A onda do medo
16 Capitulo 16
–Kiron?
–Sim?
Ele tinha os braços á minha volta e segurava-me apertando contra ele. Sentia-me segura e em paz.
O som do mar percorria-nos enchendo-nos.
–Podes me descrever o que está á nossa frente?
–É isso que queres?
–Sim.
Beijou-me na cabeça.
–Tudo bem.
A parte que eu mais gostava, era que Kiron não hesitava em me dar o que eu pedia desde que me fizesse feliz.
–Estamos sentados na rocha que está afastada da areia. Temos de atravessar a água, lembras-te?
–Sim.
–Á nossa frente tens o mar tão vivo e brilhante como sempre. Posso ver um golfinho a uns 50 metros de nós. Bebé, eu acho. O sol está a pôr-se no horizonte afogando-se nas profundezas do oceano. O céu está repleto de cores quentes como se estivesse a arder. Pássaros voam em cima das nossas cabeças na maior liberdade nos observando como se fossemos únicos.- Ele aproximou a boca da minha orelha.- Nós somos únicos, Clea. Juntos, somos incríveis.
–Não me digas.- Disse sorrindo.
–Digo sim. Quantas vezes tu quiseres.
Apertou os braços ainda mais em torno de mim e pôs o queixo no meu ombro.
–Tens muito jeito com as palavras.
–Sim?
–Sim. Muito jeito. Sou-a misterioso e lindo ao mesmo tempo.
–Não me digas.
–Digo sim. Quantas vezes tu quiseres.
Ele riu e beijou-me o pescoço.
– És tu que me fazes isto, Sullivan. Fazes-me ver as coisas de outra maneira. Tudo tem mais significado quanto estou ao teu lado. Tudo parece mais vivo quando te tenho comigo. Tudo é diferente enquanto permaneceres na minha mente.
Fechei os olhos e sorri.
–É lindo, Kiron. Simplesmente lindo- Sussurrei.
–Tu és linda, Clea. Perigosamente linda, se queres saber.
Ri com a tentativa de raiva dele e comecei a cantar baixinho. Nos braços de Kiro tudo parecia mais calmo. Tudo parecia parar apenas para nós.
Sempre pensei que o amor era apenas fantasia.
Imaginei cenas de amor perdidas,
Sonhei com demonstrações internas,
Li e reli histórias de amor divinas.
E agora,
Por fim,
Descobri que historias são apenas historias.
Que nos teus braços me sinto viva.
Que para isto nasci, nisto pretendo morrer.
Aqui, apenas aqui, sou livre!
Posso-te amar!
Posso ser eu sem mentiras.
Posso sonhar,
Posso cantar,
Posso amar-te como me amas.
Já não existem mais histórias.
Acabaram-se as demonstrações.
Já não leio e relei-o.
Agora eu vivo.
Vivo o que sempre quis e atreves de ti sou livre.
Sou livre para te amar e te ter…
Apenas pra mim.
–E agora quem é que tem jeito com as palavras, hem Sullivan?- Beijou-me delicadamente e disse com emoção.- Tens uma voz linda, Clea. Uma voz perigosamente linda.
–E tu tens umas frases perigosamente incríveis. – Brinquei.
Ele beijou-me na testa e suspirou de alívio.
–Para ti, Sullivan, tudo.
– Gold Coast telefonou-me ontem.- Disse por fim.
–Sim?
–Sim. Não disse aos meus pais porque não fazia sentido.
–Eu entendo, Clea. O que eles te disseram?
–Aceitaram-me.- Uma lágrima solitária escorregou-me pelo rosto e logo a limpei.- E tive de recusar. Recusar a coisa que sempre quis. Apenas por… não vejo.
Ele virou-me para ele.
–Não chores, Clea. Não chores. Tu… podes fazer muito mais.
Mordi o lábio inferior e abracei-me a ele.
–Achas?
–Tenho a certeza, Sullivan. Tu podes tudo. Tudo! Porque tu és a minha garota e a minha garota tem um coração de guerreiro...É por isso que a amo.
–Eu também amo meu surfista.
–Ai sim? Rapaz sortudo.
–Nem tu sabes quanto.
1 Semana depois
–CLEA!- Gritou Duke.
–NO MEU QUARTO.
Segundos depois ouvi o som da minha porta.
–O que pensas que estás a fazer?
–A ouvir música.
–Não. Dave. Tens de te afastar dele.
–Porquê?
Kiron e eu tínhamos tornado esta semana inesquecível. Ele foi muito querido comigo. Ajudou-me imenso. Levou-me a á praia deserta em Dang Finch e tinha sido absolutamente incrível.
Senti falta de não poder olhar o mar azul e a floresta á nossa volta, mas Kiron fez com que tudo se tornasse mais fácil.
Mesmo cega, esta semana foi a melhor da minha vida, simplesmente por tê-lo comigo. Kiron fazia-me completa e segura. Não havia medo com ele por perto.
– Ele apenas trás sarilhos, Clea. Ele magoa tudo e todos. Tens de te afastar dele.
–Estás a exagerar.- Disse revirando os olhos.
–Não, não estou. Viu-o destruir os corações de muitas miúdas. Mas o que existe mesmo entre vocês?
–Porquê?- Perguntei sorrindo.
–Porque sempre que falamos dele tu sorris como uma idiota.
Não neguei. Era verdade. Não podia parar de o fazer. Simplesmente... não podia ok?
–Namoras com ele?
–Talvez.
–Clea!
–O que foi? Tu perguntas-te.
Ele suspirou.
–Ele vai magoar-te, Clea. Eu não quero que isso aconteça. És a minha irmãzinha.
–Duke, eu gosto dele.
–Mas e ele? Ele gosta de ti?
–Eu… eu acho que sim.
–Achas? Clea tens de ter a certeza.
Tenho, mas tenho medo de perguntar. E se apenas for e estragar tudo? Não quero acabar com algo tão perfeito.
–Duke isso é comigo.
–Não! É comigo também! Se ele te magoa…
Sorri e abracei-o.
–Não vai. Eu confio nele.
–Tudo bem- Disse abraçando-me de volta- Mas se por acaso ele te magoa, nem que seja um pouquinho que seja, eu juro que o castro.
Ri e assenti.
Irmão era um irmão
–Tudo bem. Mas não vai ser preciso.
–Vamos ver- Sussurrou mas eu consegui ouvi-lo.
Eu tinha de falar com Kiron.
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