A outra face- Surgindo das cinzas
37 Capítulo 37- Muros internos
Notas iniciais
Uma madrugada fria havia chegado em Nova York naquela noite. Quase dois meses já haviam se passado. Santana ainda não havia voltado para o quarto do casal na primeira noite na casa e foi assim durante todas as noites que se sucederam. Sua cabeça não estava boa para pensar em dormir e muito menos retornar para junto de sua esposa sendo que teria uma grande porcentagem de acabarem discutindo novamente. Ela odiava isso, principalmente por que em sua concepção era a culpada desses problemas que estavam imersos. Em virtude disso caminhava pela casa matando um pouco a saudade do lugar, por que apesar dos sopapos recebidos da vida ali, coisas maravilhosas também foram vividas. Durante esse tempo que se passou sempre fazia a mesma coisa. Pela manhã e tarde ajudava Quinn com os bebês e a noite ia até a cozinha e pegava uma garrafa de Whisky que comprara há semanas, depois seguia até um balanço que ficava mais ao fundo do quintal da casa, comprado por sua mãe quando ela e as irmãs ainda eram crianças, sentava em um dos banquinhos e embalava-se por horas, rejeitando o fato de estar muito frio lá fora.
Essa noite, como as outras que vinha tendo nessas semanas, estava sentada no mesmo balanço de sempre, dando um gole de sua bebida enquanto observava toda extensão do quintal, recebendo lembranças de quando criança se divertia com Nora, Lanna e até mesmo Quinn na época que se conheceram aos cinco anos, quando espalhavam seus brinquedos por todo terreno que deixava a pobre Lupi enlouquecida juntando todos para que nenhuma das meninas se machucasse se acabasse tropeçando em um deles. Riu recordando-se da vez em que seu pai construía a casa na árvore com o auxílio das meninas e ele acabou se desequilibrando parando pendurado pela perna em uma corda. Apesar do susto, todos riram bastante da cena, principalmente por que uma lata de tinta caiu melando Richard pelo rosto e algumas partes da barriga e pernas. A latina olhava para aquele quintal e podia representar a cena, tanto essa quanto muitas outras que viveu naquela casa, sorrindo instantaneamente por achar bobice ter tais pensamentos.
Santana alisou a corrente que prendia a cadeirinha ao balanço... Fazia tempo que não ficava assim em seu brinquedo de criança favorito, pois nessa época acredita que isso lhe deixava mais perto das estrelas. Adorava aquela sensação de leveza que aquele balanço dava a seu corpo. O vento batendo em seu rosto moreno enquanto fechava os olhos e se imaginava flutuar pela imensidão do céu, lugar que tanto amar reter sua vista. Esse breve momento lhe deu tranquilidade. Santana não gostava das lembranças de seu passado, porém essas foram as melhores que tivera em anos, a melhor época de sua vida, bem... A segunda melhor. Nenhuma se comparava agora a sensação de ser mãe, aqueles dois eram tudo pra ela, igualmente sua amada. Sentia-se completa agora, mas algo lhe atordoava. Talvez fosse uma simples palavra, entretanto, ao mesmo tempo pesava mais que todo chumbo do universo. Engoliu tal pensamento com mais um gole de Whisky que desceu queimando não só seu estômago... Como a forma abstrata da alma. Um choro lhe tirou dos pensamentos. Pegou sua garrafa de bebida e retornou para dentro.
No quarto do casal Quinn dormia agarrada ao travesseiro em uma posição nada confortável. Tinha adormecido esperando sua esposa em mais uma noite de sumiço dela, então acabou dormindo de mau jeito quase sentada, encostada a cabeceira da cama. Apesar do cansaço do dia corrido, seu sono fora interrompido por um choro fino vindo do quarto dos pequenos. Abriu os olhos meio a contra gosto checando as horas no relógio que ficava na cômoda ao lado. Constatou que já se passava das três da manhã e bufou ao olhar para o lado vendo que Santana ainda não havia retornado. Levantou-se pegando seu robe e seguiu de encontro à vozinha chorona que se instaurava pelo corredor. Sua cabeça doía, pois apesar de passar aqueles dias em repouso no hospital, não conseguira dormir direito nesse tempo. Era muita preocupação pra uma cabeça só, agora mais ainda por que sentia que Santana precisava de ajuda, mas se negava a ter. Até mesmo dela, sua esposa há um ano e companheira há quase seis.
Caminhava a passos lentos tentando se acordar por completo coçando os olhos. Ao colocar a mão na maçaneta da porta escutou a voz de Santana dentro do quarto, reparando que o bebê não mais chorava. Entrou com cuidado para que sua esposa não percebesse e ficou a encarando da porta mesmo. A latina tinha a pequena nos braços embalando-a enquanto cantava uma música baixinha que parecia tranquilizar a pequena.
Why do birds suddenly appear
Por que os pássaros de repente aparecem?
Every time you are near?
Toda vez que você está por perto
Just like me, they long to be
Assim como eu Elas querem estar
Close to you
Perto de você
A loura sorriu encantada pela simplicidade da latina em conseguir deixar Beth tranquila a ponto de se acalmar rapidamente. Era como mágica. Santana acariciava o rostinho de sua filhinha, enxugando as lágrimas finas de suas bochechas ao mesmo tempo que Beth ia se tranquilizando mais, ficando quietinha apenas observando sua mãe cantar para ela.
Why do stars fall down from the sky
Por que as estrelas caem do céu?
Every time you walk by?
Toda vez que você passa
Just like me, they long to be
Assim como eu, elas querem estar
Close to you
Perto de você
On the day that you were born
No dia em que você nasceu
The angels got together
Os anjos se reuniram
And decided to create a dream come true
e decidiram Realizar um sonho
So they sprinkled moon-dust
Então eles espalharam poeira lunar
In your hair of gold
em seu cabelo de ouro
And starlight in your eyes of blue
E luz das estrelas em seus olhos azuis
Santana encerrou a música depositando um beijo carinhoso na testa de Beth. Quinn a essa altura já tinha lágrimas nos olhos pela cena que havia presenciado. Poderia parecer baboseira estar chorando por algo tão natural, mas tudo desse tipo vindo da latina era uma vitória. Ela deixava que seu lado humano e delicado se apresentasse quando estava perto de quem amava tanto. Quem sabe agora com seus filhos não viria sua grande mudança? A loura estava em um misto de alegria e preocupação naquele momento, pois notava pelo olhar de sua esposa que ela não estava bem, mas sua incrível cabeça dura a impedia de admitir isso. Após um suspiro ela se pronunciou:
–Isso foi lindo, amor!- Santana virou seu rosto para Quinn lhe enviando um sorriso fraco- Tem a voz muito linda, sabia? E não é por que amo você que digo isso. Tudo parece mágico quando você canta. Nunca me esquecerei da primeira vez que cantou pra mim quando me pediu em casamento.
–Nem canto tanto assim, Quinn- a loura se aproximou- Ela estava chorando muito, acho que ainda não se acostumou com o ambiente novo. Minha mãe cantava essa música para mim quando eu era pequena e me tranquilizava. Pelo visto ela gostou também.
–É, parece que sim- comentou fitando sua pequena enquanto acariciava os cabelos ralos de sua cabeça. Beth encarava Santana com um olhar que ambas as mulheres não sabiam decifrar. A pequena Fabray Lopez esboçava um leve sorriso em direção a sua mãe latina que se prendeu a esse gesto- Sinto cheiro de whisky! Você bebeu, Santana?
–Poucos copos- respondeu pegando um paninho para enxugar o canto da boca de Beth e não pode reparar a expressão de descontentamento que Quinn fez ao ouvir aquilo.
–Você bebeu à uma hora dessas? San, já falamos sobre isso. Se estiver chateada converse comigo, não beba. Pode ficar dependente e...
–Beth está com fome- Santana cortou a repreensão de Quinn que a fez suspirar pesado. Santana definitivamente parece não querer escutar nada em relação a seus atos ou qualquer outra coisa em relação a ela. Não se importava mesmo, preferia ficar presa a algo trancado a sete chaves, o que agoniava sua esposa.
–Tudo bem, me dê ela- a latina entregou sua filha cuidadosamente a loura. Quinn se dirigiu com a pequena em seus braços para sentar-se a uma poltrona para ali dar-lhe de mamar sendo constantemente observada por sua esposa. Enquanto Quinn cuidava de Beth, Santana foi até Tyler em seu berço e o menininho estava da mesma forma que ela havia o deixado, dormia tranquilamente sem ao menos ter se mexido. Era impressionante a calmaria dele, tão tranquilo quanto sol se pondo no horizonte.
–Você está nem aí pras coisas, não é? Nem liga pra esse povo barulhento lá fora- brincou acariciando a pequena mão de Tyler que estava sobre seu peito- E está completamente certo, meu filho. Torço pra que isso dure, sua tranquilidade- sussurrou próximo ao filho depositando um beijo casto em sua têmpora.
Voltou-se para sua esposa mais atrás em um caminhar leve e lento. Sentou-se no chão perto da poltrona apoiando seu queixo no joelho de Quinn para observá-la alimentando Beth. Ela achava isso tão divino. Essa ligação da mãe com seu bebê, se utilizando do próprio corpo para dar-lhe sua essência de vida. Nesse momento se levava a acreditar mais ainda na perfeição que é Deus. Aquelas duas na poltrona e menininho no berço eram provas concretas disso. Quinn levou seu olhar para Santana que lhe fitava naquela posição e apesar de estar chateada por sua esposa sumir todas as noites daquela forma e ainda por cima parece beber em todas elas, não deixou de achar encantador o olhar de adoração da latina. Era lindo todo esse zelo que ela tinha com sua família, com a loura e seus filhos mais ainda. A latina deitou sua cabeça de lado no joelho da loura e os olhares se encontraram em um silêncio de pensamentos talvez pareados. Eram aqueles tipos de olhares que conversavam entre si, sem a precisão do uso de palavras ou qualquer outro gesto corporal para ser entendido, porém que só existia entre pessoas de uma linha de sentimentos fortes demais e tempo bastante de convívio, cujos corações batessem em uma mesma frequência audível apenas para elas. Quinn resolveu quebrar o silêncio:
–Tudo bem?
–Você está?
–Sim, estou bem.
–Então a resposta é sim, estou bem- a loura silenciou-se por breve tempo em uma análise parcial da expressão neutra de sua esposa.
–Estou aqui, meu amor- acariciou o rosto de Santana que fechou os olhos apreciando o toque.
–Eu sei, agradeço por isso.
–Por que estou aqui?- franziu o cenho questionadora.
–Por simplesmente existir. Você é demais, sabia?- sorriu levemente para Quinn, recebendo um olhar intrigado de sua esposa.
–Está tudo bem mesmo?
–Eu te elogiar é sinal de que não estou bem?- Santana rebateu desfazendo o sorriso.
–Não, San, mas você ultimamente anda agindo estranho. Sinto que me esconde algo e isso me incomoda por que me sinto excluída de você. Não parece mais a minha Santana.
–Estou da mesma forma de quando me conheceu, Quinn. Se estiver se incomodando agora com isso, sinto muito, mas essa sou eu. Essa é a Santana que te ama desde a primeira vez que colocou o olhar em você, com quem trocou juras de amor na cama e no altar e que agora está formando uma família- desfez sua posição e levantou-se- Se não te agrada me conhecer de verdade, não a impedirei de dar um passo em um caminho diferente do meu. É livre pra fazer qualquer escolha- Santana dizia tudo de um modo ríspido e Quinn a encarava incrédula pelo o que estava ouvindo.
–Como... Aonde você quer chegar, Santana? Não estou entendendo essa sua revolta agora- Quinn questionava séria, já se chateando pela atitude da latina. Levantou-se da poltrona tomando cuidado com Beth que já estava quase dormindo.
–Deixa, não quero discutir com você- levantou-se ficando de frente a Quinn- Vou deitar agora. Amanhã trabalho cedo- foi até a loura para deixar um beijo na testa de sua filha e depois se retirou.
–Santana!- Quinn chamou baixo para não assustar a pequena em seus braços e sua esposa ignorou o chamado rumando porta a fora. Ela balançou a cabeça em descrença pelo o que acabou de acontecer naquele quarto, Santana tinha sido ríspida com ela e não sabia o porquê disso. Quando Beth enfim adormeceu, Quinn foi o mais rápido que pode para o quarto. Encontrou Santana acabando de sair do banheiro- Tudo bem. Agora vai me explicar o que foi aquilo e por que deu as costas pra mim, Santana Lopez. Quero respostas agora- ordenou com um semblante bravo aproximando-se da latina.
–Não foi nada, Quinn. Estou com sono, boa noite- tentou se sair, mas Quinn a impediu.
–Ah, não, Santana. Que história é aquela de ‘’ Se não te agrada me conhecer de verdade, não a impedirei de dar um passo em um caminho diferente do meu. É livre pra fazer qualquer escolha’’?- perguntou desdenhosa com as mãos na cintura, gesto que fazia quando algo a incomodava- Me explica isso por que até agora não entendi o que quis dizer com aquela frase.
–Quinn, já estou ficando de saco cheio disso. Vocês ficam pisando em ovos comigo. Você e nossa família- ela despejou elevando o tom de voz- Ficam me tratando como uma doente mental. ‘’Ah, tudo bem, Santana?’’ ‘’Sabe, você está precisando se tratar com um médico especializado por que sua cabeça não está legal’’. Isso me irrita. Têm que parar com isso, nessas semanas que passaram vocês só pioram com essa chatice. Me acha louca por acaso?
–Não é isso, Santana. Está levando as coisas para um caminho errado. Digo isso por todos que te amam que só queremos o seu melhor e você não está bem, é evidente pra todos menos pra você.
–Eu já disse que não precisa disso tudo- Santana inquietou-se indo para um sentido contrário ao de Quinn- Isso é totalmente desnecessário da parte de vocês quererem me controlar.
–Ninguém aqui quer nada disso, Santana.
–Não? Acha que eu não noto esses olhares em minha direção? Aquele olhar de ‘’coitadinha, ela está sofrendo. Que tal interná-la em um hospício logo e nos livramos de um problema?’’ Me poupe- disse com sarcasmo em um revirar de olhos.
–Eu me preocupar com você a chateia, Santana Lopez? Por que se for esse o meu erro me desculpe, minha cara- foi a vez de Quinn ironizar- Me perdoe por me preocupar com seu bem estar por que te amo- frisou essa última parte com chateação na voz.
–Eu sei que me ama, disso eu nunca terei dúvida por que é o que eu sinto também. Te amo loucamente e sabe disso, Quinn- Santana suspirou encarando Quinn que voltou a se aproximar.
–Meu amor, é claro que eu sei disso, mas algo aqui não está certo. Sinto que me esconde algo. Me diz, o que está acontecendo realmente, Santana? Algo parece te chatear e está descontando isso em mim agora. Até beber todos os dias está fazendo agora.
–Eu não estou descontando nada em você, Quinn. Nunca fiz isso por que faria agora?- gesticulou dando de ombros- Só tem que confiar em mim, Quinn. Só isso.
–Santana, eu te devo a vida, por que não confiaria em você?- tocou as mãos da latina- Baixa essa guarda pra mim, amor. Sou eu aqui, sua esposa que te ama tanto, mas tanto, que viajaria até lua só pra provar que ela não brilha mais que esse seu sorriso lindo de covinhas pelo o que me apaixonei desde a primeira vez que te vi?
–Quinn, por favor. Pode ser menos meiga, pelo amor de Deus? Sabe que me derruba dessa forma- Quinn sorriu com a careta que Santana fez pelas palavras- Me desculpe por isso.
–Não precisa se desculpar, San. Sou sua companheira, quero que divida tudo comigo.
–Mas eu não irei. Sabe que não gosto de te passar coisas ruins, Quinn. É boa demais pra isso.
–Então não mereço participar de todos os momentos de minha esposa?- foi mais uma afirmação que uma pergunta vindo da loura- Então me explique o que temos por que isso não me parece mais um casamento.
–Quinn, talvez fosse o melhor pra você e pras crianças se...
–Não, Santana. Não me venha com isso de que o melhor pra nós será ficar longe de você. Sabe o quanto isso me machucou daquela vez- disse em um tom de desespero agarrando o pescoço da latina colando seus corpos- O que foi que eu fiz dessa vez? Me diga, por favor. Eu juro que posso mudar. Faço tudo pra te ter, meu amor. Até enlouqueço se ficar um minuto longe de você daquela forma, San. Não me peça pra ir de novo, por favor.
–Você não me fez nada, Quinn. É a mulher mais perfeita desse mundo e eu sou a desgraçada mais sortuda em conseguir te conquistar e estar com você dessa forma- acariciava a bochecha de Quinn com o polegar enquanto falava- Eu só tenho a agradecer você, meu amor. Sempre me fez feliz e agora me deu filhos lindos, o que eu poderia pedir mais?
–Não fale assim de si mesma, San. É incrível, não sabe o quanto. Não me apaixonei só por sua incrível beleza e sorriso mais gostoso do mundo- a latina riu com o comentário- Mas também por esse coração maravilhoso que já foi tantas vezes machucado que já formou uma barreira para o mundo. Você é a pessoa mais incrível que já conheci. Eu que me sinto a mulher mais sortuda do universo por conseguir ter você, meu amor.
–Eu não te mereço, sabia?- Santana abraçou o mais forte que pôde sua mulher, sentindo o peito arder não só de amores por aquela loura a sua frente, mas de lembrar que seu amor era dela, somente dela.
–Hey, eu amo você, não vem com essa- afagou as costas de Santana de uma maneira tranquilizadora, sentindo a mesma apertar cada vez mais o abraço- Sabe, San. Não sei quanto você, mas eu sei bem o que posso pedir agora.
–Sabe? E o que seria isso?- Quinn colou sua testa a da latina, roçando seus narizes um no outro em um beijo sensual de esquimó. Suas mãos na nuca de Santana desceram alisando as laterais do corpo da mesma com a ponta das unhas provocando arrepios pela pele latina.
–Faz amor comigo, San. Me deixe te mostrar que o seu lugar é ao meu lado, que apenas eu posso suprir o que precisa e te fazer esquecer o que a incomoda- beijou o maxilar de Santana e escorregou até a orelha, arrepiando-a- Posso provar agora que meu corpo foi feito por encomenda para se encaixar ao seu. Sou sua desde antes da criação do universo, como a rosa foi feita pra ter um cheiro gostoso e ao mesmo tempo forte para se proteger com os espinhos que tocado na pele levemente, arrepia, mas não tão quanto você apenas me olhando, fazendo com que todo meu corpo se arrepie e acenda com esse simples gesto.
–Quinn, amor...
–Não, não diz nada. Só me deixe cuidar de você como merece- Quinn pediu segurando os dois lados das faces de sua latina que apenas assentiu com um gesto de cabeça. Essa foi a deixa pra loura agir com o que seu coração lhe mandava. Puxou Santana para um beijo calmo, sentindo as mãos da mesma rodearem sua cintura para grudarem mais os corpos. As duas ainda não haviam tido nenhum contato íntimo depois que Quinn havia dado a luz, mas ela sabia que não teria problema, pois já sentia seu corpo pedir por isso quase que desesperadamente.
Santana deslizou o robe de Quinn por seus ombros lentamente, depositando beijos pela pele alva que ia ficando descoberta. As duas se beijavam, se acariciavam, se deliciavam com aquilo que apenas elas poderiam proporcionar uma para a outra, em uma dança prazerosa de mãos que trilham caminhos pelos corpos a procura de satisfação. Conforme iam se aproximando da cama, as roupas eram descartadas e em fração de minutos Quinn já estava entre as pernas de Santana acariciando seu ponto pulsante com a língua. As mãos da loura trabalhavam em carícias pelas coxas morenas, as arranhando levemente. A latina tinha a mão esquerda no topo da cabeça de sua esposa a incentivando a continuar com os movimentos mais que gostosos em sua intimidade. Quinn aumentava as carícias, passando a penetrar o lugar com a língua fazendo Santana soltar um gemido um tanto alto agarrando-se a cabeceira da cama.
–Quinn- gemeu com a voz entrecortada, puxando o fôlego que teimava querer escapar de seus pulmões- Estou... Ai, nossa... Quase, amor!- as pernas morenas apertaram com força os ombros alvos de Quinn, anunciando que um orgasmo forte a alcançava. E este veio profundo, a loura sentia o quão era pelos tremores que Santana tinha no corpo. Ela alcançou os lábios de sua esposa em um beijo carinhoso com mesclas de sabores, os dos lábios doces de Quinn com o próprio gosto de Santana. A morena não esperou se recuperar do intenso orgasmo, girando os corpos das duas para que ficasse por cima. Sem pudor abriu as pernas de sua esposa e introduziu um dedo em seu sexo já lubrificado de uma intensa excitação mesclado a tudo que sentiam agora. Quinn expressou um pouco de dor, o que fez Santana se preocupar encontrando seu olhar ao dela em um encostar de testas.
–Tudo bem, meu amor- a loura a tranquilizou deslizando seu polegar direito pela bochecha de Santana- Sou sua.
–Amo você- disse movimentando-se lentamente sobre Quinn para a mesma ir se acostumando em ser tocada ali. A doutora havia avisado que poderia ocorrer um desconforto durante o sexo pós-parto que a loura tivesse, mas que aquilo era passageiro. Coisas de parto- Amo muito você.
–Amo você também, meu amor. Mais que tudo nesse mundo- sua voz vacilava a cada palavra dita. Apoiou o queixo no ombro de Santana dizendo-lhe palavras de conforto enquanto a latina lhe dava prazer introduzindo mais um dedo durante suas movimentações- San, amor, mais rápido- ela pedia em um murmuro sôfrego por mais e sua esposa acatava dando o melhor de si para satisfazê-la. Santana descia com beijos até os seios de Quinn, acariciando seus mamilos róseos com a língua, o que fez a loura arquear o corpo agarrando-se aos cabelos negros para dar vazão a isso. Com a mão livre, Lopez alisava o quadril de sua mulher, subindo e descendo de maneira carinhosa, mas também bem excitante para ela que se agarrou a cintura da outra com as pernas para obter mais contato com seus dedos hábeis. Quinn já sentia seu ápice se aproximando, mas algo tirou sua concentração naquilo... Ouviu um som baixo, como um choramingo fraco- San? Tudo bem, amor?- a latina não disse nada apenas se deixou desabar sobre o peito de sua esposa em um choro descontrolado- San, amor, o que foi? Eu machuquei você?- Santana não conseguiu falar, gesticulou um ‘’não’’ com a cabeça- Então o que foi, meu amor?
–Me perdoa, Quinn. Eu não queria, eu te juro que eu não queria... – não aguentou falar e desabou mais uma vez em um choro sofrido deixando Quinn sem reação a não ser abraçar sua esposa o mais forte que podia. Ela não estava entendendo nada do que estava acontecendo ali, mas já sentia que nada bom viria daquilo. Com certeza não viria. Aquela definitivamente não era a Santana que conhecera há anos.
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