Notas iniciais
Olá, nunca sei como começar notas, mas essas vão ser curtinhas. Isso foi um devaneio que me veio a cabeça e quis desenvolver e explorar o universo de crepúsculo e o mundo de alguns personagens. Estou nervoso com essa fic.

Divirta-se

E. Brigdes.

Será que vai ser tão difícil assim aguentar essa fome por sangue todos os dias. Eu havia sido mordido, eu senti o veneno daquele predador percorrer todo o meu corpo e mesmo quando pressenti que a morte já estava para me beijar com seus lábios frios, a vida me surpreendeu e tudo mudou.

As coisas foram se tornando mais amplas, os animais já não eram apenas simples feras. Eu escutava a respiração, via a dilatação das narinas e o movimento dos músculos através da pele. O rapaz grande, branco, bonito e com olhos dourados me encarava. Eu tentava me rebater, sentia a euforia, porém suas mãos eram fortes e me prendiam ao solo.

- Tenha calma! – Falou aquele monstro.

Com um ato de audácia e medo o joguei para o outro lado da floresta, suas costas bateram contra uma árvore que rachou. Eu fiquei espantado com a minha força, isso deveria ser obra da adrenalina... Ou estou enlouquecendo.

— O que você fez? – Perguntei me levantando do chão e ficando sobre os joelhos.

Ele se levantou como se não tivesse acontecido nada, eu pensei em correr, mas o tempo que levei para isso foi o suficiente para Emmett me imobilizar novamente. Suas mãos trabalharam em agarrar o meu pescoço e suas pernas de travarem as minhas. Eu fiquei contra o chão de novo e Emiti olhava nos meus olhos.

— Thomas, se acalme! – Pediu outra vez. – Eu não posso tentar explicar o que aconteceu se não me permitir!

Sentia o ar passar, mas era vazio. Meus olhos estavam agitados e a dor que a tempo atrás percorria minha estrutura se esvaiu como poeira. Emmett não parecia mais tão legal, ele agora me assustava. Seus dentes caninos estavam longos e isso me causava uma repugnância, eu tremi e agarrei a areia.

- Nem pense nisso, não vai querer que eu usasse o meio mais difícil para acalmar você!

- O que fez comigo?

Emit desviou os olhos balbuciou:

— Eu lhe mordi.

Disso eu já sabia, senti seus dentes perfurarem minha pele e o mesmo sugar meu sangue e aquilo foi bizarro, foi medonho e me causou pavor.

- Disso... – Engoli a saliva. – Eu já sei, quero saber o porquê de tudo ter mudado, por que dessa sede?

Emmett parecia tenso, ele tentou sorrir para mim, mas eu tiraria aquela força imensa de novo apenas para quebrar seu sorriso lindo.

- Acredita em vampiros? – Ele perguntou com um tom sarcástico, uma sobrancelha exaltada e um sorriso torto.

Eu queria rir, mas o nervosismo não deixava.

— Isso é uma brincadeira de mau gosto? – Gritei.

Ele negou.

- Isso é sério Thomas, você acredita em vampiros?

Eu neguei com dificuldade.

- É claro que não.

- Nem mesmo depois de eu ter lhe mordido?

- Você é um... Vampiro?

Temi a resposta, mesmo já sabendo.

- Sim. – Ele largou meu pescoço.

Eu me levantei assustado com pressa, não dominei a velocidade que meu corpo tomou e me choquei contra o tronco de uma árvore que seguia as minhas costas. Grunhi, me encolhi no chão e segurei meus joelhos.

- Isso não pode ser verdade!

Emmett sorrateiro se aproximou de mim e colocou seu braço ao meu redor. Eu senti seu toque e o olhei com medo.

- Não precisa ter medo.

- Estou com sede, muita sede. – Reclamei. – Minha garganta arde, o que é isso?

O maior olhou ao redor e farejou o ar, ele parecia procurar algo e com um sorriso bobo no rosto me fitou.

- Você está com fome, O.K? – Ele apontou para além das copas das árvores e se eu ainda me senti-se comum não conseguiria ver o felino da montanha que se escondia ali. – Consegue ver?

Eu assenti.

- Sim, é um puma.

Ele mordeu o lábio inferior e continuou a sorrir.

- Aquilo é o seu almoço!

Eu ri confuso e fiquei esperando que aquilo fosse mais uma de suas brincadeiras, no entanto ele vinha falando sério mesmo que estivesse com aquele sorriso sacana estampado no rosto.

- Quer que eu coma aquele puma?

- Não eu quero que você beba dele!

- Beber?

- Sim, você vai beber o sangue dele!

Eu neguei.

- Mas por quê?

- Porque agora você é que nem eu, um vampiro!

- Porque fez isso comigo?

Emmett olhou para o chão.

- Me desculpa, mas se não caçar aquele puma, vai querer caçar humanos... Da pior forma eu conheci aqueles que matam os vampiros que causam problemas, você não vai querer conhecer eles! – Emmett me colocou de pé e apontou outra vez para o Puma escondido entres as copas das árvores ao longe. – Vá caçar, sinta a emoção que é ser livre, ser forte e ágil... Mate aquele puma!

Aquelas palavras impulsionaram algo primitivo e selvagem que existia dentro de mim, eu avancei. Meus pés trabalhavam na terra e no ar, eu sentia que estava veloz e que meus reflexos eram mais fortes, pois os pássaros e os galhos que apareciam na minha frente pareciam estar em câmera lenta. Com as mãos eu escalei a madeira que se estendia para o alto e avistei o felino gigante que rosnava para mim, eu grasnei para o mesmo e avancei. O puma saltou para longe do meu alcance, todavia meus instintos agiram e saltei em direção do Puma. Meus braços agarram o corpo do animal e o apertei com força, senti suas costelas quebrarem e minhas unhas rasgarem a pele de sua garganta. O cheiro do sangue me invadiu as narinas e sem hesitar cravei minhas presas em sua arteira, comecei a drenar seu sangue e sentir a garganta aliviar aos poucos. Depois de alguns minutos o sangue havia acabado e o felino estava seco, eu estava agitado e o ardor voltou.

- Mais eu quero mais!

Emmett apareceu ao meu lado e parecia orgulhoso.

- Você foi demais, sabia?

O ignorei e saltei por cima de sua cabeça e corri até encontrar outro animal, dessa vez era um cervo. Ele tentou fugir quando viu que estava correndo em sua direção, mas fui veloz de mais para a corça. Com brutalidade agarrei seu pescoço e a joguei contra o chão. O osso do pescoço estralou e sem cerimônia mordi o pescoço e comecei degustar o sangue.

Emmett pousou na minha frente e ficou acocado observando enquanto eu me alimentava.

- Você aprende rápido, não é mesmo?

Eu olhava pra ele enquanto terminava de beber o liquido quente que saciava minha sede ardente. Larguei o pescoço do animal e toquei meus lábios, passei a ponta do meu dedo indicador pelas minhas presas e senti que eram pontudas.

Emmet gargalhou baixo.

- Com fome, ainda?

- Não... Na verdade sim. – Eu me sentia confuso.

- Quer que eu lhe ajude a caçar, posso conseguir um urso para você?

Encarei os olhos vazios da corça morta, parte de mim se sentiu mal. Eu ainda tinha minha humanidade e só agora eu notei que tirei a vida de dois animais, apenas para saciar minha necessidade.

- Eu matei...

- Sim, você matou!

- É errado!

- Não mesmo, isso é sobrevivência.

Limpei a mancha de sangue no meu rosto usando as mangas frouxas do meu casaco, eu queria usar aquela minha velocidade para fugir, mas ele iria me alcançar e não me deixaria fugir. Eu olhei para o céu nublado e agradeci pro não existir sol, se eu era um vampiro iria queimar com os feixes luminosos.

Emmet ainda tinha seus olhos amarelados sobre mim e sorria como uma criança.

- Está com medo de o sol aparecer?

- É claro, vamos morrer se... – Ele riu da minha cara.

- Não exatamente. – Ele coçou a cabeça. – Como é que vou explicar, bem que Edward poderia estar aqui para me ajudar a explicar isso... Como que ele fez isso com a sonsa da Bela?

Emmet falava de pessoas que eu não conhecia e isso me incomodava, ele notou isso, pois eu estava o encarando com raiva.

- O que foi?

- Nada.

Ele deu de ombros.

- Enfim... Eu não sei como explicar sabe... Não sou bom com palavras, mas se quiser posso lhe mostrar o que acontece.

As nuvens no céu eram cinza escuro, aquele era um sinal de que vinha chuva pela frente. Eu conseguia escutar o barulho dos trovões ao longe, era impressionante e fascinante como meus sentidos estavam amplos e afiados. O sol não se mostraria tão cedo e eu não conseguiria ver o que acontece com um vampiro quando o mesmo entra em contato com o sol, eu não iria saber hoje se entrar em exposição com a luz dourada iria colocar meu corpo em chamas, ou se iria ter outra reação.

- Não temos sol!

Ele sorriu.

- Eu sei Thomas, mas você vai ter uma eternidade para descobrir isso!

Uma eternidade, fora isso que ele falou. Nunca pensei que essas palavras seriam tão pesadas em minha vida, na verdade eu nunca pensei que as escutaria de alguém como Emmett. Acho que ter me envolvido com ele dói o meu maior erro, eu não sabia que tipo de pessoa ele era. Vamos lá, qualquer um morrendo de fome e louco por uma diversão iria aceitar o que o grandão me propôs dirigindo seu Jeep Wrangler.

Aceita uma carona, e quem sabe mais que isso? - Foi isso que ele disse. E eu não pensei duas vezes, entrei no seu carro e quando entramos na floresta pensei que iria transar, mas terminei onde estou agora. Com Emmett avançando em meu pescoço e me transformando em um vampiro.

- Ei, no que está pensando? – Emmett chamou minha atenção estralando os dedos.

Acordei do meu devaneio e encolhi meus braços uns nos outros. Ele era maior, Emmet chegava a ser intimidador, porém algo dentro de mim fazia com que me sentisse melhor perto do mesmo. O celular de Emmett tocou e o mesmo atendeu.

- Alô?

Eu não queria, mas minha superaudição de vampiro escutou a voz feminina irritada no outro lado da linha. Tentei não encarar Emmett, pois o mesmo ficou emburrado.

- Onde você está? – Perguntou a mulher na linha.

- Estou longe, em um bosque! – Emmet respondeu ríspido.

- Fazendo o quê?

Ele olhou para mim e isso fez com que meu coração, ou sei lá se esse ainda funciona. Palpitar.

- Negócios...

A mulher riu.

- Não seja sínico, quando vai voltar?

Ele bufou.

- Hoje, chego ao jantar e Rose... É melhor preparar a casa, estou levando uma surpresa.

A mulher ficou em silêncio por alguns segundos até responder.

- Que tipo de surpresa?

- Uma nada agradável! – Emmett desligou o celular e andou até mim.

- Vamos! – Ordenou.

Ele passou na minha frente e eu segui os seus passos, ele andava depressa e eu pensativo.

- Para onde vamos? — Perguntei.

- Para minha casa! – Respondeu Emmett.

Emmett entrou no Jeep e eu logo em seguida. Eu queria contrariar ele, porém não poderia. Queria falar que minha família estava a minha espera, no entanto eles não estavam. Fugi de casa com meu irmão, meu pai nos batia e não aceitava a minha opção sexual e nem a dele. Meu irmão morreu há dois meses quando um assaltante tentou roubar nosso carro, levou uma facada na garganta e faleceu nos meus braços. Eu vinha morando em hotéis e trabalhando em lanchonetes no decorrer do tempo. Agora sou um vampiro sedento por sangue e horrorizado com essa realidade que foi jogada na minha cara.

- Tem família?

Eu neguei.

- Ninguém... Não tenho ninguém.

- Meio impossível não acha?

- E você, tinha família quando virou vampiro?

Ele me olhou pelos cantos dos olhos.

- Como sabe que fui transformado?

Eu virei o foco da minha atenção para a floresta.

- Eu não sei, foi apenas uma intuição.

- Hum, boa intuição. – Ele disse. – Foi uma garota, o nome dela é Rose... Meio estressada, mas muito linda.

- Porque está me levando para sua casa?

Ele desviou atenção da pista e ficou me encarando até voltar a dirigir.

- Por que você é meu recém-criado, acho que isso é um bom motivo... Eu sou responsável por você!

- Obrigado.

- Pelo o quê?

Eu hesitei.

- Por não ter me abandonado!

Notas finais
Então, o que acharam? Preciso saber. Valeu por terem lido até aqui. Até o próximo capitulo.