A outra face- Surgindo das cinzas
42 Capítulo 42- Queimando por dentro- part. 2
Notas iniciais
–Com licença, Kate- Santana retirou a amiga de si com cuidado, ajudando-a a se levantar também- Você se machucou?
–Humm... Não sei. Acho que não.
–Ok, volto já.
–Hey, aonde você está indo?
–Minha mulher acabou de sair daqui soltando fogo pelo nariz. Pra onde acha que vou?- deu de ombros, saindo correndo dali, tentando alcançar Quinn aonde quer que ela já estivesse. Kate ainda ficou encarando o rastro de agonia da latina enquanto consertava seu vestido e praguejava Finn mentalmente pela topeiragem.
–Mas que droga, cara! Eu mal chego nessa merda de cidade e a desgraça já acontece. Só pode ser carma ou uma macumba brava que jogaram em mim... Que, urrrrr- acariciou o tornozelo dolorido pelo mal jeito da queda.
–Você está bem, Kate?- Brittany perguntou, tocando no braço da amiga, que soltava uns resmungos initeligíveis.
–Estou... Eu acho- fez careta ao levantar- Bem, meu tornozelo malcriado não quer concordar comigo- Brittany sorriu, oferecendo a mão a Kate para ajudá-la.
–Vem cá, me deixe te levar até uma cadeira- Kate aceitou sem nem pestanejar, sendo agora envolvida pela cintura por um dos braços de Brittany- Cadê a Santana?
–Foi correr atrás da dona dela como a boa cachorrinha que é- Britt fez uma carinha de confusão.
–Como? Santana é uma cachorrinha? E isso é possível? Achei que só fosse me filmes, tipo O zelador animal- Kate soltou uma risadinha cômica.
–Não, Britt. Isso é força de expressão- a bailarina balbuciou um Ah"- Esqueci que você não entende sarcasmos.
–Só acho desnecessário me preocupar em entender algo que as pessoas usam pra atingir as outras- a loira mais alta deu de ombros, fazendo Kate ficar de boca aberta- Prefiro guardar neurônios para entender como o Bob Esponja consegue fazer fogo embaixo d'água. Já tentei milhões de vezes, mas sempre apaga... Ele deve ser um mago como o Mestre dos Magos- ela ponderou como se tivesse feito uma grande descoberta- Uhh... Tenho que escrever isso no meu blog.
–Deus, Britt... Como você é fofa!- a médica abraçou Brittany pela lateral, depositando um beijo demorado em sua bochecha. A outra loira a encarou sem entender nada e as duas continuaram seu trajeto até a mesa mais próxima. Kate achava meigo esse jeito confuso e doce de Brittany, ou os seus momentos súbitos de sabedoria que eram quabrados por algo incoerente, mas deveras hilariante... Apesar de adulta, a bailarina conservou sua inoscência, seu jeito cativante e fofo que encantava a todos a cada dia. Mas quem não estava nada encantada com a cena das duas loiras era a cópia fiel de Santana. Lanna estava mais atrás, de braços cruzados e um olhar fuzilante para Brittany e Kate. Ela não sabia o por quê, mas não estava gostando nada dessa aproximação das duas loiras.
Do lado de fora, Santana parou de frente a academia do irmão, fazendo uma varredura com o olhar atrás de sua esposa. Logo mais a frente, avistou um ser de cabelos loiros, vestida em um vestido preto provocante e para lá se dirigiu, tocando no ombro dela.
–Hey, amor!
–Oi, docinho- um travecão galego barbudo tomou forma, fazendo Santana arregalar os olhos- Sabe, não sou de fazer programas com mulheres, mas por você abro uma excessão, bebê.
–Hãããã... N-Não. Muito obrigada. Eu sou casada- levantou a mão esquerda, mostrando a aliança brilhante no dedo anelar, com um olhar um tanto assustado.
–Todos que me procuram são, bebê- o homem-mulher-ou seja lá o que era aquilo, a olhou maliciosamente. Santana fez careta- Você é muito gostosa para ser uma mulher... Tem uma surpresinha entre as pernas também? Por acaso não quer me mostrar?
–O quê? Nãooooo... So-Sou sim. Sou mulher... Bem mulher, na verdade. E E-Eu não sou dessas. Amo minha mulher- toda sem jeito, resolveu mudar de assunto- A propósito, você por acaso não viu uma loira dessa altura...- indicou com a mão um pouco acima da cabeça- De vestido preto e muito, mas muito brava?
–Humm... Uma de olhos verdes?
–Essa mesma.
–Bem ali, xingando um skatista- apontou para o outro lado da rua onde Quinn gritava com um garoto que passou por uma poça de lama, sujando quase a metade da frente de seu vestido- Uhh, ela é esquentadinha, hein!
–Não sabe o quanto. Obrigada.
–Disponha... Precisar, esse é meu ponto fixo.
–Ok, será a primeira pessoa que procurarei- sorriu forçada para a outra pessoa- Meu Deus, nunca mais volto aqui- disse já de longe, bem próxima de onde Quinn estava.
–Pô, dona. Foi sem querer aí. Nem vi a senhora- o menino se desculpava, coçando a cabeça- Relaxa, tia. É só um vestido.
–Ah não, meu querido. Com o valor desse vestido eu compro sua alma- o garoto franziu o cenho, confuso- Droga, como vou pegar um taxi toda suja desse jeito?
–Tira o vestido, oras. Ninguém vai nem ligar, porque a senhora é muito da gostosa, tia- ele a olhou com aquele olhar tarado adolescente, encarando descaradamente a bunda da loira.
–Olha o respeito, moleque. É da minha mulher que você está falando- Santana chegou com um semblante intimidador, colocando a mão no bolso como se fosse pegar alguma arma, o que acabou assustando o garoto que pulou em seu skate e foi embora- Hey, tudo bem com você?- a loira afastou a mão de Santana de seu braço e saiu, ignorando sua pergunta- Quinn?- e ela continuava calada, andando apressadamente pelas calçadas- Quinn... Pára com isso. Volte aqui.
–Sai... Não estou falando com você- a loira parou na ponta da calçada, acenando para alguns taxistas que passavam a toda- Mas que droga!
–Quinn, pare com isso e me deixe te levar pra casa- Santana tentou novamente tocar na loira, porém ela se afastou, gesticulando para que a latina não refizesse o gesto.
–Não. Pode deixar. Eu vou de taxi. Pode voltar pra sua amiguinha" cheia de dedos pra cima de você- recebeu uma revirada de olhos de Santana pelo forte sarcasmo empregado nas palavras dela- Se ficam se enroscando pelo chão assim na minha frente, quem dirá o que fazem nas minhas costas?
–Nunca fiz nada que pusesse em dúvida minha fidelidade com você, Quinn... Nunca- Santana cruzou os braços, começando a chatear-se por essas crises de ciúmes da esposa. Fazia um bom tempo que ela havia parado com isso... Agora voltou com tudo- Aquilo que você viu lá dentro foi um mero acidente. Finn, com seu jeito delicado como o de um rinoceronte, trombou na Kate, que por fim se chocou contra mim e ambas caímos. Foi só isso. Acredite em mim. Acho que ela até se machucou com isso.
–Não sei de nada, só quero ir pra casa agora, para junto de meus filhos e esquecer essa noite- ela acenava freneticamente para os taxis que transitavam por ali, mas nenhum parava, fazendo-a bufar por isso- Esteja à vontade pra voltar e cuidar da pobrezinha da Kate" machucada. Nem ligo mais.
–Quinn, já pedi pra parar com isso. Que droga! Quantas vezes vou ter que dizer que Kate e eu somos apenas amigas?
–Vai se alterar agora? Palmas pra você, Santana Lopez- bateu palmas em ironia para sua esposa, que respirou fundo. A discussão já havia atraído a atenção de alguns curiosos-Além de ser cega e não perceber que aquela vadia quer te tomar de mim, ainda grita com a mulher que diz amar, a mãe de seus filhos, por causa da talzinha lá. Parabéns, sua bocó.
–Já disse pra você parar com isso. Se quiser dar seu showzinho de ciúmes sem motivos... Pelo menos espere chegarmos em casa- Santana já estava mais contida, tentando se manter relaxada perante a discussão. Já Quinn parecia cada vez mais alterada. A loira não era tanto de beber, mas parece que havia tomado um pouco mais do que de costume.
–Showzinho de ciúmes sem motivos?- riu em escárnio- Aquela vaca praticamente se esfrega em você na minha frente e eu dou showzinho de ciúmes"? Legal... Vocês duas se merecem mesmo. Idiota.
–Quinn, pare, por favor- tentou pegar no braço da loira.
–Não me toque, sua louca- nesse instante o semblante da latina mudou totalmente. Se havia uma coisa que ela odiava ardilosamente, era que a chamassem de louca. Não contou segundos, pegou o cotovelo de Quinn sem nenhum pingo de delicadeza e passou a arrastá-la pela calçada na direção de onde estava seu carro- Me solta, Santana... Você está me machucando- Santana nada disse, continuava séria e, por um descuido para abrir a porta do carro, Quinn se soltou de sua mão e a acertou com um tapa cheio no rosto moreno, que a fez tombar a cabeça pro lado- Nunca mais faça isso... Não me trate como uma de suas vadias- a latina a encarava em um silêncio doloroso, repousando a mão sobre a face atingida, onde estava dolorido. A loira se sentiu mal por ter batido na esposa, mas se fez de forte e voltou a andar pela rua, na procura de um taxi.
–Hey, Quinn!- escutou alguém lhe chamar de um carro próximo e se inclinou para ver Michael, sócio e amigo de Santana, parado com o veiculo perto da calçada lhe enviando um sorriso amigável- Já acabou a festa? Fiquei preso no trabalho e estou mega atrasado. O pessoal vai querer meu pescoço.
–Não, eles ainda estão lá dentro e... Michael...- a loira se aproximou da janela do carro- Será que você poderia me deixar em casa? Por favor?- o rapaz a olhou intrigado- Não pergunte nada, só me leve.
–Oh... Claro, Quinn. Será uma honra- ele abriu a porta pra ela, que entrou rapidamente. Antes do carro partir, Santana apareceu na janela próximo a Quinn.
–Quinn, desce desse carro agora.
–Não, Michael me levará pra casa. Volte pra sua festa- ela sequer olhou para a esposa.
–Quinn...
–Não se preocupe, San... Não sei o que há aqui, mas acho melhor as duas esfriarem a cabeça separadas, depois vocês conversam com mais calma- Michael propôs, recebendo um olhar ponderador de Santana.
–Ok... Só espero que esteja feliz por isso, Quinn- a latina se afastou, voltando para a festa.
–Podemos ir, por favor?- Quinn pediu educadamente, tentando conter a vontade imensa de desabar ali, do lado do amigo da esposa, em um choro doloroso. Michael nada disse, apenas deu partida e deixou a loira em casa. Os dois conversaram um bom tempo ainda dentro do carro, onde o rapaz aconselhou a loira a dar seu voto de confiança a sua esposa que sempre se mostrava tão apaixonada por ela. E se a tal traição fosse verdade, que ela usasse disso pra lutar pela esposa. Quinn disse que pensaria no assunto, se despedindo de Michael, o agradecendo pela gentileza de tê-la levado em casa com um beijo na bochecha. Assim que a loira saiu do veículo, o rapaz abriu o maior dos sorrisos, repousando a mão na bochecha agraciada pelos lábios macios de Quinn.
Enquanto isso, Santana havia voltado pra festa e se trancado pra todos no recinto, sentada de qualquer jeito no sofá que estava trocando caricias com a esposa ainda pouco. Ela bebia sem pudor algum e mandava seu irmão e o primo irem se ferrar todas as vezes que eles iam lhe alertar sobre a quantidade de bebida que ela estava ingerindo. Nem mesmo Kate ousou se aproximar da latina e sua carranca assustadora.
A festa acabou por volta das quatro. Santana mesmo por protestos de seus amigos e familiares, voltou pra casa dirigindo. Foi devagar por conta de seu estado alcoolizado. Entrou com cautela em casa, jogando as chaves de qualquer jeito no sofá, onde quicaram e se perderam pelo chão. Foi até a cozinha, onde a encontrou de luz acesa e alguém pegando algo na geladeira.
–Minha nossa, que susto, Santana!- era Quinn, que se assustou ao ver a latina parada na sua frente- Chegou agora? Meu Deus.... Você veio dirigindo nesse estado?- a outra nada respondeu, apenas foi até a geladeira, abriu o congelador e de lá tirou uma forminha de gelo e jogou-a sobre o balcão. Tudo sem tirar seus olhos dos de Quinn. Caminhou até uma gaveta e de lá tirou um pano, depois depositou os gelos da forminha no mesmo, o fechou e o colocou sobre a sobrancelha, que continha um pequeno corte. Quando Quinn lhe deu um tapa, foi com a mão que continha um anel com umas pontinhas e acabou machucando. A loira lhe olhou com uma dor no coração, se contorcendo internamente de arrependimento, então a morena deixou a cozinha e foi para seu quarto.
Quinn chegou a tempo de ver a esposa tirando sua roupa e se dirigindo até o banheiro, saindo de lá minutos depois de pijamas. A loira se ajeitou na cama para receber a esposa, porém a mesma passou direto pela a porta e foi dormir no quarto dos filhos, na cama de Beth com a pequena. O restante da noite foi um tormento para ambas... Quinn chorou até amanhecer, culpando Kate por ter estragado a tranquilidade entre ela e sua amada. Já Santana capotou como se dormir fosse a coisa mais perfeita para o momento... Precisava esquecer aquilo tudo.
No dia seguinte, a loira tomou café somente com os filhos, pois Santana ainda dormia. Quando foi chamar os pequenos para o café, se deparou com Santana dormindo agarrada a filha como se fosse um bicho de pelúcia fofo, de um jeito protetor. Apesar de tudo, não deixou de achar a cena muito fofa. Resolveu acordar apenas os gêmeos, deixando assim a esposa permanecer em seu sono pesado e com certeza, de pura ressaca.
Por volta das onze da manhã, a latina despertou, sentindo um incômodo no estômago e na cabeça... A famosa sensação de atropelamento que só uma maravilhosa bebedeira proporcionava. Levantou-se, andando de mau jeito, ainda um pouco tonta. Foi até seu quarto, tomou um banho gelado demorado, observando pela janela os filhos se divertindo com sua esposa na piscina. Não havia coisa mais preciosa no mundo do que aqueles três pra ela. Ela daria tudo, até a vida sem pestanejar para mantê-los bem e felizes, e ficava se perguntando o tempo todo o porquê de Quinn ter toda aquela insegurança quanto sua amiga Kate, sendo que a outra sabe de sua devoção por seu casamento e pelos filhos. Ela estava tão tranquila esses tempos, nunca mais havia implicado com Kate ou mulher alguma, mas foi só a médica voltar pra cidade que sua esposa ligara o botão ciumenta a nivel máster de antes e mandou uma foda-se pra tudo que Santana argumentava. Isso lhe deixava bastante chateada.
Santana vestiu uma roupa confortável, pegou um de seus óculos escuros despojados, desceu pra cozinha e estraçalhou um sanduiche de frango que ela mesma fez. Quando acabou, lavou os pratos e copo que havia utilizado, depois se dirigiu até a piscina para ver os filhos. Assim que Beth a viu, largou suas bonecas onde brincava na grama e correu até a mãe.
–Mamãe!- gritou eufórica, saltando quando perto da latina para que ela a aparasse, e assim a mais velha o fez, apesar de sentir uma dorzinha chata na cabeça.
–Oi, meu amor. Bom dia.
–Bom dia, mamãe- abraçou com carinho a nuca da mãe, recebendo um beijo no topo de sua cabeça- Você dormiu comigo na minha caminha?
–Dormi sim, filha... Por que, não gostou?
–Não, não... Eu adorei. Mas deveria ter me acordado pra eu me aconchegar em você assim- se aninhou ao peito da latina, fechando os olhos como se apreciasse aquele gesto- Eu amo dormir assim com você... Parece um panda fofinho pra se abraçar- sua mãe riu, lhe abraçando apertado.
–Um panda, é? Do bravo? Grrrrrrr- fez um grunhido semelhante a de um urso e mordeu o pescoço da filha, que gargalhou pelas cócegas.
–Não, do fofinho, mamãe... Nãoooo- ela se desmanchava em gargalhadas enquanto repousava as mãozinhas delicadas no rosto da mãe, tentando impedí-la de continuar com as mordidas- Ai minha barriguinha... Vou fazer xixi no biquini assim, mamãe- a latina riu, passando agora a encher a filha de beijos e abraços. As gargalhadas de Beth atrairam o olhar de Quinn, que se desmanchou ali mesmo de amores pelas duas naquela brincadeira fofa. Mas estava ainda mais preocupada em como ficaria o clima entre ela e a esposa depois da noite anterior- Mamãe... Joga futebol comigo na grama?
–Claro, meu ursinho... Vamos chamar o Ty pra brincar com a gente?
–Ah não, mamãe... Ele é muito molenga.
–Beth- Santana repreendeu a filha calmamente- Ele é seu irmãozinho e você o ama, não é? Tenha paciência com ele... Sabe que é fraquinho.
–Eu sei, ta bom. Vamos la. Só quero jogar- ela bateu palminhas animadas. Santana a colocou no ombro e foi até Tyler que estava sentado a beira da pisicina, brincando com um cubo mágico enquanto agitava as pernas na água. A morena se abaixou, deixando um beijo carinhoso no topo da cabeça do filho. Nem deu atenção a Quinn próxima a ele, dentro da água, observando-o em sua concentração em entender como funcionava o tal cubo mágico. O pequeno sempre se mostrou inteligente e isso enchia a loira de orgulho.
–Hey, Ty... Quer jogar futebol comigo e Beth?
–Não gosto de brincar disso, mamãe. Minha coordenação motora não me ajuda muito- ele deu de ombros, sem desgrudar os olhos do cubo, virando agora uma camada e soltando um suspiro frustrado por não ter conseguido montar a parte branca.
–Não sabe o que está perdendo, seu chato... Vamos, mamãe... Eu disse que ele não ia querer.
–Filha- foi a vez de Quinn repreender- Ele não quer, San. Fico aqui com o Ty. Podem ir brincar- a latina apenas consentiu e se retirou. Quinn respirou fundo... Pela expressão de Santana, a mesma transparecia uma decepção dolorosa, mas o que ela poderia fazer? A latina que quis assim aceitando ter Kate em sua vida mesmo depois de tudo que ocorreu no ensino médio. Ela que era a culpada de tudo estar assim, não era?
–Creio que o que esteja doendo na sua cabecinha deva estar mais complicado resolver do que eu com esse cubo, não é, mamãe?- Ty ponderou sem tirar sua atenção do brinquedo. A loira suspirou, deixando um beijo delicado na cabeça do filho.
–Nem queira saber, meu bem.
~°~
Três semanas se passaram nesse tormento para ambas as mulheres. Havia chegado a um clima tão pesado que já estava afetando os gêmeos. Os pequenos passaram a brigar com mais frequência e por qualquer besteira. Todo esse conflito estava deixando a latina saturada. Ela chegava em casa mais tarde que de costume só para não se deparar com essa confusão toda que havia instaurado em sua própria casa por conta de incertezas de sua esposa. Nesses dias que se passaram, elas não se tocaram, trocaram um simples sorriso ou olhar verdadeiro ou uma palavra amigável sequer. Se evitavam o tempo inteiro, Quinn mais ainda, pois o incidente com Kate ainda lhe roía os pensamentos. Era uma tortura saber que havia outra mulher querendo sua esposa e a mesma não querer afastá-la por nutrir certos sentimentos por ela. Isso doía em seu profundo... Só Quinn sabia o quanto.
Numa noite como qualquer outra, Santana havia chegado às onze e meia da noite em casa. As pálpebras lutando pra ficarem abertas, os pés confusos em qual deveria ser o primeiro a dar um passo, a mão lutando pra encontrar a fechadura da porta e entrar. Quando enfim conseguiu entrar na casa, fechou a porta atrás de si e jogou as chaves em qualquer canto, tropeçando em uma mesinha da sala.
–Que merda!- resmungou arrastada, acariciando o joelho machucado. Subiu com cuidado pelas escadas, tentando não errar o passo e se estatelar das alturas. Cogitou em ir direto ao quarto dos filhos para ter uma boa noite de sono ao lado deles, porém preferiu em ir a seu quarto tomar um banho caprichado. Não iria se juntar a seus filhos cheirando a alcool. Ao entrar no quarto, tentou ser a mais silenciosa possível, pois Quinn dormia logo ao lado em um sono tranquilo. Parou um instante para admirar a beleza da esposa, esboçando um sorriso tenro pelo o quão forte era o seu amor por aquela mulher mesmo ela ainda duvidar tanto disso, o que lhe doeu de verdade.
–San?- a latina fez careta por ser pega ali parada.
–Ah... Oi?- virou de costas, indo direto ao guarda-roupas atrás do seu pijama. Não queria ter qualquer diálogo que fosse com a loira nesse momento.
–Você chegou agora?- perguntou observando o relógio acusar quase meia noite- Anda chegando muito tarde ultimamente, não?
–Trabalho- deu de ombros, escolhendo algo pra dormir.
–Bom... Não sabia que além de empresária, trabalhava em um bar- cruzou os braços, irônica- Não adianta querer me enganar, Santana... Sinto cheiro do alcool vindo de você daqui. Isso está longe de ser algo saudável, sabia?
–E você se importa agora? Vai me bater por isso também se eu lhe contrariar?- rebateu com ironia à altura. Virou-se a Quinn e a mesma estava de olhar baixo, como se as palavras da esposa a houvesse atingido em cheio... E atingiu, dolorosamente. Sem dizer nada, a loira saiu da cama, vestiu um robe e se dirigia a porta, porém Santana a parou, segurando-a pelo braço- Espera, não fuja.
–Me solte, Santana- continuava de olhar baixo, fungando baixinho ao tentar esconder o choro. Santana ergueu seu queixo para que a outra a olhasse.
–Eu te amo, Quinn... Hey- voltou a puxar o rosto alvo para que lhe encarasse- Eu vivo você, meu amor... Por Deus, acredite em mim... É só a você que eu quero- aproximou dos lábios da loira para um beijo, porém ela o desviou.
–Mhmm... Não gosto dela perto de você, não entende? E saber que você a quer perto só me deixa pior... Vocês faltam flertar na minha frente.
–Quinn, eu amo Kate como amo Lanna, Nora, Puck e Finn... Ela é como uma irmã pra mim. E como irmãs, nós temos nossas brincadeiras...Não flertes" como disse. Você que foi, é e sempre será a minha mulher... A que eu desejo, a que me faz perder a respiração por um simples sorriso, céus, é a mãe de meus filhos. Será que eu preciso me jogar de cabeça em um penhasco para provar o quanto te quero?
–Não é isso, San... Eu só não gosto dela por saber que te quer tanto quanto eu.
–E se for verdade... O que te faz acreditar que eu a quero também?- Quinn negou com a cabeça- Então?
–Deixa pra lá, Santana... Eu só não estou bem, ta? Pode ficar com o quarto... Eu durmo com as crianças hoje- a loira se soltou da morena, porém antes que conseguisse passar pela porta, foi puxada pelo braço e empurrada contra a porta sem muita delicadeza- San, me solte.
–Não... Não vejo melhor forma de te provar o quanto de quero, se não te possuindo até perder as forças de prazer- a latina encostou a testa a da outra, deixando a mão vagar pelo rosto alvo até um dos seios cobertos pela seda macia da camisola de Quinn.
–San...
–Shiiii... Me deixe te amar, Quinn- a latina então invadiu com luxúria a parte de baixo das vestes de Quinn, vagando com dedos pela lateral de sua fina calcinha até alcançar a intimidade já úmida, levando a outra a soltar um gemidinho- Você me quer também- tirou os dedo dali e os levou a boca, sensualmente- Céus, como quer... Está pronta pra mim, meu amor... Me deixe te fazer minha, ta?- a loira não conseguiu dizer nada, apenas balançou a cabeça afirmativamente. A morena deixou um selinho na ponta de seus lábios e a pegou no colo, com todo o carinho do mundo, não demorando muito para uma matar a saudade do corpo da outra...
–Oh, San... Ah- a loira gemia enquanto Santana estava entre suas pernas, saboreando seu clitoris em chupadas seguras para depois invadí-la com a língua por sua entrada e firmar estocadas precisas e prazerosas que faziam a loira ter que se segurar para não soltar um grito estrondoso que acordaria não só seus filhos como a vizinhança inteira, mais ainda quando Santana arrastou a mão pelo estômago alvo fazendo uma pressão excitante até alcançar o seio esquerdo e o amaciar como se fosse uma almofada fofinha. As pernas em um branco delicado deslizaram pelas costas latinas, fazendo pressão com a ponta dos dedos pela pele charmosa enquanto recebia uma oral digno dos deuses.
Logo em seguida, depois da latina satisfazer a loira até um orgasmo majestoso, Quinn estava sobre a esposa em uma cavalgada selvagem contra seu clitoris pressionado ao dela. Santana agarrada ao quadril alvo, ajudava a loira em seus movimentos fortes contra seu quadril, fazendo-a respirar forte como se fosse perder os pulmões, puxando a outra para um beijo quente, cheio de línguas se buscando, se provando, que chegava a ouvir estalos excitantes vindo de suas bocas desesperadas uma pela outra. Quinn então se afastou do beijo, escorregando seus lábios pelo pescoço bronzeado para aplicar uma chupada forte naquele pontinho da pele, onde pode levar qualquer um a loucura. A latina então pesou a respiração, soltando um gemido forte, devolvendo o que lhe era proporcionado com arranhadas de apenas uma mão nas costas delicadas de Quinn, que se separou um instante de suas chupadas ao pescoço moreno para gemer monstruosamente forte. Não demorou muito para ambas estarem satisfeitas com o amor excitante, sensual e quente que acabaram de compartilhar entre elas naquela cama. A loira agora aplicava beijinhos preguiçosos pelo abdomen de Santana, que esboçava um sorrisinho preguiçoso enquanto mordia o canto do lábio agradada as carícias gostosas da esposa por seu corpo.
–Será que ainda preciso provar alguma coisa?- Quinn soltou uma risadinha contra a barriga de Santana, que riu também pelas cócegas que isso lhe causou. A outra subiu os beijos para sua tatuagem de fênix mais acima, depois para o pescoço de cheiro embriagante e enfim parou na boca, onde trocaram um beijo quente, cheio de caricias sensuais pelo corpo de ambas. Santana passou a mão pelas costas da loira até parar em seu bumbum e apertá-lo possessivamente. Quinn gemeu sobre seus lábios- Eu te amo, minha loira... Nunca duvide disso.
–Eu não duvido, meu amor... Nunca. Só tenho medo de que alguém possa te tirar de mim- Santana a beijou profundamente.
–Pra isso acontecer terão que me matar antes- Quinn acariciou seu rosto com todo o carinho do mundo- Eu faria qualquer coisa para estar com você, ao seu lado, te mimando, te fazendo feliz, sendo o que você precisa, meu amor... eu daria a você todos os órgãos de meu corpo só para te ver bem- agora a loira a encarava ternamente, mordendo o canto dos lábios enquanto se deixava a chorar quietinha, levando o polegar para os labios carnudos em uma caricia delicada- E sabe de uma coisa... Eu quero sim ter outro filho com você. Pra te provar que quero tudo com você... Só com você... A minha mulher.
–V-Você faria isso por mim?
–Faria por nós... Pra fortalecer nosso amor... E um filho sempre é uma benção. Vindo de quem se ama mais ainda- levou a mão até os cabelos alvos e os afagou- Você conceberia um filho meu novamente?- Quinn abraçou Santana forte, sentindo o peito arder de tanta felicidade.
–Mas é claro, meu amor... Eu seria a mulher mais feliz do mundo- aplicou vários selinhos pelo rosto moreno, fazendo a latina rir pela euforia da mulher, que estava parecendo uma criança que havia ganhado seu brinquedo mais desejado- Céus, eu já sou a mulher mais feliz do mundo... E-eu te amo, Santana... Deus, eu te amo tanto- apossou-se dos lábios carnudos em uma beijo forte e apaixonado, onde sugava prazerosamente o lábio superior da latina, que gemeu sobre os seus em agrado.
–Te amo também, meu amor- desceu pelo pescoço alvo com a pontinha do nariz, aplicando beijinhos preguiçosos no ombro em seguida- Você me desculpa então pelo o que aconteceu?
–Claro, amor. Eu sou uma boba por sentir tantos ciúmes de você... Sempre me respeitou e me colocou em primeiro lugar na sua vida. Eu não deveria ser tão insegura, mas, Deus, eu não gosto daquela mulher... Ela te quer, Santana, e isso me enfurece- sentou-se no quadril da latina, perdendo o olhar em qualquer canto do carro- Me enfureço tanto ao ponto de te agredir por isso aquela noite- deu uma fungada, limpando as lágrimas finas que caiam por suas bochechas rosadas- Me desculpa, amor... Eu fui uma estúpida, uma... -não aguentou e caiu num choro sofrido, tampando o rosto com o braço para que Santana não visse seu estado quebrado, porém a mesma ficou aflita por isso e se sentou na cama ainda com a loira em seu colo, puxando-a para um abraço apertado- Oh San... Eu machuquei você, não foi? Deus, eu sou tão idiota.
–Hey... Está tudo bem!- Quinn escondeu o rosto na curva do pescoço moreno, soluçando de tanto chorar. Isso chegou a doer em Santana... Ver sua esposa tão derrubada daquela forma.
–Não está não, Santana... Eu te bati. Isso foi horrível. Você nunca sequer levantou a mão pra mim e eu te machuquei... Por puro ciúmes.
–Relaxa, loirinha... Respira, ta? Está tudo bem... De vedade. Tinhamos bebido... O sangue esquentou... Acontece.
–Não seja tão boa comigo, San... Eu vou entender se você ficar com raiva de mim- a latina puxou o rosto da esposa e a beijou com paixão.
–Passou, Quinn... Passou. Vamos esquecer disso,ta? Precisamos focar no nosso bebê agora... Nos três bebês que vamos ter agora.
–Você ainda vai querer ter outro filho comigo?- perguntou com a voz fraquinha ainda por conta do choro, coçando os olhinhos com as costas das mãos. Santana não pode negar que a esposa estava muito lindinha daquele jeito choroso.
–Hey, eu te amo... A única coisa que eu não faria com você seria ficar sem você... Estamos bem, acredite- Quinn abriu um sorriso gigantesco e beijou Santana enquanto a sufocava em um abraço apertado.
–Oh San... eu não podia ter escolhido alguém melhor pra envelhecer ao meu lado- acariciou as costas da outra com extremo carinho.
–Nem eu, meu amor.
–Faz amor comigo, amor. Quero tanto você agora- a morena se afastou dela para mirar diretamente em seus olhos e sorrir de canto em um misto de desejo e ternura.
–Sempre, meu amor... Vou fazer amor com você pela eternidade.
As duas se olharam cúmplices de um amor que começou há tanto tempo, porém parecia que ainda estava no começo por ser tão forte e poderoso, que beirava a insanidade pelo medo de se perderem da outra.
E elas se amaram... Por toda a noite... Trocando o sono pelo prazer de satisfazer ambas, de mostrar o quanto se amavam e ansiavam pelo toque de suas peles, que se constrastavam melhor que qualquer outras no mundo... E Santana pode provar a Quinn que era apenas a ela que a mesma queria compartilhar lençóis pela sua eternidade... Era apenas ela que conhecia as melhores de suas faces... A de companheira... E amante ardente.
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