A origem da Fênix
2 Cristian
Notas iniciais
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Em um pulo levantei da cama molhada de suor e agradeci quando olhei e vi minha irmãzinha deitada aconchegada em mim, fiquei com medo de ir até a sala, quando finalmente tomei coragem e fui, para minha loucura ficar maior a janela estava aberta. Fechei a janela me joguei no sofá e olhei para o relógio que marcava as 3 Hs da manhã.
– Desse jeito vou ficar maluca – Disse a mim mesma.
Não dormi o restante da noite, não conseguia parar de pensar no sonho maluco, quando dei por mim lá estava minha mãe na cozinha e minha irmã deitada no meu braço vendo Tv.
– Bom dia pirralha – Disse levantando e indo para cozinha.
– Mãe? Tá fazendo o que aqui?
– Eu ainda moro aqui – Disse minha mãe sorrindo e indo entregar o café da minha irmã
– Eu sei, mas você não era para trabalhar hoje?
– Folga ainda existe filha, a época da escravidão já acabou, mas por que tantas perguntas? — ela perguntou enquanto entregava meu café.
– Nada mãe – Sentei perto da janela, sacudi a cabeça querendo espantar as lembranças, o beijo, seu rosto, seu corpo no meu.
– Ah saco… – Disse baixinho enquanto olhando o tempo meio nublado devia ser umas nove da manhã eu acho, fechei os olhos senti o vento leve e frio, o cheiro de areia molhada por causa da chuva ah.. eu amava esse cheiro, estaria perfeito se as lembranças não viessem me assombrar como um fantasma, levantei antes mesmo de tocar no meu café, botando o mesmo na pia passando pela minha mãe e indo em direção ao banheiro.
– Que foi garota?
– Nada mãe, só preciso de um banho.
Debaixo do chuveiro esperei sinceramente que a água me acalmasse um pouco, e funcionou.
Me enrolei na toalha e fui para o meu quarto, vesti a primeira roupa que eu achei, peguei a minha mochila e sai sem falar nada.
Andei em direção a casa da minha melhor amiga, na verdade a única Sarah ela é a única que me ouviria antes de me dizer que eu era doida ou alguma coisa do gênero.
Quando finalmente chequei na casa dela sabia que ali eu realmente poderia ser eu.
– Eu não aguento mais!! – Disse em uma explosão de raiva, enquanto invadia a casa dela indo em direção ao seu quarto, como era de costume.
– Não aguenta mais o quê? Ela me perguntou enquanto fechava o livro. – Para! Não me responde. Deixa eu adivinhar discutiu com a sua mãe de novo? — Imagino que ela tenha feito essa pergunta, porquê era o de costume acontecer. Pude ver a surpresa no seu olhar quando ela finalmente me deixou responder.
– Antes fosse a bruxinha de novo – respondi sentando na beira da cama, ainda com minha crise de raiva nas alturas, mas agora sem saber o real motivo do porque ficar tão estressada com apenas um sonho, com o garoto que provavelmente deveria ser só mais um do grupinho de senhores da perfeição.
Pude sentir seu olhar de curiosidade me fitar.
– O que houve então? — Parecia que a cada respiração sua curiosidade aumentava mais.
– Fala logo – Ela me tirou dos pensamentos, foi ai que me lembrei era a Sarah minha bichinha curiosa.
– Vamos lá – Eu disse tentando arrumar um jeito para não parecer tão maluca quanto me sentia.
Contei tudo que aconteceu na sala, o sonho maluco e como me sentia naquele momento, ela ouvia atentamente sem piscar, acho que ela precisou de uns minutos pra avaliar meu nível de loucura. Ela já estava me deixando nervosa com aquele silêncio mortal, aqueles minutos pareceram uma eternidade, quando finalmente eu achei que ela iria me chamar de maluca, ela, ela me surpreendeu com apenas um sorriso indecifrável. Ah, ela dá sorte de eu gostar muito dela porquê se eu não gostasse, mataria ela naquele momento.
– Não vejo graça.
– Nem eu.
– Então por quê o sorriso idiota!
– Meu sorriso não e idiota – Ela respondeu fazendo bico. — O que queria que eu fizesse? Te chamasse de louca?
– Seria mais a sua cara
– Não adiantaria muito, iria? E só pra você saber fiquei curiosa sobre esse garoto, por isso não falei nada, afinal não posso falar daquilo que não conheço e nem você, mas isso não quer dizer que eu não possa tentar te ajudar e como primeiro passo vamos conhecer o grande motivo da sua aflição – Ela me disse com um sorriso malicioso no rosto.
– Sei – Disse revirando os olhos
– Me deixa só tomar um banho – Ela me disse enquanto pegava uma roupa.
Depois de horas ela finalmente disse:
– To pronta!
No caminho até a escola ouvi ela falar várias besteiras sobre o assunto, mas não prestei muita atenção, quando finalmente cheguei perto da escola, ela fez minha atenção se voltar para ela com um cutucão.
– Ei! Fala logo, ele está por aqui? – Meus olhos percorreram toda a extensão de alunos em busca dos lindos olhos azuis, mas não tive sucesso.
– Ele não está aqui – Disse desanimada, naquele momento estava me sentindo como se tudo o que tivesse acontecido referente a ele fosse só mais um dos meus sonho, e que nada era real.
– Talvez ele ainda não tenha chegado, vamos esperar até a hora de entrar.
Esperei com uma certa ansiedade, mas, ao mesmo tempo, dizia a mim mesma para parar de ser criança. Finalmente o sinal tocou e nem sinal dele.
– Passa lá em casa mais tarde e me diz se ele aparecer, ta? — Sarah disse enquanto se afastava.
Entrei na sala e fui para minha cadeira de sempre, e adivinha só ele estava lá na mesma cadeira, alguma coisa em mim me forçou dar um sorriso no momento em que nossos olhares se cruzaram, senti meu corpo inteiro queimar, ignorei e decidi que hoje ia ser um dia normal.
Engraçado eu desejei que o dia fosse normal e ele estava sendo, ri bastante durante a aula inteira. Quando estava quase no final do dia não sei dizer se o que aconteceu foi uma benção ou uma maldição.
– Vocês terão que me entregar um trabalho sobre as lendas urbanas internacionais, quero esse trabalho em duas semanas.– Até ai não me importei muito, até que ele falou, parecendo que estava falando especificamente para mim, olhando em meus olhos.
– Mais uma coisa, vocês deveram fazer isso em dupla, eu vou escolher o par de cada um. — Além de desnecessário eu achei isso uma infantilidade para o 1o Ano do ensino médio mas ele fez isso mesmo pegou o nome de cada um e sorteou, congelei quando peguei o papel e li um nome que não conhecia, não deu tempo de perguntar quem era, o sinal tocou e fiz questão de sair da sala
– Cristian Fernandes – Disse para Sarah enquanto lia o papel
– Quem é esse?
– Se eu soubesse não taria perguntando, né? — Falei com ironia.
– O garoto novo talvez? – Ela perguntou quase que afirmando
– Talvez … mas tomara que não.
– Você descobre isso quando chegar na escola amanhã
– Tenho medo de descobri – Disse enquanto pegava minhas coisas.
– Tenho que ir antes todos os policias do mundo estejam atrás de mim – Disse andando em direção ao portão
Quando finalmente entrei em casa, não deu para desviar daquele olhar me fuzilando.
– Onde você estava até essa hora – Minha mãe disse sentada no sofá com os braços cruzados, aquela posição sempre me deu medo
– Na casa da Sarah – Disse passando por ela e indo para meu quarto, era a maneira mais fácil de evitar uma briga com a minha mãe, pelo menos naquele momento.
Depois de um bom banho não demorou muito pra eu começar a querer cair no sono, deitei na minha cama segurando aquele maldito papel, por que eu? Por que comigo? Me fiz essa pergunta umas mil vezes antes de cair no sono.
– Você parece tão sustada, não precisa ficar assim minha pequena – Aquele olhar fixo no meu, o tom da sua voz doce e suave me acalmava.
– Você me deixa assim, nervosa por que, eu ainda não sei – Ele apenas sorriu em resposta.
– Quem é você? – Perguntei olhando fixo em seus olhos, com um sorriso perfeito ele finalmente me respondeu.
– Pode me chamar de Cristian.
Os berros do meu ex padrasto me acordaram
– Já levantei, já levantei que coisa não precisa berrar – Disse esfregando os olhos e indo até a porta – Ela ainda tá dormindo.
Ele era um saco, todo final de semana era a mesma coisa, ele chegava lá em casa para busca minha irmã fazendo o escândalo dele e eu tenho que atura. Peguei minha irmãzinha que ainda estava sonolenta, tadinha as vezes me pergunto o que minha mãe viu nesse cara. Vesti ela feito a bonequinha que ela era, beijei sua testa como de costume e entreguei minha pequena irmãzinha nas mãos daquele crápula. Eu ainda me derretia quando via suas pequenas mãozinhas me dando tchau, seu pequeno sorriso me encantava. Enquanto pensava na minha irmã fui em direção ao banheiro precisava de um banho, encarei o relógio da cozinha que marcava as 8hs da manhã
– Que saco acordar cedo em um pleno sábado — Pensei comigo mesma enquanto colocava alguma coisa para quebra o silêncio da casa.
Quando entrei no meu quarto dei de cara com papel com aquele nome que trouxe todo meu sonho que até o momento esquecido átona, pisquei algumas vezes e como de costume fui até a casa da Sarah
– Tiver um sonho estranho hoje – Disse enquanto entrava e sentava na sua cama.
– Fala então – Ela disse enquanto estava na frente do espelho fazendo Deus lá sabe o que, contei pra ela o sonho e quando finalmente terminei ela me olhou assutada.
– Você só tá associado ele ao cara dos seus sonhos que você não sabia quem era.
– Talvez… mas e o nome no sonho?
–
O papel tá mexendo com a sua cabeça – Concordei com ela e procurei fala de outros assuntos que talvez me distraíssem, bom funcionou, fizemos aquilo que as duas sabem fazer de melhor: Loucuras, dançamos ao som de Belinda requebramos junto com a Shakira, ihhh a gente fez a festa acabou que eu passei o final de semana inteiro lá foi uma bagunça só, mas como diz o ditado tudo que é bom dura pouco e novamente eu estava lá depois de um ótimo final de semana com minha melhor amiga, deitada na minha cama no meu quarto minúsculo olhando o teto amarelado ao som do choro da minha irmã, se alguém me perguntasse diria que esse final de semana por mas simples que tenha sido foi um sonho.
E mais uma vez estava eu depois de toda minha rotina chata logo cedo de manhã, indo em direção aos portões da prissão, mas hoje era diferente hoje eu estava decidida eu ia falar com ele e por mas maluca que eu parecesse ia tirar essa história do nome a limpo.
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