A outra face
45 Capítulo 45- Pra sempre comparsas
Notas iniciais
–Vovô?- disse reconhecendo seu avô na foto. Junto com ele na foto havia uma mulher. Era ruiva, olhos azuis, muito familiar para Santana- Onde será que eu já vi essa mulher?- pensou por vários minutos- Espera!- disse pegando seu celular, entrou no site da escola. Procurou por fotos de todos, desde aluno a zeladores. Na página dos professores, arregalou os olhos quando constatou algo- É ela, só pode- disse incrédula- Só pode ser. Quem me odiaria a ponto de fazer isso tudo?- balançou a cabeça negativamente- É ela. Está mais nova, mas não mudou muita coisa- disse atônita- Constantina na verdade é Larousse.
Santana ainda tentava acreditar no que havia descoberto. Sua professora era a mulher que tentava acabar com sua vida. Por quê?- ela se perguntava. Ela tinha lá suas desavenças com Larousse, mas não o bastante para ela ter motivos para matar Santana.
–Mas o que... – Santana ia falar, mas vozes de fora a chamaram atenção. Desligou a lanterna rapidamente e se escondeu. Dois dos capangas conversavam:
–Cara, essa velha só pode ser maluca- um deles comentou- Você viu o que ela fez?
–Eu vi nos jornais. A maluca explodiu um galpão- o outro disse.
–Sem falar que ela matou o Paul por ter pegado a latina errada. Se ela não me pagasse tão bem, eu saia dessa.
–Eu também, mas ela nos paga uma fortuna só pra vigiar essa fazenda.
–Pois é- ele concordou- Cara, eu sinto pena dessa tal de Santana.
–Por quê?- o outro perguntou curioso.
–Sei lá, uma pessoa da idade dela passando por isso tudo. Eu já teria pirado.
–Pois eu não estou nem aí. Antes ela do que eu- disse.
–Credo cara- ele disse fazendo careta- Você não tem pena da menina não?
–Claro que não- respondeu dando de ombros- Azar o dela, quem mandou ser neta do tal cara que deu um pé na bunda da velha gagá lá? Sabe o que eu tenho dela?
–O que?
–Inveja. Muita inveja- respondeu com um olhar malicioso. Santana escutava tudo com atenção- Já viu a lourinha que namora com ela?
–Já.
–Pois é. É muito gostosa. Se fosse eu, fazia questão de me divertir com ela antes que a Constantina dê um fim nela- disse. Santana teve que se segurar para não ir fazê-lo engolir aquelas palavras.
–Você acha que ela vai mesmo matar a garota?
–Eu tenho certeza- disse firme- Essa maldita russa não tem cara de que deixa provas do que faz. É só conseguir o que ela quer, para depois acabar com a lourinha gostosa- Santana ficou estática quando ouviu isso. Será que ela faria isso mesmo com Quinn?- balançou sua cabeça tentando afastar esses pensamentos.
–Nossa... É muito mal pra uma pessoa só- comentou incrédulo.
–Sim, muito mal, mas não é da nossa conta. Nós não somos pagos pra achar nada, só pra acatar.
Santana ficou ainda um tempo no sótão, pois os capangas não saíam da porta. Ela tinha que arrumar um jeito de sair dalí sem ser vista, mas com eles ali era impossível.
–E agora? Como é que eu saio daqui?- perguntou a si mesma pensativa- Já sei!- disse, pegou seu celular e ligou para seu amigo que morava por perto. Era ele que estava vigiando a fazenda e mantendo Santana a par de tudo que acontecia por lá- Alô? Leon? É a Santana. Eu estou precisando de um favor seu.
–Pode falar, faço qualquer coisa por você- Leon disse sorrindo.
–É que eu ainda estou na fazenda. Eu estou no sótão da fazenda e alguns capangas estão na porta. Estou sem nenhuma forma de sair daqui, se eles me pegam...
–Tudo bem, fica calma. Eu vou dar um jeito- ele pediu- Aguarda um instante que eu ligo pra você.
–Ok, eu espero- Santana disse.
Passou-se meia hora, Santana começou a ficar impaciente, mas não poderia sair, ela não sabia quantos homens tinha ao certo na fazenda e com certeza estavam armados. Não poderia se arriscar. De repente seu celular vibra com uma mensagem:
‘’Santana, você já pode sair daí, mas saia rápido, não sei quanto tempo posso segurar eles aqui fora. Me avise quando sair’’
Santana não soube como Leon conseguiu fazer isso, mas não se importou, o importante era sair daquele lugar o mais rápido que pudesse. Abriu a porta cuidadosamente, olhou para todos os lados certificando-se que não havia ninguém por lá. Saiu rapidamente passando pelo estábulo, pulou a cerca e chegou onde estacionou sua moto. Pegou seu celular e mandou uma mensagem para Leon, que ao recebê-la, tratou de sair dalí rapidamente.
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Santana chegou em casa em pouco tempo. Parou um tempo na varanda recuperando o fôlego, foi muito adrenalina por um dia. Quando entrou em casa, sua mãe correu rapidamente lhe abraçando:
–Por onde você andou Santana?- perguntou preocupada- Já estava mandando a polícia atrás de você.
–Eu estava fazendo o trabalho deles- disse indiferente.
–Como assim?- Russel perguntou. Todos estavam na sala.
–Sabe onde estive?- Santana disse indo para o centro da sala, enquanto todos a observavam atentos- Na fazenda do vovô.
–Por que você fez isso filha? É perigoso ir ali- Russel disse.
–Eu avisei pai, mas a cabeça dura aí não me escutou- Puck disse e Santana encarou.
–É melhor ser cabeça dura do que covarde- rebateu ríspida.
–Eu não sou covarde- Puck se defendeu- Só me preocupo com você.
–Você tem que se preocupar é com a Quinn, ela precisa de ajuda, eu não.
–Hey vocês dois, parem já de brigar- Maribel os repreendeu- Santana, seu irmão tem razão. Isso é muito perigoso pra você filha.
–Eu sei me cuidar- Santana disse cruzando os braços, achando aquela conversa desnecessária.
–Não Santana, você acha que sabe se cuidar- Puck disse sério- Tudo que você está fazendo não adianta de nada. Aquela mulher sempre estará um passo a nossa frente. Não insista nisso.
–Ah é?- disse incrédula- Se eu não insistisse nisso nunca saberia que minha professora de filosofia é na verdade uma russa maníaca que quer me matar- disse e todos arregalaram os olhos.
–A Larousse?- Lanna perguntou incrédula.
–A mesma.
–Isso não pode ser verdade- Russel disse- A senhora Larousse é uma pessoa tão educada e íntegra, nunca faria isso.
–Educada e íntegra não são os adjetivos que eu quero chamar ela agora- Santana disse encostando-se a parede- Eu sei que é difícil de acreditar, mas é verdade. Eu trouxe uma prova- pegou a foto que encontrou na fazenda e entregou ao seu pai- Essa é uma das muitas coisas que encontrei dela por lá.
–Eu creio que seja ela mesma. Está mais nova, mas claramente se vê que se trata de Larousse- Russel disse examinando a foto- Mas o que te faz pensar que seja ela?
–Tudo liga a ela pai. Larousse nunca gostou de mim e seria muita coincidência eu encontrar uma foto justamente dela lá- explicou.
–Faz sentido- Russel concordou- O que temos que fazer agora é comunicar a polícia sobre isso.
–Ah não- Santana protestou- Eu cuido disso.
–Não Santana, eu não vou deixar que mais nenhum dos meus filhos se machuque- Russel disse firme.
–Mas...
–Sem mas, filha. É pro seu próprio bem- Maribel disse saindo com Russel. Santana bufou com raiva.
–Se conforme Santana, eles estão certos. Chega de tragédias nessa família- Nora disse aproximando-se de Santana- Assim ficará mais fácil agora.
–Não Nora, só vai complicar e vocês sabem disso, só que não querem acreditar. Mas eu não vou desistir, a Quinn não desistiu de mim quando eu estava na cadeia- disse firme.
–San, presta atenção em mim- Puck pediu com as mãos nos ombros de Santana- Eu sinto que algo de ruim vai acontecer. Isso me preocupa.
–Vai acontecer sim Puck, mas é com a Larousse se eu a encontrar- Santana disse séria- E eu vou encontrar. Então eu vou quebrar cada osso do corpo dela antes de mandá-la para o inferno que, aliás, é o lugar de onde nunca deveria ter saído- disse com um olhar de ódio. Puck apenas a encarou. Santana tirou as mãos de Puck de seu ombro e subiu para seu quarto.
Santana no seu quarto bolava o que ia fazer, agora seria mais fácil agir, pois finalmente um rosto surgiu nessa história. Pegou seu celular:
–Leon?
–Oi latina, você chegou bem em casa?- ele perguntou ao atender.
–Cheguei e muito obrigada pela força.
–Não precisa agradecer, somos amigos desde crianças. Sem falar que seu avô ajudou muito minha família quando meu pai morreu, não é nem metade do que ele fez por mim.
–Eles eram muito amigos, meu avô sempre prezava suas amizades- Santana disse sorrindo, seu avô sempre gostou de ajudar as pessoas, por isso Santana não acreditava que ela poderia ter feito algo a Larousse- Seria exploração se eu te pedisse outro favor?
–Claro que não. O que é?- perguntou.
–Vou precisar de suas habilidades de infiltração.
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Quinn estava deitada se recuperando da noite fatídica. Sua cabeça doía muito por conta da explosão e de sua gripe mal curada. De repente Rowina entra no quarto:
–E aí lourinha, soube que você bateu um papo com a nossa latina- disse e Quinn revirou os olhos.
–Agora não Rowina. Se for pra ficar aqui, que eu fique sossegada. Minha cabeça está explodindo- Quinn disse impaciente.
–Calma aí, senhorita ‘’não me toque que eu estou de TPM’’. Eu só vim ver como você está. Apesar de querer ver você fora de combate, minha mãe se preocupa com a sua saúde, ela mandou esses remédios pra você tomar- disse entregando uma sacolinha pra Quinn.
–Você não está tentando me envenenar, não é mesmo?- Quinn perguntou com a sobrancelha arqueada.
–Eu até tentaria, mas minha mãe de alguma forma gosta de você, então... Você continua viva até a segunda ordem- Rowina disse sorrindo.
–Então diga pra ela que eu agradeço pela preocupação- disse irônica.
–De nada- rebateu com ironia. Quinn pegou uma garrafa de água que havia na geladeira e engoliu um comprimido, depois voltou a deitar-se- Então?
–Então o que?- Quinn disse a encarando.
–Não vai me contar o que foi que aconteceu?- perguntou curiosa.
–Sua mãe não te contou?
–Não, ela nunca me conta as coisas emocionantes- deu de ombros- Então, eu estou entediada aqui dentro, já que ela não deixa eu sair daqui. Você bem que poderia me contar.
–Contar o que? Que sua mãe é uma traidora infeliz?
–Ela aprontou não foi?- disse fazendo careta.
–E como. Sério, eu ainda não entendo isso tudo- Quinn comentou- Ela já conseguiu o que queria, por que ela ainda continua com tudo isso?- Rowina pareceu pensar um pouco:
–A mamãe é insistente, quando coloca uma coisa na cabeça... Corra quem puder- sorriu.
–Então o que ela quer agora?
–Sabe de uma coisa? Nem eu sei mais- fez uma careta- Estou começando a ficar preocupada com ela, parece que está sem controle, instável... Sei lá.
–Você precisa frear essas ações da sua mãe. Ela pode te ouvir.
–Eu já tentei, mas ela não aceita- Rowina disse- Eu pedi que voltássemos para Rússia e recomeçássemos do zero. Porém...
–O que?- Quinn perguntou curiosa.
–Eu não sei e quer saber? Nem quero saber- deu de ombros.
–Eu não entendo vocês- Quinn disse balançando sua cabeça negativamente.
–Nem tente- Rowina disse sorrindo- Tem outra coisa que eu queria te perguntar.
–E o que seria?- Quinn perguntou já temendo a resposta.
–Santana.
–O que tem ela?- disse impaciente.
–Sempre quis saber como ela é na cama- disse maliciosamente.
–E nem vai saber. Fique longe dela entendeu?- Quinn ameaçou encarando Rowina.
–Uhm, ciumenta você- disse sorrindo- Mas não tem problema, eu não me importo em dividir com você- disse e Quinn foi a sua direção. Rowina saiu correndo gargalhando alto. Passou pela porta a trancando.
–Vaca, mil vezes vaca- Quinn gritou com raiva batendo na porta- Tomara que afunde junto com a louca da sua mãe.
–Isso nós veremos- Rowina gritou do outro lado.
–Desgraçada.
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Santana agora estava sentada vendo algo em seu computador. Puck e Finn entraram pela porta:
–E aí latina esquentada?- Puck cutucou. Santana apenas o olhou por um instante e voltou sua atenção para o computador- O que foi? Vai me ignorar agora?
–Vou- disse brevemente.
–Que é isso maninha? Você sabe que eu te amo e me preocupo com você- Puck disse se aproximando.
–Você está muito gay sabia?- ela disse sarcástica.
–Se estar preocupado com você me define gay, então eu sou o Rick Martin- Puck disse. Os três caíram na gargalhada.
–Perdoa à gente San- Finn pediu fazendo bico- Nós amamos muito você e odiaríamos te perder.
–Eu também amo vocês, mas a Quinn precisa de mim. Tentem entender, por favor- ela pediu levantando-se.
–Nós entendemos- Finn disse- Por isso estamos aqui.
–É verdade, viemos nos redimir e dizer que faremos qualquer coisa que você quiser- Puck disse e Santana sorriu.
–Tudo bem- Abraçou Puck e Finn envolveu os dois em um abraço- Chega Finn, eu não consigo respirar.
–Desculpa, eu desconheço minha força- Finn disse sorrindo.
–Então?- Puck perguntou.
–Então que agora eu aguardo notícias do Leon.
–Quem é Leon?- Finn perguntou.
–Um amigo que eu coloquei na cola da Larousse/Constantine/Maluca- Santana explicou- Ele é bom com observação, infiltração e outros trâmites da espionagem.
–Você acha que ele consegue?- Puck perguntou desconfiado.
–Eu acredito que ele consegue- disse firme.
–Então nós acreditamos também- Finn disse- Agora vamos aguardar.
Os três ficaram no quarto conversando esperando que Leon desse sinal. Depois de um tempo os três ficaram em silencio, cada um preso em seus pensamentos. Finn quebrou o silêncio:
–Eu estava pensando... – Finn disse e Santana o interrompeu:
–Então foi por isso que eu senti cheiro de coisa queimada- Santana brincou e Puck sorriu.
–É sério Santana- ele brigou.
–Desculpa, pode continuar.
–Então... –ele continuou- Como será que vamos estar daqui a alguns anos? Dez por exemplo- disse. Santana e Puck ficaram pensativos.
–Sei lá... – Puck disse- Eu quero estar pegando o dobro de garotos que eu pego agora- disse com um olhar malicioso e Santana lhe acertou uma almofada.
–Depravado- Santana disse.
–E você Santana?- Finn perguntou.
–Eu não sei Finn, nunca parei pra pensar nisso- disse- Mas tenho certeza que quero estar com a Quinn.
–Eu quero estar com a Rachel e o meu filho- Finn disse.
–Filho?- Santana perguntou sorrindo- É menino?
–É- respondeu orgulhoso- Descobrimos hoje.
–E você não nos conta? Grande amigo você- Santana brigou.
–Desculpa, é muita coisa acontecendo- ele explicou. Os três se olharam por um instante.
–Eu prevejo algo- Puck disse e Santana cerrou os olhos- Daqui a dez anos Finn estará casado com a pequena e com um filho. Vão morar em uma casa grande (uma adaptada pra Finn) e terão um cortador de grama vermelho – os demais sorriram- A Santana casará com Quinn e terão dois filhos, um casal. Lindinhos lourinhos feito a Quinn e marrentos como a Santana. Viverão numa linda casa rodeada de flores e um lindo arco- íris gay atrás- Santana sorriu.
–E você?- Santana perguntou- Não prevê nada pra você?
–Claro que sim, eu já ia chegar lá- brincou- Eu estarei mais gostoso do que nunca. Serei o tio descolado que pega as professoras gatas dos sobrinhos.
–Idiota- Santana chamou e eles caíram na gargalhada.
–Não importa onde tivemos e com quem tivemos. Vamos fazer uma promessa de sempre estar juntos. Nós somos comparsas, lembram?- Finn disse.
–Pra sempre- Puck disse.
–Pra sempre- Santana repetiu- Até em pensamento- Os três se olharam um instante em um olhar cúmplice. De repente o celular de Santana toca e ela abre um sorriso ao ver de quem se trata:
–Então Leon, alguma novidade?- ela pergunta com esperança.
–Ótima novidade- ele responde sorrindo- Se prepare latina, eu descobri onde a tal Larousse está. Sua lourinha está mais próxima que você imagina.
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