorrer de tempo. Como a primeira vez que andaram ou quando tiveram seu primeiro natal. Quando Beth perdeu seu primeiro dente e quando Tyler teve que começar a usar óculos, pois sua hipermetropia havia se intensificado aos três anos. Beth continuava a traquina de sempre, intensa e brincalhona, muitas vezes comparada a seu tio Puck. Já Tyler, permanecia em seu jeito quieto e tranquilo, se mostrando bastante centrado e estudioso, apesar da pouca idade. Ao cinco anos já lia perfeitamente, nada era mais interessante para ele que um bom livro enquanto sua irmã gêmea preferia correr no parque ou brincar com seu monte de bonecas e bicinhos de pelúcias de todos os tipos. Como Santana e Quinn estavam cada uma presa a seus negócios corridos, contrataram há um ano uma governanta de nome Maria para tomar conta dos filhos e da casa. Era uma senhora em seus quase sessenta anos, morena de olhos claros e muito simpática com todos.
Hoje o dia amanhecera mais frio na grande cidade de Nova York. O despertador inconveniente soava às sete da manhã, fazendo Santana bufar por ainda querer dormir por pelo menos mais uma hora. As reuniões na empresa estavam ficando cada vez mais cheias, o que levava a latina ficar até tarde batendo cabeça com isso, sendo que teria que acordar bem cedo no dia seguinte. Já Quinn havia conseguido realizar seu sonho de ser uma editora de moda de prestígio. Com o desfile que organizou há cinco anos, teve seu nome enaltecido por Rô, que passou a enviá-la para importantes reuniões e eventos, fazendo-a fica conhecida no ramo por suas decisões firmes e grande talento com o meio. Por onde passava era reconhecida e em quatro anos já havia trabalhado com grandes nomes da moda, tanto estilistas quanto modelos. Isso tudo serviu para seu crescimento profissional e enfim se sentir melhor consigo mesma, por ter conseguido tudo com sua garra, esforço e persistência, sem falar no incentivo que sempre teve de sua esposa tão amada.
A latina apertou a cintura da esposa, começando a deixar beijos preguiçosos da cintura até o pescoço dela. Quinn deixou um profundo suspiro escapar, abraçando o braço de Santana que estava por sua cintura.
–Pára, eu ainda quero dormir- a loura resmungou, escondendo o rosto no travesseiro.
–Não, senhora. O despertador já nos avisou que nossa hora de encarar o mundo lá fora chegou, então trate de expulsar essa preguiçinha de seu maravilhoso corpo e me acompanhe em um banho demorado e excitante- sussurrou no ouvido da esposa, mordendo o pescoço alvo que se arrepiou.
–Argh, você joga sujo!- Quinn fez beicinho, virando-se rapidamente para puxar Santana, no intuito de terem seus rostos bem próximos. A loura colocou uma mecha do cabelo da latina atrás de sua orelha, encarando-a por instantes de uma forma apaixonada, para depois aproximar sua boca da dela em busca de um maravilhoso beijo de bom dia. Santana desviou no último instante, olhando para a porta aberta atrás de si- Que foi?
–Você já reparou que toda vez que vamos nos beijar em nossa cama, Beth aparece no quarto e pede algo?
–Não, San. Deve ser apenas coincidência- Santana sorriu sapeca.
–Quer testar?- a loura fez que sim com a cabeça, acompanhando a descoberta da esposa com um sorriso leve- Vem cá- Santana acariciou a bochecha de sua esposa, descendo para o maxilar e o segurando para inclinar-se e aplicar um beijo em seus lábios rosados. Quando estava quase, ouviram uma vozinha preguiçosa na porta do quarto.
–Mamães?- as mulheres se fitaram rindo. Santana tombou o rosto no ombro de Quinn, que inclinou o rosto para o lado, se deparando com uma Beth de pijamas, agarrada a um urso sorridente azul, enquanto coçava os olhinhos sonolentos e esverdeados como os seus. Provavelmente tinha acabado de acordar.
–Oi, bebê. O que foi?
–Estou com fome- ela respondeu chorosa. Santana sentou-se na cama, indicando que a filha se aproximasse. Ela foi a passos curtos até a cama, colocou o urso em cima para depois subir e ir engatinhando até a latina, sentando-se entre suas pernas.
–O que o ursinho comilão quer para o café?- Santana perguntava carinhosamente, abraçando a filha.
–Hum... Panquecas- ela disse animada- Amo as panquecas da mamãe com calda de chocolate.
–As panquecas da mamãe são boas mesmo- a latina concordou. Era a especialidade da loura desde sempre, apesar de ser apenas isso que ela sabia fazer. Ainda tinha uma certa dificuldade para cozinhar.
–Daqui a pouco eu desço para fazer suas panquecas, ta?- Beth sorriu assentindo- Cadê seu irmão?
–Quando eu saí do quarto ele ainda estava dormindo. Ty é muito preguiçoso- a pequena respondeu, passando a brincar distraidamente com seu ursinho preferido, que ganhou de sua tia Britt.
–Nem sei a quem ele puxou- Santana ironizou, encarando Quinn.
–Ah, pára, é porque ando cansada demais.
–Sei... Eu tenho que te beliscar pra acordar, Quinn- beliscou a cintura da esposa, que se assustou, repreendendo-a com um tapa na perna. Beth riu com isso.
–Chata!- olhou torto para esposa que lhe roubou um selinho- Amor, você acorda o Tyler para mim? Vou só escovar os dentes e desço para preparar nosso café.
–Claro, gatinha- deu um beijo na bochecha de Quinn e no topo da cabeça da filha, para em seguida se levantar e ir ao banheiro.
–Sua vez, amorzinho. Vai escovar os dentes e me encontre na cozinha para seu café- ela deu dois tapinhas no traseiro de Beth, que saiu de lá em disparada. O café era a parte que mais gostava do dia, pois teria as maravilhosas panquecas feitas pela mãe. A loura foi ao banheiro também, para sua higiene matinal e desceu para cozinha enquanto Santana ia ao o quarto dos gêmeos acordar Tyler, pois tinha que ir a escola.
A latina entrou com cuidado no lugar, encontrando seu pequeno ainda dormindo tranquilamente, agarrado a seu travesseiro. Sentiu pena em ter que acordá-lo, estava tão sereno em seu sono e neutro as coisas a seu redor. Apesar de Tyler ser a cópia fiel de Quinn, todos seus familiares o comparavam muito a Santana. Era como ela na infância. Quieto, tranquilo, mas sabia se comunicar muito bem. Aproximou-se da cama, sentando ao lado de Tyler.
–Hey, campeão- ela chamava, acariciando o braço do filho que estava sobre sua cintura- Está na hora de acordar, filho.
–Oi, mamãe- ele disse preguiçosamente, bocejando de maneira longa.
–Oi, meu querido. Preguiça?
–Pode-se dizer que sim- ela riu, beijando demoradamente sua testa- Você vai trabalhar hoje?
–Vou sim, por que?
–Nada- ele deu de ombros, pegando seus óculos na mesinha ao lado da cama.
–Algum problema, filho?- Santana perguntou o observando descer da cama e andar pelo quarto.
–Não, nada. Só curiosidade- ele lhe enviou um sorriso fraco e entrou no banheiro. A morena ficou fitando a porta por onde o filho tinha entrado, sem entender muito bem aquilo, só sabia que algo estava incomodando Tyler.
–Sua mãe te espera na cozinha para o café, Ty.
–Tudo bem, daqui a pouco desço até lá- ele gritou do banheiro. A latina, mesmo invocada, saiu do quarto e foi para o seu se arrumar para ir ao trabalho. Em seguida foi se juntar a sua família para tomar café. Maria já havia chegado da casa da filha e agora ajudava Quinn a servir as crianças.
–Bom dia a todos- ela os cumprimentava, indo até Quinn para lhe beijar dar um selinho.
–Quer café, amor?
–Não, vou ficar apenas com o suco de laranja, obrigada- Quinn sorriu como resposta e Santana foi sentar-se com os filhos a mesa- E aí, quem aqui está preparado para o primeiro dia de aula?
–EU!- Beth gritou eufórica, com os braços para o alto e um grande sorriso de ponta a ponta, fazendo suas mães rirem- Mal posso esperar para fazer novos amiguinhos. Espero que gostem de mim.
–Não se preocupe, filha. Eles com certeza vão gostar- Quinn disse servindo a esposa. Enquanto isso, Santana observava Tyler quieto, brincando com o garfo em sua panqueca.
–O que você tem, filho? Não está animado com a escola?
–Estou sim, mãe. Só não acho que eu vá me acostumar com aquilo. Tem muita gente lá.
–Porque é uma escola, seu bobão- Beth o cutucou, fazendo uma careta de ‘’isso é óbvio’’.
–Não fale assim com seu irmão, filha- Quinn a repreendeu, sentando-se ao lado de Santana- Meu amor, não precisa se preocupar. As escolas servem para adquirir mais conhecimentos, fazer novas amizades... Se encontrar como um todo. Vai gostar, eu garanto. Do jeito que é inteligente, vai saber se sobressair de muita coisa.
–Se você diz- disse apoiando a lateral do queixo na mão, voltando a encarar seu prato- Uhm, será que eu poderia subir para ver umas coisas antes de ir para a escola?
–Claro- Quinn sorriu consentindo. Santana havia ficado calada como o filho ainda pouco- Algum problema, San?
–Eu estava aqui pensando, será que não devíamos esperar mais um ano para eles começarem a frequentar uma escola? Acho que ainda são bem novinhos pra isso. E sinto que Ty ainda não se sente seguro.
–Que nada, amor. Quanto mais cedo eles começarem, mais cedo terminam. É até melhor para o aprendizado dos dois. Tyler daqui a pouco relaxa e começar a curtir como Beth- a lourinha estava alheia à conversa, concentrada em suas panquecas lambuzadas de chocolate.
–Eu não sei, ele me parece desconfortável e não quero que se sinta pressionado a algo que não quer.
–Tyler só é meio preso em si mesmo, San. Como você era- Santana teve um estalo disso em sua mente, lembrando-se de sua infância- Hey, relaxa. Eles vão ficar bem, confia.
–Vão sim, desculpa- a loura inclinou para deixar um beijo demorado nos lábios da esposa- Acho bom irem logo ou vão se atrasar.
–Verdade- Santana disse olhando o relógio em seu pulso. Agora cedo já tinha duas reuniões marcadas. Levantou-se e foi à procura de sua pasta pela sala- Amor, aonde...
–Ao lado da TV- Quinn apontou, recebendo um obrigada da morena. A loura ajudou os filhos a terminarem de se organizar e foi os instalar em suas cadeirinhas no carro de Santana- Boa sorte na escola.
–Obrigada, mamãe- Beth abraçou o pescoço da loura, beijando sua bochecha.
–Tudo bem, amor?- perguntou quando notou o filho distraído, olhando pela janela do carro. O pequeno fez que sim com a cabeça, recebendo um beijo casto da mãe na testa- San, fala com a professora deles sobre a bronquite e as alergias do Ty. Não quero que aconteça como daquela vez da creche, quase morro de susto.
–Falo sim, amor. E agora você... – a latina agarrou a cintura de Quinn, que enlaçou sua nuca- Tenha um ótimo dia de trabalho.
–Você também, meu amor- as duas trocaram um beijo lento e apaixonado- Uhm... Não se esqueça do jantar na casa de nossos pais hoje.
–Vou direto do trabalho pra lá. Agora me deixa ir- depositou um selinho demorado nos lábios da esposa- Vejo você lá. Te amo.
–Amo você também- depois de mais um selinho, Santana entrou em seu Toyota Corolla prata e deu partida. Os pequenos acenaram para sua mãe do carro, sendo retribuídos por vários beijos pelo ar.
A latina deixou os filhos na escola, passando tudo que a professora deveria saber sobre os problemas respiratórios de Tyler e lhe entregou seu telefone tanto pessoal quanto empresarial para o caso de problemas. Partiu de lá com o coração apertado por deixá-los, pois estava acostumada a ir trabalhar, deixando-os em casa assistindo televisão de pijamas. Porém já estavam crescendo e precisavam já ir se preparando para o futuro, como dizia Quinn. O fato de que seus filhos estavam deixando rapidamente de serem bebês, fez a latina entristecer um pouco, era a melhor época que se pode ter com seus pequenos, porque quando crescem, abrem mão de muita coisa e em muitas delas o convívio antigo e a amizade com os pais. Ela balançou a cabeça, tentando afastar esses pensamentos e se concentrar agora na reunião enfadonha de quando chegasse no trabalho.
O dia se passou rápido, pelo menos isso. Santana pensava. Mal poderia esperar para que seu expediente acabasse logo para poder encontrar sua família e se aquietar um pouco. Já estava ficando enfadada de tantas coisas todos os dias e agora temiam as tão cansativas viagens estrangeiras. Às vezes tinha que passar meses viajando a trabalho e isso era ruim pela distância dos filhos e da esposa. Se fosse por ela, passaria vinte e quatro horas grudadas a eles de preguiça em casa. Eram o que mais a fazia querer seguir com tudo, apesar dos medos passados. Quinn, Beth e Tyler eram tudo em sua vida.
Quando enfim acabou o último relatório da noite, despediu-se de Martha, e seguiu para casa de seus pais. Eles marcaram uma reunião para comemorar o aniversário de Russel, então toda a família estaria reunida. Assim que entrou na casa, uma pequena bolinha de cabelos louros correu na sua direção e agarrou suas pernas.
–Mamãe.
–Oi, meu amor- agachou-se para pegar Beth no colo e depositar um beijo em sua bochecha- Cadê sua mãe?
–Com a vovó na cozinha- Santana seguiu com a filha no colo até lá- Olha, ali está ela.
–Obrigada- sussurrou no ouvido da lourinha, que sorriu com as cócegas que isso fez- Vamos dar um susto na mamãe Quinn?- ambas sorriram sapeca e se aproximaram de Quinn, que estava de costas conversando com Rachel, Brittany, Lanna e sua mãe. Elas contaram até três e Beth fez um ‘’buuu’’ levando Quinn a dar um pulinho de susto.
–Jesus! Estão querendo me matar?- as demais riram da expressão de susto de Quinn.
–Nossa, que assustada!- Santana disse maliciosa, aplicando um beijo no ombro exposto da esposa.
–Sua chata!- Santana riu- E você, hein, ursinho comilão, fica aí assustando a mamãe- Quinn fez bico, fingindo estar triste- É assim que você gosta de mim?
–Eu amo você, mamãe, mas não sei de nada. Foi tudo ideia da mamãe San- a pequena deu de ombros, indicando para que sua mãe a colocasse no chão. Saiu em disparada para a área da piscina.
–Já descobri que posso contar com Beth pra tudo depois disso- as duas riram. Quinn abraçou a nuca da morena- E aí, como foi seu dia?
–Foi bom. Bem corrido, mas bom. Senti sua falta.
–Eu sei- disse gabola, fazendo Quinn revirar os olhos- Está esperando o que pra me beijar?
–Que você deixe de ser metida.
–Posso ser bem mais- mordeu de leve o ombro da loura e em seguida lhe beijou, apertando-a em seus braços. As duas matavam a saudade por um instante, quando escutaram um pigarreio mais atrás.
–Olha, eu sei que aqui é uma cozinha, mas isso não dá o direito a vocês duas de ficarem se comendo bem no meio dela- Lanna disse com os braços cruzados. Santana e Quinn se entreolharam. A latina deu um último selinho na esposa e foi na direção de sua irmã.
–Que foi, Lanna, está com ciúmes? Quer um beijinho também?- Santana fez biquinho, tentando beijar a bochecha da irmã.
–Sai daqui, Santana... Argh, vai babar na Quinn. Credo!
–Vem cá, amorzinho- a latina saiu correndo atrás de sua gêmea jogando bitocas- Só quero um beijinho do meu clone- as duas sumiram pela casa.
–Deus, é um amor que ninguém entende entre essas duas- Rachel comentou, balançando a cabeça.
–É verdade que Lanna é o clone de Santana?- Brittany perguntava, com uma expressão em um misto de curiosidade e temor- Eu bem que desconfiava que os ET’s já tinham começado a fazer isso. Lord T me disse isso e eu não quis acreditar. Agora eu me preocupo. Será que eu vou ter uma gêmea má como a Paola Bracho?- a loura mais alta dizia confusa, o que fez todas explodirem em gargalhadas- O que foi?
–Nada, Britt- Quinn abraçou a amiga apertadamente, ainda rindo. Ela amava esse jeito doce e inocente de Britt.
Na área da piscina, Santana já havia deixado a irmã de lado e foi procurar por seu irmão e o primo. Quando seu olhar se focalizou no outro lado da piscina, teve uma maravilhosa surpresa:
–Char?
–Oi, San- a agora adolescente Charlotte Fabray, correu na direção da latina e a abraçou forte.
–Nossa, princesa. Como você está linda! Faz o que, um ano que não nos vemos?
–Isso, no aniversário passado da tia Maribel- Santana fitava a prima da esposa com carinho. Sempre gostou muito da lourinha. Charlotte, agora com quatorze anos, estava linda e com o mesmo sorriso doce e simpático de sempre. Ela amava muito sua prima Quinn, que sempre cuidou dela quando seus pais tinham algum compromisso fora e depois que a loura começou a namorar Santana, a garota encontrou muita simpatia na latina. Amou o fato de elas terem se casado e amava mais ainda os priminhos que ganhou das duas.
–E então, quais as novidades? Pensei que vocês ainda estavam morando em Miami.
–Ah, essa é uma longa história- ela disse arqueando a cabeça para trás- Mas resumindo: Papai, como sempre, não se aquieta em um lugar só e já retornou para Nova York para trabalhar por aqui mesmo. Disse que não consegue ficar longe de casa e da família por muito tempo. Agora cá estamos nós de volta. Só que quando chegamos, a empresa que lhe contrataria teve um problema e agora ele ficou sem emprego de nada. Não quero ir embora de novo, sério. Me sinto sempre deslocada em todos lugares, já que todos que eu amo estão aqui em NY.
–Nossa, que chato!
–Pois é- a adolescente mordeu o canto de lábios, tentando mascarar a preocupação por isso, pois com as constantes mudanças de cidade, seus pais não tinham residência própria e agora com seu pai sem trabalho, não sabia como isso iria acabar. Santana notou a preocupação da pequena amiga e pensou em algo nesse instante.
–Seu pai é guia turístico, não é mesmo?
–Sim, por que?
–Me dá um segundo?- Santana pediu, com uma expressão pensativa.
–Claro- a loura sorriu consentindo. Santana se afastou e foi até Luccas, pai de Charlotte, que estava ao lado de seu irmão Russel, conversando com o mesmo próximo à churrasqueira.
–Oi, papai. Feliz aniversário.
–Obrigado, minha filha- Russel abraçou a filha apertado. Ele às vezes se esquecia de que Santana não era sua filha biológica do tanto que a amava, da mesma forma que amava Quinn- Como vão as coisas na empresa?
–Querendo você de volta. Às vezes escuto as paredes sussurrando seu nome- Russel e Luccas riram- Tio Luc, será que eu poderia conversar com você por um instante?
–Sem problemas, San- ele sorriu de canto. Santana indicou que ele a acompanhasse até a lateral da piscina.
De longe Charlotte observava toda conversa. Estava muito curiosa para saber o que a latina queria com seu pai. Santana parecia lhe explicar algo e ele a encarava atento a tudo. Em um momento ele negou com a cabeça e ela tocou seu ombro como se o incentivasse naquilo, fazendo-o encarar o chão por um instante. Então Luccas se virou à latina e confirmou algo com a cabeça, ela abriu um incrível sorriso e abraçou o tio, que saiu correndo em disparada até Carol, sua esposa, lhe contando algo que a fez saltar nele em euforia. Santana voltava até Charlotte, percebendo que a loura encarava tudo sem entender absolutamente nada.
–O que foi tudo aquilo, Santana? O que disse a meu pai?
–Nada, só que ele é meu mais novo sócio em uma empresa de turismo que estou montando aqui na cidade- a adolescente abriu a boca até não poder mais, bestificada com a notícia- Não quer ir lá comemorar com eles?
–O-obrigada, San... Eu... Ahhhh- a loura gritava, pulando na amiga, lhe abraçando forte enquanto a outra ria alegremente de sua reação. Charlotte saiu correndo e seus pais a receberam com um forte abraço. Minutos depois Quinn apareceu, com o cenho franzido para sua esposa.
–San, é verdade o que eu ouvi? O tio Luc agora é seu sócio?
–Sim, é verdade.
–Mas espera... Que empresa de turismo é essa que você tem que ele agora se associou? Que eu saiba não tem nenhuma- Quinn perguntava intrigada. Santana riu baixo, vendo Charlotte e os pais ainda comemorarem.
–Realmente eu não tenho, mas acabei de criar.
–Isso tem alguma coisa a ver da Char estar triste por seu pai estar sem emprego e eles terem que mudar?
–Tem sim, não gosto de vê-la triste. Ela quer ficar, então o que eu puder fazer por isso- Quinn a encarava sem palavras- Amanhã providencio tudo.
–Meu Deus, amor. Você não existe- a loura pulou no colo da esposa, espalhando beijos por todo seu rosto. Ela sabia que Santana era alguém bom, mas não sabia o quanto. Criar uma empresa do nada só pra que seu tio, que nem era seu tio de verdade, conseguir ficar junto da família, foi a coisa mais linda que a morena já tinha feito- Eu te amo, amor. Obrigada, obrigada, obrigada.
–Imagina, amor. Eu amo a Char- Quinn a encarou em encanto- E a propósito... Amo você também- acariciou o rosto da esposa com todo o carinho do mundo- Mucho... Mucho- a loura não teve outra reação senão beijar aquela mulher o mais forte que podia. Suas línguas se tocaram em paixão e uma dança fora iniciada. A latina quebrou o beijo, erguendo a esposa e a rodou no ar, fazendo-a rir muito. Ela estava feliz e queria que isso se perpetuasse.
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