A outra face- Surgindo das cinzas

36 Capítulo 36- Casa nova... Receios antigos


Notas iniciais
Boa noite pra todo mundo que ainda acompanha a fic. Lá vai eu me desculpar pela demora de novo. Vou fazer muito isso por aqui ainda... Desculpaaaaaaaaaa... Então, está aí um capítulo novo e demorado pra se fazer... Tasc tasc... Espero que gostem, se não ficou bom mil desculpas, tive que fazer a cada minuto livre que tive nesse decorrer de tempo. Obrigada pelos comentários, gosto quando espoem suas opiniões por aqui. Voualá (francês vagabundo kkkk)

O que é felicidade pra você? Até onde acha que pode chegar para obtê-la? Acha que pode ser feliz colocando sua felicidade acima da de outra pessoa? Certas questões às vezes nos remetem a monotonia. Uma delas é ‘’por que é tão difícil se alcançar a felicidade se meios fáceis nem sempre são os melhores?’’ E ‘’se os meios fáceis nem sempre são bons e os difíceis são quase impossíveis, o que diabos fazer agora?’’

Calma que incrivelmente essas questões vão se solucionando de acordo que você for aprendendo a viver... Aprendendo a entender você mesmo e a seus atos... Quando entender que o mundo não gira ao seu redor e que existem pessoas, seres humanos, como você que sentem, que sofrem, que possuem tomentos tão gritantes que os seus passam a ser contos de fadas a frente dos deles. Dói, todo mundo sabe disso, mas acha que se entregar a eles não seja pior? Acha que se deixá-los te dominar não é pedir para ser destruído? Questões e mais questões sobre isso nos cercam. Respostas? Pobre coitado! Respostas são apenas uma das formas abstratas do desespero. Aquela que anseia e sofre para obter.

Enfim, vivemos sobre a sombra do passado... Passado esse que muitas vezes é a trava que impede de darmos o próximo passo. Sendo que esse pode ser o mais importante, cruciante, determinante, instigante... Infinitamente necessário a se dar, mas o medo nos impede de raciocinar. Nos prende a nós mesmos de forma doída... Pra quê sofrer tanto? Pra que passar todos os dias de sua vida procurando a felicidade se a mesma pode ser até então quase impossível de se alcançar? O que fazemos então?

Desistir? Trapacear pra ser feliz? Ser quem não é? Enganar a si mesmo no intuito de esconder o que você tem guardado nessa caixinha em seu peito esquerdo?

Meus caros leitores... O jeito é esperar o arco-íris depois da tempestade. Podemos perder tudo, menos a esperança.

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Já se passavam das dez quando os familiares de Quinn e Santana se despediram das duas e foram para seus respectivos lares. Ficaram apenas os quatro naquela casa enorme e cheia de recordações tanto boas quanto ruins que só deixavam o lugar ainda mais especial para a latina. Enquanto Santana certificava-se que todas as portas e janelas da casa estavam trancadas, Quinn estava sentada no sofá com Beth no colo e Tyler ao seu lado já entregue ao sono. A loura brincava com a pequena em seus braços, aproveitando aquela dádiva divina de se ter um filho, uma parte de si, admirando o quão linda era sua filhinha. Estava tão concentrada que não viu Santana se aproximar e ficar parada os olhando, encantada com sua amada tão feliz.

–Depois não gosta que eu fique encarando você- Quinn disse quando percebeu o olhar da latina sobre ela e os pequenos- Junte-se a nós, amor- Santana deu um sorriso tímido aproximando-se da loura no sofá. Pegou Tyler com cuidado e sentou-se no mesmo lugar, sentindo Quinn colocar a cabeça em seu ombro dando um suspiro profundo- Trancou tudo?

–Tudinho- respondeu passando seu braço pelo ombro de Quinn, abraçando a mesma de lado.

–Você fez um ótimo trabalho aqui, San.

–Ia ficar melhor, mas esses danadinhos se apressaram pra chegar antes do previsto. Eu imaginava algo diferente pra casa, porém vai ser isso mesmo. Parece que não mudou nada, só consertou o que problematizou.

–E está perfeito assim, amor. Me lembra nossa infância por aqui. Melhor não pode ficar- Quinn disse fechando os olhos, sentindo o perfume de sua amada- Prefiro exatamente assim... Tivemos uma infância maravilhosa. Quero que nossos filhos sejam tão felizes quanto fomos.

–Eu também, lourinha. Por isso mandei que melhorassem a casa, mas já que você prefere dessa forma, então que assim fique.

–Isso... Desse jeitinho- falou de uma forma manhosa escorregando sua cabeça até o peito de sua amada, se aconchegando ainda mais a ela.

–Vejo que já tem alguém aqui mole de sono além dos bebês- Santana brincou depositando um beijo casto no topo da cabeça de Quinn.

–Está vendo certo, senhora Lopez... Estou exausta e precisando de cama ao lado de minha esposa gostosa- a latina sorriu da moleza da loura, acariciando seus cabelos.

–Também estou, amor. Vamos colocar os pequenos para dormir e em seguida vamos... Precisamos seriamente de uma boa noite de sono. Vem- chamou levantando-se cuidadosamente com Tyler no colo e Quinn a seguiu até o segundo andar onde ficava o quarto dos bebês com o delas ao lado.

Quinn colocou Beth em seu bercinho branco e com detalhes cor de rosa em flores enquanto Santana colocava Tyler em seu de cor azul marinho com uma porção de estrelas douradas por todo ele colocadas. A latina ficou uns instantes fitando o pequeno dormir tranquilamente, sem ao menos ter se esforçado para tê-lo feito dormir, com a mãozinha sobre o peito e um pequeno sorriso esboçado no canto de seus pequenos lábios. Tão louro e branquinho quanto sua mãe Quinn. Ele e Beth era indiscutivelmente filhos da loura, verdadeiras miniaturas de Quinn, o que fazia a latina os amar mais ainda. Debruçou-se sobre a grade do berço para depositar um beijo delicado na têmpora de Tyler:

–Boa noite, meu filho. Tenha bons sonhos. Amo você- disse baixinho para o bebê, indo em seguida para onde Quinn estava com Beth.

–É hora de dormir, meu amor. Mamãe está com sono, fecha os olhinhos vai- Quinn pedia carinhosamente para a pequena loura que parecia não querer dormir tão cedo, acariciando sua cabecinha e barriga. Sentiu Santana abraçá-la por trás.

–Como estamos com a pequena elétrica?- perguntou, observando Beth por cima do ombro de sua esposa que deu uma profunda suspirada vendo que a pequena lourinha não ia ceder.

–Parece que temos alguém aqui sem sono. E Tyler?

–Dormiu faz tempo, nem precisou eu fazer nada- respondeu pegando a perninha direita de Beth e brincando com a mesma- Está sem sono, passarinho 2?

–Sério que você vai chamar nossa filha de passarinho 2?- Quinn indagou, virando seu rosto para encarar sua esposa.

–Ela é sua cópia exata, então... Meu passarinho 2- a latina explicou fazendo careta. Quinn lhe deu um selinho demorado.

–Eu te amo, mas se chamar minha filha disso, vou te dar um beliscão até ficar roxa.

–Nossa... Que violenta você. Eu te chamava assim quando criança- Santana se defendeu apertando Quinn ainda mais em seus braços- Já chamei você assim até na cama e nunca reclamou- disse no pé do ouvido de Quinn, fazendo-a se arrepiar.

–Santana... Quando estamos você e eu em uma cama, pode me chamar de Medusa que eu nem ligo- abraçou a nuca da latina e aproximou seus rostos. Santana a olhava de forma engraçada, com a sobrancelha arqueada.

–Medusa? E por que eu te chamaria assim?

–Sei lá, criatividade zero agora... Me beija que é melhor- a morena gargalhou balançando a cabeça negativamente. Quinn a apertou contra si tomando seus lábios de forma lenta e profundamente, sentindo sua esposa a encostar contra o berço de Beth. As mãos de Santana iam descendo do rosto da loura até sua cintura, parando na mesma e a segurando de forma firme e forte, fazendo sua esposa gemer sobre seus lábios. Quinn desconectou suas bocas passando a beijá-la lentamente, mas firme, o pescoço da latina que suspirou profundamente apertando o quadril da loura ao seu de uma forma meio grosseira e sexy. Quinn gemeu contra o pescoço de sua esposa arranhando seu abdome por cima da blusa, ambos os corpos sedentos de desejo. Santana estava de olhos fechados, boca entreaberta, respiração apertada... Totalmente entregue as carícias de sua amada que explorava o corpo da outra enquanto ainda devorava seu pescoço. Em um instante, ao abrir os olhos, Santana fitou Beth no berço inquieta e com uma das mãos dentro da boca:

–Hey, acho que tem alguém aqui querendo inovar no cardápio- Santana brincou cessando o beijo. Quinn virou-se para ver o que sua esposa olhava e sorriu ao se deparar com a pequena Fabray Lopez com uma de suas luvas quase solta e já dentro da boca.

–Oh, meu amor... Você está com fome?- a loura perguntava com uma vozinha carinhosa pegando sua filha no colo. Tirou com cuidado a luva de Beth que ainda estava na boca e a recolocou em sua mão. Santana observava toda a interação de suas duas louras mais amadas esboçando um sorriso tenro- Não quer ir me esperar no quarto... San?

–Hã, o que disse?- perguntou saindo de seu transe.

–Perguntei se você não quer ir me esperar no quarto.

–Não, amor... Eu posso ficar aqui, se quiser.

–Não, eu prefiro que você vá para o nosso quarto... – a loura argumentou se aproximando, ficando com o rosto bem próximo ao de Santana, cujo corpo estava separado do dela apenas por Beth em seu colo- Tome um longo banho relaxante, vista uma roupa bem sexy e me espere toda gostosa, como sempre, em nossa nova cama- bicou os lábios da latina que sorriu de forma maliciosa encarando com vontade os seus, tão rosados e macios- Vai lá, vou somente amamentar nossa pequena comilona aqui e depois você é só minha, senhora Lopez.

–Minha nossa, essa gravidez te fez um bem danado, lourinha... Está tão quente que me queima a distância- alisou maliciosamente o braço de Quinn, lenta e suavemente causando arrepios.

–Me espere em nosso quarto que eu mostro a você o quanto- Quinn disse séria, mas com um sorriso malicioso de canto e Santana a encarou à altura de suas intenções com um olhar de extremo desejo que fez o corpo inteiro da loura se arrepiar.

–Uau, mamãe... Tudo bem, já estou indo- brincou dando um selinho rápido em Quinn e em seguida um no topo da cabecinha de Beth- Boa noite, filhinha... Amo você- virou-se para Quinn- Hey, mamãe... Te aguardo em nossa cama. Até lá, gatinha.

–Até- despediu-se quase sussurrando, lembrando-se de que Tyler dormia há poucos metros. Suspirou de forma longa vendo Santana sair do quarto a passos curtos e provocantes, mordendo o lábio inferior no intuito de repreender os pensamentos pecaminosos que viam aos montes em sua cabeça agora- Beth, filhinha linda da mamãe... Agora você terá que fechar seus lindos olhinhos que Deus deu a você e dormir um soninho gostoso. Sua mamãe Q há tempos não namora sua linda e maravilhosa mãe latina. Faz isso pra mim, meu amor?

Beth fitou sua mãe por um momento esboçando um sorriso preguiçoso, levando Quinn a se desmanchar de amores por aquele ser tão pequeno no seu colo, percebendo que não há sentimento mais forte do que o amor de uma mãe por seu filho.

– Não sabe o quanto amo você, minha filha... A você e seu irmão. Não tem ideia do quanto eu quis e quero vocês... O quanto eu faria por vocês... São tudo pra mim e mais ainda por que são parte da mulher que sempre amei na minha vida- a pequena alcançou o dedo indicador de sua mãe e o apertou. Quinn riu de uma maneira tenra, beijando a pequena mãe de Beth agarrada a seu dedo- Você sabe, não é? Claro que sabe, meu amor... Sempre soube- lágrimas de emoção agora escorriam livremente pelas bochechas alvas de Quinn que as enxugou no mesmo instante com o polegar, rindo de si mesma por estar chorando assim de forma meio abobada- Nossa, sou uma mãe muito besta, não é?- brincou, ajeitando Beth de uma forma que ficasse mais confortável para dar-lhe de mamar- Tudo bem, amo esse seu sorriso tão Santana, mas você precisa de um soninho, meu amor, e a mamãe aqui precisa da latina preferida dela...

Santana, no quarto, já havia tomado banho e procurava uma roupa confortável para dormir... ou não já que pela forma de Quinn a olhar há minutos, notava-se claramente que aquela loura não lhe daria descanso pelo resto da noite que se seguia. Depois de devidamente vestida, deitou-se preguiçosamente em sua maravilhosa cama nova, macia e grande o bastante para as noites de amor e de prazer que teriam dali em diante naquele quarto. Encarou o teto, moveu-se mais para o centro da cama ficando de forma atravessada. Ficou quieta, inerte, presa em lembranças... Dezessete anos viveu naquela casa... Dezessete anos divididos entre alegrias e desventuras... Quatro anos de tilintar de mente, perdendo-se no tempo, rendendo-se ao desespero e sentindo algo forte, porém não querendo sentir. Confusão, desilusão, pensar, procura por alguma solução... Quietude, euforia... Tudo de uma vez só mesclado a cores escuras que simbolizam a perda de si mesmo. Da mais importante parte... A humanidade.

Fechou os olhos lentamente, sua mente parou de rodar por um instante e focou em um só momento. Flashes de seu passado lhe atingiram. Iam e voltavam. Devagar e rapidamente, oscilando conforme os segundos se passavam. Sentiu seu corpo ganhar uma incrível leveza, assim como sua cabeça, perdendo-se em seguida a seu interno. Mergulhando em sua própria imensidão e conforto momentâneo. Escutou uma voz um tanto fina ao longe. Não a reconheceu. Ela se aproximava cada vez mais e Santana começou a sentir um peso sobre sua barriga:

–Mamãe?- a latina assustou-se despertando rapidamente, meio atordoada. Uma luz forte ofuscava sua vista, porém ia diminuindo gradativamente formando uma figura deveras instigante. Tal figura antes vista por Santana há muito, mas muito tempo e que agora a encarava com um lindo sorriso no rosto, deixando-a perplexa.

–Quinn?- indagou com um semblante confuso, encarando a pequena pessoa a sua frente.

–Não, mamãe... Sou eu, Beth- explicou sorridente.

–Beth? Mas como? Não tem nem uma hora que te deixei com Quinn no seu quarto e você e-era um bebê... Por quanto tempo eu dormi mesmo?- a latina argumentava um tanto nervosa, gesticulando de forma atrapalhada e até engraçada fazendo Beth rir.

–Você é engraçada, mamãe!- pousou a mão sobre o rosto de Santana e depositou um beijo em sua bochecha- Eu não sou mais um bebê. Tenho quase cinco anos assim- gesticulou mostrando os cinco dedos de sua mão direita. A latina sorriu meio embaraçada.

–Desculpe, filha... Acho que devo estar ficando biruta mesmo.

–Acredito nisso também. Mamãe Quinn fala isso direto- sorriu tímida.

–Ah é? Andam falando pelas minhas costas, senhorita?- Beth negou com um movimento de cabeça e fez uma careta com bico de forma engraçada. Santana a pegou nos braços e a abraçou. Apesar da alegria de estar com sua filha e vê-la tão linda e crescida, Santana estava confusa com tudo isso. Ela tinha certeza de que algo não estava certo... Não mesmo.

–Caraminholas na cabeça, mamãe?- o corpo inteiro de Santana esfriou. Aquela voz... A terrível e odiada voz que agora saia de sua filha próxima a ela e com o rosto em seu pescoço. Ela devagar foi se afastando da menina grudada a seu corpo, abrindo os olhos a medida que se distanciava e arregalou os olhos ao deparar-se com a figura encapuzada no lugar onde Beth estava há pouco. Ela deu um salto da cama, saindo da mesma e se encostando a parede perto da porta respirando de forma rápida.

–O que? E-Eu devia ter desconfiado- colocou a mão sobre o peito e sentiu seu coração querer abandoná-la naquele momento tamanho ao susto que passou.

–Sabe, latina... Adoro quando deixo você assim- ele dizia entre uma intensa risada que transformou-se em uma gargalhada de gozação- Surpresa, mamãe?

–Seu desgraçado infeliz... Vá para o inferno!- ralhou com um semblante irado agora, já se recuperando do susto.

–Eu adoro mais ainda essas suas palavras doces, minha latina preferida- ajeitou-se na cama para ficar de frente para Santana – Acho que tinha me esquecido de você? Nana nina não... Você é inesquecível e essa sua cabecinha é uma bagunça gostosa demais para se deixar de lado.

–Eu não entendo.

–Não entende o que, amorzinho?- caçoou deitando-se preguiçosamente na cama, apoiou-se em uma de suas mãos para encarar Santana ainda na mesma posição encostada à parede e com um semblante confuso.

–Como tenho você em meus sonhos? Qual a droga da ligação que tenho com você? O porquê de eu ter todos esses sonhos, achei que tinha...

–Superado tudo? Que tinha entendido enfim como funciona essa sua cabecinha de nuvem? Que tinha fugido de seu passado e de suas antigas confusões consigo mesma?- Santana não disse nada, apenas passou a mão em seus cabelos soltos, perplexa por aquilo poder decifrá-la com tanta facilidade- Tolinha, você. Não se pode fugir de você mesma, Santana Lopez! Essa é você de ontem, de hoje e aposto um braço que de amanhã também- suspirou, passando a mão na máscara horrenda que usava- Todos possuem máscaras encravadas na face. Cabe a pessoa saber preservá-la ou dispersá-la, minha cara. Não importa o meio ou a consequência que se atribui a isso. Por que não importa o que faça, ela sempre cai no final. E que pena que você não queira acredita que se deixou ser dominada por essa que possui chumbada nessa sua cara perturbada- sentou-se na ponta da cama- Sabe qual é a realidade? Você morre de medo de você mesma. Simples assim, como amarrar um cadarço.

–Isso não é verdade- abaixou seu olhar e encarou seus pés descalços naquele chão frio- Eu não tenho...

–Medo? Você, Santana Lopez, não tem medo? Comédia!- gargalhou debochadamente com a mão na barriga de forma exagerada- Discordo totalmente, minha cara latina. Você é um poço de medo incrustado. Pode se fazer de durona, mas treme feito capim ao vento- levantou-se e Santana engoliu seco suas palavras e com agora a aproximação dele.

–Eu não sou assim!

–Mas claro que é. Pode enganar a você, sua família e o resto dos idiotas lá, inclusive a vadia da sua esposa, no entanto a mim nunca- Santana tentou retrucar a forma que ele falou de Quinn, mas não conseguiu falar. As palavras pareciam queimar em sua garganta de uma forma dolorosa- Te conheço melhor do que ninguém, sabe por quê?- ela negou- Por que vivo aqui dentro- tocou na testa dela que sentiu arder forte no local- Eu sou sua confusão, pesadelos, distúrbios... Tudo. Eu, Santana, sou o seu medo. Sou tudo do que restou em você... Sua insegurança.

–Não, você não é nada... Já disse que não sou assim- ela gritou, começando a escorregar de costas contra a parede, encontrando o chão e sentou-se- Eu não sou assim... Não sou. Não posso ser- colocou as mãos nos ouvidos e encostou a cabeça nos joelhos enquanto repetia isso. A figura estranha ajoelhou-se a sua frente.

–Não é repetindo a mesma coisa bilhões de vezes que ela vai sumir, minha cara. Nunca some. Não pelo mesmo até você se dar conta da realidade- pousou a mão sobre o topo da cabeça de Santana e ela gemeu de dor.

–Pare, por favor, está doendo... Minha cabeça, droga, está ardendo muito- ela pedia em quase uma súplica com a mão de cada lado da cabeça, apertando como se pudesse diminuir a dor intensa no local.

–Isso, lindinha, é nada mais nada menos que seus pensamentos conturbados consumindo você- deslizava a mão pela lateral da cabeça dela- Isso é medo, Santana. Admita. Com a chegada de seus filhos só vai piorar isso tudo. Aqueles pequenos monstrinhos só aumentarão seus problemas, fato. Vão simplesmente te destruir mais ainda. São atrasos, nada mais que isso.

–Não fale de meus filhos assim. Eles não são meus problemas, são minha vida. Meu futuro, minha felicidade- ela contra-argumentou o encarando e dessa vez foi de forma fria e com muito ódio. A criatura gargalhou mais uma vez, pousando as mãos uma em cada lado da cabeça de Santana. A dor aumentou exorbitantemente e ela deixou escapar um grito de agonia.

–Minha cara Santana... Você nunca será feliz. Enquanto você for você felicidade é algo que nunca a alcançará.

–Não- Santana gritou se debatendo para soltar-se das mãos horrendas daquele ser- Pelo amor de Deus me deixe me paz.

–San? San, amor, para. Sou eu- Quinn pedia tentando acordar Santana, com a mão em seu rosto de forma delicada.

–Não, não... Me solta- continuava a gritar, se mexendo muito ainda de olhos fechados.

–Santana! Amor, está tudo bem. Estou aqui com você- sentou-se na cama, apertando a latina em seus braços enquanto acariciava seu rosto tentando acalmá-la.

–Quinn?- perguntou atordoada, encarando a loura, confusa.

–Sou eu, meu amor. Está tudo bem?

–Está, eu... O que aconteceu?- indagou com a respiração ainda normalizando juntamente com o coração que Quinn sentia próximo a seu peito querendo saltar.

–Não sei. Terminei de alimentar Beth e vim pra cá me juntar a você em seguida, mas quando cheguei estava se debatendo na cama e dizendo coisas desconexas. Eu fiquei preocupada, amor. Você me assustou- disse com um semblante de preocupação, tocando as bochechas da outra e as alisou com carinho.

–Desculpe, eu não queria assustar você. Só...

–Só o que, San? O que você tem, amor? São aqueles pesadelos de antes?- Santana tinha o olhar inquieto, buscando explicações para o que acabara de sonhar. Parecia tão real. A dor, as palavras, tudo. Colocou a mão no peito onde o coração ainda inquieto palpitava agoniado com aquelas terríveis lembranças. Olhou para o canto do quarto onde havia ficado com a coisa estranha tão próxima de si no sonho e se arrepiou por completo. Quinn a olhava com um semblante preocupado. Sabia que aquilo era terrível, aqueles sonhos que Santana tinha eram horríveis e quando isso acontecia era por que algo estava mexendo com ela- San?

–Uhm?- encarou Quinn com um olhar perdido e a mesma preocupou-se mais ainda.

–Amor, você não está bem. Precisa de alguma coisa? Sei lá, você não está normal, o que te preocupa? E não adianta negar por que eu sinto que tem algo errado- a loura indagou autoritária e Santana, sem dizer nada, se aconchegou ao corpo dela afundando seu rosto na curva de seu pescoço.

–É só cansaço, amor. Faz dias que não durmo direito. Só preciso de meus comprimidos e de você nessa cama que melhoro rapidinho.

–Acho que deve parar de tomar esses comprimidos e voltar ao psicólogo, San. Não gosto de te ver assim e dá pra perceber que está sofrendo com algo, mas não quer se abrir comigo nem com ninguém- foi tocar o rosto de Santana novamente, mas a mesma segurou sua mão.

–Eu não tenho nada, já disse- disse séria e Quinn suspirou pela marra de sua esposa.

–Você é muito cabeça dura, sabia? Vê que não está bem, mas se nega pedir ajuda a alguém. Até a mim que sou sua mulher. Devia deixar disso e se preocupar mais com você como eu me preocupo- repreendeu Santana que afastou-se de Quinn e sentou na cama. A loura a fitou, a latina parecia pensar e ficou assim por alguns minutos- San...

–Não- parou a mão de Quinn que ia a sua direção- Eu não estou ficando maluca, se é o que está querendo dizer.

–De maneira alguma eu insinuei isso, Santana. Só estou pedindo que procure um médico por que não é normal não conseguir dormir, ter devaneios e pesadelos quase todo dia.

–Mas se pede que eu vá a um médico é por que acha que eu tenho algum problema... Não tenho, Quinn. Sou tão normal quanto você.

–Amor, não estou dizendo que você é anormal ou que tenha algum problema. Só estou preocupada por estar dessa forma- capturou uma das mãos de Santana e colocou entre as suas- Se tivesse visto como te vi nessa cama se debatendo pelo pesadelo que teve, com certeza agora estaria me dando razão por eu me preocupar tanto com isso.

–Não estou pedindo que se preocupe comigo. Sei me virar, sempre soube- arrastou-se pela cama saindo da mesma. Andou até a cômoda e por lá ficou procurando algo.

–Como assim ‘’não estou pedindo que se preocupe comigo”? Caramba, eu sou casada com você. Te amo mais que tudo na minha vida. Como quer que eu não me preocupe se você não está bem?- questionou incrédula pelas palavras de Santana- Será que vamos voltar com aquilo de você se fechar pro mundo novamente? Vai me privar de novo do que está sentindo, Santana? Não confia em mim pra se abrir?

–Claro que não, Quinn. Sabe que eu te amo muito também, mas não posso falar sobre algo que não existe. É irrelevante- respondeu revirando umas das gavetas da cômoda e pegou um frasco branco de comprimidos.

–San, por que é tão difícil falar sobre o que te perturba? Eu sei que tem algo ai dentro te machucando, mas não quer contar o que é- a loura encarava sua esposa um tanto aflita. Santana ficou quieta por instantes e se aproximou da cama, ficando próxima a ela.

–Por que o que está aqui dentro tem que ficar aqui dentro... Seja lá o que esteja aqui pode não fazer bem se sair. Só isso- Quinn tentou falar alguma coisa, mas foi interrompida- Agora vamos deixar isso de lado, não quero discutir com você- se retirou com o frasco em mãos, Quinn a parou na porta:

–Aonde você vai, San?

–Preciso de água para tomar os comprimidos. Volto daqui a pouco- saiu deixando Quinn com um misto de preocupação e intriga por suas palavras.

Quinn tomou banho e foi deitar-se para esperar Santana na cama, no entanto a mesma demorou mais que um pouco de tempo para retornar. Duas horas depois e nada da latina. Acabou adormecendo enquanto esperava, estava exausta pela correria de hoje cedo e ainda mais a discussão com Santana acabou sugando um pouco de suas energias restantes. Ela tinha certeza que a latina não estava bem, que algo estava mexendo com ela, mas a mesma desde a morte de seu avô e sumiço de seu pai havia se fechado pra emoções e até mesmo para o medo que é algo tão comum em um ser humano. Há tempos não via Santana assim... Confusa e inquieta. Ela também estava, seu entendimento era pouco pra tudo isso, mas tinha a completa certeza de uma coisa: Faria de tudo pra ajudar sua amada. O amor pode ser a doença de alguém, mas ao mesmo tempo também pode ser a cura. A loura sabia disso e o que dependesse dela Santana nunca estaria sozinha.

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–Quinn já chegou em casa?

–Sim, senhor Trukowisk... Acompanhamos desde sua saída do hospital até a chegada em casa. Teve uma grande festa para ela e seus bebês. Soube que Santana organizou tudo com aquela sua antiga colega de escola e amiga, Katerine Loren.

–Algum parentesco com o investigador Loren?

–É filha dele, senhor.

–Isso é ótimo, Thomas... Muito bom mesmo- Noland sorriu de forma sombria, escorado aos cotovelos em sua mesa e o queixo apoiado nos polegares- Certifique-se que Quinn fique bem guardada. Quero os melhores homens protegendo minha amada. Nada daquilo acontecendo com ela de novo, ou eu juro que mato quem fizer tal coisa, a família inteira e até a vizinhança. Isso serve também para os que eu incumbi à proteção dela- Thomas gelou com a forma que ele lhe olhou, como se o ameaçasse diretamente- Vou mostrar aquela Santana Lopez como se cuida de uma mulher. Assim Quinn verá o quanto eu a amo mais do que Santana diz a amar, então ela será minha... Só minha e demais ninguém. Será a rainha do império que estou construindo e junto a mim reinará sobre esses sangues ruins que se acham alguma coisa. Novos tempos se aproximam... Irei erguer uma nova era... A era dos Trukowisk. E há de quem se opor. Não vou me importar de mandar que cortem algumas cabeças- soltou uma gargalhada estrondosamente irônica- Você vai cair, Santana Lopez, e eu vou ficar vendo de camarote junto a minha amada Quinn você acertar o fim do poço com a cabeça.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado. Vou tentar não demorar tanto quanto dessa vez. Beijo e obrigada a quem leu. Passem ali por baixo e deixem sua opinião sobre o capítulo, vou adorar. Até o próximo se Deus quiser.