A outra face
27 Capítulo 27- A sujeira em baixo do tapete
Notas iniciais
–Minha filha, que bom que você chegou- Maribel chorava e Santana agora estava confusa.
–O que está acontecendo aqui?- perguntou querendo que se esclarecesse tudo aquilo.
–Santana!- Puck pronunciou-se- O Logan está morto- ela ficou estática, mas ainda não entendia no que isso lhe interessava.
–Você terá que nos acompanhar- Um dos homens que Santana não sabia quem era se levantou indo na sua direção.
–E quem são vocês?- ela perguntou.
–Somos da polícia.
–E porque eu teria que acompanhá-los?- a latina perguntou cruzando os braços.
–Você é a principal suspeita no assassinato de Logan Blake- um dos policiais respondeu e Santana o olhou incrédula. Observou todos da sala, estavam com olhares perdidos e preocupados.
–Não fui eu- Santana afirmou de forma segura.
–Vamos senhorita, precisamos que nos acompanhe- ele pegou em seu braço e a mesma afastou-se.
–Eu não vou a lugar algum, eu não fiz nada- ela já começava a se alterar.
–Se você não cooperar, teremos que algemá-la- o policial advertiu.
–Não vai ser preciso policial- Maribel pediu desesperada- Ela vai cooperar.
–Mas mãe...
–Filha pelo amor de Deus colabora- Maribel implorou.
–Tudo bem, eu vou com vocês- Santana se deixou levar pelos policiais. Ela não tinha o que temer, era inocente. Seus familiares a olhavam sair acompanhada dos policiais e o coração de cada um estava apertado. Quinn chorava, queria muito estar com Santana nesse momento.
–Eu vou com ela- Russel falou.
–Você não poderá acompanhá-la- um dos policiais parou Russel.
–Claro que posso, eu sou seu advogado- passou pelo policial aproximando-se de Santana- Nós vamos sair dessa filha- beijou a testa de Santana e a abraçou.
Santana foi levada para a delegacia. Ficou sozinha em uma sala por meia hora. Russel estava atônito, ele acreditava na inocência da latina e a defenderia até o final. Um homem mal encarado entrou na sala acompanhado de Russel.
–Senhorita Lopez... –ele começou- Sou o investigador Gary Loren- Santana apenas fez um aceno com a cabeça.
–Será que o senhor poderia me esclarecer, o porquê de acharem que eu matei o Logan?- Santana perguntou farta de tudo aquilo.
–Testemunhas afirmaram que vocês se desentenderam três vezes e em duas, houve agressão- o investigador respondeu- Inclusive, numa delas você quebrou-lhe algumas costelas.
–E ele quase me matou, eu fiquei uma semana no hospital- ela retrucou.
–Não foram apresentadas provas sobre esse fato, então não entra em questão- ele explicou calmamente.
–Isso é uma palhaçada- Santana disse alterada.
–Calma Santana, eu cuido disso- Russel lhe pediu e ela voltou a sentar-se- Que provas vocês tem de que minha cliente é a culpada do fato?
–Nenhuma explícita- ele respondeu.
–Então, como vocês podem afirmar isso?
–Seus colegas de escola nos disseram que os dois não se davam bem e a senhorita Lopez é a única que teve problemas com ele.
–Mas isso não é o suficiente para deter Santana- Russel falou e Santana mantinha-se a calada.
–Logan Blake tem uma queixa de agressão contra ela, e nos casos de assassinatos, sempre procuramos começar por antigas desinteligências das vítimas. Então ela terá que responder algumas perguntas- Loren pegou alguns papéis e os colocou sobre a mesa, junto com um gravador.
–Tudo bem, mas eu tenho que estar presente- Russel pediu.
–Sem problemas- Voltou-se a Santana e ligou o gravador- Aqui é Gary Loren, investigado da polícia de Nova York. Estou com Santana Lopez, principal suspeita do assassinado de Logan Blake. Santana, por qual motivo, você e a vítima se desentenderam?
–Da primeira vez, foi por ele ter beijado à força uma amiga- ela respondeu.
–Você o agrediu?
–Foi, mas ele mereceu- sempre que Santana respondia a alguma pergunta, ele anotava algo em uma caderneta.
–E na segunda vez?-
–Ele foi tirar satisfações comigo.
–Por quê?
–Porque eu havia começado a namorar Quinn.
–Quinn Fabray? A ex-namorada da vítima?- ele perguntou surpreso.
–Sim.
–Então você é gay?
–O que isso vem ao caso?- Santana não entendia onde queria chegar com isso.
–Nada- ele deu de ombros- Quer dizer que você tomou a namorada de Logan?
–Não. Eles já tinham terminado.
–Entendo- ele anotou algo em sua caderneta- Me disseram que você tem um histórico de brigas e discussões no colégio. E na última delas, você quase agride uma professora.
–Ela me provocou- Santana disse lembrando-se das palavras de Larousse.
–A senhora Larousse nos deu depoimento. Ela nos contou que estava no meio de uma aula, quando você teve um surto e a agrediu com palavras- Loren falava lendo um trecho do depoimento da professora.
–Ela mentiu.
–Porque sua professora inventaria isso Santana?- ele perguntou arqueando sua sobrancelha.
–Eu não sei- ela respondeu e Loren fez mais anotações.
– E quanto a Quinn?
–O que tem ela?- Santana começou a ficar preocupada, não queria que Quinn se envolvesse no meio disso tudo.
–Ela mantinha alguma coisa com Logan?- a latina começou a ficar com raiva das perguntas e não respondeu- Você não desconfiava de nada?- Santana se segurava- Talvez tenha sido isso. Quinn a traiu com Logan e você o matou.
–Cala a boca- ela gritou enfurecida- Quinn não me traiu e eu não matei o Logan. Ponto final, agora eu quero ir embora.
–Calma Santana!- Russel pediu.
–Não Russel, eu não aguento mais tantas perguntas- Loren permanecia calado e continuava anotando- Dá pra parar com isso? O que tanto você anota?- perguntou impaciente.
–Investigador, se vocês não possuem provas mais claras, não vejo o motivo de Santana estar aqui- Russel a defendeu.
–Tudo bem, as perguntas acabaram- ele disse guardando a caderneta.
–Ótimo, agora eu já vou indo- Santana levantou-se, mas Loren a parou:
–Agora não senhorita! As minhas perguntas acabaram, mas ainda terá que conversar com nossa psicóloga. Até mais- Loren saiu da sala.
–Quando é que eu vou poder ir embora Russel?
–Santana nesses tipos de caso, existem muitas burocracias. Eu não sei te dizer, mas prometo que vai ser logo- Russel explicou calmamente, tentando passar força para latina.
–Boa tarde- disse uma mulher que acabara de entrar na sala. Ela aparentava ter um trinta anos, sua pele era negra e seus olhos bem castanhos- Santana Lopez?
–Sou eu mesma.
–Eu sou Marie Davis, a psicóloga. Vou precisar fazer umas perguntas, tudo bem?
–Mais uma, menos uma... Tanto faz- Santana encostou-se a cadeira. Marie lhe fez muitas perguntas, e a latina respondeu a todas. Russel não pode acompanhar a conversa das duas. Uma hora e meia depois, a psicóloga sai, deixando Santana sozinha. O investigador aparece novamente:
–Você está liberada senhorita Lopez- Santana soltou um suspiro aliviada- Mas não poderá viajar e terá sempre que estar disponível quando a chamarmos. Entendeu?
–Claro investigador- Russel respondeu e saiu dalí com Santana. Ele sabia que aquilo não havia acabado por ali e temia por Santana.
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Chegaram em casa já havia anoitecido. Santana sentiu-se exausta. Entraram e todos estavam na sala aguardando notícias. Notou que Quinn chorava. Com certeza era pela morte de Logan, Santana pensou.
–Minha filha!- Maribel correu e abraçou Santana- Você está bem?
–Estou mãe, não precisa se preocupar- tentou acalmar sua mãe- Eu preciso subir, tenho que tomar um banho.
–Tudo bem filha- Maribel consentiu e Santana foi para o seu quarto- Como foi lá Russel?
–Tenso Maribel- Russel respondeu sentando-se no sofá- Eles fizeram muitas perguntas para ela, eu temo pela Santana.
–Porque pai?- Quinn perguntou preocupada.
–Acho que tem alguém querendo o mal de Santana, e tudo que vem acontecendo com ela não é pelo acaso.
–Eu tenho que proteger minha filha Russel, vou mandá-la pra fora do país- Maribel disse em prantos e Quinn desesperou-se.
–Não Maribel. Ela está proibida de viajar pra qualquer lugar. Caso contrário eles a darão como culpada.
–O que será da minha filha?- Russel a abraçou.
Nós não somos donos do nosso destino. Vivemos sem saber o que pode nos acontecer ou quem pode nos machucar. O jeito é esperar pelo o que virá.
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Santana tomou banho e decidiu não ir jantar. Ficou no seu quarto deitada, tentando afastar pensamentos ruins de sua cabeça. Algum tempo depois sentiu fome e resolveu fazer algo para comer. As luzes da casa estavam apagadas, os outros já dormiam. Foi até a cozinha, à luz estava acesa, ela achou que era Lupi. Entrou na cozinha, a geladeira estava aberta e alguém procurava algo.
–Ai caramba... Santana!- Era Quinn que estava lá. Ela assustou-se ao ver Santana entrar e derrubou uma lata de atum no chão- Eu pensei que você estivesse dormindo?
–Estou com fome- respondeu indo até os armários.
–Se você quiser, eu te preparo alguma coisa- Quinn sorriu e Santana nem a olhou.
–Não precisa- disse seca.
–Tudo bem então- a loura falou desapontada. Santana pegou uma caixa de cereais no armário:
–Será que você poderia me passar o leite?- Santana perguntou apontando para a garrafa ao lado de Quinn.
–Claro, toma!- entregou a garrafa a Santana e seus dedos tocaram os dela. Correntes elétricas passaram por seu corpo pelo simples toque, elas se olharam por um tempo e Santana cortou o clima.
–Obrigada- Santana sentou-se à bancada, comendo seus cereais e Quinn ficou calada por um tempo, apenas a observando comer.
–Eu sinto a sua falta!- Quinn comentou e Santana parou de comer- Eu sei que errei te tratando daquela forma, mas eu te amo Santana, me deixa voltar pra sua vida- aproximou-se de onde Santana estava e a mesma continuava calada- Não vai me responder?
–Estou comendo. É falta de educação falar de boca cheia.
–Santana, isso é sério- Quinn brigou.
–Eu estou com fome, se você me der licença- Santana gesticulou pra que Quinn saísse da sua frente.
–Você é muita imatura sabia?- Quinn cruzou os braços e não saiu de onde estava.
–Deve ter sido por isso que você me ignorava. Então, agora que você está livre, procure alguém maduro. Ele vai poder te satisfazer melhor do que eu.
–Eu sempre me senti satisfeita com você San. Minha primeira vez foi com você, lembra?- voltou a se aproximar de Santana, que tentava a todo custo não manter contato visual com Quinn. A loura estava linda de camisola.
–Claro que lembro, foi especial pra mim. Mas quanto a você, não posso dizer o mesmo- virou-se de costas para Quinn.
–Como você pode dizer isso Santana? Pra mim foi mais especial. Eu te entreguei minha pureza. Eu namorei quase um ano com Logan e nunca fiz com ele, pois não me achava pronta- disse com as mãos na cintura- Mas com você foi diferente San, eu confiei em você.
–E eu sempre te respeitei Quinn, nunca te forcei a nada- Santana disse virando-se novamente na direção de Quinn.
–Eu sei amor, foi por isso que eu escolhi você- colocou a mão no rosto de Santana- Desde o início eu sabia que seria você, que viveríamos juntas pelo o resto de nossas vidas.
–Eu também Quinn, mas você acabou esquecendo-se disso- Santana falou tirando a mão de Quinn de seu rosto.
–Nunca Santana, você é tudo pra mim e eu sei que sou tudo pra você.
–Claro que é. Mas você não demonstra mais isso com suas atitudes- Santana levantou-se e levou sua tigela até a pia, a lavando.
–Eu só queria me divertir Santana, eu sempre fui assim. Sempre saí com as minhas amigas, esse é o meu jeito- Quinn aproximou-se de Santana.
–Mas quando se está namorando, torna-se um só Quinn. Eu não te proibiria em sair com as suas amigas, mas todo dia já é demais. Sem falar desses caras que acompanhavam vocês. Você pensa que eu não vi outro dia, um passando a mão em seu rosto e você apenas sorria- Santana falou com a sobrancelha arqueada.
–Ele é meu amigo há anos, não vejo problema nenhum nisso- deu de ombros.
–Esse é seu problema Quinn, você dá muita liberdades a seus amigos- comentou encostando-se a pia- Como acha que eu me sinto vendo um homem te tocando? Eu penso que não estou te agradando como mulher.
–Não é isso.
–E o que é então?- Quinn ficou calou- Quinn, me diga com sinceridade, você tem curiosidade de saber como é fazer sexo com um homem?- a loura fechou os olhos com força.
–Tenho- aquilo foi uma facada no coração de Santana.
–Então está aí minha resposta- ela tinha um semblante triste- Quinn, não tem como eu competir com um homem nesse quesito. Por mais que o nosso sexo seja bom, com você pensando dessa forma, fica impossível para mim.
–Mas eu te amo Santana- Quinn tentou explicar.
–Eu sei Quinn, eu também te amo. Mas você ainda está indecisa no que quer, e talvez nem me ame da forma que você pensa amar. Poderia ser só curiosidade em estar com uma mulher- Santana constatou.
–Não San, eu sei o que eu quero- aproximou-se de Santana- Eu quero você.
–Não Quinn, você não quer- saiu de lá deixando Quinn boquiaberta.
Santana achava que Quinn tinha que se decidir no que ela queria. A latina estava cansada de ficar no meio termo. Ela tinha que constatar se Quinn a amava de verdade ou apenas estava confusa com seus sentimentos em relação à latina. Não precisava pressa, elas teriam todo tempo do mundo para resolver isso. Será que tinham?
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Não muito longe dalí uma reunião acontecia, festejavam algo:
–O primeiro passo foi dado, meus amigos. Aquela latina maldita em breve será destruída, como seu avô foi. Um brinde a isso- ergueram suas taças- Me aguarde Santana Lopez, seu fim se aproxima.
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