A outra face

2 Capítulo 2- Família e a garota do passado


Notas iniciais
Está aí como prometido, espero que gostem, deu um tabaaaalho. Ah.Obrigada pelos comentários. Enjoy my Rockers.

Em casa, a governanta preparava o almoço com muita animação. Com um radinho à pilha sobre o microondas da cozinha, os autofalantes estourando com Gloria Estefan cantando mi tierra , sempre as recepcionava com um aroma incrível vindo da cozinha que dava para sentir da esquina.

A mãe das gêmeas as criava sozinha, pois o pai havia indo embora há alguns anos sem dar qualquer sinal de vida ou um porquê até o presente momento. A matriarca quase sempre não comia com elas, e chegava tarde em casa praticamente todos os dias, então sua presença era considerada uma raridade. Ela trabalhava em uma grande empresa do pai que foi deixado para ela de herança quando ele faleceu há quatro anos. Administrava sozinha com punhos de aço e olhos de águia, e era considerada a melhor no que fazia da região. Por isso a governanta, que estava com elas desde a juventude de Maribel, a mãe, era considerada um membro valioso da família, como se fosse a própria avó delas.

Além das gêmeas, Maribel tinha sua primogênita, Nora, que já estava na faculdade e cursava administração, em processo de formação. A mais parecida fisicamente com a mãe, e tão focada quanto ela, e extremamente apegada as irmãs caçulas, a ponto de sempre colocar no meio das brigas entre elas.

Alana chegou primeiro de carona com uma amiga do time de torcida e subiu para o quarto onde foi deixar suas coisas. Já Santana estacionou na garagem e foi direto para cozinha, deixando um beijo rápido no rosto de Lupita.

Oi criança, está com fome? A comida Já está pronta recepcionou a adolescente com um abraço aperto na ponta do pé.

Não muita. Acho que vou pro meu quarto fazer meus deveres...

–Nada disso, você vai comer nem que eu tenho que enfiar a comida goela abaixo. Está magricela como uma vareta. Eu fiz ropa vieja.

-Ai você apelou. É meu preferido.

–Oi meninas, oi Lupi- disse Nora chegando e cumprimentando as irmãs com um beijo no topo da cabeça. Alana já havia descido e salpicava salada no prato, tendo Lupi fazendo cara feia e enfiando carne lá também sob protestos.

Logo a porta se abria novamente e uma iluminada e grandemente sorridente Maribel entrava por ela, sendo encarada pelas demais, surpresas.

–Algum problema San? Você está calada mais que o normal-ela olhou pra mim buscando resposta e o restante das outras fizeram o mesmo. Porque sempre fazem isso comigo? Mania doida. Sentia-me um veado sendo observado por leões preste a devorá-lo.

–Não- foi só o que eu disse, ainda com a cabeça voltada pra meu prato.

–Você poderia ao menos olhar pra mim enquanto fala?-ela falou e eu não saí da posição que me encontrava, minha mãe odiava quando nós falávamos com ela sem olhá-la nos olhos, mas não me importava não queria papo.

–Santana filha, estou falando com você-ela falou mais alto e eu levantei a cabeça em sua direção.

–Nada mãe- falei olhando nos seus olhos tão castanhos quanto os meus, abaixei o rosto e continuei minha comida.

–Filha você tem que tentar ser mais sociável, se comigo que sou sua mãe você faz assim e com os outros, e na escola, eu estou realmente preocupada com você...

Não fique. Continue fazendo o que você faz de melhor e tudo ficará bem- disse isso me levantei da mesa e fui em direção ao meu quarto.

Minha mãe suspirou e Nora comentou:

–Calma mãe, é só a San sendo a San, é a adolescência, passa logo- ela disse confortando a mamãe.

–Não é Nora, você não passou por isso, nem a Lanna que é a irmã gêmea agi assim, ela é totalmente diferente, e o pior que a culpa é minha- disse quase chorando.

–Não é sua culpa, é só a maneira da San lidar com as coisas, ela era a mais apegada ao pai, e ela também perdeu na mesma época o vovó, vamos dar um tempo, isso vai melhorar- Nora falou acariciando a mão da mãe com carinho.

–É mesmo mãe desencana- Lanna disse comendo sua salada.

–Tomara minhas filhas, tomara.

Fim dos pensamentos de Santana.

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No quarto San estava deitada com fones nos ouvidos e de olhos fechados tentando não pensar em nada, só relaxar coisa que não fazia ultimamente. Pensamentos rodeavam sua cabeça e um flashback a tomou, ela estava sentada com seu avô Felipe em um cais que ficava na fazenda da família, eles admiravam o sol que estava se pondo, ela deitara a cabeça no ombro dele e ele acariciava suas mãos, amava o avô, principalmente quando ele lhe contava histórias, piadas sem graça que só ela ria, e adorava o cheiro de hortelã na camisa dele.

–Vô porque as pessoas morrem? Perguntou a ele, era criança e curiosa. O avô parou um instante e disse:

–Porque chegou o dia delas filha.

–Não entendi- fez cara de interrogação, ele riu.

Você está vendo aquela árvore ali?- apontava pra uma grande árvore que tinha lá, onde ele havia colocado um balanço para ela e suas irmãs.

–Sim, o que tem? Perguntou confusa.

–Você reparou que caem folhas dela de tempo em tempo?

–Sim- confirmei.

–Pois é elas caem porque ficam velhinhas e precisam descansar, uma cai e outra toma o seu lugar.

–Onde você quer chegar com isso vovô, você sabe que eu gosto de tudo claro com provas e explicações cabíveis, como aquele programa policial que nós assistimos- fez uma cara de descontentação e o avô sorriu, apesar da pouca idade já se mostrava inteligente.

–É difícil explicar algo pra você Sanbear- ele sorriu falando o apelido que me deu- É que quando partimos, nos teletransportamos para outra dimensão, uma calma, tranquila, onde não há dor ou sofrimento, nos tornamos uma espécie de seguranças astrais, nós protegemos as pessoas que amamos do que elas não podem ver ou sentir. Também damos lugar à outra pessoa, para que ela possa viver e aproveitar o que nós já aproveitamos.

–Tipo anjos da guarda?- Perguntou.

–Tipo anjo da guarda- respondeu sorrindo com a cara que ela fez.

–Você vai ser o meu? Porque o senhor já está velhinho ela perguntou em seguida.

–Claro que vou- Respondeu.

–Mas eu não quero- respondeu emburrada.

–Porque não?- ele perguntou confuso.

–Porque eu não poderei mais vê-lo, quem brincará comigo, me empurrar no balanço, o papai tentou uma vez e quase eu aprendo a voar, só o senhor tem o jeito- ela disse ameaçando a chorar.

–Não fica assim Sanbear. Eu sempre vou estar com você, mesmo sem você me ver, mas irá me sentir perto, quando estiver triste,alegre, eu vou sempre estar lá- disse enxugando uma lágrima do rosto da pequena.

–Promete?- ela perguntou lhe encarando- De mindinho e tudo?

–Prometo. Agora dá um abraço no vô.

Ela amava o avô, era seu companheiro, seu cúmplice, mas a vida o tirou dela, estava sozinha, ninguém a entendia com ele a entendia, na verdade nem ela mesmo a entendia, um lado dela queria mudança, e o outro, bem o outro queria dominá-la.

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No outro dia na escola estava na sala sentada na sua cadeira de sempre, ao lado da sua irmã pentelha e tagarela, e um professor falando algo que não lhe importava. Quando vira o rosto, nota que alguém a olhava, em uma cadeira um pouco a frente está ela, Quinn Fabray que de alguma forma mexe com suas estruturas, não se sabe o porquê, mas parece enfraquecer com esse olhar, a olhava de um jeito enigmático e quando notou que Santana a olhou também, mandou um sorriso a ela, que apenas virou o olhar. Não sabia o motivo de Santana a ignorar, foram amigas quando crianças, melhores amigas na verdade, mas depois do sumiço do pai de Santana e a morte do avô elas não se falaram mais. Na verdade ela tinha um motivo, o pai de Santana havia fugido com a mãe de Quinn que era sua vizinha.

O sinal do intervalo tocou, Santana levantou-se e foi em direção à porta, mas antes virou-se e lançou um olhar para Quinn que nem ela mesmo soube o porquê de ter olhado, aquela garota mexa sim com ela, não sabia se era uma forma boa ou ruim. Olharam-se por um instante, depois ela saiu.

–Essa garota me assusta!comentou Brittany, amiga de Quinn, fazendo-a sair do transe em que se encontrava.

–O que você disse?- perguntou Quinn confusa ainda pensando na troca de olhares com Santana.

–Eu disse que a Santana me assusta, ela é calada, usa roupa preta, meio sinistra- disse fazendo uma careta engraçada.

–Ela é legal, ao menos já foi falou lembrando-se de sua infância com ela.

–Tanto faz. Mas sabe o que é pior? Esse lado sinistro e perigoso dela é muito sexy.

–Brittany- brigou Quinn.

–É mesmo, sei lá, do tipo ‘’sou encrenca, mas sou gostosa’’, se eu não fosse hétero... disse sorrindo.

–Você não existe- falou e foram para o intervalo.

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No intervalo, Lanna conversava com um grupo de alunos sobre a feira, ela estava sentada sobre uma mesa com papéis amontoados a seu lado:

–Então nós iremos nos dividir em grupos, uns ficarão com as barracas de jogos, outros com a de comida, outros de prontidão caso haja algum problema e ter de substituir alguém, e eu ficarei com a administração do dinheiro arrecadado e de olho nas demais coisas, ok? Ela falou enquanto examinava alguns papéis.

–Sim- todos responderam juntos.

–Quem vai cuidar da parte dos cálculos de gastos, manutenção, e as outras coisas chatas- Perguntou Tisha.

–Eu conversei com minha irmã Santana, ela vai cuidar disso.

–E ela fala?- disse Logan e todo mundo sorriu- Ela mal olha pra nós e vai nos ajudar?

–Ela precisa de uma melhora nas notas, e a feira será uma ajuda, ela entende de cálculos e de várias outras coisas, então uma mega ajuda- respondeu.

–Está ok então- Só espero que não corra perigo dela tocar fogo em algum brinquedo ou em alguém- todos sorriram.

–Olha aqui, não fala assim da minha irmã, se não quem vai tocar fogo em alguém sou eu e será em você- disse apontando pra ele.

–A Santana é inteligente e será de boa ajuda pra nós, foi ela que fez aquele arranjo na festa da igreja esse ano- disse Quinn entrando na conversa.

–Então ok, se você está dizendo- ele disse e todos saíram da sala.

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Enquanto isso Santana estava concentrada lendo um livro na biblioteca, Lanna chega e joga um punhado de papéis em cima da mesa.

–O que é isso?- perguntou Santana a sua irmã.

–É o que eu preciso que você faça pra feira, quero que organize esses pra mim- disse separando alguns papéis- Quero que veja quanto iremos gastar e quanto será nosso lucro.

–Está bem. Só isso?- disse ironicamente.

–Só. Espera, os entregue a Quinn, pois estarei ocupada com uns assuntos importantes...- foi interrompida.

–Espera, Quinn? Não eu entregarei a você quando terminar, nem que eu te faça até de madrugada.

–Não San, pra Quinn, ela está com a parte de me substituir quando eu estiver ausente.

–Mas...

–Mas nada, tchau estou com pressa, credo que é isso San ela não morde- E saiu com pressa.

Ela ia ter que fazer o que adiava há tempos, teria que falar com Quinn Fabray, aquela que a faz suar no frio, ter turbilhões de sensações em um segundo, aquela que a faz sentir-se diferente, mas por que não encontrá-la, não falar com ela, causava conflitos internos, uma guerra que ela odiava travar.

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Ela começou a resolver o que a irmã havia lhe passado, não era difícil, Lanna odiava matemática,ao contrário de Santana, que desde criança brincava de calcular, até pensou em fazer engenharia quando terminasse a escola, mas com os ocorridos só pensava em sair dalí rápido.

Estava acabando quando alguém entrara na sala, estranhou o porquê de alguém estar ali uma hora daquelas, já era quase dez da noite, virou o rosto, o coração quase parou, Quinn Fabrey ia na sua direção com um sorriso maravilhoso nos rosto, voltou seus olhos para o papel, ela se aproximou:

–Oi- Quinn disse tímida.

–Oi- respondeu sem olhar em seus olhos, não queria manter contato visual com ela.

–Eu vim ver se você já terminou com os papéis, tenho que dar entrada amanhã cedo nos materiais.

–Estou quase acabando-disse brevemente.

–Está bem, então vou me sentar do seu lado e esperar você terminar. Posso?

Santana apenas balançou a cabeça positivamente. Quinn puxou a cadeira e sentou-se observando tudo que ela fazia, era ágil com os números, isso Quinn concordou. Tentou puxar conversa:

–Parecem difíceis- ela disse.

–Não são- Santana respondeu concentrada no que fazia.

–Hum. Trabalha com isso?

–Não.

–Vai fazer faculdade de quê?

–Não sei.

–Como assim?

–Não pensei.

–Podia fazer matemática.

–Prefiro física.

–Você só conversa assim, com duas palavras de cada vez- Quinn falou tentando soar engraçado.

–Na verdade não gosto de conversar enquanto trabalho- falou querendo encerrar o papo.

–Ah, desculpe então- Disse Quinn, resolveu ficar quieta, não queria forçar nada, já tinha conseguido que ela falasse com ela, já era um grande progresso. Depois de meia hora depois:

–Acabei- Santana disse organizando os papéis e os entregou a Quinn- Estão prontos,já vou indo- ia saindo com Quinn a parou segurando sua mão.

–Sanny, será que você poderia me dar uma carona? É que meu carro está na revisão.

Ela se assustou e parou olhando em seus olhos, não sabia se o susto foi por ela tê-la tocado e uma corrente elétrica de mil volts correrem pelo seu corpo ou por ela tê-la chamado pelo apelido que havia dado quando criança.

–Está bem- ela não sabia o que estava fazendo, não sabia se aguentaria ficar em um mesmo local com Quinn, quanto mais dentro de um carro, o mesmo ar sendo respirado, mas não deixaria ela ir sozinha pra casa já estava tarde.

–Então vamos- Disse Quinn animada indo em direção ao carro com ela.

Santana abriu a porta do carro para Quinn, que sorriu com o gesto, ela não era tão estranha como todo mundo andava dizendo. Chegaram à sua rua, depois de um silêncio mortífero no carro. Ela estacionou em frente a sua casa e Quinn desceu, mas antes deixou um beijo em sua bochecha.

–Obrigada- Quinn disse ao sair.

Santana ficou estática, como pode um simples gesto lhe causar tantas sensações, ela não queria isso, não queria envolver-se com nada, mas Quinn lhe causava isso, ia contra si mesmo. Foi por isso que tentou manter distância, não conseguiu, a garota do seu passado estava querendo voltar a sua vida. Deixar ou não deixá-la entrar, eis à questão.

Notas finais
Tomara que tenham gostado do capítulo, tentarei postar outro em breve. Kiss and Rock in Roll.