A outra face- Surgindo das cinzas
1 Capítulo 1: Beirando a normalidade
Notas iniciais
Mudanças... Porque mudamos? Para aproveitarmos coisas novas? Existem mudanças boas e outras terríveis, que vão desde uma mudança de humor até a do seu caráter. Sofremos transformações todo momento. Nós seres humanos temos a capacidade de mudar com muita facilidade e que, em muitas delas, é por alguém. Vale a pena mudar por alguém? E se tiver que ser obrigado a mudar por algo de estremo que aconteceu? E a vingança? Ela é realmente necessária? Vemos que muitas vezes a vingança tem resultados assustadores e mesmo assim muitos optam por esse modo intrépido de buscar justiça. Muitas questões rondam em nossa cabeça e muitas delas vão se resolvendo com o decorrer do tempo. Não devemos apressar nada, pois tudo tem seu tempo para acontecer. O destino pode ser vingativo, então devemos descobrir como controlá-lo. Como? Quem sabe um dia descobrimos.
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Passou três anos e meio após o incidente com Constantina Trukowisk. O que aconteceu mexeu bastante com a vida de cada um, principalmente na de Santana, que foi alvo de tudo desde o começo. Mas tudo isso serviu de aprendizagem a ela. Descobriu que sua família vinha em primeiro lugar e que nunca devia se afastar de quem amava, pois só piorava tudo.
Todos seguiram com suas vidas:
Russel e Maribel juntaram suas empresas e deu certo. Seus empreendimentos aumentaram significamente, pois contaram com a ajuda de Santana nessa empreitada. A latina optou por não fazer faculdade, ela não dizia os motivos, preferia seguir dessa forma. Começou a trabalhar para Russel (que ela tinha como um pai) e sua mãe. Teve que fazer alguns cursos para ingressar em um cargo na empresa, mas não foi problema. Aos vinte anos de idade era uma conhecida contadora no meio empresarial e assim, recebia muitas propostas por várias empresas, porém nunca deixaria seus pais.
Quinn estava em seu último ano na faculdade de moda que fazia com Lanna, irmã gêmea de Santana. Ela estava empenhada em se tornar uma grande editora de moda e trabalhar em uma revista de sucesso. Seguia firme em sua conquista, assim como seu namoro com Santana. As duas namoravam à quase quatro anos e já moravam juntas em um apartamento comprado pelas duas. Quando elas decidiram morar sozinhas seus pais não gostaram dessa ideia, mas acabaram deixando. Russel tentou dar um de presente as duas, porém elas não aceitaram. Elas queriam comprar com o dinheiro conquistado pelas duas com seus trabalhos. Sendo assim, Quinn começou a trabalhar em uma loja conceituada em Nova York, a Rise’s, mas isso não era o bastante para ela, queria algo maior e lutava por isso.
Puck ficou bastante conhecido por conta do sucesso da sua academia. Ele era ótimo com crianças e tinha um método muito bom de dar aula, o que as cativava. Finn e Rachel estavam felizes com suas vidas. Finn trabalhava com Santana na empresa e Rachel estava terminando sua faculdade de música. Sem falar que os dois tinham o pequeno Felipe, menino meigo e amável. Lanna fazia faculdade com Quinn e fazia trabalhos como modelo, estava namorando com um dançarino famoso, Mike Shang a dois anos. Nora casou-se com um rapaz que conheceu na Alemanha e agora morava por lá, Maribel chorou rios de lágrimas quando ela se foi, mas Nora os visitava algumas vezes por ano e mantinha contato por telefone todos os dias.
Viviam assim: Um passo de cada vez. Tudo estava indo bem, suas vidas caminhavam conforme eles desejavam e tudo que aconteceu antes acabou se tornando um borrão... Mas apenas para eles.
–Como assim? Mais um de meus bens foram cancelados? Isso só pode ser brincadeira- disse impaciente- Já se passaram quase quatros anos e só piora minha situação. Tem certeza que tudo que mãe possuía aí foi cortado?
–Tenho, senhor Trukowisk- seu advogado respondeu por telefone- Sinto muito, mas não a nada a se fazer. A polícia americana entrou com uma ação e tudo que sua mãe tinha será devolvido à família Lopez, que de acordo com eles, são os verdadeiros donos do que sua mãe possuía na Rússia.
–Mas que droga- disse furioso- Me mantenha informado se alguma coisa mudar por aí.
–Ok- o advogado desligou e ele arremessou o celular com força na parede.
–Mil vezes droga. Eu perdi tudo, tudo- repetia sentando-se e encostando a cabeça na mesa- Tudo por culpa daquela latina desgraçada- grunhiu- Minha mãe tinha razão quando me disse aquilo... Eu devia tê-la ajudado quando ela pediu, mas não... Fui um fraco. Eu achava que ela era inocente... Eu cheguei a ficar contra minha mãe por ela- disse apertando o punho com força- Mas não se preocupe mamãe, eu vou recuperar tudo e ainda vou destruí-la. Prometo honrar sua memória e a de Rowina- encarou o vazio com um olhar sombrio- Me aguarde Santana... Você não vai saber o que te atingiu.
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Amanhecia o dia em Nova York, uma brisa fresca entrava pela janela do apartamento de Quinn e Santana. A latina dormia tranquilamente com suas mãos na cintura de sua namorada e seu queixo apoiado no ombro dela. Ambas com a respiração tranquila em um sono confortável, apreciando a companhia uma da outra. Aquilo era maravilhoso, estarem juntas era maravilhoso e intenso. As duas andavam muito ocupadas com o trabalho e Quinn com a faculdade e esse era o momento mais apreciado pelas duas, pois podiam ficar juntinhas daquela forma. O despertador apitou cortando o clima de tranquilidade das duas:
–Estraga prazeres- Santana reclamou apertando mais Quinn contra si que sorriu desligando o despertador.
–Bom dia- Quinn disse virando-se e dando um selinho em Santana.
–Bom dia, meu amor- Santana disse colando sua testa na de Quinn- Queria poder ficar assim o dia todo com você.
–Eu também- Quinn disse sorrindo- Mas nossas contas não se pagam sozinhas.
–Que droga!- Santana bufou agarrando a Quinn, afundando seu rosto no pescoço de Quinn- Estou com muita preguiça de levantar.
–Então trate de expulsar essa preguiça do seu lindo corpo e saia dessa cama logo- Quinn disse levantando-se, mas Santana a puxou de volta pra cama e Quinn caiu em cima dela.
–Eu tenho uma ideia melhor- Santana disse segurando a cintura de Quinn- Que tal você se juntar a mim nessa preguiça e ficarmos aqui nessa cama- falou beijando o pescoço de Quinn, que se arrepiava.
–Adorei a ideia, mas... – Quinn tentou dizer, mas Santana tomou-lhe os lábios rapidamente. Quinn apoiou seus cotovelos na cama e Santana apertava sua cintura. As mãos da latina passeavam lentamente pela cintura de Quinn e começava a descer para debaixo de sua camisola- Amor não vai dar- Quinn disse parando a mão de Santana, a colocando sobre sua cabeça- Nós vamos nos atrasar.
– Só um pouquinho Quinn- Santana pedia fazendo bico com um olhar pidão.
–Eu também quero muito amor, mas você sabe que vai acabar se prolongando e vamos nos encrencar no trabalho- Quinn disse e depois deu selinho em Santana.
–Eu sei, meu amor- Santana disse se rendendo- Nós precisamos de férias... Urgentemente- disse fazendo careta e Quinn sorriu.
–Precisamos- concordou sentando-se ainda no quadril de Santana- É só mais um tempinho. Só até eu terminar a faculdade. Aí... – beijou o pescoço de Santana- Vamos viajar de férias e fazer amor até não podermos mais- sussurrou no ouvido de Santana que soltou um sorrisinho malicioso.
–Mal posso esperar- comentou acariciando o rosto de Quinn e a beijando em seguida de forma calma, apenas um encostar de lábios- Eu amo você.
–Também amo você, meu amor.
–Tudo bem, agora sai de cima de mim, se não vou me arrepender de ir ao trabalho- Santana disse fechando os olhos- Não consigo me concentrar com você desse jeito.
–Boba- Quinn disse sorrindo dando um selinho em Santana. Levantou-se e foi na direção do banheiro- Acho que dá tempo para um banho- Quinn disse fazendo sua camisola deslizar de seu corpo o revelando completamente nu. Piscou de forma maliciosa para Santana, que arqueou a sobrancelha admirando o corpo da namorada- Vai ficar só olhando Lopez?- Santana sorriu e seguiu Quinn para o banheiro.
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Quinn foi a primeira a terminar o banho. Foi para cozinha preparar o café das duas enquanto Santana se trocava. Não demorou muito, Santana saiu do quarto com uma pasta em uma mão e sua jaqueta na outra. Quinn preparava panquecas, Santana se aproximou de Quinn e a abraçou por trás beijando o seu pescoço:
–Eu adoro suas panquecas.
–Que bom, por que é a única coisa que eu sei preparar direito- Quinn disse e Santana sorriu- Estou precisando seriamente de um curso de culinária.
–Que nada, meu amor. Sua comida é maravilhosa- Santana disse afastando fazendo careta. Começou a organizar a mesa para tomarem café.
–Você acha?- Quinn perguntou arqueando a sobrancelha encarando Santana.
–Não, é uma porcaria- Santana disse sorrindo e Quinn lhe jogou um pano de prato.
–É tão ruim assim?- Quinn disse fazendo careta mordendo a ponta do lábio superior.
–Claro que não meu amor, só o frango que você fez semana passada que estava um pouquinho cru- respondeu aproximando-se de Quinn- Ele faltava cacarejar.
–Santana!- Quinn brigou lhe dando tapas no ombro. Santana segurou suas mãos, prendendo Quinn contra a pia.
–Você fica linda vermelhinha, sabia?- disse com seu rosto próximo ao de Quinn. Ela enlaçou a nuca de Santana e a beijou- Vamos tomar café- Santana sorriu, as duas tomaram café e conversaram bastante.
Santana deixou Quinn na faculdade e foi para o seu trabalho. Cumprimentou algumas pessoas quando entrou na empresa e foi para sua sala. Um amontoado de papel a aguardava. Ela olhou pra eles, suspirou, depois deu de ombros sentando-se em sua cadeira e mergulhando em seus intermináveis cálculos.
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Santana estava concentrada analisando alguns papéis sobre sua mesa. Era de uma empresa sócia a de seus pais que estava com problemas na parte financeira. Alguém bate na sua porta:
–Pode entrar- ela disse sem tirar os olhos dos papéis a sua frente.
–Bom dia filha- Russel disse entrando na sala.
–Não precisa bater na porta pai, eu já disse ao senhor- Santana disse levantando-se e indo onde Russel o dando um abraço.
–Força do hábito- ele comentou sorrindo.
–Sente-se, por favor- Santana gesticulou apontando para a cadeira. Eles sentaram-se- Precisa de alguma coisa?
–Não filha, só vim ver você. Nós estamos nos vendo muito pouco ultimamente.
–Muito trabalho- disse mostrando os papéis a sua frente- Me desculpe por isso.
–Não precisa se desculpar, eu sei como é- Russel comentou colocando sua mão sobre a de Santana- Que papéis são esses?
–São da Lennox Company- ela respondeu- Eles estão com um problema sério na parte financeira. A empresa está gastando mais nos últimos meses, sendo que os lucros aumentaram- Santana explicou encarando os papéis a sua frente.
–É fiquei sabendo. John me contou que anda tendo muitas baixas em seus serviços e não encontra o problema. De quanto foi o prejuízo?
–Quase um milhão de dólares.
–Nossa... É muito dinheiro- Russel disse impressionado.
–Isso está muito estranho. Não se pode ter um gasto desse valor sem precedentes. Isso está me cheirando a desvio- Santana constatou analisando um dos papéis a sua frente.
–Você acha?
–Tenho quase certeza- disse digitando algo no computador- Não se preocupe, eu vou resolver.
–Eu confio em você- Russel disse levantando-se indo até Santana, beijou sua testa e saiu parando na porta por um instante- Eu já ia esquecendo... Sua mãe intimou você e Quinn a irem lá em casa no domingo para um almoço.
–Claro, estaremos lá- Santana sorriu e Russel se retirou.
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Chegou o domingo e as duas foram para casa de seus pais. Santana estava muito cansada, mas quando sua mãe tinha uma coisa na cabeça, ninguém ousava contrariar:
–Meninas!- Lupi gritou quando abriu a porta para as duas- Como vão vocês crianças?
–Não somos mais crianças Lupi- Santana disse recebendo o abraço de Lupi.
–Pois pra mim são e não digam o contrário- Lupi brigou. Santana levantou as mãos em sinal de rendição- Estão todos na área da piscina.
Santana e Quinn dirigiram-se para o local. Chegando lá, viu sua mãe conversando com Rachel e Lanna em um lado da piscina, Russel estava em frente a uma churrasqueira assando carne e Finn e Puck conversavam sentados à beira da piscina.
–Minhas filhas!- Maribel chamou sorrindo envolvendo as duas em um abraço de urso.
–Mãe eu não respiro- Santana disse e Maribel afrouxou o abraço.
–Como vão vocês?- perguntou guiando as meninas até onde conversava com Rachel e Lanna.
–Bem- Santana disse com seus dedos entrelaçados aos de Quinn.
–Você parece estar mais magra. Não está se alimentando direito Santana?- Maribel perguntou franzindo o cenho.
–Não é isso mãe, é que tenho muito trabalho ultimamente e ás vezes não dá tempo ou eu esqueço- explicou-se.
–Santana, minha filha. Assim você pode adoecer- Maribel alertou.
–Eu aviso pra ela direto Bel, mas ela é cabeça dura- Quinn disse e Santana a olhou com uma sobrancelha arqueada.
–Você está do lado de quem Quinn?
–Da sua mãe- Quinn respondeu abraçando Maribel que sorriu.
–Depois dessa eu vou ficar ali na ala dos imprestáveis- disse apontando para Finn e Puck e as demais sorriram. Santana cumprimentou Rachel e Lanna e foi para onde os dois conversavam- E aí Marias?- falou sentando ao lado dos dois.
–Latina irritante, quanto tempo. Esqueceu que tinha família foi?- Puck perguntou.
–Muito trabalho- respondeu encostando suas costas no chão.
–Você parece cansada- Finn comentou.
–E estou- Santana confirmou massageando as têmporas.
–Problemas?
–Muitos Finn.
–Com a Quinn?- Puck perguntou pegando três cervejas e as entregando para eles.
–Não, Quinn e eu estamos bem- Santana explicou sentando-se- O problema é na empresa.
–Algo sério? Eu reparei que tio Russ estava preocupado também- Finn perguntou já se preocupando.
–Creio que sim- respondeu bebendo um pouco de sua cerveja- Acho que alguém da empresa anda desviando dinheiro dos sócios.
–Como?- Finn perguntou engasgando-se com a cerveja- Se alguém descobre isso a empresa será fechada.
–É isso que eu temo Finn, mas já estou dando um jeito de descobrir quem é.
–Eu estou com você pra qualquer coisa. Você sabe disso- Finn disse tocando na mão de Santana.
–Eu também- Puck concordou.
–Eu também- uma pequena voz disse atrás de Santana.
–Você também o que moleque?- Santana disse puxando sobrinho que estava atrás dela, sentando-o em seu colo.
–Eu sei lá, mas sei que eu também estou- ele explicou. Santana mordeu sua bochecha e ele começou a dar gargalhadas.
–Nossa... Você cresceu um bocado- Santana comentou analisando Felipe.
–Muitas verduras e legumes — ele disse e Santana riu- Mamãe disse que se eu comer bastante, vou ficar grandão e forte que nem o papai.
–E ela está certa- Santana concordou- Só não fique idiota como o seu pai.
–Santana!- Finn a repreendeu.
–É a pura verdade Finn, conforme-se- Santana deu de ombros.
–Tia San, o tio Puck me disse quando eu fizer quatro anos já posso fazer aulas de luta com ele- Felipe disse entusiasmado.
–Que bom Lipe, vejo que está animado. Sua mãe concordou com isso?
–Papai a convenceu- Felipe disse dando de ombros, coisa que aprendeu com Santana.
–Deixa eu ver se você é forte- Santana ergueu as mãos para que Lipe batesse nela- Você é bem forte- disse puxando o garoto para beijar sua bochecha.
–Para tia- disse sorrindo. Felipe tinha se apegado muito a Santana, desde que o garoto nasceu ela sempre esteve do lado dele. O menino era mais parecido com Finn, até no tamanho. Lipe, como Santana o chamava, apesar de ter quase quatro anos já era grande pra sua idade- Vem, a vovó está chamando para comer- pediu arrastando Santana que o colocou nos ombros.
–Acho que perdi meu filho- Finn brincou sorrindo.
–Ele é mais meu do que seu Hudson- Santana brincou.
–Ah é?
–É. Eu fui amante da Rachel, o Lipe é meu filho- ela disse e os demais sorriram. Santana colocou Lipe na sua cadeirinha ao lado de sua mãe e foi sentar ao lado de Quinn na mesa.
–Oi- disse ela a Quinn lhe dando um selinho.
–Oi, foi paparicar seu afilhado?- perguntou sorrindo.
–Fazer o que? Eu amo esse garoto- disse olhando para Lipe que estava com a boca suja com purê de batata.
–Eu amo esse seu jeito sabia?- Quinn disse próxima a Santana.
–Eu sei, as garotas se amarram nele- Santana brincou e Quinn lhe deu um leve tapa no ombro e em seguida a beijou.
O almoço seguiu tranquilo, só faltava Nora pra completar a bagunça. Santana olhava a todos observando cada um. Muitos tinham mudado muito, amadureceram com o tempo. Mas ela não podia negar:
–É bom estar em casa.
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